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20110824

Sem arrependimentos

Programa entrevista o cantor de mantras americano Krishna Das - CBN

Krishna Das 'está' cantor de mantras e kirtans.

Kirtans são canções onde há um 'perguntador' e respondedor(es), formalmente o segundo repete o que o primeiro canta, prestando atenção para imitar o ritmo e melodia (duração e altura dos sons).
[O sapateado Flamenco tem disso, de perguntar e responder... é kirtan feito com o coração pelos pés.]

Mantras são ferramentas (tra= sufixo que sugere instrumentalidade) para o pensamento (man).

'Em contextos yogues, mantra significa fonemas numinosos com significados que podem ou não ter um sentido comunicável. (...) Mas esse é só um propósito dos mantras. Em geral, são empregados como simples mecanismos mágicos para se alcançar fins mundanos.'
Georg Feuerstein, em Enciclopédia de Yoga da Pensamento, pag.147)

O uso destas canções geralmente está vinculado à uma atividade devocional ou religiosa.
O Mantra-Yoga é um elemento tardio na longa história do Yoga, descendendo de práticas mágicas para a realização dos desejos que foram incorporadas no Yoga como ferramentas de percepção e realização do Si Mesmo.

Na prática do Yoga, o mantra e o kirtan pode ser utilizado como ferramenta para prestar atenção, ficar presente, estar consciente.

Qualquer som pode ser usado como mantra ou kirtan, se a proposta é prestar atenção, é descobrir o melhor de si mesmo. Agora, para fazer mágica=encanto=prestidigitação=ilusionismo, num serve não.

Me lembro vivamente de um show do Naná Vasconcelos no século passado, década de 80, que fui expectadora, onde ele fez um som com ajuda da plateia: era, segundo a proposição dele, o som da chuva na floresta. Ele dividiu o público em duas partes, metade batia palmas segundo um ritmo específico proposto por ele e a outra metade, ao mesmo tempo, cantava Aaaaahhhh; ele ia alternando a atividade dos dois grupos. Virou um instrumento de prestar atenção, de garimpar o melhor de cada um por si mesmo.

Então, cada um pode usar os sons como prefere, quer atribuindo ao som um poder mágico, quer usando o som como ferramenta de poder, pois o maior poder que podemos ter é o poder da coordenação de todas as nossas atitudes (= auto-controle).

20100802


"Meu (...) objetivo é mostrar a relevância dos ensinamentos morais do Yoga para a humanidade contemporânea, especialmente à luz  da crise global atual. Sei que moralidade  é um termo da moda (...). Talvez seja precisamente a visível ausência de uma perspectiva moral em nossa sociedade ocidental contemporânea que torna algumas pessoas intolerantes em relação à própria palavra. (...)
Eu gostaria de iniciar dizendo que o Yoga não deve ser medido pelo charme de suas posturas físicas espetaculares, ou os estados fabulosos de meditação, que produzem tanto fascínio em nós, nos tempos modernos. (...)
O cerne do processo do Yoga, que conduz o praticante de um estado de existência inautêntica até o ser autêntico, não é glamuroso e prossegue por meio da transformação gradual e silenciosa do corpo-mente de cada pessoa e de sua vida diária. Assim, a base de toda prática genuína de Yoga, como de qualquer outra disciplina espiritual no mundo, reside no campo do comportamento moral. É impossível ser um bom yogue ou yoguinī sem ser também um indivíduo moralmente maduro."
George Feuerstein, em "As virtudes do Yoga: antigos ensinamentos para esta época de crise global", pag  15 e 16

20090216

Drops Yoga Sutra



Obs.: Clique na imagem para ver ampliada.

Os Yoga Sutras é um tratado dedicado exclusivamente ao Yoga, que surgiu por volta do século III a.C., atribuído à Patãnjali. É fonte de estudo e um manual de orientações valioso para quem pratica e investiga a tradição do Yoga de forma honesta e autêntica.

É composto por 195 versos ou sutras (sutra = fio, 'aforismo conciso que serve como artifício para memorizar os ensinementos sagrados'[1]) , distribuídos em 4 capítulos:

  • Samadhi Pada ou Capítulo sobre o Êxtase, com 51 aforismos;
  • Sadhana Pada ou Capítulo sobre o Caminho da Realização, com 55 aforismos;
  • Vibhuti Pada ou Capítulo sobre os Poderes, com 55 aforismos;
  • Kaivalya Pada ou Capítulo sobre a Libertação, com 34 aforismos.


  • Daqui em diante o título DropYS indica a postagem de um aforismo e o número que acompanha o título indica o sutra comentado.

    A tentativa é de que o comentário seja conciso e simples, acessível.


    [1] Feuerstein, Georg: Enciclopédia de Yoga da Pensamento