É preciso estar atento e forte.
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20150210
20110701
O caminho da felicidade no aasana
- Lembre que os aasanas somente são Yoga quando são feitos agora, com atenção plena e cultivando o desapego em relação ao corpo.
- O aasana é um meio para se conseguir meditar em paz, e não um fim em si mesmo.
- Iyengar destaca 6 (seis) aspectos considerados fundamentais para alcançar o sucesso na prática: entusiasmo, perseverança, coragem, interesse em buscar a verdade, confiança nas palavras do seu professor e a companhia de pessoas positivas que incentivam sua prática;eu incluo mais 1 (um) que é prestar toda a atenção. Tudo junto é o nosso 7 belo.
- Desapegue: pratique todas as posturas com igual interesse e afinco, independente de seu elo emotivo (mais facilidade ou mais apreço) com cada aasana.
- Evite deixar-se arrastar pelo falatório da mente enquanto estiver praticando.
- Seja pragmático e eficiente. Não se enrole nos meandros da mente . Evite distrair-se.
- Quanto mais inteligência na ação, mais clareza na mente.
- Ouça todas as instruções, especialmente as que dão a direção do movimento (ações externas) e indicam as atitudes (ações internas), preste toda a atenção na demonstração (se houver): elas existem para evitar o sofrimento. Antes de você fazer o aasana hoje, ele já foi executado miríades de vezes antes, as instruções são o supra sumo dos melhores frutos de todas estas execuções.
- Não tente se concentrar no que você não consegue fazer: focalize sua atenção no que lhe resulta possível hoje. Leve em consideração que as fronteiras da flexibilidade e do alongamento mudam continuamente.
- Seja paciente: cada aasana revela as dificuldades do corpo, mas é ao mesmo tempo a ferramenta para corrigir aquelas que podem ser superadas agora, ou aceitar as que não podem ser mudadas atualmente.
- Seja confiante: não tenha medo das posturas, mas não force seu corpo além de seu limite. Respeite seu ritmo e aproveite o engajamento corporal do Yoga.
- A dor física que pode surgir na prática tem dois diferentes aspectos: um aspecto está vinculado ao corpo; o outro, às emoções. É preciso saber distinguir essas duas fontes de dor. Dentro da dor física, é preciso separar a construtiva da destrutiva. A dor construtiva é a que você sente quando trabalha e fortalece a estrutura ósseo muscular. A dor destrutiva é a que se sente dentro das articulações, ou quando nervos são comprimidos.
- Evite ficar tenso na postura. Relaxe no esforço, como ensinou Patañjali. Mantenha o corpo firme, mas não duro. Leve, mas não mole.
- Aprenda a ouvir o diálogo entre o corpo e o aasana.
- Lembre que não existem posturas perfeitas.Adapte as posturas a seu corpo com inteligência, fazendo uso dos acessórios de modo adequado e prestando atenção nas instruções de direção de movimento. Nunca adapte seu corpo ao aasana, ou tente imitar o seu vizinho de tapete, pois isso é violência.
- Nos aasanas e na vida, na medida em que a consciência se expande, aprendemos a identificar os momentos em que começamos a sair do estado de equilíbrio, e assim adquirimos a habilidade de corrigir o rumo antes que o desequilíbrio se manifeste.
- A respiração não deve ser nem muito lenta, nem muito rápida. Ela deve ser eficiente, sem forçar nem fazer demasiado ruído.
- O movimento do corpo deve ser adaptado ao movimento respiratório, e não o contrário.
- A uniformidade da respiração determina se podemos permanecer na postura, ou devemos sair dela.
- Quando você se descobre retendo a respiração em situações difíceis, é preciso tomar consciência de que esta tendência a segurar o ar é um reflexo da identificação com suas próprias limitações e medos.
Por que praticar Yoga?
Yoga faz bem pra quê? Yoga emagrece? Enrijece? Acalma? Relaxa?
Bem, são muitas as questões sobre Yoga e as explicações também não são poucas. Fazer uma aula e sentir o estilo que melhor lhe cai bem é uma boa opção para que você tire suas próprias conclusões.
Existem diferente linhas de Yoga e cada uma faz bem para um certo biotipo, assim como cada professor tem também sua maneira de conduzir a aula. Mas todas as aulas devem conter os ásanas (exercícios psico-físicos), pranayamas (controle da bio-energia) e relaxamento com atenção plena, que requer o “estar consciente”.
Uma aula de yoga deve lhe trazer bem-estar após a prática.
Você não vai apenas gastar energia, e sim, direcionar essa energia aos pontos corretos de seu corpo e relaxar a mente.
A prática contínua faz com que você pare um pouco a correria do dia-a-dia e ganhe mais se conhecendo... e ficando consigo mesma!
Quando você se conhece melhor você consegue perceber os sinais que seu corpo físico lhe fornece, antes que alguma doença se instale. Você conseguirá perceber a cada dia mais, se sua postura está correta ou não, se sua respiração está curta e ofegante (o que aumenta o nível de cortisona no corpo, aumentando o stress), ou se está calma e profunda. Como deveria ser sempre com a atenção total que você deve ter em cada movimento e aprendendo a conduzir sua respiração, você já vai começar a sentir os benefícios dessa prática milenar.
O processo vai se intensificando. Quanto mais você praticar mais facilmente vai encontrar de volta seu próprio eixo, respeitando seus limites, percebendo suas qualidades e desbloqueando alguns pontos de energias que podem estar estagnados. Resultado: mais saúde!
Os ásanas são um meio de nos conhecermos mais. Existem posturas de equilíbrio, torção, flexões, extensões e todas elas requerem uma manutenção. O meio para que se chegue a cada postura é o passo mais importante, e não o resultado. Estar concentrado em fazer a postura (ásana + respiração) é de total relevância. Os resultados vêm pela continuidade da prática.
Os pranayamas nos levam a manter esse “foco de atenção plena”. A capacidade respiratória vai sendo expandida e assim, nos tornamos mais calmos e com pensamentos mais lúcidos.
Com a mente focada deixamos os outros pensamentos, aqueles repetitivos e que apenas nos atormentam, cada vez mais de lado, para que nossa concentração esteja 100% no momento presente.
Numa aula de Yoga trabalhamos o corpo físico, o corpo energético, o emocional e a mente consciente e inconsciente. Então, achar que o Yoga apenas emagrece ou enrijece os músculos é subestimar essa prática.
O Yoga faz muito mais do que isso. Mas nada melhor do que você mesma comprovar.
Namastê e boa prática!
20110628
Pescado: Prática e desapego
O espetáculo das virtudes que se nutre da atenção plena ( o cara está atento no presente) e relaxamento na ação ( ele move apenas os músculos essenciais com o tônus necessário e mantém a respiração estável, serena e profunda).
Via Rosana Hermann
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20110622
Pescado: Trabalhando com as dificuldades
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| Ilustração: Eva Uviedo |
(Sarah Doering, in acessoaoinsight)
Agora, o que vou dizer sobre trabalhar com a raiva se aplica a qualquer emoção aflitiva. Portanto, se a raiva não for a sua principal preocupação no momento, mas o desejo ou o medo, ou a inveja, ou alguma outra coisa, por favor, preste atenção com cuidado, pois as mesmas palavras são aplicáveis.
Se você estiver sentado e de repente acordar para o fato de que está com raiva, com muita raiva – dê um passo para fora da estória que está se desenrolando na sua mente. Deixe de lado o pensar. Faça uma pausa e permaneça com a sensação de raiva, não importa quão desconfortável ela for. A sensação poderá ser de total repugnância, uma massa confusa, pesada, quente e que queima. Cada emoção possui o seu toque particular e quando ela assume o comando, parece ser uma entidade sólida, substancial, que não tem fim.
Na verdade, a raiva não é sólida, mas uma combinação de diferentes componentes: pensamentos, que fazem a estória ficar dando voltas; um toque emocional em particular; e numerosas sensações corporais. E tudo isso, assim como a própria raiva, é transitório. Surge e desaparece, surge e desaparece.
Tente deixar de lado os pensamentos. Abandone a estória que está se desenrolando na mente: “Ele fez isso, ela disse aquilo, isso não é justo ...”. Esses pensamentos são a expressão da raiva e também o seu alimento Abandone-os e traga a atenção para as sensações no corpo. Permita-se sentir, sinta completamente a emoção, diretamente. Olhe para ver o que está acontecendo. Há calor, há pressão, há tensão, há contração? Onde no corpo estão sendo experimentadas essas sensações? Elas se movem? Elas mudam? Qual a sua relação com elas? Há resistência contra elas? Se houver resistência, permaneça com ela e sinta-a.
Se o pensamento for tão forte que fica puxando-o de volta para a estória, faça uma pequena anotação mental “pensando”, “pensando”. A anotação mental mantém viva a atenção plena e é um cordão de sanidade. Ela nos recorda do que na verdade está acontecendo exatamente neste momento – que, muito simplesmente, são pensamentos enraivecidos surgindo na mente.
Quando a raiva for forte e custar muito trabalho permanecer no presente, respire fundo algumas vezes, respire através da raiva e depois regresse para as sensações no corpo quando puder. Acima de tudo, aceite o fato de que a raiva está aqui. Abra-se para ela. Dê permissão, com suavidade. Ficar contrariado e enraivecido com a raiva só aumenta a raiva e aumenta a dor.
Se a emoção for demasiado intensa para ficar sentado, faça meditação andando. Caminhe rápido. Traga a atenção plena para o caminhar. Ou pare e desfrute da natureza. Olhe para os campos e as árvores contra o céu. Olhe para os pássaros e as pequenas criaturas. Mas não se entregue aos pensamentos. Tenha atenção plena. Pois quando temos atenção plena, não há raiva. A raiva desaparece. Isso é verdade para qualquer emoção negativa. Quando a atenção for incondicional, a negatividade simplesmente desaparece.
Pescado: apenas uma folha...
(Sarah Doering, in acessoaoinsight)
| Ilustração: Eva Uviedo Faz muitos anos, eu tive uma dessas experiências que fez com que o meu entendimento da prática mudasse significativamente. Foi numa época em que eu estava muito triste. Parecia que o fim do mundo havia chegado para mim. Alguém que eu amava muito havia partido e era improvável que fosse voltar. Caminhando no jardim em frente à minha casa, distraída, peguei uma folha dum arbusto. E depois, por alguma razão, parei e olhei para a folha na minha mão. Minha atenção foi de alguma forma atraída pela folha e comecei a estudá-la com cuidado. Eu fiquei parada, olhando para a pequena folha, as suas veias, as bordas delicadas, a sua suavidade, o seu brilho, o seu verde intenso. E de repente compreendi que aquela tristeza pesada e obscura que estava me deprimindo, havia partido. Meu coração estava completamente leve e em paz. O contraste entre ser engolida pela tristeza e a repentina libertação para a leveza e a paz foi tão forte que o pensamento surgiu: “Essa folha é mágica?” Eu não compreendi em absoluto o que havia acontecido. A mudança foi tão grande, tão completa, que supus que ela tinha de ser causada por algo fora de mim mesma. E com cuidado eu trouxe a folha para dentro da casa. Eu não havia compreendido que a mudança do sofrimento para a paz havia acontecido simplesmente porque por alguns momentos a minha mente esteve focada e plenamente atenta. Na manhã seguinte, eu peguei uma outra folha para ver se ela tinha o mesmo poder, como se a felicidade repousasse numa folha. É claro que não funcionou. Eu só fui compreender muito mais tarde que quando a atenção plena é completa, não há tristeza, não há raiva – pois não há pensamento. O “pensamento” e o “entregar-se ao ciclo de pensamentos”, permitindo que eles sigam indefinidamente, é que faz com que nos sintamos infelizes e nos mantêm infelizes. Quando o pensamento é cortado, as aflições mentais desaparecem. Dukkha é substituído pela felicidade de uma mente alerta e tranqüila. Aquele momento com a folha foi uma grande lição para mim. Pois foi através disso que pude enxergar o poder extraordinário da atenção plena – o seu poder curativo. Quando a atenção está totalmente com algo, qualquer coisa, não há espaço na mente para a tristeza ou para a raiva, ou qualquer outra emoção negativa. Só a atenção está presente. E a paz que provém da completa atenção está acima de qualquer comparação. Se tivesse sido possível transferir aquele tipo de atenção cuidadosa, que havia sido dada para a folha, para qualquer coisa que eu fizesse e sustentar essa atenção, a tristeza não teria nunca retornado. Mas é claro, ela retornou. Aquele momento de presença completa foi apenas um descanso para a minha mente. Foi um tremendo alívio, mas não deu um fim à minha dor, e nem poderia. Para que isso, acontecesse, algo mais era necessário. Na próxima vez que a tristeza surgiu, ao invés de buscar pela cura mágica numa folha, como (para ser honesta) eu continuei fazendo por vários dias, eu deveria ter me voltado para o próprio sentimento de tristeza. Eu deveria ter estado atenta permitindo a mim mesma senti-lo completamente. A menos que seja possível ficar plenamente atenta o tempo todo, do que eu não era capaz, a única forma de finalmente resolver qualquer emoção aflitiva é enfrentá-la de frente, abrir-se para ela, e trazê-la totalmente para a consciência. Quando for completamente compreendida, ela irá se dissipar e desaparecer. Em geral não é possível fazer isso de imediato, é óbvio. Pode ser demasiado doloroso. Então, temos que respeitar as nossas limitações e seguir num passo apropriado. Ao mesmo tempo, é importante compreender que, quando estamos numa situação desagradável que não pode ser mudada, quanto mais rápido a resistência for abandonada, tanto mais rápido estaremos em paz. É bom senso, nada mais. De outro modo, continuaremos batalhando para viver num mundo que não existe, um mundo de fantasia, de como desejaríamos que as coisas fossem, mas não são. Estaremos em dessintonia com aquilo que está acontecendo no momento e o sofrimento será inevitável. O abandono, com a rendição à realidade do momento presente, é a única coisa realista a ser feita. Aceitar uma determinada situação não significa que você precisa gostar dela. Significa simplesmente que, quer gostemos ou não, ela está ali. |
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O abandono com rendição é observar o que acontece na vida, de cara limpa,de olhos abertos, sem mentirinha de papelzinho, sem falsa persuasão.
Viajar, ir para um retiro no final de semana, mudar de ares, pode ser uma forma de fuga, de abandono de si mesmo, de desistir da vida.
Olho vivo e faro fino: é preciso estar atento e forte (hatha).
20110601
20110505
Transformação ou crise?
Toda prática de aasana é uma oportunidade para uma transformação, que pode se transformar numa crise quando temos de enfrentar uma situação 'limite', como um aasana que desgostamos ou uma temível permanência, ou simplesmente fazer o empenho, a volição de manter a mente atenta e relaxada e prestar atenção nas atividades durante a aula.
Muitos praticantes desenvolvem resistências (a mente e a emoção do praticante luta contra os processos de deslocamento da zona de conforto=acomodação que a prática do Hatha Yoga instiga.) e as exibem em sala de aula, geralmente sob a forma de uma pergunta ou atitude totalmente desconectada do que ocorre da aula, como por exemplo, citar ou 'executar' uma instrução que não foi dada, fazer perguntas (repetitivas ou não) quando o processo de relaxamento já está iniciado. É interessante prestar atenção: quem está presenciando a ação não deve se apegar ao ato do colega para estabelecer uma avaliação da qualidade da aula ou do dicernimento do professor, quem está atuando deve se observar em ação para ter a oportunidade de deixar de ser resistente e de se auto-boicotar.
Segue abaixo o relato de Ana Paula Malagueta Gondim, contando como venceu uma resistência emocional:
ÁSANA, O TESOURO PERDIDO
Muito já se disse e especulou sobre os ásanas, a começar muitas décadas atrás por Patañjali:
'Ásana é [a postura do corpo], firme e agradável. [O ásana] transcende-se ao relaxar no esforço e meditar no infinito. Assim, consegue-se o estado de transcendência das dualidades.'
Yoga Sutra, II:46-48.
Nos dias de hoje, muitos praticam sequências ou séries pré-estabelecidas de aasanas, outros através do alinhamento corporal e alguns dizem que se preocupar apenas com o excelência no desempenho nos aasanas deve ser secundário e foge do objetivo do Yoga.
Por isso tudo e mais um forte desejo pessoal, gostaria de compartilhar a minha visão sobre os aasanas, tendo em vista uma experiência muito marcante para mim.
Há uns três anos atrás resolvi praticar com maior intensidade alguns aasanas de força, muito mais pelo tapas e incentivo de uma pessoa próxima a mim. Praticávamos juntos e isso me mantinha estimulada. Uma das partes mais difíceis era o momento de treinar o chaturanga dandásana. Eu detestava profundamente esta postura, desistia fácil. Mas como praticava com outra pessoa, está me incentivava a continuar persistindo.
Até que chegou um dia em que fiquei por um longo tempo neste ásana, longos minutos.... parecia uma eternidade, os ponteiros dos relógios pareciam congelados. Tentava desesperadamente me concentrar apenas na respiração, respirava, respirava e mesmo assim o tempo se arrastava. Dizia para mim que não ia desistir, mesmo que tremesse tudo. Eu não estava disposta a desistir. A postura não estava me machucando, eu estava respeitando 100% o ahimsa, então poderia continuar. Depois que o tremor do corpor cessou, inicio-se uma batalha interna. Minhas emoções e minha mente estavam armadas da cabeça aos pés, dispostas a tudo para me fazer desistir da permanência, que já se estendia por alguns minutos.
Percebi então, que a única coisa que eu poderia fazer no momento era respirar e observar. O fato foi que o jogo foi sujo. Começou a me bater um desespero. Eu senti uma vontade imensa de gritar e junto com essa sensação surgiu um forte tremor, que não era percebido fisicamente a olho nu. Tudo isso acontecia no meu universo interior. Parecia que o meu anaahata chakra ia explodir e que o manipura iria transbordar. Eu estava sentindo muito, muitas coisas. Eu não conseguia controlar ou entender o que sentia. Foi exatamente neste momento que comecei a chorar. Chorei, chorei e me debulhei em choro.
O choro passou. E com ele levou toda a guerra junto. A única coisa que ficou foi uma gostosa sensação de vitória. Eu havia vencido uma guerra interna. Eu havia vencido a mente e as emoções que tentaram sabotar minha permanência. Pois eu ainda estava firme e forte no ásana. Não existia tremor algum no meu corpo. Eu respirava tranquilamente quando tudo terminou. Finalmente percebi que agora pudia desfazer a postura.
Permaneci um bom tempo apenas ali. Deitada tentando juntar as peças do quebra-cabeça e compreender o que tinha acontecido. O que inicialmente seria apenas mais uma prática de Yoga, se tornou em uma incrível descoberta. Ali, em meio a permanência dissolvi um vaasanaa (extremamente forte, só para salientar), se fez a luz e pude claramente enxergar. O karma que havia gerado um vaasanaa que havia formado um vritti. Ufa! Uma coisa a menos, no meio de tantos samskaaras.
Foi uma experiência totalmente surpreendente para mim. Foi a primeira vez que algo deste tipo havia acontecido. E aconteceu em um aasana! Todos os paradigmas e pré-conceitos estabelecidos depois daquele dia se foram e a prática de aasanas nunca mais foi a mesma. Percebi que há muito mais por de trás de um simples alongamento e esforço muscular. Há um universo além da manutenção do corpo e através das estradas de prana.
Os aasanas são aqueles que nos conduzem há um universo onde os músculos, as articulações, os órgãos e os ossos são o espelhos das nossas experiências passadas. Carregados do que somos. O simples fato de colocar o corpo de uma forma única nos leva a uma experiência diferenciada. A permanência nessas porturas ajudam a dissolver condicionamentos desenvolvidos ao longo das vidas. A liberar emoções presas nos chakras e a permitir que essa energia escoe por todo o nosso Ser. Levando esta energia a entrar em comunhão com o restante do corpo-mente. Nos tornando inteiros de consciência. Pura consciência.
Desde então faço questão de compartilhar isso com meus alunos, sempre que posso. Discursando que quando moldamos nosso corpo em uma postura, nos tornamos ela, de corpo e alma. Da importância de aproveitar a permanência e se observar. Depois que você checou se o corpo está bem posicionado, de que o alinhamento está correto e de há conforto, a viagem começa. A viagem em busca do tesouro perdido. Não estamos em busca de apenas colocar o pé atrás da cabeça, se fosse só isso, mandaria todos para o circo. Queremos mais! Queremos o tesouro.
Mergulhamos então na respiração que nos conduz pelo corpo e sentimos a nossa presença do dedão do pé ao último fio de cabelo. E cada novo ciclo respiratório, cada molécula de praana que percorre nosso corpo é uma nova oportunidade de sentir. Entender como nos sentimos naquela postura. O que passa pela nossa cabeça na permanência. Que tipo de emoção emerge. Permitir-se viajar pelo nosso Universo Interior. Pelo desconhecido, sem medo de defrontar as limitações e de superar o que antes era um muro interminável. Como o era aquela postura para mim. E viajar, sem se preocupar com o tempo, com o ganho final. Ishvara Pranidhana. Entregue-se. Busque o tesouro perdido: o Ser.
Om shanti! Om prema!
Muito já se disse e especulou sobre os ásanas, a começar muitas décadas atrás por Patañjali:
'Ásana é [a postura do corpo], firme e agradável. [O ásana] transcende-se ao relaxar no esforço e meditar no infinito. Assim, consegue-se o estado de transcendência das dualidades.'
Yoga Sutra, II:46-48.
Nos dias de hoje, muitos praticam sequências ou séries pré-estabelecidas de aasanas, outros através do alinhamento corporal e alguns dizem que se preocupar apenas com o excelência no desempenho nos aasanas deve ser secundário e foge do objetivo do Yoga.
Por isso tudo e mais um forte desejo pessoal, gostaria de compartilhar a minha visão sobre os aasanas, tendo em vista uma experiência muito marcante para mim.
Há uns três anos atrás resolvi praticar com maior intensidade alguns aasanas de força, muito mais pelo tapas e incentivo de uma pessoa próxima a mim. Praticávamos juntos e isso me mantinha estimulada. Uma das partes mais difíceis era o momento de treinar o chaturanga dandásana. Eu detestava profundamente esta postura, desistia fácil. Mas como praticava com outra pessoa, está me incentivava a continuar persistindo.
Até que chegou um dia em que fiquei por um longo tempo neste ásana, longos minutos.... parecia uma eternidade, os ponteiros dos relógios pareciam congelados. Tentava desesperadamente me concentrar apenas na respiração, respirava, respirava e mesmo assim o tempo se arrastava. Dizia para mim que não ia desistir, mesmo que tremesse tudo. Eu não estava disposta a desistir. A postura não estava me machucando, eu estava respeitando 100% o ahimsa, então poderia continuar. Depois que o tremor do corpor cessou, inicio-se uma batalha interna. Minhas emoções e minha mente estavam armadas da cabeça aos pés, dispostas a tudo para me fazer desistir da permanência, que já se estendia por alguns minutos.
Percebi então, que a única coisa que eu poderia fazer no momento era respirar e observar. O fato foi que o jogo foi sujo. Começou a me bater um desespero. Eu senti uma vontade imensa de gritar e junto com essa sensação surgiu um forte tremor, que não era percebido fisicamente a olho nu. Tudo isso acontecia no meu universo interior. Parecia que o meu anaahata chakra ia explodir e que o manipura iria transbordar. Eu estava sentindo muito, muitas coisas. Eu não conseguia controlar ou entender o que sentia. Foi exatamente neste momento que comecei a chorar. Chorei, chorei e me debulhei em choro.
O choro passou. E com ele levou toda a guerra junto. A única coisa que ficou foi uma gostosa sensação de vitória. Eu havia vencido uma guerra interna. Eu havia vencido a mente e as emoções que tentaram sabotar minha permanência. Pois eu ainda estava firme e forte no ásana. Não existia tremor algum no meu corpo. Eu respirava tranquilamente quando tudo terminou. Finalmente percebi que agora pudia desfazer a postura.
Permaneci um bom tempo apenas ali. Deitada tentando juntar as peças do quebra-cabeça e compreender o que tinha acontecido. O que inicialmente seria apenas mais uma prática de Yoga, se tornou em uma incrível descoberta. Ali, em meio a permanência dissolvi um vaasanaa (extremamente forte, só para salientar), se fez a luz e pude claramente enxergar. O karma que havia gerado um vaasanaa que havia formado um vritti. Ufa! Uma coisa a menos, no meio de tantos samskaaras.
Foi uma experiência totalmente surpreendente para mim. Foi a primeira vez que algo deste tipo havia acontecido. E aconteceu em um aasana! Todos os paradigmas e pré-conceitos estabelecidos depois daquele dia se foram e a prática de aasanas nunca mais foi a mesma. Percebi que há muito mais por de trás de um simples alongamento e esforço muscular. Há um universo além da manutenção do corpo e através das estradas de prana.
Os aasanas são aqueles que nos conduzem há um universo onde os músculos, as articulações, os órgãos e os ossos são o espelhos das nossas experiências passadas. Carregados do que somos. O simples fato de colocar o corpo de uma forma única nos leva a uma experiência diferenciada. A permanência nessas porturas ajudam a dissolver condicionamentos desenvolvidos ao longo das vidas. A liberar emoções presas nos chakras e a permitir que essa energia escoe por todo o nosso Ser. Levando esta energia a entrar em comunhão com o restante do corpo-mente. Nos tornando inteiros de consciência. Pura consciência.
Desde então faço questão de compartilhar isso com meus alunos, sempre que posso. Discursando que quando moldamos nosso corpo em uma postura, nos tornamos ela, de corpo e alma. Da importância de aproveitar a permanência e se observar. Depois que você checou se o corpo está bem posicionado, de que o alinhamento está correto e de há conforto, a viagem começa. A viagem em busca do tesouro perdido. Não estamos em busca de apenas colocar o pé atrás da cabeça, se fosse só isso, mandaria todos para o circo. Queremos mais! Queremos o tesouro.
Mergulhamos então na respiração que nos conduz pelo corpo e sentimos a nossa presença do dedão do pé ao último fio de cabelo. E cada novo ciclo respiratório, cada molécula de praana que percorre nosso corpo é uma nova oportunidade de sentir. Entender como nos sentimos naquela postura. O que passa pela nossa cabeça na permanência. Que tipo de emoção emerge. Permitir-se viajar pelo nosso Universo Interior. Pelo desconhecido, sem medo de defrontar as limitações e de superar o que antes era um muro interminável. Como o era aquela postura para mim. E viajar, sem se preocupar com o tempo, com o ganho final. Ishvara Pranidhana. Entregue-se. Busque o tesouro perdido: o Ser.
Om shanti! Om prema!
20110504
Bye, bye, tristeza
CULPAS E MÁGOAS, BYE-BYE!
satsanga com Swami Dayananda Saraswati
Omissão é algo que deixou de ser feito.
Comissão é algo que foi feito.
Omissões e comissões acontecem ao representarmos papéis na vida.
Omissões e comissões próprias são referentes ao papel do kartaḥ, o fazedor.
Omissões e comissões alheias são referentes ao papel do bhoktaḥ, o desfrutador.
A) Omissões e comissões minhas me fazem sentir culpado:
1) Omissão: "por que não fiz isto?"
2) Comissão: "por que fiz isto?"
B) Omissões e comissões dos demais me ferem, me magoam.
3) Omissão: "por que ele não fez isto?"
4) Comissão: "por que ele fez isto?"
A culpa sempre acompanha àquele que se identifica como kartaḥ, agente das ações.
A mágoa sempre acompanha àquele que se identifica como bhoktaḥ, o desfrutador dos resultados das ações.
Você não é nem o kartaḥ nem o bhoktaḥ, nem o agente das ações nem o desfrutador dos seus resultados. Você é a testemunha invariável que observa as ações e seus resultados.
Compreender isso é mokṣa (libertação).
Assim, você se liberta das culpas e mágoas e vive uma vida dhármica e feliz.
satsanga com Swami Dayananda Saraswati
Omissão é algo que deixou de ser feito.
Comissão é algo que foi feito.
Omissões e comissões acontecem ao representarmos papéis na vida.
Omissões e comissões próprias são referentes ao papel do kartaḥ, o fazedor.
Omissões e comissões alheias são referentes ao papel do bhoktaḥ, o desfrutador.
A) Omissões e comissões minhas me fazem sentir culpado:
1) Omissão: "por que não fiz isto?"
2) Comissão: "por que fiz isto?"
B) Omissões e comissões dos demais me ferem, me magoam.
3) Omissão: "por que ele não fez isto?"
4) Comissão: "por que ele fez isto?"
A culpa sempre acompanha àquele que se identifica como kartaḥ, agente das ações.
A mágoa sempre acompanha àquele que se identifica como bhoktaḥ, o desfrutador dos resultados das ações.
Você não é nem o kartaḥ nem o bhoktaḥ, nem o agente das ações nem o desfrutador dos seus resultados. Você é a testemunha invariável que observa as ações e seus resultados.
Compreender isso é mokṣa (libertação).
Assim, você se liberta das culpas e mágoas e vive uma vida dhármica e feliz.
20110323
Pescaria - Imobilidade?
Por que somente o Hatha Yoga valoriza a imobilidade e em outras modalidades de exercícios físicos não?
Porque um dos segredos da assertividade,profundidade e amplitude da prática correta do Hatha Yoga é promover e cultivar a imobilidade ou a permanência.
Porque um dos segredos da assertividade,profundidade e amplitude da prática correta do Hatha Yoga é promover e cultivar a imobilidade ou a permanência.
O āsana tem 3 fases, se observamos a qualidade do movimento:
Entenda a importância da imobilidade para a saúde integral dos músculos.
Entenda a importância da imobilidade para a saúde integral dós órgãos internos (vísceras),circulação sanguínea e linfática e respiração:
Entenda a importância da imobilidade no yoga
'Imobilidade no yoga - Na imobilidade é que você poderá perceber o seu corpo, onde está necessitando se alongar, etc. Na sequência rápida por exemplo, não dá tempo de o corpo receber a mensagem do cérebro de que o músculo precisa se alongar. A tendência do músculo é contrair para aguentar impacto e força, quando há a permanência na imobilidade, o corpo percebe quais locais estão precisando de alongamento, de 'ajustes' e deixa que o músculo se alongue, pois já 'percebeu' que não vai sofrer impacto naquela área, percebe que o comando é para alongar"
O yoga é uma tradição milenar, um corpo de ensinamento elaborado e completo, onde não se pode mudar nada, a não ser a abordagem, para que seja mais compreensível para época, lugar ou cultura onde é praticado. Acho importante rever os princípios básicos do yoga, existem tantos desvios, tantas alterações no que se pratica hoje, que vou apontar de novo seus preceitos básicos.
A primeira característica das posturas, (chamadas de asanas) é o alongamento dos músculos depois de terem sido relaxados. Para que esse alongamento seja feito nos limites de segurança, devemos ficar relaxados, executar movimentos lentos e buscar a passividade completa, mas com atenção, interiorização sobre a zona de estiramento.
Movimentos no yoga e vísceras
O aluno, principiante ou avançado, terão de buscar a imobilidade total e rigorosa.
A princípio cada postura mexe com a coluna vertebral: torção, flexão, extensão, lateralização, desencadeando efeitos profundos na medula espinhal que circula dentro da coluna vertebral e sobre as correntes nervosas que estão ao longo da coluna. Cada flexão atua poderosamente sobre a medula, sobre as raízes nervosas que saem da coluna pelos orifícios de conjugação das vértebras e sobre a corrente de gânglios do sistema simpático.
Porém, a natureza nos equipou de um sistema de segurança para que cada movimento não desencadeie IMEDIATAMENTE efeitos sobre as vísceras. O que seria de nós se cada movimento provocasse um efeito sobre o fígado ou o intestino? Os movimentos corriqueiros não têm efeitos sobre as vísceras, porque essas mesmas vísceras têm reações demoradas.
Se nós imobilizamos o corpo numa determinada posição que atua sobre a raiz nervosa e que é ligada a um órgão definido, depois de algum tempo – geralmente alguns segundos – uma reação acontece no órgão. Quanto mais longa a permanência, mais efeitos sobre o órgão solicitado. Lembre que o yoga coloca o corpo em situações “não usuais” e não em situação “antifisiológica”. Raramente existe uma contraindicação, os efeitos são sempre benéficos. A imobilidade é a única condição para atuar profundamente nas vísceras. Sem imobilidade não existe esta ação. Quer você seja principiante ou avançado, vale a mesma regra.
Uma torção, por exemplo, não terá os mesmos efeitos se a imobilidade for curta (terminar logo, entrar na postura e sair sem ficar na imobilidade pelo menos entre 6 e 10 respirações, quanto mais, melhor) ou dinâmica (sequências rápidas, como se estivesse fazendo exercícios, abdominais por exemplo), ou prolongada (permanecer na postura enquanto respira e enquanto o corpo se “adequa, se ajeita”, se alonga).
Modificação das circulações
A imobilidade prolongada numa posição determinada vai modificar profundamente a circulação sanguínea. O exemplo mais evidente é a postura sobre a cabeça. Nesta postura, por gravidade, o sangue vai irrigar melhor o cérebro durante alguns minutos, usando sistematicamente a força da gravidade
Isso faz parte do yoga. Olhando a postura sobre a cabeça, parece evidente esse resultado, mas as posturas gerais do yoga foram elaboradas levando em conta e usando a força da gravidade. Cada asana condiciona a circulação sanguínea, a permanência na imobilidade permitirá usar da melhor forma esse recurso.
O sangue tem tendência a se acumular para as partes baixas do corpo - pergunte para quem fica em pé o dia todo.
Cada posição do corpo, cada asana, re-aloca a massa sanguínea para uma determinada parte do corpo. Essa postura do diamante “vajrasana”, banha os órgãos digestivos de sangue renovado pela oxigenação da respiração lenta e tranquila, e massageia esses órgãos pela ação do diafragma. Uma permanência prolongada irá amplificar os efeitos benéficos.
Um outro sistema circulatório que se beneficiará dessa imobilidade prolongada será o sistema linfático, responsável pela nossa resistência imunológica. Os numerosos nódulos do sistema linfático são cheios de células defensoras de nossa saúde.
Quando há uma infecção, esses nódulos incham e dentro do nódulo ou do gânglio ocorre uma luta química contra os invasores.
A circulação linfática é muito mais lenta que a sanguínea, porém, o sistema é comparável ao *sistema de retorno venoso e depende de 3 fatores:
- Linfa - A diferença de pressão: a rede pode ser comparada às águas da chuva. As gotas descem e vão formando os riozinhos, que formam os rios e correm para as partes mais baixas.
- Linfa - Da zona de pressão maior até zona de pressão menor: a linfa é coletada na região do pescoço, onde existem canais coletores maiores. Só por gravidade podemos influenciar no conteúdo destes coletores.
- Líquido cefalorraquidiano: o liquido cefalorraquidiano que banha o cérebro pode ser comparado a linfa, mesmo que ele tenha um ritmo mais lento, será beneficiado pelo mesmos princípios de funcionamento do asana.
Contrações musculares
As contrações musculares contraem as veias e impulsionam o sangue em direção ao coração e as válvulas impedem o refluxo do líquido para baixo. As contrações musculares também, ajudam na coleta da linfa pela rede. Quando essas circulações são lentas, as células são carregadas de toxinas, perdendo sua vitalidade: é imprescindível livrar o corpo dos “lixos” tóxicos.
Infelizmente uma vida sedentária não propicia a circulação dos líquidos do corpo, ao contrário: existe estagnação mortal.
Respiração
A cada inspiração forma uma depressão no tórax, que é criada pela sucção sobre a totalidade da rede linfática e venosa. A respiração yogica, completa, lenta e profunda é o ator principal dessas circulações.
Durante a postura, o corpo se adapta e, gradativamente, a respiração fica mais ampla e mais confortável: o centro de gravidade da respiração só desloca durante IMOBILIDADE rigorosa.
Ativador especial e específico ao yoga: a força da gravidade
O que ativará todas essas funções durante o asana será a força da gravidade. A aceleração das circulações é uma garantia de um bom abastecimento de cada célula. A saúde de cada célula se reflete sobre a saúde geral.
Mesmo quando a postura parece simples, como a vajrasana (do diamante, acima), os efeitos são profundos, desde que tenha permanência na imobilidade. Mesmo que o adepto não sinta nada, a não ser uma sensação de calor em certas partes do corpo, ou certa pressão, coisas profundas acontecem em cada órgão.
Imobilidade prolongada
O tempo de duração da imobilidade determina o grau de intensidade de uma postura. Mesmo que o praticante seja flexível, ele se depara com as mesmas preocupações e colhe os mesmos benefícios.
Existem, a grosso modo, quatro graus de intensidade, determinados a partir tempo de permanência:
Grau inferior: imobilidade de um a dois minutos. Menos tempo que isso não se trata de asana, mas de ginástica ou movimento cotidiano. É a permanência média em uma postura que o ocidental costuma ficar.
Grau médio: de dois a cinco minutos. Aumentando a permanência, um pouco a cada semana, o praticante verá seus limites expandidos. Parece-me importante apontar que passando do segundo minuto, o corpo encontra seu jeito de respirar e mais conforto. O que fica impaciente realmente não é o corpo, é a mente. A imobilidade rigorosa é uma benção para o corpo e um desafio para a mente. Seria bom praticar a cada dia, uma ou duas posturas, com duração maior.
Grau superior: de cinco até 15 minutos. Aos poucos o adepto prolonga a duração. É geralmente o máximo que um aluno ocidental pode aguentar, sem a assistência séria e direta de um “guru” ou professor qualificado.
Grau máximo: trabalhando à vontade.... Até três horas! Além de 15 a 20 min de permanência, a vontade está testada. Seria interessante saber quais são os efeitos profundos dessa permanência. Ela é citada nos tratados clássicos, mas isso quase nunca acontece.
A imobilidade prolongada é um fator essencial e rigoroso do sucesso do asana. O adepto deve se sentir como “uma estátua que respira”. É sob essa condição que o asana desvendará sua mágica.
Por que a imobilidade é tão importante?
Na imobilidade é que você poderá perceber o seu corpo, onde está necessitando se alongar, etc. Na sequência rápida por exemplo, não dá tempo de o corpo receber a mensagem do cérebro de que o músculo precisa se alongar. A tendência do músculo é contrair para aguentar impacto e força, quando há a permanência na imobilidade, o corpo percebe quais locais estão precisando de alongamento, de 'ajustes' e deixa que o músculo se alongue, pois já 'percebeu' que não vai sofrer impacto naquela área, percebe que o comando é para alongar.
É o tempo que a mente precisa para receber as informações, as percepções e enviar os comandos para que o corpo obedeça o que a postura está pedindo.
Como você viu, quer seja um adepto avançado ou um principiante... Não faz diferença. Você pode começar hoje que seus órgãos e seu sistema imunológico já agradecem!
*Sistema de retorno venoso: Na grande circulação sanguínea, o sangue rico em oxigênio é bombeado do ventrículo esquerdo do coração, onde segue para todo o organismo e “ retorna pelo sistema venoso” até as veias cava superior e inferior, chegando ao átrio direito do coração com o sangue pobre em oxigênio.
Pescaria - Quando o Āsana acontece
por Nicole Witek, relendo o que André Van Lysebeth publicou na revista Revue Yoga(1972)
"Não se 'faz' um āsana. Ele acontece! Quando o praticante está na imobilidade, que é a fase essencial, deve-se abandonar a ideia de fazer qualquer coisa. É só se colocar física e mentalmente na disposição (ou seja, ficar natural), para que o āsana aconteça. Os grupos musculares atingidos pelo āsana têm que estar tão passivos quanto possível"
Fazendo uma comparação com os verdadeiros yogis, não só da antiguidade, mas de nossos tempos, podemos nos chamar de “principiantes”.
Para citar o André: “somos todos principiantes”. Qualquer que seja a escola de yoga onde se pratica, nosso yoga é um yoga muito básico. Ficamos modestos quando nos comparamos com os nossos antepassados da Índia. Mesmo que consigamos posturas mais avançadas, ainda estamos longe do desempenho deles, portanto, seremos sempre principiantes, tanto em relação a eles como a nós mesmos.
Um “principiante” e um “avançado” são iguais na frente da situação de praticar. A cada etapa de sua evolução, o praticante volta aos princípios essenciais, que são esses que se ensina desde o início da prática.
Revise as noções básicas e questione sua prática
Mesmo que o yoga não se limite às posturas – āsanas – eles compõem o alicerce dessa ciência, tanto do ponto de vista físico como mental, quando se fala da meditação. As posturas são tanto portões de entrada para o universo físico, quanto uma via de acesso às dimensões psicofisiológicas do yoga. Executar corretamente o āsana é a condição básica para o yoga.
Condições essenciais para o asana existir
- Imobilidade
- Permanência
- Sem esforço
- Controlando a respiração
- Controlando a mente
Quando essas condições são reunidas, estamos realizando o asana.
Durante o āsana, os músculos são propositalmente colocados em situação anormal e excepcional em relação aos movimentos que o corpo realiza durante as diferentes ações do dia. Situação excepcional não quer dizer situação “antifisiológica”, pelo contrário.
Devemos ter consciência do estado dentro do qual se encontram os músculos quando estamos numa postura. Essa postura é fundamentalmente diferente de todas as situações do dia, quer seja nos atos corriqueiros, quer seja na prática de esportes.
Pergunta básica: Qual é a propriedade essencial do tecido muscular?
A possibilidade de se contrair. Quando o músculo contrai, ele possibilita “mexer” o esqueleto. O movimento é a consequência da contração de um ou de vários músculos.
Porém no yoga, e no yoga unicamente, os músculos são sistematicamente estirados. Esse estiramento é a característica essencial do yoga.
Nunca por si só o músculo tem a possibilidade de voltar a um comprimento “normal”. Todas as ações do dia levam o músculo ao encurtamento. Se você achar que durante o sono o músculo pode “encompridar”, você está errado. De tanto contraído e tencionado que foi o músculo durante o dia, se ele conseguir relaxar será insignificante, perto do que se consegue com yoga.
Limite de elasticidade normal do músculo
O músculo pode contrair, mas também tem a elasticidade. É essa elasticidade que determina o grau de flexibilidade ou rigidez de cada um.
Os asanas querem levar o praticante além do limite de elasticidade. O músculo aceita transgredir suas normas de funcionamento habitual, mas com certas regras que vou lembrar.
Quando permitimos que o músculo relaxe. Geralmente quando chegando perto do seu limite, o músculo tem a tendência de se proteger, se defender, contrair. Essa reação natural de defesa pode ser suprimida se nós “intencionalmente” pedimos o relaxamento.
Quando os músculos começam a repuxar, precisamos intencionalmente relaxar, e não deixar que eles se defendam. Quando a resistência ao alongamento é percebida, podemos ir somente até uma sensação boa de estiramento, jamais forçar a musculatura até sentir dor.
Nesse momento devemos interiorizar nossa atenção nos músculos que ainda não aceitam o alongamento e “intencionalmente” pedir e "convencê-los" a relaxar.
A expiração é aliada desse processo de relaxamento: a cada expiração, podemos alongar um pouquinho mais.
Quando damos tempo suficiente para o músculo relaxar. É imprescindível “não correr”. Uma vez que chegamos ao limite de elasticidade normal, o músculo aceita ser alongado um pouco mais, desde que o deixemos o tempo suficiente, ou seja, várias dezenas de segundos. Basta esperar para sentir, gradativamente, os músculos se alongando.
Não fazer nenhum movimento brusco enquanto o músculo está se alongando. Já que o músculo está no seu limite de elasticidade comum, não se pode exigir com força mais comprimento, como por exemplo, a mão do professor pressionando. O músculo perdeu a margem de segurança e fica vulnerável. Ir além dos limites de elasticidade do músculo, com trações ou deixando a força da gravidade atuar pode ser feito suavemente e simultaneamente às expirações. Assim não se corre nenhum risco. Enquanto uma ajuda externa pode prejudicar o músculo, a consciência e o alongamento suave são necessários para ultrapassar os limites comuns de estiramento.
Vale lembrar que o tremor no músculo indica que ele não está relaxado. Uma interiorização no grupo de músculos submetidos ao alongamento é necessária. Essa é a razão da imobilidade. Imobilidade prolongada para obter os efeitos das posturas.
Por que precisamos do alongamento?
Os músculos estão sempre encurtados. Quando se trata de um sedentário, que não pratica nenhuma atividade física já sabemos que a tendência de um músculo desativado é de encolher. Já nos caso dos esportistas é o contrário, o músculo fica duro e permanentemente contraído.
Como saber se um músculo tem seu comprimento normal?
Simples! Quando a articulação não pode realizar a amplitude do movimento que deveria: o yoga busca a liberação de todas as articulações.
Existem receptores nervosos sobre os músculos que são sensíveis à tensão muscular. Por ação reflexa, automática, uma série de reações acontece no organismo via os receptores nervosos. O alongamento com permanência na imobilidade recondiciona e posterga esses mesmos limites e permite que a articulação volte à sua mobilidade natural. Um músculo alongado se esvazia do sangue. Quando volta à posição normal, ele enche de sangue novo oxigenado, fazendo uma grande limpeza.
O que é a fase dinâmica do yoga?
Além da imobilidade e permanência, existe a fase dinâmica, onde o professor pode pedir para o aluno repetir a mesma postura, por exemplo três vezes seguidas, sem parar e só pedir para ficar na imobilidade na quarta vez. Esta é a fase dinâmica.
Ela é necessaária como uma preparação para a fase estática. Às vezes essa fase é necessária para deixar a pessoa consciente do grupo muscular que será alongado. Esses mesmos músculos estarão descontraídos na hora que for necessário o alongamento máximo.
Não se “faz” um āsana. Ele acontece!
Quando o praticante está na imobilidade, que é a fase essencial, deve-se abandonar a ideia de fazer qualquer coisa. É só se colocar física e mentalmente na *disposição para que o āsana aconteça. Os grupos musculares atingidos pelo āsana têm que estar tão passivos quanto possível. Os músculos que precisam estar contraídos para a postura, e somente esses, devem estar ativos, os outros músculos estarão obrigatoriamente relaxados. O praticante percebe a noção de “músculo contraído” e “músculo descontraído”. Esse caminho dos opostos também é uma das vias do yoga.
Você que quer começar a pratica do yoga já entendeu, não existe diferença nenhum entre mim, que comecei há mais de 30 anos, e você. Somos sempre principiantes.
*Deixar acontecer, não forçar o corpo. Ao permanecer na postura, o corpo vai se acertando sozinho na postura. Acontece, sem você precisar fazer, é só deixar acontecer.
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20101128
Pescaria: Respiração e Expressividade
3. O yoga: influência
O yoga, já mencionado anteriormente, foi uma das maiores influências que Graham teve no processo formativo de sua técnica. É importante esclarecermos que a formação de uma técnica não foi o principal objetivo desta coreógrafa em sua carreira. Segundo CAVRELL (1998), a técnica surgiu das necessidades impostas pelas criações coreográficas de Graham, seu objetivo primeiro. A técnica veio como consequência, diferentemente do caminho de Doris Humphrey que já objetivava a sistematização de uma técnica, uma forma de se coreografar.
Observamos a influência do yoga em Graham não apenas através de citações bibliográficas. Pudemos reconhecer posturas do yoga ou essência destas posturas em vários exercícios técnicos e em suas coreografias. Além disso, a preocupação com a respiração e a coluna também são preocupações da filosofia yogue.
O yoga⁶ surgiu na índia em consequência a uma necessidade de explicação ao mistério da vida, às crenças... Os sábios procuravam, então, observar a movimentação de animais e plantas, "transferindo para os homens os seus movimentos e formas, a fim de obterem a flexibilidade dos corpos, a calma e o repouso mental" (FERNANDES,N.-YOGA Terapia: O Caminho da saúde física e Mental. São Paulo: Ground, 1994: pág.22). Num sentido mais profundo yoga é um estado de mente livre de tendências reativas, um estado de consciência pura. Segundo FEUERSTEIN (Uma Visão Profunda do Yoga: teoria e prática. São Paulo: Pensamento, 2005), "o objetivo tradicional do yoga sempre foi o de ocasionar uma profunda transformação no praticante por meio da transcendência do ego".
Yoga é um sistema filosófico, organizado por Patanjali em seus yoga-sutras e costuma ser denominado como ashtanga yoga ou yoga de 8 membros. O yoga é um dos seis darshanas (escolas filosóficas ou sistemas) indianos, cujo objetivo é a educação integral do ser, o perfeito desenvolvimento corpo-mente.
Patanjali compilou todo este sistema no século II a.c.⁷ , sintetizando a essência da filosofia yogue. A partir destas observações originaram-se os principais caminhos do yoga: Hatha, Karma, Raja, Jnâna, Bhakti. Hoje existem outras denominações e linhas que foram sendo modificadas e criadas. Até mesmo no Brasil foram criadas novas linhas do yoga. Desta forma, fica difícil catalogar todos os tipos existentes. Porém, a origem é a mesma. Segundo MEHTA (1995), de acordo com a codificação de Patanjali, oito instrumentos juntos constituem a totalidade da disciplina do yoga: abstinências (Yama), observâncias (Niyama), posturas (Asanas), controle da respiração (Pranayama), abstração (Pratyahara), percebimento (Dharana), atenção (Dhyana) e comunhão ou absorção (Samadhi):
- Yama -as abstinências-são a não-violência, a não-falsidade, o não-roubar, a não-indulgência e a não-possessividade.
- Niyama - as observâncias - são pureza, contentamento, simplicidade, auto-estudo e aspiração.
- Asanas são posturas que devem ser praticadas de forma firme e relaxada. Firme, contudo, não tensa; relaxada, e ainda assim graciosa.
- Pranayama - controle da respiração - é a regularização do sopro, e tem o propósito de trazer clareza de percepção.
- Pratyahara é a abstração dos sentidos, é um estado de introspecção em que estamos prestes a entrar em profunda reflexão ou meditação.
- Dharana - percebimento - é a orientação da mente em uma só direção, sem qualquer tensão. Leva à atenção total, plena. Leva à meditação.
- Dhyana - atenção - é a meditação propriamente dita.
- Samadhi - comunhão ou absorção - é um processo de interiorização, em que o corpo e os sentidos repousam, enquanto a mente e a razão ficam conscientes e ativas. É uma experiência de silêncio, de descontinuidade. A vida experimentada de momento a momento. É a percepção pura. Samadhi é um "estado de independência de condicionamentos passados e de reconhecimento da interdependência existencial entre todas as coisas do universo" (DE NUCCIO, 2006)⁸.
Para a pesquisa nos interessaram o terceiro e quarto instrumentos do yoga, que se referem à prática das posturas e ao pranayama (controle sobre o prana e, portanto, sobre a respiração). Utilizamos as posturas, onde pudemos reconhecer a técnica de chão de Graham, e outras específicas para o relaxamento de tensões localizadas nas práticas em grupo desenvolvidas pela pesquisa.
"As práticas do yoga promovem a estabilidade do corpo, fazendo desaparecerem as dores e aumentando a liberdade de movimentos" (FERNANDES,N.-YOGA Terapia: O Caminho da saúde física e Mental. São Paulo: Ground, 1994: pág.34). Tendo em vista o objetivo das práticas desta pesquisa, que foi a utilização da respiração como auxiliar em busca da expressividade, tentamos promovera liberação da respiração, ampliando a conscientização e flexibilidade corporal, tornando o corpo mais apto a expressar-se.
Utilizamos, mais especificamente, as posturas do Hatha-yoga, que é o yoga do físico, e os exercícios respiratórios, encontrados em diversas correntes do yoga. O objetivo das posturas "é permanecer numa posição firme, mas sem tensões. Ao manter-se numa postura, confortavelmente, encontra-se o equilíbrio mental. /.../" Quando praticadas corretamente, as posturas "deixam os discípulos vigilantes, relaxados e sem dores" (FERNANDES,N.-YOGA Terapia: O Caminho da saúde física e Mental. São Paulo: Ground, 1994: pág.28). A execução das posturas do yoga está sempre aliada à respiração. E também existem exercícios respiratórios específicos no chamado pranayama. O objetivo da execução destes exercícios na parte prática da pesquisa foi liberar tensões musculares e aumentar a conscientização com relação à respiração e ao corpo.
As semelhanças, em termos de preocupação, do yoga com a técnica de Graham encontram-se, mais enfaticamente, em torno da respiração. Em primeiro lugar, ambas dão importância fundamental a este ato essencial à vida. Graham estruturou os princípios de sua técnica nos movimentos decorrentes do processo respiratório. Em segundo lugar, a coluna como uma preocupação constante, o extremo trabalho enfocando a coluna, suas torções, a sustentação do corpo através dela, que podemos verificar em Graham reflete a sua influência pela Kundalini yoga, levantada por MILLE (1991).
Segundo a Kundalini yoga, dentro do miolo da coluna encontra-se um conduto energético, cuja extensão vai da base da coluna até o alto da cabeça. Nesta região flui uma poderosa energia, denominada energia kundalini. Nas laterais esquerda e direita deste centro energético, dois canais acessórios correspondentes ao feminino e ao masculino, se enrolam em torno da coluna como cobras, em sentido ascendente. Este enrolamento destas últimas duas energias forma cruzamentos, denominados 'chakras' ou círculos de energia, centros de consciência.
O grande desafio da Kundalini yoga é "despertara energia em estado potencial na base da coluna e fazê-la subir, através do canal interno, passando por todos os cakras, até atingir o topo do conduto; momento em que o estado de consciência atigiria sua maior expansão" (DE NUCCIO, 2006)⁹.
Correlaciona-se a cada cakra um ponto específico da coluna, além de determinados aspectos do comportamento, do desenvolvimento humano, determinados sistemas físicos e seus respectivos órgãos:
- Chakra da raiz (Muladhara): Localiza-se na base da coluna, no períneo, entre o ânus e os genitais. Relaciona-se com as necessidades básicas de sobrevivência e à estabilidade. Está associados aos pés, pernas, ossos, intestino grosso e às glândulas supra-renais. Sua cor é vermelha.
- Chakra do sacro (Svadisthana): Localiza-se na região dos genitais, no plexo do sacro. Relaciona-se à sexualidade, ao prazer, à criatividade, à auto-confiança e ao bem estar. Está associado ao sistema reprodutor, ovários, testículos, bexiga, rins, sistema circulatório. Sua cor é laranja.
- Chakra do plexo solar (Manipura): Localiza-se na região do umbigo, entre a décima segunda vértebra torácica e a primeira vértebra lombar. Relaciona-se à vontade, ao poder, às emoções intensas: riso, alegria, raiva. Está associado ao sistema digestivo, fígado, baço, estômago, intestino delgado e ao pâncreas. Sua cor é amarela.
- Chakra cardíaco (Anahata): Localiza-se próximo ao coração, entre a quarta e a quinta vértebra torácica. Relaciona-se com sentimentos de afeição, compaixão, amor. Está associado ao pulmão, ao timo, coração, braços e mãos. Sua cor é verde.
- Chakra laríngeo (Vishuddi): Localiza-se na região da garganta. Relaciona-se com a comunicação, expressão, criatividade, intuição. Está associado ao pescoço, ombros, garganta, tireóide e paratireóide. Sua cor é azul.
- Chakra frontal (Ajna): Localiza-se na testa, entre as sobrancelhas. Relaciona-se aos poderes da mente, auto percepção e auto controle. Está associado aos olhos, hemisférios cerebrais, à hipófise ou glândula pituitária. Sua cor é anil.
- Chakra coronário (Sahasrara): Localiza-se no alto da cabeça. Relaciona-se ao esclarecimento, à bem-aventurança, à compreensão da realidade transpessoal. Está associado ao córtex cerebral, à glândula pineal, a todo o corpo. Sua cor é violeta (OZANIEC, 1990).
6. Os conceitos do yoga são amplos, profundos. As informações aqui descritas visam apenas dar um breve contexto desta influência para uma melhor compreensão da técnica de Craham. Maiores informações podem ser consultadas na bibliografia de referência.
7. Existem variações nas obras de referência, a data provável oscila entre os séculos II a.C. e II d.C.
8 e 9. Professor Andês De Nuccio do Instuituto de yoga Isvara de Campinas em entrevista concedida.
Pescado do livro Respiração e expressividade: práticas corporais fundamentadas em Graham e Laban, de Patrícia Leal, São Paulo: AnnaBlume, 2006: páginas 24 a28.
20101125
Pescaria: o 'feijão' perdido
"se de um lado estamos estamos consumindo soja de forma involuntária através dos produtos industrializados, também existe um consumo consciente onde se acredita que os produtos com soja são saudáveis. Na verdade, é tão errado atribuir inúmeros benefícios à soja quanto acreditar que o leite de vaca é a melhor fonte disponível de cálcio".
Do livro das nutricionistas Denise Carreiro e Mayda M. Correia, "Mães saudáveis têm filhos saudáveis"
Pescado no Blog da Sonia
20101124
Pescaria: o Valor das Coisas
VIVER OU JUNTAR DINHEIRO? (Max Gehringer)
Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários. Como esta que recebi recentemente.
Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico.
Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.
Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.
Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária.
É claro que não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.
Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer.
E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.
“Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO”
Que tal um cafezinho?
(recebido por e-mail)
Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários. Como esta que recebi recentemente.
Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico.
Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.
Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.
Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária.
É claro que não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.
Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer.
E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.
“Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO”
Que tal um cafezinho?
(recebido por e-mail)
20101112
Aprender a AMAR
Na Índia se diz, que se a pessoa leva a vida de ser humano malvado, ela reencarna como um cachorro para aprender a amar...
Pescado no QL
20101102
Vivo Morto II
Não chore, não sinta, não viva - adormeça
Não crie, não vibre, não brilhe - entristeça
Não pense, não destoe, não ouse - esqueça
Não ria, não ame, não perdoe - padeça
Não pule, não brinque, não erre - envelheça
Não brigue, não corra, não queira - adoeça
Não questione, não cobre, não se esforce - permaneça
Role, dê a patinha, abaixe a cabeça.
E para completar, como bom menino,
Finja de morto e agradeça.
BananaPop - Mariana Valentim
Não crie, não vibre, não brilhe - entristeça
Não pense, não destoe, não ouse - esqueça
Não ria, não ame, não perdoe - padeça
Não pule, não brinque, não erre - envelheça
Não brigue, não corra, não queira - adoeça
Não questione, não cobre, não se esforce - permaneça
Role, dê a patinha, abaixe a cabeça.
E para completar, como bom menino,
Finja de morto e agradeça.
BananaPop - Mariana Valentim
Vivo Morto I
'A vida melhora muito quando não se morre.' Drica Moraes.
Eu adoro a Drica.
Ela é pessoa-lucero para mim.
Já a vi nos palcos, é uma excelente atriz, uma profissional devotada às suas escolhas na Vida.
Veja o vídeo todo, sem julgo, mesmo que você não goste da Globo e do Fantástico, e aprenda com ela:
Veja o vídeo todo, sem julgo, mesmo que você não goste da Globo e do Fantástico, e aprenda com ela:
- a morrer-nascer;
- a negociar suas necessidades fundamentais com atenção por si e pelo outro, com elegância e delicadeza;
- a saborear o momento como ele se apresenta;
- a propor soluções inusitadas para problemas desconhecidos;
- a se arriscar;
- a desapegar;
- a cair de novo e
- a levantar outra vez.
A Drica tem atitude de Yoga como poucos.
Não sei se ela é praticante, como eu, de todo dia estender o tapete e se divertir no puxa-estica&tonifica com ou sem acessórios, de cabeça para baixo ou não.
Ela manifesta o propósito da pessoa que realmente tem o Yoga correndo nas na veias.
Viva (a) Drica!
Viva (a) Drica!
20101027
Pescaria: Raios e trovões!
O que fazer quando ficamos com raiva?
Quando menos esperamos a raiva pode nos subjugar. Nossa mente se estreita, nossa paciência vai embora e o que pensamos ser a causa da nossa raiva é atacada por pensamentos, palavras ou até ações. Muitos hormônios nocivos são lançados na nossa corrente sanguínea , nossos batimentos cardíacos sobem e perdemos temporariamente a lucidez. A beleza do mundo some e nossa mente passa a andar em círculos, presa, sem liberdade. O que fazer quando isso acontece?
Thich Nhat Hanh responde a esta pergunta no texto sugerido desta semana ( clique aqui ). Ele nos ensina que o modo mais sábio é reconhecê-la, permitir que exista, e abraçá-la ternamente. Nunca reprimi-la. Você a abraça ternamente com a energia de plena atenção. O Buda recomendou enquanto estivermos bravos nós não digamos ou façamos qualquer coisa, porque isso é perigoso. Após abraçar a raiva é muito importante praticar o olhar em profundidade nas raízes de nossa raiva.
Pescaria: Rigor, susto e a preguiça (ou, MMM, cadê a mamãe?)
Não lembro em que livro li algo muito interessante sobre disciplina. Dizia que as coisas para as quais somos comumente disciplinados foram aprendidas na infância, porque tínhamos um pai e uma mãe que ficavam no nosso pé para escovarmos os dentes antes de dormir, lavarmos as mãos ao chegar em casa, tomarmos banho todos os dias, etc.
É inevitável concluir: disciplina depende de alguém cobrando você. Parece factível? Para mim, parece. Vou explicar.
Frequentemente, vejo alunos matricularem-se nas minhas aulas de yoga super animados e, em poucas semanas, deixarem-se levar por uma falta, duas, três, até que ficam com preguiça e deixam de praticar. Curiosamente, quando os reencontro na rua, meses ou anos depois, eles me dizem que estão fazendo academia de ginástica. E logo depois vem a justificativa: “meu médico mandou”.
Por que não tiveram disciplina suficiente para manter uma prática regular de yoga e tiveram para fazer academia toda semana? Claro, porque alguém lhes mandou! (Ou os assustou.)
Disciplina não tem a ver com prazer. Tem a ver com cobrança e com necessidade. Lazer tem a ver com prazer.
Vamos pensar que você, como eu, adore ler. Ler é um prazer e você o faz sem esforço. Até que chega um momento em que decide fazer um mestrado e precisa ler, pelo menos, 100 páginas por dia, todos os dias, do contrário não fará a revisão bibliográfica necessária para sua dissertação.
O que ocorre com aquela facilidade que você tinha de passar a mão num livro e ler por horas a fio? Desaparece. Por quê? Porque agora a leitura é uma obrigação e, se você não tiver disciplina, não lerá as 100 páginas por dia. Até que chega o prazo final da qualificação e você faz em poucos meses o que deveria ter feito em 2 anos – e adquire a disciplina de leitura e escrita diárias para concluir sua tese.
Muitas vezes penso que deveria ser mais dura com meus alunos a respeito de sua própria disciplina de vir às aulas. Mas nem eu sou a mãe deles, nem eles são crianças. Então, só posso esperar que descubram a disciplina do yoga por conta própria. Contudo, quando chega o inverno, eu talvez devesse agir diferentemente.
Em 2008 eu frequentei 3x por semana aulas de Body Jam numa academia, até que tiver de parar para cuidar de uma estafa física/mental. Tudo bem, acontece. Mas eu tinha disciplina para frequentar estas aulas, porque fazia parte das recomendações médicas de manter atividades aeróbicas. Alguém tinha me assustado o suficiente para eu me tocar que devo cuidar melhor da saúde!
Neste ano, tenho me desafiado novamente a manter disciplina, voltando a frequentar uma academia de ginástica. Não é raro o dia em que penso “ah, hoje vou ficar em casa e descansar”. Mas é nesta hora que lembro as consequências de não manter exercícios aeróbicos para me convencer de que devo ir.
Agora que está frio, muitos alunos deixam de vir para as aulas ou de frequentar suas academias. Todo ano é sempre a mesma coisa, mas é no inverno que o yoga pode trazer mais benefícios para a saúde, porque comemos mais e movimentamo-nos menos.
Entretanto, ninguém consegue ser convencido facilmente pelos benefícios de algo. Um filho não escova os dentes porque sente que será bom manter seus dentes sadios – seus dentes já são sadios! O que o convence a escovar os dentes é perdê-los… e a firmeza dos pais. Ou seja, é a perda – um malefício – que nos convence a adotar determinadas disciplinas. E alguém nos dizendo que devemos fazer isso.
Então, para ajudar meus alunos com sua disciplina, eu talvez deva lhes mostrar o que perdem deixando de vir as aulas. E talvez fosse bom assustá-los um pouco.
Não vindo fazer as aulas, ficarão estressados ao ponto de, daqui 6 meses, terem de tomar remédio. Ou ficarão com dores nas costas e nas pernas ao ponto de, daqui 6 meses, terem de se submeter a sessões de fisioterapia ou a fortes analgésicos. Ou começarão a sentir insônia novamente, tendo que recorrer a medicamentos. Ou voltarão a ter cãimbras, inchaço nas pernas, dores nas articulações. A respiração voltará a ser curta, a ansiedade voltará a paralisá-los.
Yoga faz bem, é fato. Mas você não se convencerá de manter sua prática de yoga apenas porque ela faz bem. Outra porção de coisas faz bem do mesmo jeito. Convença-se pelas coisas ruins que vêm quando deixa de praticar.
Não é fácil ter disciplina, não é. Mas alguém tem que pegar no seu pé para que você tenha. Sua mãe, seu pai, seu médico ou sua professora.
Venha para as aulas. Você já chegou até aqui e parar agora não é uma boa ideia.
Um beijo, Mayra.
PS: Neste outro post, falo sobre disciplina e as escolhas que fazemos. Leia também.
Comento:
O que Mayra chama de disciplina, que chamo de rigor, e tem a ver com o niyama Tapas.
Nem sempre fazemos o que percebemos, sentimos, intuimos de corpo+mente+espírito ser do Bem para nós mesmos: a grande maioria segue o mimo, a moda ou o medo (MMM) e por isso é comumente chamada de massa= um grupo enooooooooooooorme de seres humanos, indistintos e indistinguíveis seguindo em alguma direção sem se questionar o por quê .
A maior parte das pessoas está tão acostumada com a ignorância (que é vizinha da maldade), com os paradigmas e os condicionamentos que não sabe ou consegue fazer escolhas individuais, escolhas bondosas, positivas, salutares para si mesmas. Não escolhe por falta de escolha (ignorância); não muda a escolha por medo de ser diferente, de exercer sua alteridade e acabar sozinha; e fica lá sentada no sofrimento e na doença, morrendo aos pouquinhos no meio da massa e 'jogando' a culpa nos outros, ou em alguma condição (social, ambiental, financeira, temporal, até na gôdola do supermercado!).
A maior parte das pessoas está tão acostumada com a ignorância (que é vizinha da maldade), com os paradigmas e os condicionamentos que não sabe ou consegue fazer escolhas individuais, escolhas bondosas, positivas, salutares para si mesmas. Não escolhe por falta de escolha (ignorância); não muda a escolha por medo de ser diferente, de exercer sua alteridade e acabar sozinha; e fica lá sentada no sofrimento e na doença, morrendo aos pouquinhos no meio da massa e 'jogando' a culpa nos outros, ou em alguma condição (social, ambiental, financeira, temporal, até na gôdola do supermercado!).
A regra é clara: em geral, na maioria esmagadora dos casos, a pessoa quando faz atividade física, faz a atividade física que meio de amizades dela exige, ou que o médico dela impõe (e na boa, a maioria esmagadora dos médicos educados na tradicional medicina ocidental baseada em estatísticas e evidências materiais ignora que o Hatha Yoga é agente pro-ativo promotor da saúde e desconhece que as posturas=aasanas podem ser prescritas como remédio que aliviam a dor, corrigem (d)efeitos e que podem curar), até ficar esgarçada e depois ficar deitada esperando a morte chegar, bem aborrecida e doente. Hermógenes denomina este comportamento grupal insano de Normose.
E aí, vai arriscar a aprender outras coisas e poder escolher viver independente, saudável e contente?
Ou vai continuar esperando que alguém te bote medo ou cabresto?
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