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20101202

Relicário de Palavras

Para quem gosta de tecer palavras, ou observar o desenho que a trama entre elas suscita, vale assinar o envio diário (ou quase) de mensagens da instituição Brahma Kumaris.

Segue uma 'degustação':

Respeito

“Respeito é mais um verbo do que um substantivo.
É algo que você faz mais do que algo que você recebe.
Respeito é afirmar a bondade e o valor do outro.
É estimar ou agradecer o valor de alguma qualidade ou habilidade que outra pessoa possui.
Mais do que qualquer demonstração visível, respeito é a forma como mantemos alguém com a “luz de nossa consciência”.
Trata-se de como criamos “o outro” dentro de nós.
Nosso respeito será definido pela qualidade da luz que envolvemos o outro em nossa mente, muito antes que palavras e comportamentos expressem isto.” – Mike George

20101009

Quando o olhar da mente é límpido, vemos tudo como realmente é, de modo natural. Mas assim que os olhos se distraem com objetos externos, não vemos mais. Perdemos a capacidade de ver corretamente. Sons e imagens nos atacam, nos arrastam, nos puxam. Coisas que deveríamos ver, não vemos. Coisas que deveríamos ouvir, não ouvimos. Não é assim?

Se escutarmos o rio sem atenção, a água que corre parece ter um ritmo constante e ininterrupto. Entretanto, nenhuma gota d'água passa duas vezes sobre a mesma pedra. Não é nunca a mesma gota que forma o leito do rio ou o murmúrio da correnteza. A imutabilidade é apenas uma ilusão dos olhos e dos ouvidos humanos. Uma vez que tenha passado, a água não corre nunca mais no mesmo ponto do rio.

A vida humana não é diferente. Acreditar que ontem é igual a hoje é resultado de nossa ignorância e insensibilidade. São nossas mentes e nossos olhos deludidos que vêem o passado igual ao presente. Os olhos iluminados vêem claramente a imagem das coisas em eterno movimento e reconhecem que um instante é diferente de qualquer outro.

Shundo Aoyama Roshi

20101008

Ha+Tha = Vigoroso


Atravessamos períodos de vento a favor e de vento 'contra'.
Para o velejador que presta atenção , conhece a técnica do bOM velejar e conhece seu barco, não há vento contra.

Para o praticante que presta atenção , conhece a técnica do (Hatha)Yoga e conhece seu corpo<=>mente, não há vento contra.

Ninguém fica eternamente com a face para o Sol.
Assim como ninguém permanece no escuro.

E parece que o que faz a diferença,
entre quem se torna Ser Humano
e quem permanece cerumano,
é como a pessoa se porta
durante a alternância dos períodos com e sem holofote.

20100912


'Um yogue ou uma yogini não é alguém que viu algo que os outros nunca viram; mais precisamente, é alguém que vê o que os outros ainda não viram.
T. K. V. Desikachar, 'O Coração do Yoga', pag. 189

20100423

Respira

"Façam Savasana em Sarvangasana - vão aprofundando o nível da postura; não pensem em tempo na postura, mas sim em aprofundamento através da respiração; tomem consciência da respiração; façam inspirações e expirações longas, intervaladas de um ciclo de respiração normal; deixem que a respiração flua em ciclos de inspiração grande, expiração grande e ciclo normal. A respiração é como se fosse liquida e vai tomando a forma do corpo; o corpo tem agora função de recipiente. E tal como as crianças quando brincam, se têm um pequeno espaço para as suas brincadeiras, ficam limitadas a esse espaço, mas se tiverem um jardim grande para brincarem, então conseguem brincar muito mais e melhor. A respiração funciona da mesma forma."


Respiração - Aula de Prashantji, Outubro 2008

"Actualmente não temos paciência para aprender. A respiração em "super slow motion" é muito importante para observar a resposta do corpo. É preciso trabalhar nesta cultura em que não temos paciência para aprender."

Slow Motion - Prashantji, Outubro 2008, RIMYI




O que o Yoga e o Flamenco tem em comum?
Respira, pulsa, 'move' sem mover, distorce modifica o experimentar do Tempo.
O Êxtase (Samadhi <=> Duende).
Quem pensa não presta atenção <=> Se pensar, emperra.


20091009

Agora


Perceber a contração e extensão dos músculos,
orientar e adequar essa tesão,
como afinar um instrumento de cordas.

Perceber o ponto certo da ação muscular,
(contair, estender, girar, permanecer)
agora,
é se fazer presente,
se tornar ao vivo.

É como fazer a nota em um instrumento musical 'destemperado'.

* Instrumento musical 'destemperado' são intrumentos onde a nota precisa ser encontrada, sentida, como ocorre na família dos instrumentos de corda dos cellos e violas e violinos. Os intrumentos temperados possuem as notas prontas (desde que devidamente afinados), ou mais fáceis de localizar como na família dos pianos, violões, guitarras, baixos trastejados.

20090922

Apr(e)ender e ensinar


É um texto que versa sobre o ensinar do Flamenco.
(Que eu tenho o defeito de me deixar cativar pela cultura dos outros,
e tenho o coração que dividido em três culturas:
a minha de nascida,
do Yoga
e a do Flamenco.
Uma veio do berço,
outra no susto do desvelar uma aptidão inata,
e a última pelo encanto de olhar, ver e me permitir permear.)

Aprender e ensinar.
Ensinar bem, forjar-se Mestre não difere de uma Arte para outra, os princípios, o que se deve observar, incorporar, praticar são sempre os mesmos, além do espaço e do tempo, feito Yamas e Niyamas.

'
Muchas veces la circunstancia de enseñar una disciplina nos cae como muchas cosas en la vida, sin planificación alguna. Simplemente la actividad surge como consecuencia de ser el único disponible o para hacerle un favor a un amigo, o porque te lo pide tu maestro, en vista de probablemente ser el más aventajado de la clase y además disponer del tiempo.(...)

Enseñar es una aventura que nunca termina y que catapulta nuestra propia percepción del arte a otros niveles, y en nuestros países enseñar se transforma en una odisea, comparable a ésos esfuerzos que tan bien narran las historias épicas que han cautivado a los seres humanos de todas las épocas.

Cada uno de nosotros, los que nos hemos dedicado a la enseñanza, seguramente hemos confrontado los mismos problemas, que trataré de exponer sin priorizar. Seguramente omitiré muchos. Para cada quien, la importancia de cada uno de estos aspectos que trataremos es tan relativa como cuánto les haya costado solventar cada obstáculo. Algunos de ellos a veces nunca serán vencidos, pero eso es lo que diferencia a los maestros de los instructores. Los primeros siempre serán evocados, recordados y respetados. De los últimos solo podremos sacar alguna información para utilizar en algún momento, o lo que es peor, no podremos obtener nada.

(...)

Muchos excelentes intérpretes resultan ser pésimos maestros y viceversa. Esto es paradójico pero muy real. El arte de enseñar o mejor dicho, la habilidad de hacerse entender puede oponerse abiertamente a nuestra percepción del flamenco como intérpretes. Enseñar requiere racionalizar el arte y balancear alma y genio con cabeza y método; y no todos están dispuestos a ése sacrificio. Pero yo les aseguro que nada vale ir a un aula a demostrar nuestra “genialidad” si no sabemos llegarle al alumno.

(...)

Tenemos que entender que enseñar no significa crear copias de nosotros mismos.
'

20090707

Guru Purnima



Guru Purnima é o dia que aquele(a) que aprende (re)anima seu propósito e expressa a sua gratidão a quem tem função de luminar, quem se faz lucero.

A intenção de quem se coloca como aprendedor em celebrar o Guru Purnima (ou Poornima) está em analisar o histórico da prática do ano precedente e registar o desenvolvimento que atingiu na sua vida através da transmissão em 'carne viva', ou através das várias mídias humanas ( textos em papel ou bits, registros sonoros, áudio-visuais, etc..), para renovar sua determinação e focalizar no progresso do seu Sadhana. Nesse dia, o Guru é reverenciado, lembrando sua vida e seus ensinamentos e a qualidade da sua influência no encaminhamento do discípulo.

O Guru Purnima é celebrado na ocasião da lua cheia no mês de Ashad, de acordo com o calendário lunar hindu, normalmente acontecendo em Julho acada ano. A lua cheia deste mês é considerada a mais brilhante do ano todo. (Esse ano demos 'sorte', um céu limpíssimo e maravilhosamente escandaloso, verdadeiro veludo azul noite, pontilhado de estrelas!)

Segundo a tradição hindu, o Guru Purnima foi celebrado pela primeira vez em honra a Vyasa, por seus discípulos, reverenciando sua extensa obra.

Embora 'Vyasa' signifique organizador e seja título de vários sábios lendários, e embora os Vedas tenham sido organizados muitas vezes, é atribuído à Vyasa, também chamado de Krishna Dvaipaayana e filho do vidente Paraashara e de Satyavati, a organização:
  • dos quatro Vedas,
  • do Mahabharata,
  • dos 38 Puranas,
  • do Bhagavad-Gitaa, entre outras obras.
Ele também é tido como o autor do mais antigo cometário sobre o Yoga Sutra de Patanjali, chamado 'Yoga Bhaashya'.

No Guru Purnima, eu re(a)cordo todos os professores que tive, os graciosos, cujo olhar é generoso e o coração aceita toda a gente, que me perfumaram de sabedoria e iluminaram minha consciência e me envolveram no manto terno do AMORRR/Ágape/Prema e também os que me ensinaram através da escuridão, da lente do pré-juízo, do gesso do pré-conceito, da fala falaciosa, pela falta de tato, ou de trato.

Agradeço a generosidade dos praticantes de Yoga, blogueiros ou não, que disponibilizam informação e comentários em sites, blog, e vídeos espalhados na rede; agradeço a disponibilidade de escritores, compiladores, comentadores, tradutores e editores que prestigiam as publicações que tem o Yoga como foco.

20090212

Sādhana


'Para mim existem 3 tipos de sádhana: o que fazemos sozinhos, o que fazemos com um professor de Yoga e quando ensinamos, nem que seja pegar num amigo e dar-lhe uma aula só para sentir e mudar a perspectiva. As 3 formas são excelentes e reforçam-se mutuamente. Há que manter a humildade, principalmente quem já dá aulas, para continuar a fazer aulas com os outros, para com respeito unir as mãos em frente ao peito e fazer namaskar... há que ter disciplina e muita força de vontade para todos os dias sentar para praticar, vencer a inércia e comodidade que facilmente se instalam... e ter a coragem, devoção e amor para passar aos outros aquilo que sentimos sem esperar nada em troca, poder partilhar o Yoga é recompensa suficiente...'
Simão Monteiro

O texto acima é um trecho de um post-artigo onde Simão, que é de além mar, discorre sobre como percebe o Sādhana dele. Vale passar os olhos (basta clicar sobre o texto e voilá!).

Eu concordo com o Simão: praticar sozinho, praticar com alguém te ensinando e ensinar a praticar são ações sinérgicas, complementares.

E acrescento o auto-estudo da prática: tapas, ambiente iluminado, uma câmera digital na mão, vários pontos de vista e perseverança pra fazer muitas tomadas do mesmo ásana e depois especulá-las com 'frieza' e lâmina de obsidiana.

Fazer o Sādhana pra mim, olhando daqui, mirando o meu, parece mais calmo. Afinal, fazer Sādhana é (re)encontrar nosso rítmo natural e harmônico dentro dos rítmos exteriores (circadiano, do trabalho, ciclos mensais, etc...) e hábitos que nos cercam.

Sempre brinco que eu uso a cartilha 'caminho suave', que minhas provas vem respondidas só pra escrever o nome, no máximo passar a caneta por cima do que já está escrito à lápis. E eu não acredito em 'destino', é que tudo me parece alcançável ou possível, se não agradável (ainda que no início da prática de āsanas eu sinta o corpo meio rígido, mas isso passa rapidinho!). E tenho espaço na vida para o imprevisto, para que 'dê errado' (o que por muitas vezes, olhando de longe, se mostrou correto, :-)! ) .

É que tudo me parece simples:
praticar e pesquisar os āsanas e pranayamas, meditar, manter o fio da atenção ao longo do dia, estudar, observar, procurar experimentar o igual de forma inusitada e experimentar o diferente com consideração semelhante, respeitar a diferença do dia, do momento. Se alguém fez, é possível a todos, cada um a seu tempo.

Desde 2002, quando iniciei minha jornada no Yoga, só 'fugi da escola' durante um ano, onde visitei a borda do territorio do Sādhana perdido. E mesmo esse ano 'sabático' , que eu julgava desorientado e danoso, serviu de fomento para meu Sādhana.

Se eu soubesse, de antemão, TUDO o que o Yoga vem me ofertar, eu tinha me jogado bem antes.

20090131

Sādhana


Sādhana
ou Sādhanā= meios de realização
Feuerstein, Georg, Enciclopédia de Yoga da Pensamento, pág.197.

Somos inerentemente livres, porém para desfrutar dessa liberdade imanente, é necessário cultivar o autoconhecimento e a ação correta (uma atitude de não-envolvimento com a ação). O conjunto de ações, que aqui incluem emoções, pensamentos e atitudes internas e externas, que nos conduzem ao estado de liberdade original, divino é considerado Sādhana.

'Sādhana é o meio adotado para atingir um objetivo (sādhya).
A pessoa envolvida em sādhana é o sādhaka.
Todas as ações emprendidas pelo sādhaka, até que ele alcance o objetivo, são incluídas no termo sādhana.
'