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20110223

Aprender a ensinar



É relativamente fácil ensinar uma matéria acadêmica, mas ser instrutor de arte é muito difícil, e o mais árduo ainda é ser professor de yoga, porque esses professores devem ser seus próprios críticos e corrigir sua própria prática.
A arte do yoga é inteiramente subjetiva e voltada para a prática.
Os professores de yoga devem conhecer o funcionamento do corpo todo; tem de conhecer o comportamento das pessoas que vão até eles e saber como reagir; devem estar prontos para ajudar, proteger e salvaguardar seus alunos.


Iyengar, B.K.S.

20100929

Hatha Yoga X 'Exercícios Físicos'

Quem acredita cegamente na forma física propagada nos anos 80 do século passado = 'no pain, no gain', (academia, fitness, 'malhação', jogging) costuma manifestar uma imensa dificuldade em confiar que o Hatha Yoga possa ser uma boa metodologia para treinamento e manutenção olhando apenas o aspecto do condicionamento físico ( muscular, cardiorrespiratório ). O fato da tonificação muscular e do ‘emagrecimento*' acontecer apesar da ausência das N séries de dezenas de repetições e da falta das dores musculares causadas pelos machucados  nas células musculares -que fazem os músculos 'aparecerem' - e pelo ácido lático se torna um enigma para estas pessoas, que mesmo sentindo/vendo para crer, acabam repetindo feito papagaio o paradigma de que o que elas precisam mesmo é fazer academia.

Hatha Yoga , abordando apenas os aspectos físico, oferece benefícios equivalentes aos atribuídos a última geração de exercícios disponível em academias de ponta, que são aqueles executados com auxílio de plataformas vibratórias, a saber: ativa o sistema hormonal, neuromuscular, sistema vascular, estimula a massa óssea, tonifica a massa muscular, melhora o rendimento físico, aumenta a flexibilidade, reduz as dores musculares, melhora a elasticidade e qualidade da pele, diminui a celulite.

De quebra, Hatha Yoga ainda reeduca a respiração, os movimentos e a postura, e é unplugged, não depende da energia elétrica ou de baterias para funcionar.

Isso acontece porque o Hatha Yoga trabalha a partir da musculatura profunda, da maneira análoga à atuação das plataformas vibratórias, porém tem o charme de uma atividade vintage testada e aprovada por milhares de pessoas ao redor de todo o mundo e que pode ser praticada por qualquer um, independente de seu estado físico atual.

E aí, vai encarar e entrar no século XXI?
Vai abrir a cabeça?
Vai largar a preguiça?


‘Emagrecimento*’
Hatha Yoga afina a pessoa por fora pois:
  • Diminui os efeitos do estresse cotidiano sobre as supra-renais; ajuda a debelar a gordura ‘do mal’ que fica estacionada dentro do abdômen, entre as vísceras.
  • Tem efeito drenagem linfática: facilita a eliminação dos líquidos produzidos pelo metabolismo celular dos tecidos pelo sistema linfático;
  • Ajuda a eliminar ou a coordenar as compulsões alimentares, sem nenhuma intervenção medicamentosa;
  • Desperta o interesse pela alimentação que nutre;
  • Consome o tecido adiposo.
Além de afinar o corpo por fora, Hatha Yoga refina a pessoa por dentro.

20100813

Voltar a morrer I - a relevância de Shavāsana

Shavāsana (às vezes escrito como Śavāsana - o Morto) é talvez a parte mais importante de uma prática de yoga. Ele serve a vários propósitos: física, espiritual e filosófico.

Após um grande esforço da prática, Shavāsana permite ao corpo uma chance de se re-organizar e repor-se. Depois de uma prática equilibrada, todo o corpo terá sido esticado, contraído, torcido e invertido. Isso significa que mesmo o mais profundo dos músculos terá a oportunidade de deixar sair, deixar fluir para esvaziar seus hábitos regulares, mesmo que apenas por alguns minutos.

Além disso, os benefícios fisiológicos do relaxamento profundo são numerosos e incluem: (1):
• uma diminuição da frequência cardíaca e da taxa de respiração.
• uma diminuição da pressão arterial.
• uma diminuição da tensão muscular.
• uma diminuição na taxa metabólica e no consumo de oxigênio.
• a redução da ansiedade geral.
• redução do número e freqüência de ataques de pânico.
• aumento nos níveis de energia e na produtividade geral.
• melhora na concentração e na memória.
• um aumento no foco.
• uma diminuição da fadiga, juntamente com o sono mais profundo e mais consistente.
• melhoria da auto-confiança.

Integração
Uma prática de yoga inteligente fornecerá o sistema nervoso com uma série de novas informações neuromusculares. Shavāsana dá ao sistema nervoso uma chance de integrar toda a novidade, de fazer uma breve pausa antes que o sistema nervoso seja forçado novamente a lidar com todas as tensões normais da vida diária.

Focalização Interna/Íntima
Depois de muito tempo para estar vinculado às ações do corpo, a consciência do praticante é auspiciosamente direcionada para o mundo íntimo e purgado da distração sensorial. Shavāsana torna-se então o início da prática de yoga mais profunda e meditativa. No estado de retração sensorial (pratyāhāara) torna-se mais fácil de ser consciente da respiração e do estado da própria mente. Embora não seja a melhor posição para contemplação e meditação prolongada (a posição deitada entorpece a mente desfavorecendo o tipo de discernimento necessário para atingir estados meditativos mais profundos ) isso pode ser uma introdução prática bem sucedida para as pessoas que ainda não estão prontas para a meditação formal.

A prática, na prática
A prática do yoga é uma forma de ritual. Independentemente do estilo de yoga, a maioria das aulas seguem o mesmo padrão (2). A aula começa com um curto período de abertura, uma preparação onde o praticante se concentra em si mesmo, buscando a observação do seu interior, longe do mundo mundano e fixando de uma intenção para a prática. Em sequência que vem a própria prática. E para terminar lá vem uma fase de integração, onde se permite que os efeitos da prática tomem posse do corpo-mente e penetrem profundamente no Self do praticante. Shavāsana é o veículo principal desse processo.

Lá do Blog do Witold, aos pedaços.

20100627

Intimidade e Propriocepção


Atenção constante, sem tensão é uma atitude que se busca manter viva durante a prática de āsanas.

Para a maioria dos seres humanos, é um exercício de:
1) Conhecer o que é essa atitude de atenção sem tensão;
2) Lidar com as sensações que ela abarca, ou embarcar no fluir de impressões sensoriais que a atenção constante e sem tensão faz jorrar.

Para muitos, o primeiro passo chega a ser excruciante, quer pela falta de intimidade de permanecer consigo em repouso ativo, quer pela negligência em aceitar a si mesmo, quer pelo vício da mente em estar hora agitada de mais ( chamado estado de vigília) e hora totalmente abandonada (estado dormido). Muitos desistem (de si mesmos) aqui.

Vivenciada a primeira etapa, vem o segundo 'desafio' para o inquieto homo sentatus: lidar com a aparente avalanche de sensações des-conhecidas que a atenção sem tensão nas partes do corpo provoca. Nem tanto é isso, é mais um desviar a mente de seus hábitos de pensar circular-repetido feito o cachorro que corre atrás do rabo, para um registrar-sentir presente: acordar com o corpo acordado.

Quem ultrapassa essa marca vivencia algo como um alvorecer, onde percepção de si mesmo se torna clara, da mesma maneira que as cores se tornam mais precisas conforme o sol se levanta no horizonte. E se re-conhece Humano.

 a.cor.dar
(lat accordare) vtd, vti e vint 1 Despertar alguém, interrompendo-lhe o sono.
vtd e vti 2 Animar, avivar.
vtd e vti 3 Entrar em acordo.



Imagem: http://www.yoga.pro.br

20100625

Concentração e Intimidade


"A meditação concentrada aumenta não apenas a capacidade vermos a vida com mais intensidade, como com maior aptidão para a intimidade. Muitas pessoas, quando a intimidade ou a intensidade de vida atinge um limiar que excede sua capacidade de sustentá-la ficam assustadas e retraem-se. Para fugir da intensidade de se sentir realmente próximo ou íntimo de outros, as pessoas em geral buscam um meio para embotar a sensibilidade ou liberar a carga de intensidade que se avolumou dentro delas. As estratégias para reduzir a sensibilidade incluem: embotar-se com nicotina, álcool ou comida em excesso; amortecer a sensibilidade física, carregando uma tensão excessiva ou aumentando de peso; ou manter-se ocupado, agitado e distraído. Algumas vezes, como uma maneira sutil de reduzir a carga de intensidade que cresce dentro de nós, respiramos pela boca em vez de pelo nariz. As estratégias comuns utilizadas para liberar a intensidade consistem em tornar-se inquieto — tamborilar ou bater com os pés, falar demais, contar piadas nervosamente ou buscar intensa descarga emocional ou sexual.

As práticas de meditação concentrada ou conscienciosa fortalecem a clareza e a paz mentais necessárias para se estar verdadeiramente presente, o que proporciona o surgimento de um senso de intimidade conosco e com os outros. A concentração nos ajuda não apenas a aumentar a capacidade de conexão e intimidade, mas a viver de uma maneira mais centrada, paciente, tolerante, atenciosa e compassiva."

Do livro 'O Poder da Meditação', de Joel e Michelle Levey, pag.80.


Na versão de uma praticante de Hatha Yoga pelo Método Iyengar associado a Bartenieff Fundamentals, Método Klauss Vianna, Cadeias Musculares, fica assim:

A pratica de āsanas amplia a capacidade de concentração em várias partes do corpo, até abranger cada estrutura e processo intracelular. A capacidade de concentração aumenta não apenas a capacidade vermos a vida com mais intensidade, como com maior aptidão para a intimidade. Muitas pessoas, quando a intimidade ou a intensidade de vida atinge um limiar que excede sua capacidade de sustentá-la ficam assustadas e retraem-se; já vi muito/as alunos na aula experimental ou iniciantes estranharem a intensidade de resposta sensorial do próprio corpo com a metodologia que uso para a prática de Hatha Yoga, se assustarem e irem embora fugindo da possibilidade de (re)viver . Para fugir da intensidade de se sentir realmente próximo ou íntimo de outros, as pessoas em geral buscam um meio para embotar a sensibilidade ou liberar a carga de intensidade que se avolumou dentro delas. As estratégias para reduzir a sensibilidade incluem: embotar-se com nicotina, álcool ou comida em excesso; amortecer a sensibilidade física, carregando uma tensão excessiva ou aumentando de peso; ou manter-se ocupado com atividades inúteis, agitado por emoções negativas e distraído com pensamentos recorrentes. Algumas vezes, como uma maneira sutil de reduzir a carga de intensidade que cresce dentro de nós, respiramos pela boca em vez de pelo nariz. As estratégias comuns utilizadas para liberar a intensidade consistem em tornar-se inquieto — tamborilar ou bater com os pés, falar demais, contar piadas nervosamente ou buscar intensa descarga emocional ou sexual.

A prática de āsanas concentrada ou conscienciosa fortalecem a clareza e a paz mentais necessárias para se estar verdadeiramente presente, o que proporciona o surgimento de um senso de intimidade conosco e com os outros. A concentração nos ajuda não apenas a aumentar a capacidade de conexão e intimidade, mas a viver de uma maneira mais centrada, paciente, tolerante, atenciosa e compassiva.


a.bran.ger
vtd 1 Abraçar, cingir.
vtd e vpr 2 Compreender(-se), encerrar(-se), incluir(-se).
 vtd 3 Abarcar.
vtd 4 Alcançar, chegar a.

20100521

Queridos,


Enquanto se sofre por antecipação, o cérebro continua mal-educado.
Um cérebro mal-educado tende a ser reativo, ocupado com rotinas que impedem a saúde, a criatividade, o contentamento, a liberdade.

Educar o cérebro passa pelo observar, para identificar antigos hábitos/vícios.
Educar o cérebro passa pelo especular, para questionar antigos hábitos/vícios.
Educar o cérebro passa pelo rigor, para desarmar antigos hábitos/vícios.

O jeito mais 'rápido'(=assertivo) de educar o cérebro que eu conheço é atraves da educação do corpo.
Tem vários nomes, um deles é o jeito Iyengar de práticar de Hatha Yoga.
Fica bem mais assertivo se junto com o método Iyengar acrescentamos* Bartenieff Fundamentals e Técnica de Klauss Vianna.

*a.cres.cen.tar (léxico)

(acrescer+entar) vtd 1 Ampliar, aumentar.

20100423

Respira

"Façam Savasana em Sarvangasana - vão aprofundando o nível da postura; não pensem em tempo na postura, mas sim em aprofundamento através da respiração; tomem consciência da respiração; façam inspirações e expirações longas, intervaladas de um ciclo de respiração normal; deixem que a respiração flua em ciclos de inspiração grande, expiração grande e ciclo normal. A respiração é como se fosse liquida e vai tomando a forma do corpo; o corpo tem agora função de recipiente. E tal como as crianças quando brincam, se têm um pequeno espaço para as suas brincadeiras, ficam limitadas a esse espaço, mas se tiverem um jardim grande para brincarem, então conseguem brincar muito mais e melhor. A respiração funciona da mesma forma."


Respiração - Aula de Prashantji, Outubro 2008

"Actualmente não temos paciência para aprender. A respiração em "super slow motion" é muito importante para observar a resposta do corpo. É preciso trabalhar nesta cultura em que não temos paciência para aprender."

Slow Motion - Prashantji, Outubro 2008, RIMYI




O que o Yoga e o Flamenco tem em comum?
Respira, pulsa, 'move' sem mover, distorce modifica o experimentar do Tempo.
O Êxtase (Samadhi <=> Duende).
Quem pensa não presta atenção <=> Se pensar, emperra.


20100309

Cri(s)e dos 7 anos: Klauss, Laban, Bartenieff & cia. no Hatha Yoga


Quem freqüenta as aulas comigo sabe o quanto eu valorizo a objetividade que a abordagem do Hatha Yoga pelo método Iyengar proporciona. Porém, existem outros métodos de estudo e análise do movimento que, se usados em acordo, transforma a precisão da navalha de aço do método Iyengar em exatidão de lâmina de obsidiana.

O iniciar na prática de Hatha Yoga pelo método Iyengar pode ser mais ou menos complicado (e quem complica, não explica. Quem não explica, afinal, sabe mesmo ou é decorado?), dependendo da abordagem (mais ou menos 'esotérica', ou hermética) que o professor escolha adotar, falando em anatomês do Iyengar, sem explicar para os novatos o que é o que. Claro, a calourada fica boiando, sem poder fazer do jeito correto, sem poder aprender de cara por inteiro. Nesta hora, conhecer a Técnica de Klauss Vianna ajuda a descomplicar o jeito de expor e descrever o movimento: Klauss ensina a falar do corpo em camadas profundas com todo tipo de gente, gente com qualquer nível de erudição, ajuda a despertar nas pessoas o interesse pelo que ocorre em seus corpos sob a pele, além do que a vista 'normal' alcança.

Praticar Hatha Yoga pelo método Iyengar requer um refinar sensório, e pode ser outro obstáculo ao aprendizado e, portanto, à associação de mais pessoas ao grupo. O conhecimento da Análise Laban em Movimento, do Sistema Laban-Bartenieff e de Bartenieff Fundamentals (salve, salve Fitz-Simon!) pode ajudar a dar conta de fornecer um repertório fundamentado na perscrutação de percepções bastante eficaz e uma excelente ferramenta de apoio ao método Iyengar. Laban e Bartenieff também auxiliam no momento de organizar as ações externas e internas que constroem a entrada, permanência e saída do āsana, bem como na eficácia do seqüênciamento das ações externas e internas das correções adequadas para cada pessoa.

Além disso, Bartenieff Fundamentals facilita a respiração durante o movimento, ajuda a manter a estabilidade pélvica (sem apertar a bunda, ooops, o glúteo, socar o púbis em qualquer direção desconexa e espremer a banda sacra) e a relação entre cintura pélvica e escapular que é fundamental na feitura dos āsanas e a conecção viva entre a parte superior e inferior do corpo e liberação da coluna do fardo (peso mesmo, carga) imposto pelo uso inadequado e descoordenado de braços e pernas.

20100302

Yoga ≠ Psico(análise ou terapia)


Tratamento psicoterápico é o que procura sanear (tornar sã) a mente, fundamentando-se na tese de que as condições de desequilíbrio, desarmonia, impureza e inquietude mentais são responsáveis pelos transtornos físicos. É tratamento comprovadamente eficaz. Sua eficácia demonstra a solidez da tese.

As escolas de psicologia do inconsciente, principalmente a psicanálise e a auto-análise, têm sido as que melhor atendem aos fins psicoterápicos. Têm sido as mais utilizadas pelos especialistas de todo o mundo.

Segundo elas, somos o que somos, fazemos o que fazemos, reagimos como reagimos, sofremos ou gozamos, temos nossas crises e nossos remansos e até mesmo pensamos e cremos, não de acordo com o nível conhecido da mente, mas sim movidos, manobrados e determinados pelas camadas mais profundas, das quais não temos conhecimento claro. Sendo a mente comparada a um iceberg, a parte aflorada, isto é, a mente consciente, é mínima e relativamente incapaz, enquanto a parte submersa, o inconsciente, tem poder incomparavelmente maior. A psicoterapia pela psicanálise e pela auto-análise - tão eficientes -, em linhas gerais, consiste em tornar conhecidos (passar para o consciente ou fazer aflorar) os conteúdos e condições inconscientes e profundos. Tais conteúdos e condições resultam de esquecidas experiências traumatizantes (predominantemente da infância), que, por sua natureza maléfica e poderosa, se expressam através do anômalo comportamento dos nervos e das glândulas endócrinas. Dizem os psiquiatras que a doença é a ‘somatização’ dos conflitos e traumas escondidos, isto é, sua expressão orgânica.

Feita uma faxina do inconsciente, isto é, expulsos de lá os conteúdos reconhecidos como deletérios, já tendo esses perdido o anterior poder perturbador, concretiza-se a cura ou libertação do neurótico. Esse processo de limpeza, vale dizer de desmascaramento do adversário escondido, de alívio de carga, de conscientização do ignoto, de extravasão, de elucidação e de catarse, muda a mente e, em conseqüência, rearmoniza, corrige e normaliza os mecanismos auto-reguladores do organismo, daí imediatamente redimirem-se os sintomas. Assim, o neurótico se redime do inferno em que vivia. Diz-se, também, que se corrige a desconfortante ‘linguagem visceral’.Em outras palavras, desfaz-se a ‘somatização’.

Quem estuda o Yoga em seus veneráveis textos originais surpreende, em seu aspecto psicológico, atualidade, riqueza e sutileza tão profundas que, não fora a linguagem velada, exótica e simbólica, pareceria obra dos mais refinados e modernos entendidos nos aspectos inconscientes da alma humana. Não tenho receio de concordar com autoridades no assunto e também afirmar que o Yoga é o ancestral comum de todas as modernas escolas de psicologia profunda.

Segundo a psicanalista francesa Maryse Choisy, o próprio Freud fundou a psicanálise em princípios yogiks, que lhe teriam chegado através de Arthur Schopenhauer, o filósofo ocidental que mais se inspirou nos clássicos do hinduísmo.

Não é diferente a opinião de Carl Gustav Jung, fundador de um dos mais importantes ramos da psicanálise, que diz: ‘A própria psicanálise, bem como as diretrizes de pensamento às quais deu origem e que são, na verdade, um desenvolvimento ocidental, são uma tentativa de principiantes, comparados com o que, no Oriente, constitui uma arte imortal’.

M. Bachelard considera o Yoga a "psicologia da verticalidade".

Realmente. Se a psicanálise, num mergulho, atinge o inconsciente e daí não passa, o Yoga, mediante uma experiência transcendente, chamada samadhi, fim e essência do processo yogik, diviniza o homem no deslumbramento superconsciente.

O objetivo do processo psicanalítico é a cura de um enfermo. O do Yoga é a redenção humana ou libertação (moksha) da alma individual (jiva).

A psicanálise tem por objeto de estudo a mente enferma. O Yoga estuda e considera o homem integral, isto é, o homem potencialidade do Divino, germe e promessa da Alma Universal, expressão do Absoluto em via de aperfeiçoamento e atualização.

Para o psicanalista ortodoxo, o inconsciente é um depósito de experiências dolorosas, um porão de escória reprimida pela convivência com a sociedade que não a aceita. O Yoga considera o inconsciente apenas uma zona da mente onde o consciente não chega, não sendo fatalmente de má qualidade, formado exclusivamente de negatividades recalcadas. O inconsciente tem, em si, também luzes, tendências, impressões, energias boas, potencialidade infinita e qualidades divinas.

Sendo uma psicologia do inconsciente, o Yoga explica a vida consciente, em parte, como conseqüência do inconsciente. Todas as nossas experiências, fatal e fielmente, são gravadas numa espécie de "fita de gravação", através de ininterrupta introjeção. O que introjetamos ou gravamos nos plásticos abismos do inconsciente são: vasanas (tendências, inclinações, impulsos, motivações...) e samskaras (impressões, representações, imagens, juízos...). Lá do fundo, esse conteúdo comanda o nosso comportamento dito voluntário e consciente; comanda o que somos, queremos, sentimos, dizemos, fazemos e pensamos.

Conforme as introjeções que fazemos no curso da vida, tal será nosso destino. Quem introjeta espinho, conseqüentemente será espetado. Essas noções de vasanas e samskaras dão uma explicação psicanalítica à conhecida Lei do Karma.

Assim esclarecidos, deveríamos, por interesse profilático, selecionar as impressões e tendências que introjetamos, com o mesmo critério com que um dietista escolheria sua refeição num cardápio, visando a que, nos dias de porvir, possam elas (as escolhidas) operar em proveito da saúde e não contra ela; em direção à liberdade e não à servidão; em prol de nossa felicidade e não em seu prejuízo.

A indiscriminada, inconsciente e indisciplinada introjeção de vasanas e samskaras polui, adoece, corrompe, perturba, vicia e infelicita a mente. O yogin, sabendo disso, procura acautelar-se. Evita fisicamente as que pode e, mentalmente, aquelas que, fisicamente, lhe são impostas pelo ambiente.

Seu cuidado não é apenas na área da higiene mental, mas também na fase da cura.

Nesse particular, em que consiste a cura?

Em depurar, liberar, aclarar e aprimorar o mental. O Ashtanga Yoga ou Yoga dos oito componentes, codificado pelo sábio Patañjali, é uma forma técnica de sanear a mente, não a mente que costumamos chamar de doente, mas a mente que costumamos chamar de normal e que, em verdade, é "normalmente" incapaz para a felicidade e para o alcance da Verdade.
Agitada como é, tecida de conflitivos desejos, encabrestada pelo egoísmo, sacudida de paixão, obcecada pelo irreal e condicionada a fatores múltiplos, o que chamamos de mente normal não deixa de ser, inclusive, um obstáculo para a percepção da Verdade. Essa só é possível quando a mente impura cessa de manifestar-se, isto é, quando emudecem seus vrittis (manifestações, fenômenos, movimentos, vacilações...). Levada a mente à plena quietude, ocorre a comunhão com o Infinito; dá-se o samadhi. Tal é o objetivo da ascese de Patañjali. Tal foi o caminho seguido e ensinado por S. João da Cruz.

As imperfeições mentais, que o método visa a remover, são:

  • mala, isto é, impureza, luxúria, ódio, cobiça...


  • vikshepa, ou seja, o estado de vacilação, agitação, insegurança, volubilidade...;


  • avarana, o véu de ignorância, que lhe dá miopia espiritual e limita o alcance e a percepção.



  • O yogin aprende com Patañjali como purificar, aquietar e iluminar sua mente.

    Segundo essa escola de Yoga, a cura mental liberta o homem das condições normais e enfermiças de sua personalidade, que são:

  • asmita (egoísmo);


  • raga (concupiscência ou apego);


  • dvesha (aversão);


  • abhinivesha (medo de morrer).



  • Tais defeitos de personalidade podem ser simultaneamente efeitos e causas das imperfeições do psiquismo.

    A psicoterapia comum visa a restituir à mente enferma e sofredora as condições caracterizadas como normais. O Yoga ajuda a atingir tais resultados, mas vai mais além. Seu objetivo final é dar à mente: pureza (suddha), transcendência (buddhi) e redenção total (mukti).

    Uma forma bem interessante de entender a ação yogaterápica no tratamento do nervoso já foi exposta páginas antes, quando expusemos a teoria dos gunas. Ali mostramos que a prática do Yoga, numa ação neuroanaléptica, levanta as forças do abatido ou astênico. Em termos de gunas, poderia ser dito que à mente tamásica a prática do Yoga acrescente rajas. Ao agitado indivíduo de mente rajásica, o Yoga sativiza, isto é, dá-lhe o equilíbrio, a harmonia e a serenidade sattwa.

    Até aqui estávamos vendo o Yoga como uma forma de psicanálise. No entanto, chegou o ponto em que vamos concluir que é exatamente a antítese da psicanálise, isto é, uma psicossíntese.

    Psicanálise, ao pé da letra, quer dizer análise, divisão, separação do todo em partes, da alma (psique). O Yoga, em sua conceituação essencial e ao mesmo tempo etimológica, é exatamente a antítese disso. Yoga vem da raiz sânscrita yuj, que quer dizer juntar, unir, reunir, unificar... Yoga une. Análise separa. Como doutrina e técnica psicológica, seria literalmente uma psicossíntese.

    Unificar a alma despedaçada é Yoga. Dar unidade e coerência à mente onde reina conflito é Yoga. É Yoga harmonizar os antagonismos psíquicos. É Yoga dar coerência à vida mental. Se a mente está doente, é porque vive como ?uma casa dividida contra si mesma?. Yogaterapia consiste em restaurar a paz interna. Se, em seu estado comum, a mente é fraca, é porque a dispersão a domina, dispersão que a esparrama estagnada como pântano ou a exaure em fluir multidirecional. O Yoga atua no sentido de dar-lhe a concentração necessária, conseqüentemente gerando poder, segurança, penetração, eqüanimidade, coerência, harmonia e bem-estar. Como psicossíntese, o Yoga reduz a fluidez e a dispersão.

    Em resumo, o Yoga é uma psicoterapia porque socorre o neurótico e o livra dos sofrimentos desde que:

  • harmoniza conflitos;


  • limpa o inconsciente de vásanás e samskáras nocivos, substituindo-os, através de introjeções - positivas, condizentes com a libertação e a realização espiritual;


  • unifica a vida mental, mediante harmonizar os vários níveis e as expressões da personalidade;


  • acrescente sattwa à mente rajásica, e rajas, à tamásica, isto é, dá sabedoria e tranqüilidade ao excitado e ânimo ao astênico; 


  • orienta a mente para os rumos do Divino; 


  • reduz o egoísmo, a concupiscência, o apego e o medo;


  • liberta de velhos e dominantes condicionamentos.



  • O prof. Oskar R. Schlag foi um dos discípulos diretos de Freud, condiscípulo do grande Jung e amigo de E. Fromm. Com ele mantive amigável palestra, lastimavelmente curta demais. Ensina Yoga na Universidade de Zurich (Institut fuer Angewandte Psychologie). Para ele, o Yoga é muito mais do que a psicanálise como caminho redentor. Em conferência, em 1952, opinava: "Yoga é algo essencialmente prático para chegar-se a um fim (objetivo). Que fim é esse? A libertação. Libertação de quê? A libertação de uma situação que Freud denominou ?o encargo incômodo da nossa civilização?... Você mesmo é a fonte de todo o incômodo da nossa civilização. Dentro de você se encontra tudo aquilo contra o quê você protesta e do qual deseja se libertar".

    Aos estudiosos de Yoga como psicoterapia e em especial aos psicanalistas, indico principalmente dois livros: Western Psychoterapy and Hindu-sádhana, de Jacobs, Hans (George Allen & Unwin Ltd., Londres) e Yogas et Psychanalyse, da eminente psicanalista católica Maryse Choisy (Collection Action et Pensée aux Éditions du Mont-Blanc; Genève, Suíça). Para esta, "o Raja Yoga é o mais admirável tratado dos fatos interiores que o homem concebeu".

    José Hermógenes, no livro ‘Yoga para Nervosos’ , pags. 94 até 99.

    20100227

    Yoga = Dança (ou quase)

    A foto é bacana, porém...
    Se olhar bem vai ver uma variedade de joelhos de vários donos ultrapassando a linha perpendicular da frente do tornozelo (perna direita de quem faz) nessa variação menos veemente de Utthita Parsvakonāsana (Postura do Alongamento Lateral Intenso) + a dupla descoordenada joelho desalinhado com o dedão do pé.
    Uma fábrica de moer joelhos.

    20100226

    Acessórios para prática


    Onde encontrar os acessórios?

    Antes do onde, tem de verificar a qualidade do acessório, se o bloco fica e não 'entorta' ou cede com o peso, se o tapete escorrega antes de começar a suar. Acessórios confiáveis favorecem a vontade de praticar.

    A cadeira deve ser equilibrada e pode ser adaptada em casa, com as devidas atitudes preventivas:

    O cinto pode ser feito em casa, com 3,5m de alça de algodão para bolsa com 25mm a 35mm de largura e um regulador de metal proporcional, costurando o regulador em uma ponta e dobrando e costurando a outra ponta. (Talvez seja possível fazer a mesma coisa com cola de contato, alguém quer testar?)

    20100213

    As aptidões 'da' prática do yoga


    Como podemos relacionar a prática espiritual do Yoga com a prática física?
    Se o Yoga é um empenho espiritual, qual a importância do ajuste do corpo para essa jornada?

    Hatha Yoga, ou yoga *"impetuoso", foi originalmente concebido como uma técnica para usar o corpo como um veículo para atingir a realização espiritual e libertação. De acordo com os sábios desta tradição que começou no século 15 na Índia, usando determinadas posturas físicas (āsanas) juntamente com práticas de respiração (prānāyāma) e técnicas de limpeza (kryiās), o corpo pode ser purificado até à medida em que, literalmente, transforma-se em um diamante imortal como a substância que torna-o perfeito veículo para a transformação espiritual que permitirá ao praticante transcender o ciclo contínuo de vida, morte e renascimento. Tais metas parecem fora do alcance para nós, seres humanos normais, com o cotidiano do trabalho, recreação e relacionamentos, porém dentro das aspirações elevadas destes antigos mestres encontram-se certos princípios básicos que todos podemos aplicar e ajustar ao nosso cotidiano e perceber os benefícios.

    No nível mais fundamental, então, a prática de yoga é para a criação de uma ótima saúde pode tornar-se um fim em si mesma, um objetivo que tem sido desenvolvido e aperfeiçoado desde o século passado pelo trabalho de pioneiros como BKS Iyengar (Iyengar Yoga), Desikachar TKV e seu guru, Sri Krishnamacharya Tirumalai (Ashtanga Vinyasa Yoga). Sem essa ótima saúde, o indivíduo é incapaz de funcionar adequadamente, mesmo em sua vida mundana, e muito menos realizar buscas mais elevada de auto-aperfeiçoamento e de instrução espirituais. O corpo de diamante imortal pode ser um ideal de perfeição inatingível para nós hoje, mas a ioga moderna nos apresenta um novo ideal, um equilíbrio do corpo e da mente que está bem nutrida, flexível e adaptável às demandas muitas vezes exigidas pela vida moderna.


    A visão iogue de ótima saúde:

    Libertação de desordens físicas: dores, doenças.
    Vitalidade do corpo: a força suficiente para atender cada uma das necessidades diárias para a sobrevivência básica e ter energia suficiente sobrando para a prática espiritual.
    Maleabilidade do corpo: flexibilidade e tônus muscular, coordenação motora e propriocepção suficiente para realizar cada uma de tarefas diárias sem prejuízo, e manter liberdade e equilíbrio no corpo suficientes para realizar investigação espiritual mais profunda.
    Resiliência e equanimidade da mente: uma mente impertubável pelas dores e doença, que esta serena o suficiente para realizar a auto-reflexão e focada o suficiente para sustentar uma atitude introspectiva por longos períodos de tempo.


    Elementos de um organismo equilibrado:

    A simetria bilateral:
    as diferenças entre os lados direito e esquerdo do corpo são minimizados, criando simetria e equilíbrio e liberdade de movimento.
    Equilíbrio entre a frente e a parte traseira do corpo:
    o peso fica distribuído uniformemente através dos ombros, quadris e pés, com o tórax e abdômen, a parte superior e inferior das costas ampla e livre, minimizando os desequilíbrios posturais que exercem grande pressão sobre a coluna vertebral e a criação de espaço e liberdade para os órgãos internos.
    Alongamento e alinhamento da coluna:
    as curvas naturais da coluna vertebral são descomprimidas, suavizadas e equilibradas umas em relação às outras, criando a liberdade necessária para a manutenção dos espaços entre as vértebras por onde passam os nervos que se dirigem para todas as partes do corpo e conseqüentemente, a manutenção correta dos fluxos de informação em ambos os sentidos (do cérebro até a extremidade de cada nervo, da extremidade de cada nervo ao cérebro) através de todo o sistema nervoso.
    Liberdade de pescoço e ombros:
    a dor e a tensão são liberados pela liberação da cabeça livre para equilibrar corretamente no pescoço, permitindo uma clara percepção sensorial, coordenação e controle do movimento.
    Eficiência necessária do mecanismo de ‘lutar ou fugir’:
    a manutenção da harmonia dos mecanismos do sistema nervoso mantenedores da homeostase e desarmamento progressivo das ações contrárias ao bem estar do organismo como um todo (corpo-emoção-mente), reduzindo o stress, que por sua vez, permite que o corpo se curar.
    Liberdade de respiração:
    o mecanismo de respiração é irrestrito, promovendo uma melhor organização e execução dos processos químicos mais sutis e mais vital do corpo, incluindo a respiração celular, produção de energia e remoção de resíduos.


    Tudo isso pode ser conseguido através da prática diligente e dedicada a longo prazo de toda a gama de posturas físicas do Yoga. Yoga é, em última instância tudo o que se pode fazer com e através dela. Trata-se do caminho e dos insights e das liberdades que são percebidos através da prática e não de um objetivo final que é estático e imutável. Muitas vezes as pessoas se sentem intimidadas e protelam o início da sua prática por visões de mulheres magras e homens executando contorcionismos bizarros, mas a verdade é que todos esses maravilhosos benefícios do yoga pode vir mesmo a prática mais simples, se executada sob a batuta de nove habilidades fundamentais muito simples. Essas habilidades se aplicam igualmente a mais fácil das posturas em pé como eles fazem a mais complicada de extensões.


    As habilidades fundamentais de prática de posturas (Āsana):

    1. Respiração
    Sem ar não há vida, figurativa e literalmente. Liberdade de respiração é o fundamento da libertação, movimento e expressão.

    2. Aterramento
    A gravidade não é apenas uma força natural que fustiga o nosso corpo, é o meio em que nossos corpos e nossas percepções se desenvolvem. Entregar-se a gravidade e a criação de uma relação com o chão debaixo de nós que nos apóia e estabiliza o corpo, acalma o sistema nervoso e a mente e nos dá um ponto de partida para construir e refazer padrões posturais e padrões de movimento.

    3. Extensão, alcance
    Alcançar é uma ação complexa que aprendemos quando crianças que requer um sentido de nossa fundação, um senso de direção e uma intenção clara. Temos de chegar a algum lugar para lugar, pelo recrutamento dos músculos necessários e articulações no processo.

    4. Oposição
    As posturas são estáticas externamente, mas internamente são dinâmicas. Encontrar o equilíbrio das partes do corpo em ação e em não-ação, cuidando da integridade do corpo cria linhas de força dentro do corpo em torno do qual os tecidos moles, articulações e órgãos podem organizar e abrir.

    5. Torção
    A geometria do corpo é complexa e intrincada e raramente linear. O ato de torcer os membros e do tronco como se estivesse torcendo um pedaço de tecido encharcado para retirar a água que existe na sua trama (ao mesmo tempo, que gira cada extremidade do tecido para sentidos opostos, afasta-se as extremidades uma da outra) carrega em si a idéia de movimento de oposição em três dimensões, profundamente massageando os tecidos moles do corpo.

    6. Alargamento
    No ato do movimento, nós nos encontramos freqüentemente focados num ponto único, reduzindo a consciência de nossas intenções e objetivos. Mesmo em silêncio, nossos corpos estão preparados para se mover e reagir. Alargar os planos do corpo mantém um senso de tridimensionalidade de todo o ser, criando a diferença entre o desempenho e a disciplina espiritual.

    7. Maleabilidade
    ou o equilíbrio entre os opostos ao mesmo tempo.
    Entusiasmo e esforço de muitas vezes levar a excesso de trabalho. Assim como algumas partes do corpo estão tonificadas e contraindo, outras partes devem suavizar e alongar. Caso contrário, estamos agindo de forma ineficiente e insipiente, efetivamente trabalhando contra nós mesmos.

    8. Rendição
    Esforço e ação são apenas um lado da moeda. Também é necessário liberação e entrega, tanto para o corpo quanto para a mente. Sem estes, corremos o risco de criar mais problemas e stress, o efeito oposto do que estamos buscando.

    9. Reflexão
    O aspecto verdadeiramente espiritual da prática é dar tempo suficiente entre a experiência e a reação para que haja a possibilidade de observação e contemplação. É nesse momento que podemos aprender, adaptar e modificar o nosso comportamento, criando a mudança em nossos corpos e nossas vidas.

    Adaptado e inspirado por Witold Fitz-Simon


    * "impetuoso", originalmente forceful ;
    adj.
    1 forte, vigoroso, poderoso, potente, violento, impetuoso, enérgico.
    2 substancial, substancioso, eficaz

    20091120

    Contra capa anterior


    'We are missing the gold if we do asanas as a physical pratice only'*
    Geeta Iyengar em: Yoga, a gem for women.

    * Humm, literalmente:
    'Perdemos o ouro se fazemos asanas somente como um exercício físico'.
    Porém, se colocam em minha visão duas outras (a)versões:
    'Empobrecemos se fazemos dos asanas apenas fisioculturismo.'
    e
    'Jogamos fora a riqueza dos asanas ao executá-los tal como um excercício para os músculos.'

    20091105

    Iyengar Yoga e a Medicina Moderna

    Iyengar Yoga Resources, 2001
    Transcrição da entrevista dada à uma emissora de televisão francesa por dr. Manoj Naik, médico (qualified medical doctor) que clinica em Pune e pratica no Ramamani Iyengar Yoga Memorial Institute, publicada pela primeira vez em 'Yoga Rahasya' (Yoga Rahasya Vol.8 nr/3, 2001).

    Como você iniciou a prática do Iyengar Yoga?
    Uma colega sênior do Instituto me introduziu a esse assunto. Ela dizia que eu deveria praticar yoga uma vez que eu seria beneficiado em vários aspectos. No início eu estava bem incrédulo e dizia a ela que a minhas aulas de natação e corridas me bastavam como atividades físicas. Francamente a seis anos atrás eu nem sabia da existencia do Instituto e iniciei o yoga por insistência de meus amigos.

    Você sente algum benefício?
    Os resultados me surpreenderam. Eu já me exercitava mas nunca havia experienciado uma sensação tão boa de energia e de relaxamento após os asanas. No início os benefícios eram apenas físicos aparentemente, na forma de flexibilidade, etc. Agora eu estou sentindo o aspecto mental dos asanas. A prática regular esta me beneficiando muito haja vista a minha rotina irregular como médico e estresse envolvido na medicina. Eu faço questão de não perder a prática e quando isso acontece fico bem incomodado.


    Voce chamaria Iyengar Yoga uma forma de exercício?
    Pode até parecer uns exercícios físicos aos iniciantes, mas é mais do que isso, é uma filosofia e estilo de vida. Com a loucura de estarmos em forma hoje em dia pode-se tomar como tal, se você projeta a sua prática como algo físico somente.


    Qual a diferença entre Iyengar Yoga e demais formas de exercício?
    Deixe-nos comparar os aspectos físicos primeiramente. Em outros exercícios existe uma limitação de movimentos nas articulações. A corrida inclui principalmente braços e pernas , bem como a natação. Nos asanas todas as articulações do corpo são usadas de forma plena e mantidas em movimento.
    Em outras formas de exercício o efeito no corpo orgânico (órgãos abdominais e órgãos toraxicos) são marginais. Asanas tem um efeito enorme nesses órgãos e você não exercita esses órgãos enquanto corre e levanta peso ou pedala. Considerando as torções , por exemplo, em Bharadvajasana (quando feita corretamente) os órgãos abdominais superiores (fígado, estomago e esplênio) são exercitados. Em Marichyasana/ Ardha Matsyendrasana os órgãos abdominais do meio (intestinos e fígado) são exercitados. Em Pasasana / Paripurna Matsyedrasana, os órgãos baixo do abdômen (órgãos pélvicos e colon) são envolvidos. Em cada asana algum órgão esta sempre envolvido.
    O melhor efeito do asanas é mental. Para conquistar uma postura correta você deve usar a mente e outras faculdades de forma intensa. Na verdade asanas e pranayamas são mais uma forma de exercício mental. O efeito na mente inclui estabilidade, diminuição da ansiedade, não à depressão, não ao nervosismo, e desenvolvimento de paciência e perseveranca. Alem do mais de forma adequada, às vezes adaptada, todos podem performar asanas.


    Qual a base de Iyengar Yoga terapêutica?
    A resposta esta no Yoga Sutra “ Sthira sukham asanam”. Em qualquer asana você deve estar estável e experimentando uma sensação de bem estar aprazível em cada parte de sua mente e corpo. Então se uma área doente é colocada na forma correta no asana acontece um alívio. Alguns asanas tem efeito pronunciado em determinadas áreas. Por exemplo, as torções são ótimas para as costas, posturas em pé e Urdhva Prasarita Padasana para joelhos. Essas são usadas para aliviar dores nas costas e joelhos por exemplo. Pode ser impossível, entretanto para um paciente fazer as posturas finais, e ele deve então buscar as posturas de preparo para as finalizadoras.


    Você aprendeu isso nas aulas de medicina?
    Os médicos estão sabendo dos efeitos terapêuticos do Iyengar Yoga?
    Não, não temos yoga em nosso currículo ou educação. Atualmente os médicos estão mudando para perceber e adotar o yoga ,mas a maioria esta longe ainda desse conhecimento. O retorno que eles obtem são de pacientes que praticam yoga também para se curar.


    Os médicos aceitam o papel do yoga num tratamento?
    Hoje em dia yoga é aceito como uma forma alternativa de medicina. Mas a resposta a isso ainda é controversa. Alguns riem disso, alguns pedem aos pacientes para que continuem e outro dão sugestões estranhas tais como: não faça Sirsasana, faça apenas Savasana, ou faça Surya Namaskar.


    Porque isso é assim?
    A medicina tem sua base e preceitos formadas em cima de fatos demonstrados objetivamente. Assim sendo temos a tendência de colocar uma venda e acreditar somente em estudos objetivos da ciência da medicina ou pesquisa objetiva. Todas as outras áreas são vistas com cautela e descrença. Yoga e uma ciência totalmente subjetiva. Os praticantes podem somente durante a prática experimentar os efeitos dos asanas e pranayamas. Logo, enquanto os médicos não provarem não poderão falar sobre esses benefícios.
    Documentação objetiva é difícil. Um escanner pode acontecer somente enquanto o paciente esta deitado; não pode ser feito com o mesmo sentado. Mesmo se conseguíssemos fazer um escaneamento, o radiologista encontraria dificuldade em interpretar o mesmo. Anatomia funcional deve ser experimentada e não pode ser documentada.
    A maioria dos médicos tem pouco conhecimento de asanas e pranayamas e , quando interpelados por pacientes sobre o yoga, deveriam humildemente dizer que não tem conhecimento no assunto.


    Como você aceitou o yoga como uma ciência terapêutica?
    Vou narrar um incidente que trouxe essa mudança em minha vida. De dois a três anos atrás eu conversava com Guruji que me disse, : Hei , sua mão direita tem problemas!”.”Não” eu respondi e ele falou que meus músculos do antebraço direito eram mais grossos que o outro. Ele mexeu minha mao direita e disse que eu tinha espondilose no ombro esquerdo. Fiquei em silencio e me perguntei “Como eu teria espondilose?” Eu podia mover meu pescoço sem problemas e me mover sem dor. Peguei a opinião de um amigo cirurgião ortopedista que mencionou que meu lado direito estava bem e era mais grosso pois eu sou destro.
    Agora eu vejo que o que Guriji disse era verdade e sinto a falta de movimentos do lado direito, sinto o ombro esquerdo em Parsvottanasana e Gomukhasana. Ocasionalmente sinto dores no deltóide direito, braço e antebraço.
    Agora os raio-x provarão negativo, mas se eu não caminhar para um trabalho preventivo certamente terei espondilose dentro de mais 10-20 anos. Agora eu entendo algo que o yoga é tanto um diagnóstico quanto uma terapia. Falta de simetria em asanas acabam levando a uma doença no longo, médio prazo. O praticante deve ser capaz de sentir todo o seu corpo com a mente presente e diagnosticar as irregularidades. Na yogaterapia voce usa a região sadia e lado sadio para ser a sua baliza de trabalho que levara o lado doente a uma sensação de equilíbrio e saúde. Parsvottanasana, etc. pode ser usada para diagnosticar e para curar alguns problemas de ombros e pescoço.


    Você pode nos contar quais aspectos da medicina você aprendeu em Iyengar Yoga?
    O incidente que descrevi surprendeu-me pois eu não conhecia meu corpo, embora eu fosse e seja um médico.Como Guruji conseguiu diagnosticar todo em uma olhadela? Isso foi quando o meu ego de médico tornou-se mais humilde.
    Após esse episódio eu passei a atender as classes médicas de yogaterapia. Iniciei observando pacientes com varias doenças: cardíacas, spondilose, discos da coluna fora de lugar, diabetes, problemas nos joelhos, nos quadris, hipertensão e todas essas sendo tatadas e os pacientes sentindo-se melhores. Mas eu não sabia qual era o mecanismo de ação. O que me ocorreu é que muita prática, e avaliação subjetiva dos efeitos dos asanas em varias regiões do corpo eram pré-requisitos para entender a parte de cura dos asanas.
    Devo admitir que mesmo depois de 6 anos de prática médica minha avaliação subjetiva ainda é pobre. Aprender é uma coisa muito lenta. Nem imagino quanto esforço e empenho Guruji doou a sua prática e estudo para adquirir essa forca nas avaliações subjetivas de Yogaterapia. É impressionante, ele nem pergunta às vezes do que a pessoa sofre. Ele olha a pessoa andando ou em asana e faz a sua avaliação e diognóstico.


    Qual é a similaridade entre Yoga e medicina?
    Ambas são feitas para aliviar o sofrimento humano. Yoga e medicina de prevenção por excelência que define saúde por presença de bem estar social, físico e mental. A medicina não tem respostas para o bem estar social, físico e mental.
    Esses conceitos estão todos bem mencionados em Astanga Yoga. Saude e bem estar mental são niyamas(sauca, santocha, tapas, ishvarapranidhana) Bem estar Social está em Yamas (ahimsa, asteya, bramacharya e aparigraha). A medicina é como avistar um incêndio quando ele já começou. Os princípios de yoga são preventivos desse incêndio. Quando bem usado, seus benefícios podem ser avistados e validados.


    Estar presente nas classes médicas ajudou você?
    Sim, desde que a medicina é objetiva ela acaba tendo também muitos mitos que depois se quebram. Por exemplo, nos casos de discos que deslizam e ficam fora de lugar os médicos recomendavam que os pacientes não fizessem flexões para frente. Mas em Iyengar aprendemos que quando feita de forma correta os asanas de flexão para frente são muito boas e curativas. Minha esposa é uma que se beneficia dessas posturas.
    Outro mito e de que uma pessoa não deve fazer sirsasana depois dos sessenta anos ou se voce teve ataques cardíacos em seu histórico. Guruji aos 82 faz todas as posturas de inversão. Existe um paciente que teve ataque cardíaco e Guruji ensina ele a fazer a Sirsasana após as posturas de preparação.
    A medicina tem o principio de não fazer o mal. Mesmo se você não conseguir ajudar o paciente melhore em algo, mas não faça mal. Então você avisa que ele não deve subir escadas por problemas de joelho, ou pede a ele para não se curvar para os casos de dores nas costas ou mesmo o coloca em longos períodos de repouso na cama.
    Guruji recomenda outro principio. Você pode ajudar o paciente a fazer mais sem machucá-lo? Esse e o pricípio de IyengarYoga usado nas classes de terapia.


    Como a Iyengar Yoga ajudou a sua esposa?
    Ele tinha episódios de deslizamento de disco da coluna sério que sempre a deixava de cama por 8 dias muitas das vezes. Inclusive as tarefas simples de cotidiano da casa ficaram insuportáveis para ela. Agora após 6 meses de aulas de Iyengar Yogaterapia ela esta sem dores e com muita mobilidade na coluna. Ela é uma cirurgia geral e certamente entendeu o poder de cura de Iyengar Yoga na prevenção de cirurgias.


    Em quais doenças a Iyengar Yoga ajuda mais?
    As classes médicas tem várias pessoas com vários tipos de doenças. Nas pesquisas de yoga nosso corpo é o laboratório enquanto a mente é quem faz os avisos e recomendações, os movimentos novos e ações que dão aivio são as pílulas ou injeções. Se voce tem um paciente que tem um problema específico, teste em você o efeito das asanas para recomendar a pílula certa!

    20091004

    Síndrome do Pânico

    O que é, perguntas e respostas, por um psiquiatra.


    (você não enlouqueceu, o vídeo está com a imagem atrasada em relação ao som.)



    A prática de Hatha Yoga pode ajudar conforme já mostrado pela declaração do Dr. Ricardo Monezi Julião de Oliveira, professor do curso de pós graduação em Medicina Comportamental, do departamento de Psicobiologia da UNFESP no post 'antigo' 'Pesquisa da UNIFESP sobre os benefícios do Yoga':

    “O Yoga incentiva os praticantes a tomarem consciência de seu corpo e de suas tensões através de posturas físicas. Além disso, por focar o autoconhecimento, concentração e meditação, sua prática também pode contribuir para facilitar a autoconfiança e um sentimento pessoal de maior senso de controle e qualidade de vida”.

    Isso!
    Identificações das tensões e de seus reflexos no corpo, nas emoções e na mente (acelerações, excitações), para, depois da identificação, aprendermos o caminho de diminuir a excitação através dos āsanas/posturas. Passamos de estranhos a nós mesmo e por vezes, auto-sabotadores a nossos verdadeiros colaboradores.

    Nos casos de patologias comportamentais, o professor de Hatha Yoga que conhece, pratica e divulga o Método Iyengar tem condição privilegiada de indicar uma ou mais āsanas/posturas que contribuirão em trazer a pessoa de volta à coordenação de suas funções mentais e psicofísicas.

    Mas atenção, somente um médico competente pode receitar ou retirar os medicamentos. Praticar Hatha Yoga não exime de continuar com sua prescrição medicamentosa.