20110322
20090220
Quem sou eu?
A pergunta que o Yoga faz:
Quem é você?
Essa é a pergunta que junta os raios multicoloridos na luz branca da eternidade.
Esse é o jogo de indagar, mahā lilah dissimulado na vida, a ilusão de que tudo é separado.
É uma pergunta que costuma se mostrar abrangente, quase um continente. Ao menos por enquanto para mim, apesar de ter um tanto de experiências registrado, há no existir muitas possibilidades de perceber a pesquisar por vir.
Costumo observar que já temos a resposta, o que acontece pelo costume é que não fazemos a pergunta acertada.
E resolvi mudar a pergunta, passei a questionar:
Quem eu não sou?
Como eu não sou?
Fez efeito de bisturi de obsidiana em discernir (viveka) o que vem de mim ou vem a mim do que está com os outros.
Me perguntar 'Quem eu não sou? Como eu não sou?' tem efeito de desnudar as projeções, as minhas nos outros e as dos outros em mim.
Fica simples observar quando e como as projeções surgem, tanto as minhas sobre as pessoas como as das pessoas sobre mim.
Me trouxe liberdade de escolher como quero e se quero me relacionar através de projéteis (os atributos – qualidades ou defeitos - projetados). Me trouxe um entendimento não racional de que todos somos um (mas não somos os mesmos).
Essa autonomia me oferece a possibilidade de me desembaraçar das situações onde as pessoas se relacionam através de projéteis sem nenhum arranhão.
20090121
Shavāsana
Em Shavāsana, os braços e pernas permanecem suavemente alongados, os braços ligeiramente afastados do tronco e as pernas separadas uma da outra, para evitar o contato entre as partes do corpo. As mãos repousam com as palmas para cima, minimizando assim as informações que a pele das palmas mãos e das pontas dos dedos, que são regiões onde a quantidade e qualidade de informações táteis é intensa.
O propósito de assumir essa postura é reduzir ao máximo as informações recebidas do mundo exterior, e oferecer à mente(= consciência) a possibilidade de lançar um olhar para dentro de si mesma ao invés de fazer o que foi condicionada desde o seu nascimentoque é olhar para fora, para o que acontece fora dos limites do corpo que essa mente habita.
Com os olhos fechados e as informações que os sentidos propiciam minimizadas, 'obrigamos' a mente a pensar nas sensações do mundo exterior que os sentidos do corpo percebem. Aos poucos, a mente perde o interesse em evocar as sensações e volta-se para si mesma, os sentidos se 'fecham' e a consciência se encontra em pratyāhāra.
20090117
Encerramento de uma aula prática
Sentamos em Sukhāsana, como fizemos no início da prática, focalizamos a consciência agora em estado mais introspectivo, após o relaxamento e meditamos por algumas respirações, ou por alguns minutos.
Nos despedimos de todos os que praticaram conosco, buscando levar o estado de Yoga para todos os instantes de nossa vida.
20090116
Relaxamento
A maioria das pessoas se diz ou pensa que esta relaxada a maior parte do tempo, porém testes científicos provam o contrário: a maior parte das pessoas está sempre tensa e não percebe (mais).
São três os tipos de tensões responsáveis pela sensação de angústia que as pessoas guardam em si atualmente: a tensão física, a tensão mental ou psíquica e a tensão emocional, que são a origem das doenças, inibições, complexos, tiques, neuroses, ansiedade, em fim, todo o time de distúrbios de saúde física e psicológica que flagela os humanos viventes no século XXI. (e que a indústria da doneça se esmera em rebatiza, esmiuçar, 'distinguir', reinventar)
Primeiro acomodamos o corpo em Shavāsana, que é uma postura que elimina ao máximo a possibilidade de estímulo sensorial. Shavāsana ou Mritāsana é a postura do cadáver, do morto, onde emulamos a atitude de um corpo sem vida ou inconsciente: deitados de costas com os membros inferiores e superiores alongados e com mãos e pés um pouco afastados um da outro, com as mãos entreabertas e as palmas para cima. Na foto no início do post, podemos verificar o quanto nossas mãos são estimuláveis, sensíveis e as mãos na postura Shavāsana recebem o mínimo de estímulo, e assim, a área do cérebro responsável pelo processamento sensorial e motor das mãos fica propícia à não-atividade.
A respiração naturalmente se aprofunda e se amplia, de modo agradável.
A mente é dirigida de uma sensação a outra, num circuito pelas partes do corpo, e se retrai naturalmente. É importante frisar que esse mecanismo de retração é da natureza da mente , tem por objetivo cessar a atividade da mente objeriva, essa que é ‘faladora’ no cotidiano, por onde os pensamentos correm em alta velocidade, onde o foco da atenção pula de um ponto a outro, onde assuntos se tornam recorrentes.
Durante o relaxamento podem surgir imagens, cores, sons, cheiros, sensações na mente e no corpo. São produtos dos conteúdos inconscientes reprimidos que vêm á tona e que não devem ser foco de atenção, de elaboração ou julgamento: devem sim ser observados à distância, sem envolvimento de quem está praticando o relaxamento. O relaxamento se intensifica e se aprofunda com o tempo de prática e então se torna mais eficiente para o repouso que muitas horas de sono.
Obs.: A foto que ilustra este post é do homúnculo sensorial e do homúnculo motor. Estes homúnculos refletem quantitativamente, em escala proporcional, o quanto do cérebro humano está dedicado às sensações e a motricidade em cada região do corpo. Quanto maior a parte do corpo, mais área cerebral é utilizada para o processamento do estímulo, mais refinada é a possibilidade de sensação ou de movimento.
20090115
Āsanas: o foco e o instrumento
20090114
Início de uma aula prática
Serve para criar um limite para o mecanicismo cotidiano.
Cria um ponto de partida, o início de uma ligação consigo mesmo, afinal, cada um vem praticar para namorar sua alma, para (re)conhecer o que tem por dentro.
Sentados em Sukhāsana, respirando com consciência, atentos, com pele e músculos ‘alisados’, mãos em gesto de prece/namascar/namastê, entoamos alguns cânticos como uma maneira de dizer 'oi' para quem mora dentro de cada um de nós, de saudarmos nossos companheiros praticantes da ocasião e nos colocarmos em atitude respeitosa, receptiva e atenciosa para o que viemos perscrutar: praticar Hatha Yoga.
Geralmente cantamos o Pranava (OM) três vezes seguidos da Invocação a Patãnjali. Outros cantares para este momento:
'Gurur-Brahama
Gurur-Vishnu
Gurur-Devo Maheshvarah
Gurur Sakshat Para-Brahma
Tasmai Sri-Guruve Namah'
que enaltece o guru pessoal e que pode ser entendido assim:
20090113
Prática

A dinâmica de uma aula prática básica consiste em:
é a principal característica do Hatha Yoga: a execução de posturas com o corpo consciente.
Pode-se optar por uma praxe com asanas de abertura ou preparatórios, como 'aquecimento' ou para despertar a atenção e elevar o nível energético para os asanas centrais que são o propósito ou o foco da prática do dia e encerrar com asanas de fechamento que preparam o praticante para o relaxamento e para o retorno às suas atividades habituais.
encerramento da prática com uma breve meditação.
20081207
Como?
Como você pratica?
Como você (se) educa/ensina?
Como você percebe a Consciência?
Um fluxo, como um riacho ou um rio, ou um mar, onde você se banha?
Ou é sua atenção, sua intenção que se assenta, que mira ou desvia do ponto onde é a Consciência?
A Consciência é o ponto ou é oceano que tudo permeia?
Por agora, sinto que a percepção da Consciência se dá através de um ponto, que tangencia o Oceano Numinoso que parece formado de Luz, Amor Incondicional e Sabedoria Atemporal.
Enquanto habito este ponto, estou candente.