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20150528

Pós Palestra Potala (atualização em 01/06/2015)


I) Material Fonte 
https://youtu.be/KDoHMjuNVCs



Hatha –Yoga (Iyengar, 2001) Caminho para a realização e a união do indivíduo com a Alma Suprema por meio de uma disciplina rigorosa e do equilíbrio entre as energias solar e lunar no sistema humano.



Referências
Iyengar,B. K. S. (2001) A Àrvore do Yoga.São Paulo: Ed. Globo.
Le Page, Joseph e Lilian (2014) Mudras for Healing. Segunda Edição
http://experimentexto.blogspot.com.br/
http://yogaforhealthyaging.blogspot.com.br/
Wikipedia

2) Material fonte que ficou de fora por falta de tempo
Fáscia
‘O que entra pela carne jamais é esquecido.’ (ditado muçulmano)
Fascial Research German Spoken - English subtitles

+ sobre Yoga e Hatha Yoga
Darshana significa ‘ponto de vista’, os darshanas são 6, explicam o sentido da existência do ser humano e do Cosmos, estudam os diferentes aspectos da realidade, tendo como objetivo comum libertar o homem da ignorância, atingir a emancipação dos condicionamentos (moksha).
O vocábulo deriva da raiz drsh: ver, refletir, contemplar, compreender, e quer dizer literalmente ponto de vista, visão, compreensão, espelho. 
Yoga é um dos 6 darshanas ortodoxos; é um darshana prático. Se a pessoa fica pensando sobre Yoga e não pratica, não compreende o Yoga (= adquirir sabedoria), apenas obtém conhecimento sobre o que é Yoga.

Técnica do Hatha Yoga
usa o corpo como ferramenta para Moksha: como? Acessando, desestruturando os condicionamentos do inconsciente e do consciente pela alteração do posicionamento do corpo no espaço, sem que seja necessário uma abordagem racional destescondicionamentos ou dos fatos que geraram estes condicionamentos.

Bhoga ≠ Yoga assim como prazer ≠ satisfação assim como conhecimento ≠ sabedoria.
Um pouco de Hermógenes:
‘Yoga é disciplina iluminativa a serviço de uma extrema opção pelo Divino. É inteligente auto-reeducação que nos leva a um natural desapego dos efêmeros encantos da vida material. O anti-yoga, dos egoístas, dominados por mil desejos, apegos e aversões, arrasa com últimos vestígios de lucidez, e isso os arruina e os atrela à escravidão e à dor. O anti-yoga tem um nome: bhoga.
1 Eu me preocupo com e me entristeço pelos muitos que se atolam em bhoga, principalmente se, iludidos, supõem estar praticando Yoga. Use os “olhos de ver e ouvidos de ouvir” (viveka, discernimento) para não “cair em tentação” e
não chegar a “comprar gatos por lebres”. Não se deixe enganar. O falso Yoga e os “falsos profetas” andam muito ativos.
2 Bhoga se apresenta como uma metodologia fácil e sedutora; uma espécie de “caminho largo”, que conduz à servidão e à dor. O Yoga autêntico sempre foi e é a iluminada opção pela “porta estreita”, que conduz à “salvação”.
Difícil de atravessar, como o fio de uma navalha. Difícil é o caminho, dizem os poetas. Katha Upanishad
O bem é uma coisa; o agradável é outra. Ambos, servindo a diferentes necessidades, vinculam um homem. É bem sucedido aquele que, dos dois, optou pelo bem. Mas aquele que optou pelo agradável perde a meta. Tanto o bem como o agradável se apresentam ao homem. A alma tranquila examina-os bem e discerne. Eis que o sábio prefere o bem. Mas o tolo escolhe o agradável, por conta de sua ambição e avareza. Katha Upanishad, I:1, 2
3 Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçosa a estrada que conduz à perdição, e são muitos os que por ela entram. Mas estreita é a porta e apertada a estrada que conduz à Vida, e poucos são os que a encontram. Mateus, 7:13,14
4 O Yoga é razoavelmente exigente, mas abre as portas à Luz e à Libertação. Bhoga é a submissão às trevas. Não sou eu quem afirma, mas os Mestres e as escrituras.
5 É extraordinária a austeridade e transcendente a sacralidade desse caminho para Deus. Dá para concluir que Yoga e atividade comercial e empresarial, exibicionismo e competição de contorcionismo estão em pólos opostos?! Dá para ver o quanto o Yoga hoje anda sendo desfigurado, desviado e distorcido?! Dá para ver o quanto o Yoga está longe dos que vivem em bhoga, dos que o confundem com atividade física, somente física?!
6 Neste ponto você poderá questionar: E o Hatha Yoga não é uma ginástica?
7 Supor que Hatha Yoga é simples ginástica tem prejudicado muito a imagem do Yoga. Tem levado quase todos a cuidar somente do corpo, ao fazer asanas e achar que estão praticando Yoga. É inegável que os asanas (posturas somato-psico-espirituais) realmente parecem com atividade física. Apenas parecem. Na verdade, porém, cada asana é uma atividade holística, pois exercita a vastidão de todo sistema que cada um de nós é e não somente um de seus componentes – o físico. Além do mais, não é algo repetitivo, mecânico, automático, orgástico, fatigante, digamos uma espécie de “malhação”.
8 Nenhum homem é apenas máquina. Nenhum iceberg é somente uma pedra de gelo que flutua. Algum dia não mais se falará em “educação física” ou “atividade física”.
9 A permanência do corpo em uma posição permite um eficaz acesso ao sistema nervoso autônomo, o que, em grande parte, explica os admiráveis resultados terapêuticos e as curas espantosas colhidos pelos praticantes de Yogaterapia.’
Sistema Nervoso Autônomo
3) Sugestões + para ler:
Hermógenes, José. Autoperfeição através do Hatha Yoga.
Hermógenes, José. Yoga para Nervosos.

* aulas para crianças

* TPM ( do mesmo modo que a TPM pode ser ‘curada’ pela abordagem adequada Hatha Yoga, outras síndromes e doenças crônicas também podem)

* as ‘diferentes metodologias’ de prática de Hatha Yoga contemporâneas vou usar um exemplo simples para dar meu ‘darshana’: se cada um de nós pegar uma receita de bolo simples, é muito provável que os bolos não fiquem exatamente iguais mesmo usando a mesma receita, ingredientes das mesmas origens e o mesmo fogão, e que alguns de nós façam pequenas modificações e/ou experimentações na receita, que vão modificar o sabor (rasa), tornando-a mais ou menos interessante o bolo simples para as pessoas. ‘Meu’ bolo do Hatha Yoga efeito com ‘receita’ de Hatha Yoga Clássico e de Método Iyengar e tem pitadas de Laban, Klauss Vianna, Método Bertazzo de Movimento, BMC, Bartenieff Fundamentals,GDS, Cadeias Musculares e Articulares.
Cada pessoa que resolve estudar profundamente o Hatha Yoga está fazendo uma receita de bolo simples cada vez que pratica ou estuda algo relacionado. Com o tempo, algumas pessoas sentem inspiração para mudar um pouquinho a receita. Portanto, nenhum luminar do Hatha Yoga é mais importante em detrimento de outro,mas cada um lança mais luz para a nossa compreensão total desta prática libertadora. Quem ainda não compreendeu a Potência do Hatha Yoga se preocupa com namarupa (nama=nome; rupa=forma), ambos atributos temporários, temporais.

* Sobre condicionamentos:!


20120313

Espiritualidades

'Creio que existe uma importante distinção a ser considerada entre religião e espiritualidade. Parece-me que a religião está relacionada com a crença no direito à salvação proclamada por qualquer tradição de fé, e um dos principais aspectos dessa crença é acreditar em alguma forma de realidade, metafísica ou sobrenatural, geralmente inserindo a idéia de paraíso ou nirvana. Juntamente a isso estão ensinamentos ou dogmas religiosos, rituais, orações, etc. Entendo que a espiritualidade está relacionada com aquelas qualidades do espírito humano tais como amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia -que trazem felicidade para a própria pessoa e também para os outros.'
saiu daqui

'“Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior”.

Não entendendo direito, alguem perguntou novamente:
- Mas se eu praticar a religião e observar as tradições, isso não é espiritualidade?
O Dalai-Lama respondeu:
- Pode ser espiritualidade, mas, se não produzir em você uma transformação, não é espiritualidade. E acrescentou:
- Um cobertor que não aquece deixa de ser cobertor.
Então atalhou a pessoa:
- A espiritualidade muda ou é sempre a mesma coisa?
E o Dalai-Lama falou:
- Como dizem os antigos, os tempos mudam e as pessoas mudam com ele. O que ontem foi espiritualidade hoje não precisa mais ser. O que em geral se chama de espiritualidade é apenas a lembrança de antigos caminhos e métodos religiosos.
E arrematou:
- O manto deve ser cortado para se ajustar aos homens. Não são os homens que devem ser cortados para se ajustar ao manto."
Saiu daqui

Tenzi Gyatso, o décimo quarto Dalai Lama









Eu >

...
felicidade
inteireza
beleza
contentamento
integridade
interação
inter-ação
...










+ aqui

20110828

Desapega

Bau da Chica

Seu guarda-roupas ficou pequeno de mais para você?
Desapegue roupas, sapatos e acessórios no Baú da Chica, se você não tem opção.

Dê uma pesquisada na sua cidade, sempre tem o bazar da Igreja, ou da sociedade que cuida de animais sem dono, onde suas coisas sem uso e em boas condições podem ser encaminhadas para novos donos. Assim todo mundo fica renovado.

20110608

Afinal, que Yoga é essa? É Raja ou Hatha?


Raja Yoga é a pratica de Yoga que segue os 8 princípios do Yogas Sutras de Patañjali.

“Normalmente se acredita que o Rája Yoga e o Hatha Yoga são coisas inteiramente distintas, diferentes e opostas, que os Yoga Sútras de Pátañjali lidam com a disciplina espiritual e que o Hatha Yoga Prádipiká de Swátmáráma lida somente com a disciplina física. Não é assim, pois o Hatha Yoga e o Rája Yoga se complementam e formam uma única aproximação em direção a Libertação. Assim como um alpinista precisa de escada, corda, ganchos, preparo físico e disciplina para subir os picos gelados dos Hilamayas, o aspirante ao yoga precisa do conhecimento e disciplina do Hatha Yoga de Swátmáráma para alcançar as alturas do Rája Yoga considerados por Pátañjali.”( Iyengar, Light on Yoga).


O chamado Hatha Yoga usa como ferramenta principal para a conquista dos 8 passos do Raja Yoga proposto por Patañjali o corpo e suas funções (sentidos, mente) como meio ou o laboratório de práticas para vivenciar as experiência da coordenação dos sentidos e da mente, e através destas experiências, obter integralidade, autoconhecimento, consciência, tranquilidade. 

O corpo deixa de ser obstáculo, vilão para se tornar o precioso instrumento de  pesquisa e  de redenção.

A introdução aos 8 passos propostos no Yoga Sutras através da prática do Hatha Yoga é feita através dos aasanas, e as práticas prioritárias durante as aulas estão diretamente relacionadas com atividades corporais: aasanas , praanaayaamas e eventualmente, alguns kriyas.

Em algumas metodologias, como na aplicação do método Iyengar, execução do aasana é proposta como uma forma de meditação:
''... Normalmente a mente está mais perto do corpo e dos órgãos densos da ação e da percepção do que da alma. A medida que os asanas são refinados, automaticamente tornam-se meditativos, pois a inteligência é feita para penetrar em direção ao cerne do ser. Cada asana possui cinco funções para executar, que são: conativo (tendência consciente para atuar), cognitiva, mental, intelectual e espiritual.....''(Iyengar)


Apenas por isso é chamado de Hatha Yoga, para ficar explícito que o meio escolhido para obter os resultados tem foco no condicionamento do corpo e no descondicionamento da mente. Em absoluto significa que o único passo ensinado são as posturas, e que aprática se resume somente aos aasanas.

Por que a enfase no corpo?
Porque um corpo que dói por estar doente, ou por não ter a flexibilidade para ficar sentado ou o tônus para sustentar a coluna alinhada e alongada sem apertar ou puxar por um período de tempo costuma atrapalhar ou impedir o sucesso na hora de seguir em direção aos 4 passos 'íntimos ou internos', sugeridos por Patãnjali (Prathyahara, Dhaarana, Dhyana e Samadhi). Resumindo bem, a meditação vai para o beleléu.

Para ficar Raja seguindo o caminho proposto por Patañjali é preciso estar atento e forte (Hatha).

20101026

O Domínio dos sentidos

'Como consequência de um amor mal compreendido, os pais dão a seus filhos uma alimentação variada, estragando a saúde e criando neles gostos artificiais. Quandoas crianças se tornam adultas, seus corposjá estão doentes e o paladar pervertido. As consequências nefastas dasta fraqueza durante os primeiros anos nos atormentam a cada passo; gastamos muito dinheiro e somos presa fácil da medicina.
A maior parte de nós, ao invés de dominar os órgãos dos sentidos, torna-se seu escravo. Um médico de longa experiência dizia, um dia, que jamais vira um homem são. O corpo é prejudicado cada vez que se come muito, e tal prejuízo só pode ser reparado - em parte - pelo jovem.

Mohandas Karamchand Gandhi, em Cartas a Ashram, pag.38.
(tsc, Gandhi faleceu em 1948... )



Comento:

Concordo em parte.

A alimentação inadequada ( constituída essencialmente de produtos refinados, congelados, muito elaborados) deteriora toda a estrutura do ser humano. Quando teclo toda, é toda mesmo: degenera os tecidos e as funções do corpo, pervertendo o metabolismo, as emoções, os sentimentos, os pensamentos. O pior é que uma ação alimenta a outra, e sustenta uma espiral destrutiva.

A pessoa que se dispõe a praticar Hatha Yoga paulatinamente remove de si mesma os hábitos repetitivos, os pensamentos recorrentes, os pré-conceitos e pré-juízos e passa a se dar possibilidade de novas ou renovadas escolhas, mais próximas da vida plena, da saúde. Basta apenas se dar a oportunidade de começar a praticar, de vencer a inércia, a preguiça e deixar de lado o equívoco de julgar o que é desconhecido como se fosse algo já experimentado (viparyaya) e os condicionamentos (samskaras).

Praticar hatha Yoga é tonificar o corpo, reestruturar o metabolismo e descondicionar o comportamento, ventilar a mente.

Praticar Hatha Yoga é desafiar suas convicções e paradigmas, não se trata apenas de uma atividade biomecânica, e por isso, numa sala de aulas, percebemos tantas pessoas relutantes diante de si mesmas, elucubrando mentalmente e resistindo a enfrentar os desafios que os aasanas oferecem de uma forma natural e espontânea.

Além disso, a constãncia na prática de aasanas (posturas) vai limpando/purificando (Sauch )  o conteúdo celular, restaurando o metabolismo natural da célula e, a partir da recuperação da saúde da célula, re-estabelece a saúde física, emocional e mental da pessoa. Por isso, praticar regularmente Hatha Yoga traz contentamento (Santosha), e traz beleza (Kânti = beleza física, que é considerada um dos sinais da prática correta do Yoga, que ocorre como resultado da intensificação da atividade do prana no corpo).

Coma correto e mova-se com Consciência.

20101007

Esclarecimentos sobre Yoga


Yoga
por Sri Swami Sivanandaji Maharaj

'Yoga é um sistema prático perfeito de auto-cultura. Yoga é uma ciência exata. Sua meta é o desenvolvimento harmoniosos do corpo, mente e alma. Yoga é voltar os sentidos do universo de objetos e a concentração da mente para o interior. Yoga é a vida eterna na alma e no espírito. Yoga têm como objetivo o controle da mente e de suas modificações. O caminho do Yoga é um caminho interno o qual o portão é o seu coração.

Yoga é a disciplina da mente, sentidos e corpo físico. Yoga ajuda na coordenação e controle das forças sutis no interior do corpo. Yoga traz a perfeição, paz e felicidade sempre-duradoura. Yoga pode ajudar nos seus negócios e na sua vida diária. Você pode ter tranquilidade da mente durante todo o tempo com a prática do Yoga. Você pode ter um sono tranquilo e revigorante. Você pode aumentar sua energia, vigor, vitalidade, longevidade e elevar seu padrão de saúde. Yoga transforma a natureza animal na natureza divina e te elevará ao cume da divina glória e esplendor.

A prática do Yoga lhe ajudará a controlar as emoções e paixões e lhe dará o poder para resistir as tentações e para remover os elementos pertubadores da sua mente. A yoga lhe permitirá manter sempre uma mente balanceada e sem fadiga. Lhe dará serenidade, calma e uma concentração maravilhosa. lhe permitirá comunicar-se com o Senhor e então atingir o summum bonum da existência.

Se deseja obter sucesso no Yoga, você terá de abandonar os prazeres mundanos e praticar Tapas (austeridades) e Brahmacharya (continência sexual). Você terá de controlar a mente com destreza e cuidado. Você terá de usar métodos inteligentes e de julgamento para controlá-la. Só você utilizar a força, ela se tornará mais turbulenta e descontrolada. A mente não pode ser controlada pela força. Ela vai pular e se dispersar cada vez mais. Aqueles que tentam controlar a mente pela força são como os que tentam amarram um elefante furioso com um fino barbante de seda.

Um Guru ou preceptor espiritual é indispensável para a prática do Yoga. O aspirante no caminho do Yoga deve ser humilde, simples, calmo, refinado, tolerante, misericordiso e gentil. Se você está curioso para obter poderes paranormais, você não terá sucesso no Yoga. Yoga não consiste em sentar-se de pernas cruzadas por seis horas seguidas ou parar seus batimentos cardíacos ou até mesmo enterrando-se sob a terra por uma semana ou um mês.

Auto-suficiência, impertinência, orgulho, luxúria, nome, fama, natureza auto-confidente, obstinação, idéia de superioridade, desejos sensuais, más companhia, preguiça, comer demais, trabalhar demais, se misturar muito, falar de mais são alguns dos obstáculos no caminho do Yoga. Adimita seus erros livremente. Quando você está livre de todas estas características malígnas, Samadhi ou união virá por ela mesma.

Pratique Yama e Niyama. Sente-se confortavelmente em Padma ou Siddhasana. Restrinja sua respiração. Prive-se dos sentidos. Controle os pensamentos. Concentre-se. Medite e atinja Asamprajnata ou Nirvikalpa Samadhi (união com o Ser Supremo).

Que você brilhe como um brilhante Yogui pela prática do Yoga. Que você sinta a bem-aventurança do Eterno! '


Comentando:

O caminho do Hatha Yoga é um caminho interno o qual o portão é seu corpo e a tramela é o seu coração.
Para algumas pessoas, ainda tem um depósito de detritos não recicláveis que pode ocupar toda a calçada bem em frente ao portão, cujos componentes fundamentais são a caretice ( crendices + paradigmas + crenças + dogmas ) associada à preguiça nossa de todo o dia.

Um Guru ou preceptor espiritual é indispensável para a prática do Yoga.
Mesmo quando você não tem uma pessoa presente fisicamente que te ensine, você pode recorrer aos estudos de outras pessoas reconhecidas como luminares ( guru = aquele que afasta as nuvens) observando que nem tudo que reluz é ouro.
Quem pratica com foco em alinhamento pode usar uma câmera como o olhar do professor (alguém externo que observa) para filmar sua prática e se corrigir.
 
Sente-se confortavelmente em Padma ou Siddhasana.
Uma das funções de praticar aasanas culturais é nos dar a possibilidade de conseguir ficar sentado em paz por pelo menos 20 minutos para meditar, sem prender a respiração e sem entrar em estado de com-dor: com dor na lombar, com dor nos ombros, com dor no joelho, com dor no pescoço, com dor de cabeça, com a perna 'dormindo',...
Para meditar em movimento usamos a sabedoria do Método Iyengar, associado ao Sistema Laban Batenieff e à tecnica de Klauss Vianna.
 
Eu trocaria algumas palavras, para melhor compreensão:
austeridades por volição, força de vontade que leva à evolução, prática firme e constante;
continência sexual por recombinação dos sentidos;
Restrinja por Explore;
Prive-se por Modifique a influência ;
Controle por coordene, harmonize.

20080825

Yamas

O texto que segue é o seminário sobre Yamas que apresentado por Izaura M. Tokikawa, Michele Chow e Thiago Castillo Salin, na aula de Filosofia do final de agosto de 2008 do Curso de Formação de Professores de Iyengar do Yoga Dham, que foi gentilmente cedido por eles.


Os autores sugerem como experimento, praticar um Yama por dia da semana ou durante a semana e observar os resultados.




Ashtanga Yoga – As oito Partes do Yoga




Sutra 2.29: Oito partes da disciplina do Yoga



Yamaniyamasanapranayamapratyaharadharana-
dhyanasamadhayo’stavangani

Yama: restrições, controle, disciplina;
Niyama: regras fixas, autocontrole;
Asana: posturas físicas
Pranayama: controle da respiração;
Pratyahara: abstração dos sentidos;
Dharana: concentração;
Dhyana: meditação;
Samadhi: êxtase;
Asta: oito
Angani: partes.

A disciplina, o autocontrole, as posturas, o controle da respiração, o recolhimento dos sentidos, a concentração, a meditação e o êxtase são os oito membros (do Yoga).


Sutra 2.30: Os cinco Yamas
Ahimsasatyasteyabrahmacharyaparigraha yamah

Ahimsa: não-violência;
Satya: Verdade;
Asteya: não-roubar, honestidade;
Brahmacharya: castidade, abstinência sexual;
Aparigraha: não-cobiçar, não possesividade,
Yamah: restrição, disciplina.

A não violência, a verdade, não roubar, a castidade e não cobiçar são as disciplinas.


Sutra 2.35: Frutos de Ahimsa



Ahimsapratisthayam tatsamnidhau vairatyagah

Ahimsa: não-violência;
Pratisthayam: estar firmemente estabelecido;
tatsamnidhau:
Vaira: hostilidade
Tyagah: renúncia, abandono.

Estar firmemente estabelecido na não-violência, toda a hostilidade se acaba (renunciada) em sua presença (yogin).


Sutra 2.36: Frutos de Satya


Satyapratisthayam Kriyaphalasrayatvam

Satya: Verdade;
Pratisthayam: estar firmemente estabelecido;
Kriya: ação;
Phala: frutos, resultado;
Asrayatvam: embasado, bases.

Estar firmemente estabelecido na verdade, as ações resultam em frutos, inteiramente passam a depender disto (da sua vontade).


Sutra 2.37: Frutos de Asteya


Asteya pratisthayam sarvaratnopasthanam

Asteya: não-roubar, honestidade;
Pratisthayam: estar firmemente estabelecido;
Sarva: todo;
Ratna: jóias, tesouros;
Upasthanam: apresentam-se.

Estar firmemente estabelecido em não-roubar, todas as jóias surgem (à frente do yogi).


Sutra 2.38: Frutos de Brahmacharya


Brahmacharyapratisthayam viryalabhah

Brahmacharya: castidade, abstinência sexual;
Pratisthayam: estar firmemente estabelecido;
Virya: vitalidade, indomável coragem;
Labhah: ganha, adquirida.

Estar firmemente estabelecido no celibato, ganha-se grande vitalidade.


Sutra 2.39: Frutos de Aparigraha



Aparigrahasthairye janmakathantasambodhah

Aparigraha: não cobiçar, não possesividade,
Sthairye: tornando estável;
Janma: nascimento;
Kathanta: como e de onde;
Sambodhah: conhecimento.

Estar firmemente estabelecido no não-cobiçar, o conhecimento surgirá de onde verificaram seus nascimentos.


Yamas – Restrições, Controle, Disciplina

Yama significa controle ou domínio e é composto por cinco orientações. É o código da conduta ética e moral que orienta o nosso comportamento em relação a nós mesmos, ao ambiente interno e externo, e para com toda a forma de existência. Tem origem no interior do ser humano e são um reflexo da consciência. São pré-requisitos para o trabalho espiritual, sem os quais não é possível aquietar a mente e atingir a alma. Para vivenciar Yamas é requerida tremenda disciplina interior onde o “EU” é trabalhado durante toda a vida lembrando-nos sobre nossas responsabilidades como seres sociais. Yama é um dos pilares do Yoga sustentando todos os requisitos para um trabalho espiritual.

Iyengar diz que Patanjali mostrou através dos Yamas como superar nossas fraquezas psicológicas e emocionais, e que espiritualidade não é encenar o papel de sermos sagrados, mas a paixão e o anseio internos de auto-realização e a necessidade de encontrar o derradeiro propósito da existência. Yama também significa “Deus da Morte”, e se não entendermos e seguirmos os princípios de Yamas, agimos como assassinos da alma.

Os Yamas

1. Ahimsa – Não Violência, não agressão
2. Satya – Verdade
3. Asteya – Não roubar
4. Brahmacharya – Castidade ou celibato
5. Aparigraha – Não cobiçar


1. AHIMSA – Não-violência

Entende-se como não matar, não agredir, nem causar nenhum tipo de dor a nenhum outro ser vivo. Mais do que não machucar o outro, o princípio da não violência é também evitar o mal contra si mesmo. Como por exemplo: não comer, beber, ou trabalhar demais, além de não ser violento com gestos palavras e olhares. A violência, segundo Patanjali, também é praticada quando se tem pensamentos negativos ou ao desejar que algo ruim aconteça com o outro. Esse princípio passa também pela transformação das emoções; não é responder o ódio com ódio, mas aprender a lidar com os sentimentos.

Neste preceito desenvolve-se a compaixão por todas as criaturas. No Mahabharata, um grande épico da literatura indiana, é mencionado que: “Eis a súmula de todo o dever: não faça aos outros que, se fosse feito a você, lhe causaria dor”. Paramahansa Yogananda disse que: “deve-se enxergar a bondade até no inimigo... agindo assim, você se livra do maléfico desejo de vingança que destrói sua paz mental. Plantando rancor sobre rancor, ou ódio em troca do ódio recebido, não só você aumenta a hostilidade do inimigo a você, mas se envenena física e emocionalmente com sua própria peçonha”.

Grande exemplo de devoto de Ahimsa foi Mahatma Gandhi (1869-1948), que libertou a Índia do domínio Inglês utilizando a estratégia de não-violência. Outro exemplo nos dias de hoje é XIV Dalai Lama, que sofrendo violentas e fortes ameaças da China, tem se destacado em todo o mundo transformando o Budismo Tibetano uma Religião mais conhecida e ganhando novos adeptos em todo o mundo. No ashram de Patanjali a vaca e o tigre poderia viver, comer e beber juntos porque ahimsa é praticado pelo grande sábio.

A prática do perdão auxilia no desenvolvimento de ahimsa; a prática de ahimsa desenvolve amor, e cultivar amor se dissipa himsa (violência). Ahimsa é outro nome para “verdadeiro amor”, onde existir amor existirá ahimsa. Este é o supremo dever do ser humano.

B.K.S.Iyengar explica que: “na execução de um asana, você está alongando mais o lado direito que o esquerdo. Um estado não ético está se formando em seu corpo. No lado direito há violência, pois você está indo mais longe; no esquerdo, em que o alongamento da postura é menor, parece não haver violência. Do lado direito você está sendo violento porque está dizendo: “faça o máximo que puder, estique tudo que conseguir!”. É violência pois está exagerando no alongamento. O lado esquerdo, que você não está forçando tanto, talvez traga a idéia de que não está ocorrendo violência. Mas o praticante inteligente de Ioga, observa que está conscientemente violento de um lado e inconscientemente violento do outro, e ao mesmo tempo. Com o lado direito é mais capaz e se estende mais, você está fazendo bom uso das células deste lado, o que não acontece com o lado esquerdo. Embora possa parecer não-violento, isso também é uma agressão, uma vez que as células morrem quando não realizam suas funções adequadamente. Assim, um lado manifesta uma violência deliberada e o outro não. (...) É preciso integrar os lados direito e esquerdo do corpo, e esse equilíbrio é a verdadeira não-violência”.


2. SATYA – Verdade

Continuando a explicação de B.K.S. Iyengar observada em ahimsa, “Quando em um asana o lado direito e o esquerdo estão em harmonia, existe a verdade, que é o princípio de Satya. Você não precisa observar a verdade – você já está na verdade. Porque não está escapando ao deixar de realizar o ato do lado mais fraco”.
Satya é a verdade - em palavras, pensamentos e ações - consigo mesmo e com o outro. Para Patanjali, a falsidade gera perturbação mental, pois a todo o momento é preciso arranjar desculpas para justificar a própria mentira. Isso ocupa um espaço nobre dentro da memória, fazendo com que a mente perca tempo com inutilidades. Já quem é comprometido com a verdade ocupa seus pensamentos com coisas essenciais.

Satya é procurar sempre a verdade, independente de aonde essa busca possa nos levar. Entretanto, Vyasa escritor de Yogachasya esclarece: “A palavra pronunciada com o propósito de comunicar o próprio pensamento a outrem é verdadeira, desde que não engane ou confunda. A palavra deve pronunciar-se não para ferir, mas para beneficiar. Porque, se ferir, não produzirá harmonia, apenas sofrimento”. Praticando a verdade o praticante desenvolve a verdade em si mesmo e todos seus pensamentos e falas se tornam reais. A verdade é real. Somente a pessoa que consegue falar a verdade conhece o peso de cada palavra.

Swami Sivananda Saraswati diz: “A verdade é o acento de Deus. A verdade é Deus. A verdade sozinha triunfa. Verdade é a lei básica da natureza. Verdade é a lei da liberdade, é a falsa lei da escravidão e morte. Verdade é justiça inerente às leis éticas fundamentais. Pureza e verdade são fatores gêmeos que despertam a divindade dormente dentro de nós que nos conduz a perfeição. A verdade é o portão do reino da realização divina. Falar a verdade é a mais importante qualificação de um yogin. Ahimsa, Brahmacharya, Asteya, Aparigraha, pureza, justiça, harmonia, perdão e paz são formas da verdade”.


3. ASTEYA – Não-roubar

Não roubar, não retirar dos outros os seus pertences sem o seu consentimento, abstenção da avareza. Também significa não privar outros daquilo que devemos. Não cobiçar ou invejar bens ou conquistas de outrem, eliminar totalmente o impulso de apoderar-se de objetos ou idéias alheios, mesmo em pensamentos.

Não é roubo quando uma pequena parte da população mundial consome a vasta maioria dos recursos do planeta? Acaso não roubamos quando consumimos mais do que nos cabe?

Há modos ainda mais sutis de privar uma pessoa do que é legitimamente dela honra e reputação, por exemplo.

Asteya é não roubar, cultivo da integridade, obter e usar somente o necessário. A palavra integridade tem a mesma raiz de integral e integrativo. A partir do reconhecimento desta totalidade, plenitude, unidade, como nossa verdadeira natureza, todas as ações que executamos passam a se irradiar a partir desse conhecimento de que fazemos parte do Todo. Nesse estado de integridade tomamos do universo, do planeta, das outras pessoas, apenas aquilo que é necessário, aquilo que é suficiente, o que realmente precisamos.

Asteya significa desenvolver discernimento para utilizar somente as práticas, as ferramentas necessárias para alcançarmos nossos objetivos, tantos os relativos, e, principalmente o objetivo absoluto da liberdade.

No asana quando você está dando total atenção à realização equilibrada dos lados direito e esquerdo, não há apego ou avareza, pois quando a alma se move com inteligência no corpo, não há o que possuir nada a se buscar. A pessoa se liberta da cobiça, porque a motivação para tal desaparece. E quando a motivação se vai, o mesmo acontece com as posses, e assim o desejo de adquirir chega ao fim.


4. BRAHMACHARYA – Celibato, Castidade.

Brahmacharya é um conceito na filosofia do yoga que gera polêmica. Brahmacharya significa: celibato, estudo religioso, castidade e autocontrole, abstinência sexual, conservação da energia sexual.

Todos os tratados do yoga explicam que a perda do sêmen leva a morte, e sua retenção, á vida. Patãnjalin também enfatiza a importância da continência do corpo, da palavra e da mente. Ele explica que a preservação do sêmen produz valos e vigor, força e poder, coragem e bravura, energia e o elixir da vida: por isso, o preceito de preservá-lo por meio de um esforço deliberado da vontade.

Outros defendem que o que é proibido no Brahmacharya não são as práticas sexuais, são os vínculos particularmente dos atos reprodutores, que por suas conseqüências o ligam a sociedade que implicam riscos de concepção. Deve ser, de qualquer modo econômico com seu sêmen, consagrando-se ao estudo.

Não obstante, a filosofia do yoga não se destina apenas aos celibatários. Praticamente todos os antigos iogues e sábios eram casados e tinham família.

Brahmacharya significa simplesmente que se você deseja ser uma pessoa espiritual então deve tornar-se sempre um celibatário. No entanto, visto que seria bom que o mundo inteiro quisesse se tornar espiritual logo teríamos um planeta povoado somente de cães, gatos e vacas. Se havia alguma intenção em Deus, não creio que essa fosse uma delas. Para Iyengar controle sexual é outra coisa. Ele teve uma esposa e família e seu Brahmacharya se expressava na fidelidade a ela. Depois que ela faleceu , o seu desejo desvaneceu, e ele se tornou celibato.

O amor sexual pode ser o aprendizado para o amor universal. Iyengar diz que o amor é um investimento, e a luxúria um desperdício. A luxúria leva ao isolamento e a solidão, a deserto espiritual. Brahmacharya implica auto conhecimento, a capacidade de se controlar, seja por respeito aos outros, seja para experimentar a totalidade no asana. Não é se abster da atividade sexual. É o controle ético de uma força natural poderosa. O grau do controle dependerá do grau de evolução do praticante. Castidade e fidelidade são conceitos fundamentais.

No asana quando ocorre o alongamento total, há um profundo entendimento e uma intensa comunicação entre as cinco camadas do corpo, do físico até o espiritual, do espiritual até o físico. Assim, há controle das sensações físicas, das flutuações mentais, contemplação intelectual, e isso é Brahmacharya, significa que a alma se mova com seu ato. Quando existe união da alma com o movimento, isso é Brahmacharya.


5. APARIGRAHA – Não-cobiçar

Aparigraha significa desistir de cobiçar, considerando que a cobiça e o acúmulo causam problemas, que as coisas estão sujeitas à decadência e que a associação com elas causa desconfiança e rancor. Aparigraha é uma das virtudes mais importantes. O praticante mantém somente aqueles objetos que são essenciais para sua vida. Isso mantém a mente despreocupada e também ele não tem do que se preocupar porque não tem nada para ser protegido. Muitos exemplos são encontrados em solo indiano, sábios que caminham pela vida apenas com um pedaço de pano cobrindo seus corpos, uma cumbuca, um jarro de água e um Japa Mala (colar de contas) pendurado no pescoço. E em muitas vezes nada disso eles carregam. Nunca estão em um único só lugar. Suas mentes estão sempre livres e relaxadas e eles estão sempre prontos para exercer seus deveres. Eles são chamados de Sadhus (homens santos), muitas vezes de mendigos, mas suas riquezas interiores são infinitas.

Segundo Iyengar este Yama está associado com o terceiro, sendo não cobiçar, viver uma vida sem excessos. O caminho da cobiça leva à servidão da sensualidade e ao desejo de expandir o ego por meio de posses. Riqueza é energia, e a energia foi feita para circular. A não possessividade traduz-se em generosidade e desapego em relação não apenas aos bens materiais, mas também às relações afetivas. O apego nos tira da sintonia necessária para praticar.

O não cobiçar é definido como o hábito de não aceitar presentes, pois eles tendem a gerar o apego e o medo da perda. Assim, os yogins são encorajados a cultivar a simplicidade voluntária. O excesso de bens materiais só serve para distrair a mente. A renúncia é um aspecto essencial do estilo de vida Yogue.

O mais importante em aparigraha não é abrir mão das coisas que já realizou ou pretende realizar, conquistou ou pretende conquistar, aparigraha mesmo que império seja criado a sua volta, sua mente não esteja identificada com ele.


Namastē


Bibliografias consultadas

IYENGAR, B.K.S. A Luz da Ioga. E.d. concisa de Light on Yoga. Curix: São Paulo, 1980.
IYENGAR, B.K.S. Light on the Yoga Sutras of Patanjali. Thorsons: .Hammersmith, 1993.
IYENGAR, B.K.S. A árvore do Yoga: A eterna sabedoria do Yoga aplicada à vida diária Globo: São Paulo, 2001.
IYENGAR, B.K.S. Luz na vida: A jornada da ioga para a totalidade, a paz interior e a liberdade. B.K.S. Iyengar em co-autoria com John J. Evans e Douglas Abrams. Summus: São Paulo, 2007.
IYENGAR, B.K.S. Yoga: The path to holistic health. Dorling Kindersley: Great Britain, 2001
FEUERSTEIN, Georg. A tradição do Yoga: História, Literatura, Filosofia e Prática. Ed. Pensamento: São Paulo, 1998.
SATYANANDA, Sawami. Four chapters on freedom. Commentary on the Yoga Sutras of Patanjali. 6.ed. Yoga Publications Trust: Bihar, 2005.
SIVANANDA, Sri Swami. Bliss Divine: A book of Spiritual essays on the lofty purpose of human life and means to its achievement. 7a ed. Divine Life Society: Uttaranchal, 2001.

Yamas e Niyamas

Este artigo de Pedro Kupfer foi publicado na edição 19 de agosto de 2008 da revista Prana Yoga Journal brasileira.



Yamas e Niyamas 'crus'

Os 5 Yamas (controle, proscrições):

Ahimsa (a=não + himsa=violência)
Satya (verdade)
Asteya (a=não + steya= roubar)
Bramacharya (conduta bramínica=conter a sexualidade)
Aparigraha (a=não + parigraha=acumular)


Os 5 Niyamas (abstenção, prescrições)
Saucha (pureza)
Santocha (contentamento)
Tapas (tap=queimar, consumir pelo calor)
Svadhyaya (sva=eu + adhyaya=educação, estudo)
Ishvara pranidhana (ish= Senhor, rei + vara=escolher + pranidhana=dedicação, devoção)


Repare:
Yamas se dirigem para fora,
ordenam o tecido social, o exterior,
são atitudes para com os outros
e em sua maioria, restringem:
nunca faça.

Niyamas se dirigem para dentro,
arranjam o espaço interior,
disciplinam a vida emocional,
são atitudes para consigo mesmo,
e estimulam:
faça agora, se jogue.

20080822

Niyamas

O texto que segue é o seminário sobre Niyamas que apresentamos, Vanda Cury e eu, na aula de Filosofia do final de agosto de 2008 do Curso de Formação de Professores de Iyengar do Yoga Dham.

Introdução

Que papel tem niyama na realização de um asana?O primeiro princípio de niyama é saucha, que significa higiene. Suponhamos que, numa postura, você se dobra bastante para o lado direito do corpo. Isso quer dizer que você irrigou e limpou esse lado. Mas se você não se curvou do lado esquerdo em harmonia com o direito, como pode haver saucha? Quando os dois lados se curvam em sintonia, são limpos adequadamente e irrigados pelo sangue, que transporta a energia biológica conhecida como prana.
Você sabe como a eletricidade é produzida: a água escorre como uma cascata sobre turbinas, as quais giram devido à ação da corrente, gerando corrente elétrica. Da mesma forma, quando estamos fazendo os asanas, levamos o sangue a cada uma de nossas células, tal como a água que escorre sobre as turbinas, para liberar a energia oculta de nosso corpo e trazer uma nova luz até as células. Quando vem essa luz, vivenciamos santosha, o contentamento, que é o segundo princípio de niyama.
Além dele, existe um estado mais elevado de contentamento e um nível mais elevado de execução de asanas, expresso nos três níveis de nyiama: tapas, svadhyaya e Isvara-pranidhana.
O que é tapas? Geralmente, tapas é traduzido como austeridade, mas seu significado é bem mais expresso como desejo ardente. É um desejo ardente de purificar cada célula de nosso corpo e cada célula de nossos sentidos, para que estes e o corpo possam se tornar permanentemente puros e sadios, sem deixar qualquer espaço para que impurezas entrem em nosso sistema. É nesse espírito que um asana deve ser realizado. É karma-ioga, o ioga da ação, porque o desejo ardente de manter todas as nossas partes limpas exige-nos uma ação neste sentido.
E svadhyaya? Sva significa eu, adhyaya quer dizer estudo. Como disse, somos constituídos de três níveis e de cinco camadas, que vão do corpo denso ao causal, e da camada anatômica à camada espiritual de estado de graça.Conhecer o funcionamento desses três níveis e das cinco camadas do ser humano é sva-adhyaya, o estudo do ser, da pele até o seu cerne. Isto é conhecido como jnana-ioga, ioga do discernimento espiritual.
Finalmente, Isvara-pranidhana é bhakti-ioga, o ioga da devoção. Quando, por meio da prática, você alcança um estado mais elevado de inteligência, e essa inteligência madura faz com que você perca a identidade de seu ser, você se torna uno com Deus porque se entregou inteiramente a Ele. Isso é Isvara-pranidhana, a entrega de seus atos e de sua vontade a Deus. É o último dos cinco princípios de niyama.
Em suma, o efeito dos asanas é manter a pele, as células, os nervos, as artérias e as veias, os sistemas respiratórios e circulatório, digestivo e excretor, a mente, a inteligência e a consciência, todos limpos e nítidos. Isso engloba todos os aspectos de yama e niyama, que são as raízes e o tronco da árvore do ioga.’ (Iyengar, A Árvore do Yoga)


Niyamas

Niyamas são chamados de prescrições. Prescrever é indicar.
A palavra niyama quer dizer ‘abster-se’, deixar de fazer algo, visando um bem maior.


2.32
shaucha santosha tapah svadhyaya ishvarapranidhana niyamah
shaucha = pureza de corpo e mente
santosha = contentamento
tapah = ardor, formação dos sentidos, austeridade, ascese
svadhyaya = auto-estudo, a reflexão sobre as palavras
sagradasishvara = criativa fonte, campo causal, consciência universal, Deus, guru ou professor supremo
pranidhana = praticando a presença, dedicação, devoção, a rendição, a entrega dos frutos da prática
niyamah = preceitos ou práticas de auto-formação

Limpeza e pureza do corpo e da mente (shaucha), atitude de contentamento (santosha), ascese ou ardor (tapas), auto-estudo e reflexão sobre as sagradas palavras (svadhyaya), e uma atitude de mergulhar no campo causal ou se impregnar do Divino (ishvarapranidhana) são os preceitos ou práticas de auto-formação (niyamas), e é o segundo degrau da escada do Yoga.

Os niyamas são preceitos ou práticas de auto-educação que nos ensinam a lidar com nosso mundo pessoal interior, civilizando os cinco sentidos e os cinco órgãos da percepção.

Iyengar associa os niyamas com o tronco de uma árvore, da árvore do Yoga:
‘O tronco é comparável aos princípios do niyama, que são: saucha (higiene), santosha (contentamento), tapas (ardor), svadhyaya (auto-exame) e Isvara-pranidhana (auto-redição). Esses cinco princípios de niyama controlam os órgãos da percepção: os olhos, os ouvidos, o nariz, a língua e a pele.’ (Iyengar, A Árvore do Yoga)

São precedido pelos yamas, que são comparados por Iyengar às raízes da árvore do Yoga e ambos (yamas e niyamas), sustentam os galhos (asanas), as folhas (pranayama). A casca da árvore é comparada a pratyahara, a seiva a dharana. Dhyana é a flor da árvore, e o samadhi é o fruto.

‘Patanjali divide os cinco aspectos de niyama em dois grupos. De um lado saucha e santosa, a saúde física e a felicidade da mente. Do outro lado, tapas, svadhyaya e Isvarapranidhana, o ardente desejo de desenvolvimento espiritual, auto-exame e entrega a Deus. A primeira parte de niyama, saucha e santosa, permite à pessoa desfrutar os prazeres do mundo, livre de doenças. A segunda, tapas, svadhyaya e Isvarapranidhana, é chamada de “yoga auspicioso” e com ele se alcança o estado mais elevado, torna-se livre, completamente dissociado dos veículos do corpo, transformando-se eu em um só com a alma. Patanjali chama esses dois estágios de “bhoga” e “apavarga”, respectivamente. “Bhoga” significa desfrutar prazeres sem doenças; “apavarga”, liberdade e beatitude.’ (Iyengar, A Árvore do Yoga)


2.33
vitarka badhane pratipaksha bhavanam

vitarka = pensamentos perturbados, apartados, que tem uma direção diversa a partir das orientações de yamas e niyamas
badhane = perturbado pelo, inibido por
pratipaksha = ao contrário, pensamentos ou princípios opostos
bhavanam = cultivar, habituar, relacionado ao pensamento, ao contemplar, refletir sobre

Quando estes preceitos de auto-regulação ou de retenção (yamas) e práticas de auto-formação (niyamas) estão impedidos de ser praticados devido aos pensamentos que desviam da direção desejada (que os yamas e niyamas preconizam), negativos ou que causam incômodo ou perturbação, o pensamento contrário deve ser cultivado.

Yamas coordenam as ações externas, niyamas coordenam as percepções dos processos internos relacionados com o corpo, sentidos e a mente. Para isto é necessário cultivar um estado de atenção ou de observação na ação que permita à pessoa observar o que ela mesma faz, fala ou pensa; e a pessoa deve perceber que a atitude, o discurso e o pensamento são três práticas distintas, e testemunhar todas elas. É interessante ser capaz de auto-regular essas práticas para que permaneçam alinhadas com os objetivos propostos pelos niyamas. Do contrário, a pessoa não consegue seguir praticando os niyamas.


2.34
vitarkah himsadayah krita karita anumoditah lobha krodha moha purvakah mridu madhya adhimatrah dukha ajnana ananta phala iti pratipaksha bhavanam
vitarkah = pensamentos perturbados, apartados, que tem uma direção diversa a partir das orientações de yamas e niyamas
himsadayah = nocivos, prejudiciais e afins (himsa = prejudiciais; adayah = et cetera, e assim por diante)
krita = cometidos (pelo próprio)
karita = estimulado a ser feito (por outros)
anumoditah = com consentimento, com a provação (quando feito por outros)
lobha = ganância, desejo
krodha = raiva
moha = ilusão
purvakah = precedida por
mridu = leve, ligeiro
madia = meia adhimatrah = intensa, extrema
dukha = miséria, dor, sofrimento, angústia
ajnana = ignorância (a = sem; jnana = conhecimento)
ananta = infinito, inesgotável (uma = un; anta = terminando)
phala = frutos, resultados, efeitos iti = assim
pratipaksha = ao contrário, pensamentos ou princípios opostos
bhavanam = cultivar, habituar, relacionado ao pensamento, ao contemplar, refletir sobre

Acões resultantes de tais pensamentos negativos podem ser realizadas diretamente pelo agente, ou ser executadas através da sugestão para ação de outros, ou pela aprovação do (suposto) efeito (punitivo decorrente) da ação nos outros. Todas estas poderão ser precedidas por, ou realizadas através da raiva, da ganância ou da ilusão; e podem ser de intensidade leve, moderada ou intensa. Os princípios opostos a estes pensamentos e ações negativas nos ajudam a compreender que estes (os pensamentos e ações negativos ou desalinhados com niyamas) são as causas da miséria sem fim e da ignorância (como foi mencionado no sutra anterior).

Contra a direção e sentido propostos por niyamas, existem 27 ‘tipos’ de atitudes, discurso ou pensamentos negativos, resultado da combinação das três ‘dimensões’ (qualidades) das ações, da fala ou da mente negativas.
As três dimensões são:

* As três formas de agir que corrompem:
· a ação que a própria pessoa faz;
· a ação que a pessoa induz o outro a fazer, recrutando o outro;
· aprovar a ação de um terceiro ou a conseqüência da ação que resulta em desconforto, perda ou punição para outra pessoa, em geral, um desafeto.

Qualquer uma das formas de agir em negatividade, mesmo aquelas que envolvem a ação feita pela cooptação do outro ou pela aprovação da ação que prejudica o outro possuem o mesmo efeito interno de reforçar os samskaras.

* Os três estados mentais;
· raiva, que produz aversão, desejo de (se) afastar;
· ganância, que causa atração, vontade de puxar;
· ilusão.

Raiva e ganância podem ser vistas como forças. E toda força provoca uma reação de mesma intensidade e direção, porem de sentido oposto (conceito de Karma sob a ótica da física newtoniana).

* As três intensidades:
· leve;
· moderada;
· intensa.

Ex: A pessoa conta uma mentirinha de papelzinho para obter uma vantagem; se justificar.
A pessoa pedir para alguém justificar sua ausência numa situação onde ela está se sentindo moderadamente incomodada; pedir para que o outro minta.
Sorrir de satisfação quando alguém por quem você sente antipatia recebe uma punição social; dizer ou sentir ‘bem feito’ sarcástico.

Prestar atenção à essas 27 possibilidades negativas de pensar, falar e agir é útil para configurar uma mente pura. É o primeiro passo. Na seqüência, devemos aprender a buscar o pensamento, a fala, a ação que é o oposto de uma dessas 27 negatividades para aprendermos o processo de neutralizar ou desprogramar os hábitos que divergem do foco de niyamas.

Devemos prestar atenção na sutileza, na distinção do que é o pensamento, a fala ou a ação oposta às 27 negatividades.

O contrário de ódio não é amor.
O oposto do ódio é não-ódio, deixar ir,
libertando desse ódio.
Então, o amor surge naturalmente.


As ações (atitudes, discurso e pensamentos) leves e medianas podem ser neutralizadas pela meditação, porém não devem ser ignoradas apenas porque parecem menores em relação às intensas. As ações (atitudes, discurso e pensamentos) intensas necessitam de maior determinação e dedicação envolvendo cultivar sentimentos de simpatia para com aqueles que estão felizes, compaixão por aqueles que estão sofrendo, boa vontade para com aqueles que estão virtuosos, ou de neutralidade e de indiferença para com aqueles que parecem estar praticando o mal; meditar observando a consciência da respiração, a sensação de luminosidade interior, de contemplação em uma mente estável, e observando o fluxo da mente; e por fim, focalizando a mente em um único ponto.

É importante que essa prática permanente de auto-observação seja feita com amor para consigo mesmo, com auto-aceitação, com leveza.Exercício do cinema:
O filme projetado no cinema reproduz um fluxo mental que conta uma estória.
Observar se o expectador ‘entra no filme’, ou não.
Se entrar, o expectador deve aprender a ‘ficar na cadeira’, a observar o filme.
Transferir o processo para as situações cotidianas (fluxos de pensamento, interação com as pessoas, etc.)



1.Saucha
(Pureza)
2.40
sauchat sva-anga jugupsa paraih asamsargah

sauchat = pela limpeza, purificação (de corpo e mente)
sva-anga = o próprio corpo (sva = em um, todo; ANGA = membros, corpo)
jugupsa = relutantes, afastado, longe de tirar
paraih = e com o de outros
asamsargah = cessação de contacto, não-associação

Através de limpeza e pureza do corpo e da mente (shaucha), a mente desenvolve uma atitude de distanciamento, ou deixa de se identificar com o próprio corpo.
Saucha traz desinteresse para com o palpável: através de limpeza e pureza do corpo e da mente, a mente naturalmente começa e se dirigir em direção ao divino, e para longe do exterior, do mundo físico.
Gulmini, citando Taimni ressalta o desapego para com o corpo como meio de adquirir o senso e a percepção real da matéria, pois ao final da jornada, o corpo/instrumento de percepção é desnecessário.

Iyengar ressalta que, embora o corpo se deteriore com a doença eventual ou o passar do tempo, devemos ser gratos ao corpo como instrumento de percepção na senda do conhecimento espiritual, mantendo-o limpo e puro apesar da deterioração, o que é uma forma compassiva de desapego, que não viola ahimsa.

Iyengar aponta que saucha é praticado no asana quando todas as partes do corpo recebem atenção, alongamento e irrigação semelhantes; quando ‘em sintonia, são limpos adequadamente e irrigados pelo sangue, que transporta a energia biológica conhecida como prana.’

‘Para saúde e felicidade, segundo Patanjali, a dieta não é muito importante. Mas para o desenvolvimento da saúde espiritual, torna-se necessário o cuidado com a dieta, para que as flutuações da mente possam ser aquietadas. Colhe-se o que se planta. A mente é produto dos alimentos: por isso, a comida que você ingere surte efeitos na mente. Assim, há restrições alimentares se você está em prática espiritual, mas, para a saúde e felicidade, não. Não é uma questão de Oriente ou Ocidente; é uma questão do nível espiritual que se deseja alcançar.’

Cabe ressaltar que, embora a dieta seja muito importante para quem busca o caminho espiritual, ela é também necessária para quem tem interesse em praticar Yoga para a saúde e felicidade. Parte das opções alimentares existentes atualmente conduzem a uma alimentação biocídica (bio=vida+cídico=que mata), que contém apenas calorias vazias e carece de nutracêuticos.

Uma possibilidade de manter uma alimentação pouco intoxicante é incluir alimentos desintoxicantes na dieta. Estes alimentos (sucos verdes, frutas, grãos germinados) ajudam a eliminar as toxinas de origem corporal, emocional e mental acumuladas às vezes por anos no corpo, beneficiando a prática de asanas, de niyamas e da meditação e favorecendo a desprogramação dos hábitos nocivos.

Receber massagem também ajuda a desintoxicar e a desprogramar a memória de hábitos do ser (corpo-emoção-mente), traz centramento e estabilidade emocional, noção limites e de como supera-los.



‘(...) Lembrem que niyama começa com saucha e santosha.
Saucha é higiene e santosha, contentamento. Juntos criam bhoga, que também pode ser descrito como a saúde do corpo e a harmonia da mente. Mas Patanjali não para em saucha e santosha. Ele fala de tapas, svadhyaya e Isvarapranidhana, que levam a alma a libertar-se de seu contato com o corpo.

O ayurveda começa com o corpo, e o ioga, com a consciência. Mas, partindo cada qual de um ponto diferente, ambas agem para manter o corpo sadio: são moksha-sastras, ou ciências de libertação.’ (Destaque nosso)

A prática da pureza cria integridade, cura a dissociação interna; cria a consciência periférica.
Consciência periférica = capacidade de percepção de cada pensamento, cada reação, cada sentimento, sem nos envolver apenas observando.

A meditação também é muito eficaz para a pratica da pureza mental, ela ajuda a romper com a rigidez do pensamento, ensina a repousar no centro do nosso ser, desfaz com os hábitos do pensamento vicioso, além de proporcionar um vislumbre de união entre o corpo físico e o espiritual.


2.41
sattva shuddhi saumanasya ekagra indriya-atma jaya darshana yogyatvani cha
sattva = sutil essência da pureza interna
shuddhi = purificação de
saumanasya = espírito elevado, alegria, clareza, agradabilidade, bondade
ekagra = todo-em-um(EKA = um; Agra = atenção e intenção direcionados para um ponto) indriya-jaya = controle dos sentidos (indriya = ativa e cognitivas sentidos; Jaya = controle, regulação, maestria)
atma = do Self, consciência internalizada e centralizada
darshana = realização, observação na ação
yogyatvani = ser apto para, ser qualificado para
cha = e

Através da limpeza e pureza do corpo e da mente (shaucha) vem uma purificação mental sutil, e através desta (purificação sutil) vem a essência (sattva), uma agradabilidade, bondade e sentimento de alegria, uma atenção e intenção, a conquista ou o domínio sobre os sentidos, e uma aptidão, a qualificação, ou capacidade de auto-realização.

Os resultados da prática da pureza são experimentados inteiramente quando a pessoa sente-se ligada com o seu eu espiritual, além de desenvolver a consciência periférica que é a capacidade de perceber e sentir as sutilezas que emanam do corpo físico. Essa experiência intuitiva pode ser alcançada por qualquer pessoa que mantém uma prática regular.


Santosha
(Contentamento)
2.42
santosha anuttamah sukha labhah
santosha = contentamento
anuttamah = extremo, supremo
sukha = prazer, felicidade, conforto, alegria, satisfação
labhah = é adquirido, atingido, ganho

De uma atitude de contentamento (santosha), suprema felicidade, conforto mental, alegria e satisfação é obtida. Santosha traz felicidade e alegria.

Contentamento é isto: ondas de pensamento menos turbulentas no lago da consciência. É a capacidade de ficar no momento presente, de valorar o que se tem, sem apego.
É a capacidade de se manter em estado de paz consigo mesmo e com o mundo, adaptando-se às circunstâncias, sejam elas favoráveis ou adversas. Não é resignar-se à uma situação inadequada.
Desejo é oposto ao Contentamento.

O desejo é uma tensão em direção a um fim, considerado pela pessoa que deseja, como uma fonte de satisfação. É o que nos rouba a atenção para o que já passou ou para o futuro, mas nunca para o momento presente onde reside o contentamento.

O rompimento desse hábito se faz impondo lentamente o silêncio à falação interna, mantendo-se numa região onde não há pensamentos, entre o passado e o futuro, nenhum movimento, basta esperar e observar o silêncio e a expressão do corpo espiritual.

Contentamento traz a paz perfeita nesta vida.


Escolhemos um vídeo para ilustrar tapas, svadhyaya e Isvarapranidhana.

A arte da Ópera tem muito em comum com a arte do Yoga:
ambos lidam com os elementos/fatores que fazem/definem um ser humano;
ambos exploram a natureza anima e animal, natureza espiritual/consciente do ser humano;
exigem prática constante e estudo intenso;
a respiração tem um papel muito importate em ambos;
podem ser aprendidos intuitivamente ( estudando um livro, um vídeo, ouvindo), porém para o aperfeiçoamento exigem a relação professor-aluno.

Tapas
(Tolerância)
2.43
kaya indriya siddhih ashuddhi kshayat tapasah
kaya = do corpo físico
indriya = sentidos ativos e cognitivos
siddhih = atingir, maestria, perfeição
ashuddhi = das impurezas
kshayat = remoção, destruição, eliminação
tapasah = treinamento os sentidos, austeridades, ascese

Através de ascese ou da educação dos sentidos (tapas), vem a destruição das impurezas mentais, e uma conseqüente maestria ou perfeição ao longo do corpo mental e os órgãos dos sentidos e das ações (indriyas).

É autodisciplina, determinação, o esforço sobre si mesmo. ‘Significa ser mais forte que nossas próprias fraquezas, e a manter constantemente o foco e a motivação para a auto superação.’

Quando praticamos um asana, não devemos confundir esforçar-se numa postura (Tapas) com forçar uma postura (Himsa). Esforço envolve intensidade, persistência, estar presente na ação.

‘Quando nos esforçamos numa postura, trazemos presença para o que fazemos, e é através dela que tomamos consciência de nosso corpo e de nossos limites. A partir daí podemos desenvolver estratégias para alcançar um objetivo. (...) Quando nos esforçamos numa postura, deixamos nossos limites de lado e a chance de nos ferirmos são grandes.’

Podemos fortalecer a prática de tapas nos propondo executar pequenas e inevitáveis tarefas do cotidiano que as pessoas preferem não fazer, como arrumar ou limpar algo na casa, com alegria.

Por meio da prática da tolerância e do autocontrole, eliminam-se as impureza do corpo e a pessoa fica cheia de estabilidade que não pode ser abalada porque elimina o medo.


Svadhyaya
(estudo e auto-reflexão)
2.44
svadhyayat ishta samprayogah
svadhyayat = auto-estudo, a reflexão sobre as sagradas palavras
ishta = aquela que é preferida, escolhida, predisposição para
samprayogah = conectado com, no contato, comunhão

De auto-estudo e reflexão sobre as sagradas palavras (svadhyaya), atinge o contato, a comunhão, ou a harmonia com essa realidade ou sabedoria subjacente natural.
O auto-estudo ‘significa compreensão de si mesmo. Esse processo de autoconhecimento acontece olhando para os modelos psicológicos em escrituras em escrituras de Yoga como o Yoga Sutra, a Bhagarvad Gita, a Ashtavakra Gita e outros.’

Um dos papéis mais importantes da prática do estudo é ajudar no conhecimento do próprio eu espiritual, ampliando e aguçando a consciência com a prática da meditação e das posturas de yoga, ampliando e capacitando a transformação do estudo numa experiência pessoal.

O estudo também estimula a intuição e facilita o corpo espiritual trazer à luz um conhecimento antes não manifestado, e quase sempre livre de dúvidas.


Isvarapranidhana
(entrega ao ser/estar escolhido)
2.45
Samadhi siddhih ishvarapranidhana
Samadhi = absorção de profunda meditação, o estado de concentração perfeito
siddhih = atingir, maestria, realização, perfeição
ishvara = fonte criativa, campo causal, Deus, supremo guru ou professor
pranidhana = praticando a rendição, dedicação, devoção, a entrega dos frutos da ação

A partir de uma atitude de entrega à fonte criativa (ishvarapranidhana), o estado de perfeita concentração/coordenação mental, meditação (Samadhi) é atingido. Ishvarapranidhana traz Samadhi.
‘Semelhante ao conceito de fé de Alexander Lowen; “ A fé é uma qualidade do ser: de estar em contato consigo mesmo, com a vida e com o universo. É uma sensação de pertencer a uma comunidade, a um país e à Terra. Acima de tudo é a sensação de estar assentado no próprio corpo, na própria humanidade e na sua própria natureza animal. Ela pode ser todas essas coisas porque é uma manifestação de vida, uma expressão da força vital que une todos os seres”. (Grifo nosso)

Isvarapranidhana também é compreender que não temos direito de escolha sobre os frutos das ações, pois estes sempre retornam da maneira justa e adequada.


Referências e Bibliografia Consultada

CHRISTENSEN, Alice. O Yoga do Coração: dez princípios éticos para aumentar o bem-estar, a coragem e a confiança. São Paulo: Pensamento, 2002.

FEUERSTEIN, George. A tradição do Yoga. São Paulo: Pensamento, 2002.

IYENGAR, B. K. S.. A Árvore do Yoga. São Paulo: Globo, 2001.

IYENGAR, B. K. S.. A Luz do Yoga. São Paulo: Summus, 2007.

IYENGAR, B. K. S.. Iyengar Yoga: Posturas Principais. São Paulo: Cores & Letras, 2006.

JNANESHVARA BHARATI, Swami. Yoga Sutras of Patanjali – Interpretative Translation.
Disponível em :< www.swamij.com/yoga-sutras.htm >.
Acesso em 15 agosto 2008.

KUPFER, Pedro. De volta ao básico. Prana Yoga Journal. n.19, p.110-111. agosto/2008.

MALAGÓ, Vanessa. Yamas e niyamas: alicerces da prática yogue. Cadernos de Yoga. n.10, p.45-56. outono/2006.

TRUCOM, Conceição. Doce Limão.
Disponível em :< http://www.docelimao.com.br/ >.
Acesso em 15 agosto 2008.

YOU TUBE
Disponível em :< http://br.youtube.com/watch?v=OHWux-DfdME&feature=related>.
Acesso em 14 agosto 2008.


YOU TUBE
Disponível em :< http://br.youtube.com/watch?v=dbst9WIm4mA&feature=related
>.Acesso em 20 agosto 2008.