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20101222

des-condicionamento



Des-condicionamos a mente no Hatha Yoga basicamente pela práticas de āsanas.
Oferecendo ao corpo diferentes arranjos neuromusculares rearranjamos os caminhos das atividades mentais, reinventamos as soluções emocionais, redesenhamos os enredamentos sociais. Como propõe essa nova ciência, a Psiconeuroimunobiologia.

'Laban se insere no rol dos grandes estudiosos que nos deixaram legados preciosos, no que concerne a entender corpo como processo de natureza e cultura, juntos. Isto é extremamente relevante, ele já antecipava os estudos e descobertas que mais tarde foram feitos, que provam que o corpo não é "dividido". Essas pesquisas (feitas por cientistas, médicos, psicólogos, pedagogos e neurologistas, entre profissionais de outras áreas de conhecimento) mostram que aspectos físicos, químicos, biológicos, emocionais, intelectuais são parte de um só corpo. Pensamento ("mente", "cultura") e o movimento do corpo ("natureza") são corponectivos, isto é, traduzidos juntos. Ao afirmar "... quando se aprendeu a raciocinar em termos de movimento (em 'O Domínio do Movimento', de Laban, 1978, pag.46), ele já postulava que pensamento é movimento.'
Lenira Rengel, em Os Temas de Movimento de Rudolf Laban, pag.7.


Mova-se.
Pratique.
Modifique.
Flua.

20100801

Yoga <=> Dança

“Quem consegue ver ação
No que parece inação,
E ver inação na ação,
É na verdade o mais sábio”.
(Bhagavad Gita)

“Agitação emerge do Repouso
Repouso segue Agitação
...
Juntos no espaço, juntos no tempo
Repouso e Agitação”.
(Rudolf Laban)



"Como no Anel de Moebius, é justamente no não-dançar que reside a dança. O que ressoa em cada um de nós, pouco a pouco hipnotizados (ou, como diria Laban, encantados[3]) e contaminados de auto-percepção, é nosso próprio Corpo Desconhecido, pairando entre “corpo vivo” e “corpo morto”, nessa constante travessia do tempo não linear. A maneira corporal e feminina é esse abismo criativo assustador e irresistível, onde o conhecimento científico quantitativo dá lugar à sabedoria artística qualitativa. O importante é o como, não o quanto, ou o quê."

20100309

Cri(s)e dos 7 anos: Klauss, Laban, Bartenieff & cia. no Hatha Yoga


Quem freqüenta as aulas comigo sabe o quanto eu valorizo a objetividade que a abordagem do Hatha Yoga pelo método Iyengar proporciona. Porém, existem outros métodos de estudo e análise do movimento que, se usados em acordo, transforma a precisão da navalha de aço do método Iyengar em exatidão de lâmina de obsidiana.

O iniciar na prática de Hatha Yoga pelo método Iyengar pode ser mais ou menos complicado (e quem complica, não explica. Quem não explica, afinal, sabe mesmo ou é decorado?), dependendo da abordagem (mais ou menos 'esotérica', ou hermética) que o professor escolha adotar, falando em anatomês do Iyengar, sem explicar para os novatos o que é o que. Claro, a calourada fica boiando, sem poder fazer do jeito correto, sem poder aprender de cara por inteiro. Nesta hora, conhecer a Técnica de Klauss Vianna ajuda a descomplicar o jeito de expor e descrever o movimento: Klauss ensina a falar do corpo em camadas profundas com todo tipo de gente, gente com qualquer nível de erudição, ajuda a despertar nas pessoas o interesse pelo que ocorre em seus corpos sob a pele, além do que a vista 'normal' alcança.

Praticar Hatha Yoga pelo método Iyengar requer um refinar sensório, e pode ser outro obstáculo ao aprendizado e, portanto, à associação de mais pessoas ao grupo. O conhecimento da Análise Laban em Movimento, do Sistema Laban-Bartenieff e de Bartenieff Fundamentals (salve, salve Fitz-Simon!) pode ajudar a dar conta de fornecer um repertório fundamentado na perscrutação de percepções bastante eficaz e uma excelente ferramenta de apoio ao método Iyengar. Laban e Bartenieff também auxiliam no momento de organizar as ações externas e internas que constroem a entrada, permanência e saída do āsana, bem como na eficácia do seqüênciamento das ações externas e internas das correções adequadas para cada pessoa.

Além disso, Bartenieff Fundamentals facilita a respiração durante o movimento, ajuda a manter a estabilidade pélvica (sem apertar a bunda, ooops, o glúteo, socar o púbis em qualquer direção desconexa e espremer a banda sacra) e a relação entre cintura pélvica e escapular que é fundamental na feitura dos āsanas e a conecção viva entre a parte superior e inferior do corpo e liberação da coluna do fardo (peso mesmo, carga) imposto pelo uso inadequado e descoordenado de braços e pernas.

20090303

Cinesfera/Kinesfera


Cinesfera=kinesfera é a esfera que delimita o limite natural do espaço pessoal, no entorno do corpo do ser movente. Esta esfera cerca o corpo esteja ele em movimento ou em imobilidade, e se mantém constante em relação ao corpo, sendo 'carregada' pelo corpo quando este se move. 'É delimitada espacialmente pelos alcance dos membros e outras partes do corpo do agente quando se esticam a partir do centro do corpo, em qualquer direção, a partir de um ponto de apoio.' É um conceito que pertence ao Método Laban de Análise do Movimento.

'A cinesfera também é um espaço psicológico, a partir do qual toda a expressividade guarda coerência.'

A cinesfera pode variar em amplitude:

  • externa se relaciona com a pele, é elástica e permite a interação da pessoa com o meio (o espaço, outras cinesferas) como a pele.

  • média se relaciona com os músculos, é gestual e formal, usada no espaço social.

  • interna se relaciona com os ossos, estrutura.


  • As várias cinesferas se colocam uma sobre a outra como matrioskas.

    Ao fazer um āsana podemos dirigir a consciência para cada uma das cinesferas, para uma combinação entre duas delas ou para todas.

    Também é possível ir aquém (ou será além?) da quinesfera interna e sentir o āsana a partir do tutano do osso.

    Fonte: Dicionário Laban, Lenira Rengel.

    20090206

    Laban


    ‘Rudolf Jean-Baptiste Attila Laban nasceu na Bratislava (região do antigo império formado por Áustria e Hungria) em 15 de dezembro de 1879. O pai era militar a serviço do império e sua mãe uma linda mulher de tendências socialistas. Laban teve duas irmãs. Desde sua infância observava a dança dos camponeses, seus movimentos de trabalho e o movimento dos planetas, das plantas, dos animais. Na adolescência, começou a viajar amiúde para visitar o pai, que ficava baseado em diferentes lugares. Essas viagens foram marcantes em sua formação sobre o comportamento humano. Laban foi para uma escola de cadetes, porém não terminou o curso. Decidiu ser artista e procurar gente que pensava como ele (segundo suas próprias palavras). Essa decisão contrariou profundamente seu pai e nunca mais suas relações foram de afeto. Laban não obteve algum tipo de ajuda financeira por parte de seu pai. Passou por dificuldades durante toda sua vida. Partindo de sua terra natal, Laban foi para Paris onde estudou pintura, desenho (foi um excelente caricaturista), arquitetura. Estudou bale clássico, frequentava os cabarés e observava o movimento - todos os tipos de movimento. Laban viveu toda a transformação do início do século XX. Conheceu a intelectualidade e artistas de seu tempo. Teve oito filhos e muitas mulheres, às vezes mais de uma ao mesmo tempo. Viajou por toda a Europa, formando alunos e colaboradores. Laban foi muito amado e também muito discriminado por ideias à frente de seu tempo. Era também bastante contraditório, trabalhou na "Ópera de Berlim" (seu primeiro emprego fixo), na época da ascensão do nazismo. Fez a dança para abertura dos Jogos Olímpicos de 1936. Goebbels, ministro de Hitler, assistiu ao ensaio e proibiu a grande dança coral. Laban foi preso durante um ano. Ficou muito debilitado, sua saúde tornou-se frágil a partir de então. Kurt Joss (seu colaborador, coreógrafo, professor de Pina Bausch), conseguiu levá-lo para Paris e de lá para a Inglaterra. Dartington Hall foi o centro de estudos que acolheu Laban no início. Foi nessa escola que Maria Duschenes (introdutora do método Laban no Brasil) conheceu Rudolf Laban. Na Inglaterra, ele viveu o resto de sua vida e foi onde sistematizou, com a ajuda de fiéis colaboradores, entre eles Lisa Ullmann, a obra que já vinha elaborando desde 1910 . Laban era fascinado pelas múltiplas e diversas manifestações do movimento. Criou oreografias que instauraram o expressionismo na dança. É considerado, junto à Mary Wigman e Martha Graham, um dos fundadores da dança moderna. Criou um sistema de notação da dança bastante completo [Labanotation ou Kinetografia] e utilizado ainda hoje. Desenvolveu um método de dança educacional que se tornou verdadeira cartilha básica para professores, em diversos países. Realizou estudos sobre eficiência e cansaço no trabalho. Buscou incentivar a criação de uma dança pessoal e expressiva, por meio de improvisações temáticas. Trabalhou também com atores e terapeutas. Fez grandes danças corais (com até mil pessoas). Laban morreu em 1° de julho de 1958. No seu túmulo há um lápide com os seguintes dizeres:
    "Uma vida para a dança Rudolf Laban".’

    Breve e informativa biografia de Laban que Lenira Rengel disponibiliza em seu livro ‘Dicionário Laban'. Lenira Rengel, que é bailarina, pesquisadora e educadora somática generosa foi aluna de dona Maria Duschenes. A escrita entre [ ] é minha.