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20111006

Pratyahara e Dharana

Esta postagem é um capítulo da obra Raja Yoga - O Caminho Real.
Também pode ser encontrado aqui.

Negritos e caixas altas são minhas intromissões.

'A etapa seguinte é chamada pratyahara. Que é pratyahara? Sabemos como nascem as percepções. Em primeiro lugar há os instrumentos externos, depois os órgãos internos, funcionando no corpo através dos centros cerebrais, e por último, a mente. Quando todos se juntam e se ligam a algum objeto externo, então, percebemo-lo. Ao mesmo tempo, é bastante difícil concentrar a mente e ligá-la a apenas um órgão; a mente é a escrava de objetos físicos.

Costumamos ouvir: “Sede bons”, “Sede bons”, “Sede bons”, que todo o mundo ensina. Não há criança em qualquer pais que seja. que não tenha sido ensinada: “Não roubes”, “Não mintas”; mas ninguém ensina à criança como evitar o roubo ou a mentira. Falar-lhe apenas não basta. Por que não se torna ela um ladrão? Não lhe ensinamos como não roubar; simplesmente dizemos: “Não roubes”. Só quando lhe ensinarmos a controlar sua mente, realmente ajudamo-la.

Todas as ações, internas e externas, ocorrem quando a mente se liga a determinados centros, chamados órgãos. Querendo ou não, as pessoas juntam suas mentes aos centros. Essa, a razão por que cometem ações tolas e sentem-se infelizes. Porém, se tivessem a mente sob controle, não agiriam assim. Qual seria o resultado de controlar-se a mente? Seria o de evitar que ela ficasse ligada aos centros de percepção, e, naturalmente, o sentir e o querer estariam sob controle. E’ claro até aqui. Mas, isto é possível? Certamente que sim; vemo-lo praticado nos tempos atuais. Os curadores pela fé ensinam as pessoas a negarem a desgraça, a dor e o mal. Sua filosofia é um tanto vaga, porém, de uma ou outra forma, tropeçaram numa parte da yoga. Onde conseguem obter que uma pessoa se desembarace do sofrimento, negando-o, realmente utilizam uma parte de pratyahara, pois tornam a mente da pessoa, forte bastante para ignorar os sentidos. Os hipnotizadores, de maneira similar, por sua sugestão, provocam no paciente, por certo tempo uma espécie de pratyahara mórbido. A sugestão pseudo-hipnótica age somente sobre a mente fraca; e a menos que o operador, por meio de olhar fixo ou algo parecido, tenha conseguido colocar a mente do paciente numa espécie de condição mórbida, passiva, suas sugestões jamais conseguem qualquer resultado.

O controle temporário dos centros de um paciente, feito por um hipnotizador ou por um curador pela fé, é repreensível, porque conduz à ruína inevitável. Não se trata realmente de controlar os centros nervosos pelo poder do livre-arbítrio do paciente, mas sim, entorpecer-lhe a mente, por algum tempo, graças a golpes súbitos que a vontade de outrem lhe desfecha. É corno, para refrear a louca corrida de uma fogosa parelha, ao invés de utilizar as rédeas e a força muscular, pedir a outra pessoa que desfeche fortes golpes na cabeça dos animais, a fim de, tonteando-os, torná-los dóceis durante certo tempo. Em cada uma dessas atuações, a pessoa, sobre a qual se trabalha, perde parte de suas energias mentais, até que sua mente, ao invés de obter a faculdade de controle perfeito, torna- se em massa informe, impotente, e o paciente termina num asilo de loucos.

Toda tentativa de controle, não-voluntário, feita sem a vontade do indivíduo, não apenas é desastrosa mas também engana seu próprio objetivo. O fim de toda alma é a liberdade, o domínio – liberdade da escravidão da matéria e do pensamento, domínio da :natureza externa e interna. Em lugar de conduzir a esse resultado, toda corrente de vontade de outra pessoa, sob qualquer forma, controlando diretamente os órgãos ou forçando a que sejam controlados sob condições mórbidas, apenas forja mais um elo à pesada cadeia, já existente, da servidão das ações e superstições passadas. Portanto, cuidado, quando vos permitirdes a ação de outras pessoas sobre vós. Cuidado como, sem o saber, levais outras pessoas à ruína. Verdadeiramente alguns conseguem fazer o bem a muitos, por um certo tempo, dando novo caminho às suas propensões; mas levam, simultaneamente, a ruína a milhões, por sugestões inconscientes que semeiam a seu redor, despertando nos homens e mulheres aquela condição mórbida, passiva, hipnótica, que os torna, finalmente, quase despidos de alma.

Aquele que pede a outros que o creiam cegamente, ou que arrasta as pessoas atrás de si pelo poder controlador de sua vontade mais forte, ofende a Humanidade, ainda que o não pretenda. Usai, portanto, a mente, controlai corpo e mente, vós mesmos, e lembrai-vos que a menos de serdes enfermos, nenhuma vontade estranha poderá agir sobre vós. Evitai todos, grandes ou bons, que vos pedem crença cega.

Por todo mundo existiram seitas de danças, de pulos e uivos, cuja influência se espalha como infecção, conforme cantam, dançam e pregam; também elas são espécies de hipnotismo. Exercitam singular controle, durante certo tempo, sobre as pessoas sensitivas – mas por desgraça, acabam freqüentemente fazendo degenerar raças inteiras. Sim, é mais saudável para o indivíduo ou para a raça, permanecerem perversos, do que se tornarem aparentemente bons por um controle tão mórbido e esquisito. Dói-nos o coração pensar quanto mal é feito à Humanidade por tais fanáticos religiosos irresponsáveis, animados todavia de boas intenções. Não sabem que as mentes que sofrem brusca reviravolta espiritual sob suas sugestões, com música e rezas, vão simplesmente se tornando mórbidas, passivas, impotentes e vulneráveis a quaisquer outras sugestões, por piores que sejam. Mal sonham essas pessoas, ignorantes e enganadas, que enquanto se felicitam pelo poder miraculoso de transformar os corações humanos, cujo poder, pensam, foi-lhes outorgado por algum Ser acima das nuvens, estão semeando futura decadência, crime, loucura e morte. Portanto, acautelai-vos de tudo que vos despoja da liberdade. Sabei que é perigoso e evitai-o, por todos os meios possíveis.

Aquele que pôde, à vontade, ligar ou tirar sua mente dos diferentes centros, obteve êxito em pratyahara, palavra cujo significado é “acumular para o futuro”, refrear a capacidade dispersiva da mente, libertá-la do domínio dos sentidos. Quando o conseguirmos, teremos realmente formado nosso caráter, teremos feito um longo estirão na trilha da liberdade; enquanto isso, somos meras máquinas.

Quão árduo é controlar a mente! Bem foi ela comparada ao macaquinho maluco, da história. Havia um macaquinho, inquieto por sua própria natureza, como todos os macacos. Como se não bastasse isso, alguém o fez beber bastante vinho, de forma que se tornou ainda mais irrequieto. Então, um escorpião o ferrou. Quando uma pessoa é ferrada por um escorpião, salta de dor durante todo um dia, O pobre macaquinho sentiu-se absolutamente miserável. E para completar sua desgraça, um demônio o possuiu. Que palavras podem descrever a sua incontrolável inquietação? A mente humana assemelha-se ao macaquinho. Incessantemente ativa por sua própria natureza, embriaga-se com o vinho do desejo, que lhe aumenta a turbulência. Depois que o desejo apoderou-se dela, vem o ferrão do escorpião do ciúme pelo sucesso dos outros; e por fim o demônio do orgulho instala-se na mente, fazendo-a atribuir-se muita importância. Quão árduo o controle da mente!

Portanto, a primeira lição é sentar-se por um tempo e deixar vagar a mente. Ela está em efervescência durante a maior parte do tempo. Assemelha-se àquele saltitante macaquinho. Que o macaco salte quanto queira; simplesmente esperai e observai. Conhecimento é poder, diz o provérbio, e é verdadeiro. A menos que se saiba o que a mente está fazendo, não se a pode controlar. Entregai-lhe as rédeas, talvez surjam muitos terríveis pensamentos; ficareis admirados ao ver que é possível ter tais pensamentos; mas encontrareis que a cada dia que passa, as divagações da mente serão menos violentas, que gradualmente ela se vai tornando mais tranqüila. Nos primeiros meses notareis na mente uma infinidade de pensamentos; depois, que vão diminuindo e que em mais alguns meses serão bem poucos, até que, por fim, a mente estará sob perfeito controle. Mas deveis praticar pacientemente, dia a dia, Enquanto há vapor, a locomotiva corre; enquanto as coisas existem perante nós, percebemo-las. Da mesma forma uma pessoa, para provar que não é uma máquina, deve demonstrar que não está sub- missa a nenhum domínio. Controlar a mente e não permitir que ela se ligue aos centros, é pratyahara. Como consegui-lo? É um trabalho imenso; não pode ser feito num dia. Somente pelo esforço contínuo, paciente, durante anos, teremos êxito.

Depois de praticardes pratyahara por algum tempo, dai o passo seguinte, dharana, que consiste em fixar a mente em certos pontos. Que significa fixar a mente em certos pontos? Obrigá-la a sentir certas partes do corpo, com exclusão de outras. Tentai, por exemplo, sentir somente a mão. Quando chitta, ou estofo mental, está confinado e limitado a um certo local, temos dharana. Dharana é de várias espécies, e simultaneamente com sua prática, deve-se dar livre curso à imaginação. Por exemplo, levemos a mente a pensar sobre um ponto no coração, o que é muito difícil. É mais fácil imaginar que ali existe um lótus efulgente de luz. Fixai a mente sobre ele. Ou então, pensai em um lótus cheio de luz, no cérebro ou nos diferente centros, já mencionados, do Sushumna.

O yogui precisa praticar sempre. Deve tentar viver só; a companhia de diferentes espécies de pessoas distrai a mente. Não deve falar muito, porque a fala distrai a mente; não deve trabalhar muito, porque muito trabalho distrai a mente; a mente não pode ser controlada depois de um dia inteiro de trabalho árduo. Só observando essas regras podemos nos tornar yoguis.

Tão grande é o poder da yoga que mesmo uma prática muito pequena traz-nos imenso benefício. A ninguém prejudica, todos serão beneficiados. Em primeiro lugar fará diminuir o excitamento nervoso, trará paz, capacitando-nos a ver mais claramente as coisas. Temperamento e saúde se tornarão melhores. Ótima saúde será um dos primeiros sinais, assim como uma bela voz. Os defeitos da voz serão corrigidos. São estes alguns dos muitos efeitos que advirão. Os que praticarem bastante e intensamente conhecerão outros sinais. Haverá sons, como uma porção de sinos soando à distância, aproximando-se e se fazendo sentir de forma contínua ao ouvido. As vezes, ver-se-ão coisas – pequenas réstias de luz flutuando e aumentando; e quando tais coisas aparecerem, sabei que progredis, rapidamente. Aqueles que desejam ser yoguis e praticar muito, devem, no início, cuidar de sua dieta. Mas os que desejam apenas uma pequena prática para uma vida diária de negócios – que não comam muito; de outra forma, podem comer o que lhes agradar.

 Para os que desejam progredir rapidamente e praticar muito, é absolutamente indispensável uma estrita dieta. Encontrarão vantajoso viver apenas de leite e cereais, por alguns meses. À medida que a organização geral do corpo se torna mais fina, notar-se-á que a mínima irregularidade pode romper o equilíbrio. Um pedacinho de comida a mais, ou a menos, prejudicará todo o sistema, até que se obtenha perfeito controle e se possa comer o que se deseja. Quando uma pessoa começa a se concentrar, a queda de um simples alfinete soará, no cérebro, como um estrondo. Os órgãos vão se tornando mais finos e também as percepções. Estes, os estágios através dos quais temos de passar. Todos aqueles que perseveram, obtêm resultado. Abandonai toda discussão e outras distrações. O que pode haver em uma querela intelectual seca? Só tira a mente de seu equilíbrio e a prejudica. As coisas dos planos mais sutis devem ser realizadas. A mera conversa poderá consegui-lo? Abandonai toda conversa fútil. Lede somente livros escritos por pessoas que tiveram experiências espirituais.

Sede como a ostra que produz a pérola. Unia linda fábula hindu diz que, quando uma gota de chuva cai numa ostra, estando a estrela Swati no ascendente, aquela gota se torna em pérola. As ostras sabem disso; vêm então à superfície quando surge a estrela e aguardam as gotas preciosas. Quando uma gota cai dentro delas, fecham rapidamente as carapaças e mergulham, para o fundo do mar, onde pacientemente transformam a gota em pérola. Deveis ser assim. Primeiro ouvi, depois entendei, e deixando de lado toda distração, cerrai vossas mentes às influências externas e dedicai-vos a desenvolver a verdade dentro de vós. Há o perigo de desperdiçar as energias pelo fato de tomar uma idéia só pela sua novidade, abandonando-a por outra mais nova. Tomai uma coisa seriamente, segui-a, ide até o fim e enquanto não o fizerdes, não a abandoneis. Aquele que pode se tornar louco com uma idéia, verá a luz. Aqueles que apanham uma migalha aqui, outra ali, nunca chegarão a nada. Podem excitar seus nervos uni momento, mas param aí. Serão escravos nas mãos da natureza e nunca irão além dos sentidos.

Os que realmente desejam ser yoguis devem renunciar, urna vez por todas, esse mendigar de coisas. Apoderai-vos de uma idéia; fazei dela a vossa vida, pensai nela, sonhai com ela, vivei dela. Que cérebro, músculos, nervos, cada parte de vosso corpo se encha dessa idéia. Deixai de lado toda as outras. Eis o caminho do sucesso, o único que constrói gigantes espirituais. Outros são meros gramofones. Se realmente queremos ser abençoados e tornar os outros abençoados, devemos ir mais fundo.

O primeiro passo é não perturbar a mente, não nos ligarmos a pessoas cujas idéias possam nos inquietar. Todos sabeis que certas pessoas, certos lugares, certos alimentos, vos repugnam. Evitai-os; os que desejam realizar o mais elevado devem evitar companhia, boa ou má. Praticai firmes; se viveis ou morreis, tanto faz, Deveis mergulhar, e trabalhar sem almejar o resultado. Sede valentes e em seis meses vos tomareis perfeitos yoguis. Mas aqueles que tomam uni pouquinho disso e um tanto do restante, não progridem. De nada vale só o assistir a uma série de aulas. Aqueles que são cheios de tamas, ignorantes e inertes, cujas mentes jamais se fixam sobre qualquer idéia, que buscam sempre algo que os divirta, a religião e a filosofia são simples objetos de entretenimento.estes são os que não perseveram. Ouvem uma palestra, acham-na interessante, e depois vão para casa e se esquecem dela. Para obter sucesso é necessário tremenda perseverança, vontade extraordinária. “Beberei o oceano e à minha vontade as montanhas ruirão”, diz a alma perseverante. Enchei-vos dessa energia, dessa vontade. Trabalhai duro. E chegareis à meta.'

20110602

Porque o nome das posturas é em sânscrito?

Da mesma maneira como o francês é a língua internacional do ballet por conta da origem do ballet, o sânscrito é a língua internacional do Hatha Yoga por causa da origem do Hatha Yoga. Plié quer dizer dobrar, pas de bourrée quer dizer passo de troca, adho mukha svanaasana pode ser 'traduzido' como postura(=aasana) do cachorro(=svana) com o rosto(=mukha) para baixo(=adho).

O fato dos aasanas serem designados em sânscrito não tem nenhuma conotação religiosa.

Os nomes dos aasanas por vezes são 'traduzidos' com mais ou menos sucesso, o que nem sempre justifica a 'tradução'. Na dúvida, pergunte o que significa. Se prestar atenção, vai ver que as palavras se repetem, porque não é necessário um vocabulário muito extenso para dar nome para as centenas de aasanas.



20101105

Os caminhos para o Studio F

Hatha Yoga* no Studio F .
[Tudo novo, de novo! :-) ]

P.S.:
Foi super bom (sala maravilhosa!), mas acabooooouuuuuuuuuuu!

De minha parte, sigo praticando diariamente:
para ser praticante não é preciso dar aulas todos os dias,
porém,
para dar aulas é imprescindível praticar todos os dias.

20100929

Planetário (Questão de Opinião)

'Infelizmente é quase assim que me sinto nas aulas de Yoga, acho que nenhuma imagem conseguiu transmitir tão bem o desafio. É que ao contrário do que se julga, yoga não é simplesmente respirar e alongar uns músculos, não aquilo é verdadeiro desafio.' Croissant au Chocolat

Ilustração Denis Zilber

Como praticante e ensinante, costumo também dizer que as aulas/práticas de Hatha Yoga são diferentes de relaxar=abandonar, alongar preguiçosamente e forma ausente e respirar o tiquinho que a maior parte das pessoas está habituada (ou será viciada?).

Praticar é o desafio a todas as suas
crenças<=?=>crendices<=?=>paradigmas
físicos,
emocionais
e mentais.
Absolutamente diferente de tudo que o seu cabeção já provou.

20100801

DEUS ME LIVRE DE SER ИѲЯMAL

"Hermógenes: Deus Me Livre de Ser Normal"
Direção: Marcelo Buainain
Co-produção: Marcelo Buainain, Ginga Filmes
TV Universitária do Rio Grande do Norte
Fundação Padre Anchieta - TV Cultura











20100627

Intimidade e Propriocepção


Atenção constante, sem tensão é uma atitude que se busca manter viva durante a prática de āsanas.

Para a maioria dos seres humanos, é um exercício de:
1) Conhecer o que é essa atitude de atenção sem tensão;
2) Lidar com as sensações que ela abarca, ou embarcar no fluir de impressões sensoriais que a atenção constante e sem tensão faz jorrar.

Para muitos, o primeiro passo chega a ser excruciante, quer pela falta de intimidade de permanecer consigo em repouso ativo, quer pela negligência em aceitar a si mesmo, quer pelo vício da mente em estar hora agitada de mais ( chamado estado de vigília) e hora totalmente abandonada (estado dormido). Muitos desistem (de si mesmos) aqui.

Vivenciada a primeira etapa, vem o segundo 'desafio' para o inquieto homo sentatus: lidar com a aparente avalanche de sensações des-conhecidas que a atenção sem tensão nas partes do corpo provoca. Nem tanto é isso, é mais um desviar a mente de seus hábitos de pensar circular-repetido feito o cachorro que corre atrás do rabo, para um registrar-sentir presente: acordar com o corpo acordado.

Quem ultrapassa essa marca vivencia algo como um alvorecer, onde percepção de si mesmo se torna clara, da mesma maneira que as cores se tornam mais precisas conforme o sol se levanta no horizonte. E se re-conhece Humano.

 a.cor.dar
(lat accordare) vtd, vti e vint 1 Despertar alguém, interrompendo-lhe o sono.
vtd e vti 2 Animar, avivar.
vtd e vti 3 Entrar em acordo.



Imagem: http://www.yoga.pro.br

20100625

Concentração e Intimidade


"A meditação concentrada aumenta não apenas a capacidade vermos a vida com mais intensidade, como com maior aptidão para a intimidade. Muitas pessoas, quando a intimidade ou a intensidade de vida atinge um limiar que excede sua capacidade de sustentá-la ficam assustadas e retraem-se. Para fugir da intensidade de se sentir realmente próximo ou íntimo de outros, as pessoas em geral buscam um meio para embotar a sensibilidade ou liberar a carga de intensidade que se avolumou dentro delas. As estratégias para reduzir a sensibilidade incluem: embotar-se com nicotina, álcool ou comida em excesso; amortecer a sensibilidade física, carregando uma tensão excessiva ou aumentando de peso; ou manter-se ocupado, agitado e distraído. Algumas vezes, como uma maneira sutil de reduzir a carga de intensidade que cresce dentro de nós, respiramos pela boca em vez de pelo nariz. As estratégias comuns utilizadas para liberar a intensidade consistem em tornar-se inquieto — tamborilar ou bater com os pés, falar demais, contar piadas nervosamente ou buscar intensa descarga emocional ou sexual.

As práticas de meditação concentrada ou conscienciosa fortalecem a clareza e a paz mentais necessárias para se estar verdadeiramente presente, o que proporciona o surgimento de um senso de intimidade conosco e com os outros. A concentração nos ajuda não apenas a aumentar a capacidade de conexão e intimidade, mas a viver de uma maneira mais centrada, paciente, tolerante, atenciosa e compassiva."

Do livro 'O Poder da Meditação', de Joel e Michelle Levey, pag.80.


Na versão de uma praticante de Hatha Yoga pelo Método Iyengar associado a Bartenieff Fundamentals, Método Klauss Vianna, Cadeias Musculares, fica assim:

A pratica de āsanas amplia a capacidade de concentração em várias partes do corpo, até abranger cada estrutura e processo intracelular. A capacidade de concentração aumenta não apenas a capacidade vermos a vida com mais intensidade, como com maior aptidão para a intimidade. Muitas pessoas, quando a intimidade ou a intensidade de vida atinge um limiar que excede sua capacidade de sustentá-la ficam assustadas e retraem-se; já vi muito/as alunos na aula experimental ou iniciantes estranharem a intensidade de resposta sensorial do próprio corpo com a metodologia que uso para a prática de Hatha Yoga, se assustarem e irem embora fugindo da possibilidade de (re)viver . Para fugir da intensidade de se sentir realmente próximo ou íntimo de outros, as pessoas em geral buscam um meio para embotar a sensibilidade ou liberar a carga de intensidade que se avolumou dentro delas. As estratégias para reduzir a sensibilidade incluem: embotar-se com nicotina, álcool ou comida em excesso; amortecer a sensibilidade física, carregando uma tensão excessiva ou aumentando de peso; ou manter-se ocupado com atividades inúteis, agitado por emoções negativas e distraído com pensamentos recorrentes. Algumas vezes, como uma maneira sutil de reduzir a carga de intensidade que cresce dentro de nós, respiramos pela boca em vez de pelo nariz. As estratégias comuns utilizadas para liberar a intensidade consistem em tornar-se inquieto — tamborilar ou bater com os pés, falar demais, contar piadas nervosamente ou buscar intensa descarga emocional ou sexual.

A prática de āsanas concentrada ou conscienciosa fortalecem a clareza e a paz mentais necessárias para se estar verdadeiramente presente, o que proporciona o surgimento de um senso de intimidade conosco e com os outros. A concentração nos ajuda não apenas a aumentar a capacidade de conexão e intimidade, mas a viver de uma maneira mais centrada, paciente, tolerante, atenciosa e compassiva.


a.bran.ger
vtd 1 Abraçar, cingir.
vtd e vpr 2 Compreender(-se), encerrar(-se), incluir(-se).
 vtd 3 Abarcar.
vtd 4 Alcançar, chegar a.

20100521

Queridos,


Enquanto se sofre por antecipação, o cérebro continua mal-educado.
Um cérebro mal-educado tende a ser reativo, ocupado com rotinas que impedem a saúde, a criatividade, o contentamento, a liberdade.

Educar o cérebro passa pelo observar, para identificar antigos hábitos/vícios.
Educar o cérebro passa pelo especular, para questionar antigos hábitos/vícios.
Educar o cérebro passa pelo rigor, para desarmar antigos hábitos/vícios.

O jeito mais 'rápido'(=assertivo) de educar o cérebro que eu conheço é atraves da educação do corpo.
Tem vários nomes, um deles é o jeito Iyengar de práticar de Hatha Yoga.
Fica bem mais assertivo se junto com o método Iyengar acrescentamos* Bartenieff Fundamentals e Técnica de Klauss Vianna.

*a.cres.cen.tar (léxico)

(acrescer+entar) vtd 1 Ampliar, aumentar.

20100423

Respira

"Façam Savasana em Sarvangasana - vão aprofundando o nível da postura; não pensem em tempo na postura, mas sim em aprofundamento através da respiração; tomem consciência da respiração; façam inspirações e expirações longas, intervaladas de um ciclo de respiração normal; deixem que a respiração flua em ciclos de inspiração grande, expiração grande e ciclo normal. A respiração é como se fosse liquida e vai tomando a forma do corpo; o corpo tem agora função de recipiente. E tal como as crianças quando brincam, se têm um pequeno espaço para as suas brincadeiras, ficam limitadas a esse espaço, mas se tiverem um jardim grande para brincarem, então conseguem brincar muito mais e melhor. A respiração funciona da mesma forma."


Respiração - Aula de Prashantji, Outubro 2008

"Actualmente não temos paciência para aprender. A respiração em "super slow motion" é muito importante para observar a resposta do corpo. É preciso trabalhar nesta cultura em que não temos paciência para aprender."

Slow Motion - Prashantji, Outubro 2008, RIMYI




O que o Yoga e o Flamenco tem em comum?
Respira, pulsa, 'move' sem mover, distorce modifica o experimentar do Tempo.
O Êxtase (Samadhi <=> Duende).
Quem pensa não presta atenção <=> Se pensar, emperra.


20100309

Cri(s)e dos 7 anos: Klauss, Laban, Bartenieff & cia. no Hatha Yoga


Quem freqüenta as aulas comigo sabe o quanto eu valorizo a objetividade que a abordagem do Hatha Yoga pelo método Iyengar proporciona. Porém, existem outros métodos de estudo e análise do movimento que, se usados em acordo, transforma a precisão da navalha de aço do método Iyengar em exatidão de lâmina de obsidiana.

O iniciar na prática de Hatha Yoga pelo método Iyengar pode ser mais ou menos complicado (e quem complica, não explica. Quem não explica, afinal, sabe mesmo ou é decorado?), dependendo da abordagem (mais ou menos 'esotérica', ou hermética) que o professor escolha adotar, falando em anatomês do Iyengar, sem explicar para os novatos o que é o que. Claro, a calourada fica boiando, sem poder fazer do jeito correto, sem poder aprender de cara por inteiro. Nesta hora, conhecer a Técnica de Klauss Vianna ajuda a descomplicar o jeito de expor e descrever o movimento: Klauss ensina a falar do corpo em camadas profundas com todo tipo de gente, gente com qualquer nível de erudição, ajuda a despertar nas pessoas o interesse pelo que ocorre em seus corpos sob a pele, além do que a vista 'normal' alcança.

Praticar Hatha Yoga pelo método Iyengar requer um refinar sensório, e pode ser outro obstáculo ao aprendizado e, portanto, à associação de mais pessoas ao grupo. O conhecimento da Análise Laban em Movimento, do Sistema Laban-Bartenieff e de Bartenieff Fundamentals (salve, salve Fitz-Simon!) pode ajudar a dar conta de fornecer um repertório fundamentado na perscrutação de percepções bastante eficaz e uma excelente ferramenta de apoio ao método Iyengar. Laban e Bartenieff também auxiliam no momento de organizar as ações externas e internas que constroem a entrada, permanência e saída do āsana, bem como na eficácia do seqüênciamento das ações externas e internas das correções adequadas para cada pessoa.

Além disso, Bartenieff Fundamentals facilita a respiração durante o movimento, ajuda a manter a estabilidade pélvica (sem apertar a bunda, ooops, o glúteo, socar o púbis em qualquer direção desconexa e espremer a banda sacra) e a relação entre cintura pélvica e escapular que é fundamental na feitura dos āsanas e a conecção viva entre a parte superior e inferior do corpo e liberação da coluna do fardo (peso mesmo, carga) imposto pelo uso inadequado e descoordenado de braços e pernas.

20100302

Yoga ≠ Psico(análise ou terapia)


Tratamento psicoterápico é o que procura sanear (tornar sã) a mente, fundamentando-se na tese de que as condições de desequilíbrio, desarmonia, impureza e inquietude mentais são responsáveis pelos transtornos físicos. É tratamento comprovadamente eficaz. Sua eficácia demonstra a solidez da tese.

As escolas de psicologia do inconsciente, principalmente a psicanálise e a auto-análise, têm sido as que melhor atendem aos fins psicoterápicos. Têm sido as mais utilizadas pelos especialistas de todo o mundo.

Segundo elas, somos o que somos, fazemos o que fazemos, reagimos como reagimos, sofremos ou gozamos, temos nossas crises e nossos remansos e até mesmo pensamos e cremos, não de acordo com o nível conhecido da mente, mas sim movidos, manobrados e determinados pelas camadas mais profundas, das quais não temos conhecimento claro. Sendo a mente comparada a um iceberg, a parte aflorada, isto é, a mente consciente, é mínima e relativamente incapaz, enquanto a parte submersa, o inconsciente, tem poder incomparavelmente maior. A psicoterapia pela psicanálise e pela auto-análise - tão eficientes -, em linhas gerais, consiste em tornar conhecidos (passar para o consciente ou fazer aflorar) os conteúdos e condições inconscientes e profundos. Tais conteúdos e condições resultam de esquecidas experiências traumatizantes (predominantemente da infância), que, por sua natureza maléfica e poderosa, se expressam através do anômalo comportamento dos nervos e das glândulas endócrinas. Dizem os psiquiatras que a doença é a ‘somatização’ dos conflitos e traumas escondidos, isto é, sua expressão orgânica.

Feita uma faxina do inconsciente, isto é, expulsos de lá os conteúdos reconhecidos como deletérios, já tendo esses perdido o anterior poder perturbador, concretiza-se a cura ou libertação do neurótico. Esse processo de limpeza, vale dizer de desmascaramento do adversário escondido, de alívio de carga, de conscientização do ignoto, de extravasão, de elucidação e de catarse, muda a mente e, em conseqüência, rearmoniza, corrige e normaliza os mecanismos auto-reguladores do organismo, daí imediatamente redimirem-se os sintomas. Assim, o neurótico se redime do inferno em que vivia. Diz-se, também, que se corrige a desconfortante ‘linguagem visceral’.Em outras palavras, desfaz-se a ‘somatização’.

Quem estuda o Yoga em seus veneráveis textos originais surpreende, em seu aspecto psicológico, atualidade, riqueza e sutileza tão profundas que, não fora a linguagem velada, exótica e simbólica, pareceria obra dos mais refinados e modernos entendidos nos aspectos inconscientes da alma humana. Não tenho receio de concordar com autoridades no assunto e também afirmar que o Yoga é o ancestral comum de todas as modernas escolas de psicologia profunda.

Segundo a psicanalista francesa Maryse Choisy, o próprio Freud fundou a psicanálise em princípios yogiks, que lhe teriam chegado através de Arthur Schopenhauer, o filósofo ocidental que mais se inspirou nos clássicos do hinduísmo.

Não é diferente a opinião de Carl Gustav Jung, fundador de um dos mais importantes ramos da psicanálise, que diz: ‘A própria psicanálise, bem como as diretrizes de pensamento às quais deu origem e que são, na verdade, um desenvolvimento ocidental, são uma tentativa de principiantes, comparados com o que, no Oriente, constitui uma arte imortal’.

M. Bachelard considera o Yoga a "psicologia da verticalidade".

Realmente. Se a psicanálise, num mergulho, atinge o inconsciente e daí não passa, o Yoga, mediante uma experiência transcendente, chamada samadhi, fim e essência do processo yogik, diviniza o homem no deslumbramento superconsciente.

O objetivo do processo psicanalítico é a cura de um enfermo. O do Yoga é a redenção humana ou libertação (moksha) da alma individual (jiva).

A psicanálise tem por objeto de estudo a mente enferma. O Yoga estuda e considera o homem integral, isto é, o homem potencialidade do Divino, germe e promessa da Alma Universal, expressão do Absoluto em via de aperfeiçoamento e atualização.

Para o psicanalista ortodoxo, o inconsciente é um depósito de experiências dolorosas, um porão de escória reprimida pela convivência com a sociedade que não a aceita. O Yoga considera o inconsciente apenas uma zona da mente onde o consciente não chega, não sendo fatalmente de má qualidade, formado exclusivamente de negatividades recalcadas. O inconsciente tem, em si, também luzes, tendências, impressões, energias boas, potencialidade infinita e qualidades divinas.

Sendo uma psicologia do inconsciente, o Yoga explica a vida consciente, em parte, como conseqüência do inconsciente. Todas as nossas experiências, fatal e fielmente, são gravadas numa espécie de "fita de gravação", através de ininterrupta introjeção. O que introjetamos ou gravamos nos plásticos abismos do inconsciente são: vasanas (tendências, inclinações, impulsos, motivações...) e samskaras (impressões, representações, imagens, juízos...). Lá do fundo, esse conteúdo comanda o nosso comportamento dito voluntário e consciente; comanda o que somos, queremos, sentimos, dizemos, fazemos e pensamos.

Conforme as introjeções que fazemos no curso da vida, tal será nosso destino. Quem introjeta espinho, conseqüentemente será espetado. Essas noções de vasanas e samskaras dão uma explicação psicanalítica à conhecida Lei do Karma.

Assim esclarecidos, deveríamos, por interesse profilático, selecionar as impressões e tendências que introjetamos, com o mesmo critério com que um dietista escolheria sua refeição num cardápio, visando a que, nos dias de porvir, possam elas (as escolhidas) operar em proveito da saúde e não contra ela; em direção à liberdade e não à servidão; em prol de nossa felicidade e não em seu prejuízo.

A indiscriminada, inconsciente e indisciplinada introjeção de vasanas e samskaras polui, adoece, corrompe, perturba, vicia e infelicita a mente. O yogin, sabendo disso, procura acautelar-se. Evita fisicamente as que pode e, mentalmente, aquelas que, fisicamente, lhe são impostas pelo ambiente.

Seu cuidado não é apenas na área da higiene mental, mas também na fase da cura.

Nesse particular, em que consiste a cura?

Em depurar, liberar, aclarar e aprimorar o mental. O Ashtanga Yoga ou Yoga dos oito componentes, codificado pelo sábio Patañjali, é uma forma técnica de sanear a mente, não a mente que costumamos chamar de doente, mas a mente que costumamos chamar de normal e que, em verdade, é "normalmente" incapaz para a felicidade e para o alcance da Verdade.
Agitada como é, tecida de conflitivos desejos, encabrestada pelo egoísmo, sacudida de paixão, obcecada pelo irreal e condicionada a fatores múltiplos, o que chamamos de mente normal não deixa de ser, inclusive, um obstáculo para a percepção da Verdade. Essa só é possível quando a mente impura cessa de manifestar-se, isto é, quando emudecem seus vrittis (manifestações, fenômenos, movimentos, vacilações...). Levada a mente à plena quietude, ocorre a comunhão com o Infinito; dá-se o samadhi. Tal é o objetivo da ascese de Patañjali. Tal foi o caminho seguido e ensinado por S. João da Cruz.

As imperfeições mentais, que o método visa a remover, são:

  • mala, isto é, impureza, luxúria, ódio, cobiça...


  • vikshepa, ou seja, o estado de vacilação, agitação, insegurança, volubilidade...;


  • avarana, o véu de ignorância, que lhe dá miopia espiritual e limita o alcance e a percepção.



  • O yogin aprende com Patañjali como purificar, aquietar e iluminar sua mente.

    Segundo essa escola de Yoga, a cura mental liberta o homem das condições normais e enfermiças de sua personalidade, que são:

  • asmita (egoísmo);


  • raga (concupiscência ou apego);


  • dvesha (aversão);


  • abhinivesha (medo de morrer).



  • Tais defeitos de personalidade podem ser simultaneamente efeitos e causas das imperfeições do psiquismo.

    A psicoterapia comum visa a restituir à mente enferma e sofredora as condições caracterizadas como normais. O Yoga ajuda a atingir tais resultados, mas vai mais além. Seu objetivo final é dar à mente: pureza (suddha), transcendência (buddhi) e redenção total (mukti).

    Uma forma bem interessante de entender a ação yogaterápica no tratamento do nervoso já foi exposta páginas antes, quando expusemos a teoria dos gunas. Ali mostramos que a prática do Yoga, numa ação neuroanaléptica, levanta as forças do abatido ou astênico. Em termos de gunas, poderia ser dito que à mente tamásica a prática do Yoga acrescente rajas. Ao agitado indivíduo de mente rajásica, o Yoga sativiza, isto é, dá-lhe o equilíbrio, a harmonia e a serenidade sattwa.

    Até aqui estávamos vendo o Yoga como uma forma de psicanálise. No entanto, chegou o ponto em que vamos concluir que é exatamente a antítese da psicanálise, isto é, uma psicossíntese.

    Psicanálise, ao pé da letra, quer dizer análise, divisão, separação do todo em partes, da alma (psique). O Yoga, em sua conceituação essencial e ao mesmo tempo etimológica, é exatamente a antítese disso. Yoga vem da raiz sânscrita yuj, que quer dizer juntar, unir, reunir, unificar... Yoga une. Análise separa. Como doutrina e técnica psicológica, seria literalmente uma psicossíntese.

    Unificar a alma despedaçada é Yoga. Dar unidade e coerência à mente onde reina conflito é Yoga. É Yoga harmonizar os antagonismos psíquicos. É Yoga dar coerência à vida mental. Se a mente está doente, é porque vive como ?uma casa dividida contra si mesma?. Yogaterapia consiste em restaurar a paz interna. Se, em seu estado comum, a mente é fraca, é porque a dispersão a domina, dispersão que a esparrama estagnada como pântano ou a exaure em fluir multidirecional. O Yoga atua no sentido de dar-lhe a concentração necessária, conseqüentemente gerando poder, segurança, penetração, eqüanimidade, coerência, harmonia e bem-estar. Como psicossíntese, o Yoga reduz a fluidez e a dispersão.

    Em resumo, o Yoga é uma psicoterapia porque socorre o neurótico e o livra dos sofrimentos desde que:

  • harmoniza conflitos;


  • limpa o inconsciente de vásanás e samskáras nocivos, substituindo-os, através de introjeções - positivas, condizentes com a libertação e a realização espiritual;


  • unifica a vida mental, mediante harmonizar os vários níveis e as expressões da personalidade;


  • acrescente sattwa à mente rajásica, e rajas, à tamásica, isto é, dá sabedoria e tranqüilidade ao excitado e ânimo ao astênico; 


  • orienta a mente para os rumos do Divino; 


  • reduz o egoísmo, a concupiscência, o apego e o medo;


  • liberta de velhos e dominantes condicionamentos.



  • O prof. Oskar R. Schlag foi um dos discípulos diretos de Freud, condiscípulo do grande Jung e amigo de E. Fromm. Com ele mantive amigável palestra, lastimavelmente curta demais. Ensina Yoga na Universidade de Zurich (Institut fuer Angewandte Psychologie). Para ele, o Yoga é muito mais do que a psicanálise como caminho redentor. Em conferência, em 1952, opinava: "Yoga é algo essencialmente prático para chegar-se a um fim (objetivo). Que fim é esse? A libertação. Libertação de quê? A libertação de uma situação que Freud denominou ?o encargo incômodo da nossa civilização?... Você mesmo é a fonte de todo o incômodo da nossa civilização. Dentro de você se encontra tudo aquilo contra o quê você protesta e do qual deseja se libertar".

    Aos estudiosos de Yoga como psicoterapia e em especial aos psicanalistas, indico principalmente dois livros: Western Psychoterapy and Hindu-sádhana, de Jacobs, Hans (George Allen & Unwin Ltd., Londres) e Yogas et Psychanalyse, da eminente psicanalista católica Maryse Choisy (Collection Action et Pensée aux Éditions du Mont-Blanc; Genève, Suíça). Para esta, "o Raja Yoga é o mais admirável tratado dos fatos interiores que o homem concebeu".

    José Hermógenes, no livro ‘Yoga para Nervosos’ , pags. 94 até 99.

    20100227

    Yoga = Dança (ou quase)

    A foto é bacana, porém...
    Se olhar bem vai ver uma variedade de joelhos de vários donos ultrapassando a linha perpendicular da frente do tornozelo (perna direita de quem faz) nessa variação menos veemente de Utthita Parsvakonāsana (Postura do Alongamento Lateral Intenso) + a dupla descoordenada joelho desalinhado com o dedão do pé.
    Uma fábrica de moer joelhos.

    20100226

    Acessórios para prática


    Onde encontrar os acessórios?

    Antes do onde, tem de verificar a qualidade do acessório, se o bloco fica e não 'entorta' ou cede com o peso, se o tapete escorrega antes de começar a suar. Acessórios confiáveis favorecem a vontade de praticar.

    A cadeira deve ser equilibrada e pode ser adaptada em casa, com as devidas atitudes preventivas:

    O cinto pode ser feito em casa, com 3,5m de alça de algodão para bolsa com 25mm a 35mm de largura e um regulador de metal proporcional, costurando o regulador em uma ponta e dobrando e costurando a outra ponta. (Talvez seja possível fazer a mesma coisa com cola de contato, alguém quer testar?)

    20100113

    O mundo sem ninguém


    Perguntas recorrentes que as pessoas me fazem e que começa assim:

    Tem certeza que eu posso ir praticar Hatha Yoga sem atrapalhar a aula pois eu :

  • sou hipertenso(a).
  • sou hipotenso(a).
  • sou cardíaco.(a)
  • meu corpo é rígido, tenho pouco alongamento.
  • tenho pouca ou nenhuma força muscular.
  • tenho muita força muscular e é difícil descontrair.
  • sofro de incontinência urinária.
  • tenho parafusos fixando minhas vértebras, na coluna.
  • tenho convulsões.
  • tenho epilepsia.
  • tenho a coluna bichada (bico de papagaio, pinçamento de vértebra, ect...)
  • estou deprimido(a).
  • não consigo ficar quieto(a), não consigo me concentrar.
  • não consigo ficar quieto(a), não consigo ficar parado(a).
  • tenho hemorróidas.
  • estou acima do peso.
  • tenho síndrome do pânico.
  • tenho ataques de síndrome do pânico durante as aulas.
  • tenho manias.
  • tenho hérnia (inguinal, umbilical, de disco)

  • (Passe por aqui mais vezes, essa lista com certeza vai aumentar. )

    SIM, você pode praticar, pode se juntar aos bons.
    É bacana (e necessário) que você me informe seu estado de saúde (física,emocional, mental) na estrevista antes da aula experimental; ou, se é aluno regular, me conte os achados, as novidades.

    Se você tem dúvidas, não sabe, nunca experimentou ou sentiu como é uma prática de Hatha Yoga apoiada no método Iyengar. Se suas dúvidas são de cunho medicinal, visite os posts daqui do blog marcados por medicina, pesquise no Google:Yoga medicina Iyengar.

    Hatha Yoga é uma prática abrangente, que raros conseguem desvendar de uma única vez, ao fazer a aula experimental. Para a maioria, recomenda-se 3 meses de prática ao menos 2 vezes por semana, para poder formar uma opinião inicial, começar a perceber se a minha pegada do Yoga é boa para você.

    Se você frequenta as aulas e pratica, esse tipo de dúvida pode ser a voz da sua preguiça te dando uma desculpa, procurando uma 'explicação razoável' para você continuar assim como está. (Se assim tá 'gostoso', por que é que você se sente incomodado(a)?) . Ou, pode ser 'falta de tempo', e como lembrou a colega de uma @-lista, 'como diz o dito popular, falta de tempo é a desculpa dos que perdem tempo por falta de método...'

    A preguiça é a única doença do ser humano que não tem cura, e segundo alguns, é a doença que leva as pessoas mais cedo para morar no cemitério.

    20091014

    aulas de yoga para cadeirantes


    Yoga: uma prática compassiva
    Estúdio em Cena oferece aulas de yoga para cadeirantes

    Por Kelly Juste,
    fotos Rapha Bathe
    Com a intenção de democratizar o seu espaço, a Estúdio em Cena também oferece aulas de yoga para cadeirantes – pessoas que usam cadeiras de rodas. O objetivo é mostrar que estar em uma cadeira de rodas não é motivo para pensar na impossibilidade de levar uma vida normal. É verdade que os primeiros momentos de adaptação não são dos mais simples, e que as barreiras arquitetônicas emperram um pouco o processo. De qualquer forma, é necessário ter a convicção de que existem sim formas de seguir adiante. E tudo fica mais fácil na medida em que a inclusão passa a orientar todos os setores da sociedade.

    A dinâmica de uma aula de yoga para cadeirante é a mesma. Aliás, de acordo com a professora de Hatha Yoga, Maria Fernanda Senger, é fundamental não fazer uma distinção entre os alunos. “As minhas turmas são mistas. E é dessa forma que tanto os andantes, como os cadeirantes, podem aprender um do outro. Fica mais fácil para cada um deles entender melhor os movimentos”.

    Existem duas maneiras principais de conduzir a aula. Uma delas é com o cadeirante deitado no chão. Nessa posição ele passa a imitar os gestos das posturas que o professor está fazendo em pé. A outra forma é utilizando a própria cadeira de rodas, mas ele deve estar preso a um cinto para não haver o risco de cair. Dos dois modos é importante, quando necessário, que o cadeirante conte com o auxílio de um acompanhante, o que o ajudará a executar todas as posturas. “O cadeirante pode ser movido por um colega, mas eu estou sempre supervisionando. É fundamental que o professor esteja muito atento a tudo que o aluno esteja fazendo e sentindo”, orienta MaFê, como é conhecida a professora.


    Apesar de muitos professores criticarem o uso de acessórios, como cintos, blocos, cadeiras, cobertores e bancos, eles acabam sendo fundamentais. Para os cadeirantes, essa é uma maneira dele ganhar mais confiança na hora de fazer as posturas. “Em uma postura como o Virabhadrāsana, por exemplo, o aluno precisa se deslocar para a ponta da sua cadeira de rodas. E para não existir o risco dele cair, é colocado um cinto para segurá-lo. Assim, ele consegue flexionar o joelho da perna da frente e deixar a detrás estendida”, exemplifica MaFê. E o mesmo se aplica aos andantes, já que os limites de cada um varia. “Utilizar acessórios é uma maneira de democratizar o yoga. É sinal de inteligência e não de preguiça ou falta de capacidade. É sinal de que você quer aproveitar o melhor de cada postura”, completa.

    E como o yoga é uma prática democrática, os benefícios que ele proporciona são praticamente os mesmos que os disponibilizados a todos. Por isso, andantes e cadeirantes observam uma diminuição das tensões do corpo, dos distúrbios do humor, como depressão e ansiedade, e com a constância chegam a sentir o benefício de uma mente pacificada, o que significa menos pensamentos por unidade de tempo.

    Também vale destacar que a aula em grupo contribui para a socialização e a alteridade do cadeirante. Além disso, o yoga lhe oferece um repertório de movimentos novos, o que auxilia a prevenir a formação de coágulos sanguíneos, e os machucados na pele, pelo fato de parte do seu corpo estar ‘sempre’ na mesma posição. O movimento pode permitir o equilíbrio do tônus muscular, diminuindo a espasticidade - aumento do tônus muscular, no momento da contração, causado por uma condição neurológica anormal. Os músculos espásticos são mais resistentes à contração do que os músculos normais e também custam mais a se relaxar, permanecendo contraídos por um período de tempo mais longo do que os músculos normais.

    Ao colocar em movimento as partes do seu corpo que estão paralisadas, o cadeirante começa a trabalhar de forma mais eficiente o seu organismo, mas essa percepção depende muito de sua sensibilidade. “Um corpo parado engessa a matriz nutricional que existe entre as células e por isso o metabolismo não consegue eliminar o ‘lixo’ produzido pelo nosso corpo, nem absorver os nutrientes. Quando você movimenta o seu corpo, a matriz entre as células amolece, o que permite que essas trocas sejam feitas. É isso que leva saúde para o nosso organismo, a partir do nível da célula”, detalha MaFê.

    Na medida em que o cadeirante inclui a prática do yoga em sua rotina, ele passa a ter uma percepção mais refinada de si mesmo e da relação com o mundo ao seu redor. Cada pessoa, e isso não se restringe aos cadeirantes, tem um tempo para organizar a sua propriocepção. É uma tarefa delicada, que exige paciência. “Vão existir aulas boas e ruins, porque é um processo, no qual você precisa de um tempo para entender a organização interna do seu corpo. Você não vai à aula para julgar, ser julgado, nem copiar, nem fazer nada alucinadamente. Precisa primeiro sentir, entender, prestar atenção, antes de fazer”, finaliza Maria Fernanda.


    Horários

    Hatha Yoga para Deficientes blogado no UOL

    A inclusão de alunos cadeirantes foi anotada no blog do Jairo Marques,
    Assim como você.

    Clique aqui, leia lá...

    20091004

    Síndrome do Pânico

    O que é, perguntas e respostas, por um psiquiatra.


    (você não enlouqueceu, o vídeo está com a imagem atrasada em relação ao som.)



    A prática de Hatha Yoga pode ajudar conforme já mostrado pela declaração do Dr. Ricardo Monezi Julião de Oliveira, professor do curso de pós graduação em Medicina Comportamental, do departamento de Psicobiologia da UNFESP no post 'antigo' 'Pesquisa da UNIFESP sobre os benefícios do Yoga':

    “O Yoga incentiva os praticantes a tomarem consciência de seu corpo e de suas tensões através de posturas físicas. Além disso, por focar o autoconhecimento, concentração e meditação, sua prática também pode contribuir para facilitar a autoconfiança e um sentimento pessoal de maior senso de controle e qualidade de vida”.

    Isso!
    Identificações das tensões e de seus reflexos no corpo, nas emoções e na mente (acelerações, excitações), para, depois da identificação, aprendermos o caminho de diminuir a excitação através dos āsanas/posturas. Passamos de estranhos a nós mesmo e por vezes, auto-sabotadores a nossos verdadeiros colaboradores.

    Nos casos de patologias comportamentais, o professor de Hatha Yoga que conhece, pratica e divulga o Método Iyengar tem condição privilegiada de indicar uma ou mais āsanas/posturas que contribuirão em trazer a pessoa de volta à coordenação de suas funções mentais e psicofísicas.

    Mas atenção, somente um médico competente pode receitar ou retirar os medicamentos. Praticar Hatha Yoga não exime de continuar com sua prescrição medicamentosa.