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20111211

Como a Mente Funciona?


A Mente funciona por meio de ondas elétricas sutis. Isso já foi comprovado em função de pesquisas científicas que dizem que a mente funciona em quatro estados:

1. A Mente Beta: esta é a mente em estado de vigília, e perfaz de dezoito a trinta ciclos por segundo. Quando você está acordado e realizando atividades, você se acha no estado beta.

2. A Mente Alpha: quando você está apenas relaxando, num estado de não atividade, não fazendo nada especificamente, apenas ouvindo música ou meditando, a atividade da mente se torna mais lenta e apresenta entre catorze e dezoito ciclos por segundo. Quando você está acordado, mas passivo, desperto, mas não muito alerta, num estado de profundo relaxamento, em que os pensamentos não estão em agitação, mas apenas fluem tranquilamente, você vive o estado alpha.

3. A Mente Theta: quando a atividade é ainda mais lenta, a mente funciona entre oito a catorze ciclos por segundo. É quando você está dormindo. Num estado de profunda meditação ou no Rebirthing, você se encontra nesse estado, isto é, passa do estado alpha para o theta. Mas isso acontece apenas em estados bastante profundos, quando você começa a "tocar" esse terceiro estado em que se sente bem-aventurado. O que os drogados ou bêbados tentam alcançar é esse estado de bem-aventurança, mas o estado theta nunca é alcançado por meio do álcool nem das drogas, porque há necessidade de total alerta, e vícios NUNCA nos deixam alertas ou conscientes — apenas passivos, mas não alertas; o estado theta só é alcançado parcialmente, pois a bem-aventurança não é desfrutada, e o momento é perdido. Assim, você busca o caminho errado tentando chegar a esse estado por meio de efeitos químicos. Bem-aventurança só se consegue quando se chega ao estado theta completamente alerta e consciente. Diminuindo a atividade da mente e permanecendo totalmente alerta, você poderá facilmente chegar a esse estado.

4. A Mente Delta: quando a atividade da mente é ainda mais profunda e lenta, essa mente apresenta de zero a quatro ciclos por segundo. E quando ela quase não funciona, e há momentos em que pode atingir o ponto zero, em absoluta tranquilidade; esse é o estado em que nem mesmo quando você vai dormir sua mente está parada, estado em que nem mesmo os sonhos funcionam. Este é o estado que os budistas, os hindus ou os yogues chamam de Samadhi. Patanjali, o criador do Yoga, define esse estado delta ou samadhi como um sono com consciência, alerta. A consciência precisa estar presente para ser um estado delta. No Ocidente, a princípio, acreditava-se que esse estado fosse impossível, porém houve um indiano iluminado que foi submetido a testes de EEG (eletroencefalograma) durante sua meditação, e registrou-se que a atividade da mente havia cessado, e traços de ondas foram observados enquanto ele dormia, tudo porque ele estava em profunda meditação, parecendo dormir, ainda que estivesse em total alerta, o que foi comprovado também por ele ter relatado tudo o que ouviu ao seu redor durante o processo. Em alguma parte do seu Ser ou Centro, o corpo permanece em sono ou dormindo, enquanto você permanece perfeitamente consciente — esse é o estado delta. Com a prática constante da meditação, você poderá atingir esse estado delta, e por meio da prática diária do Rebirthing, que é uma espécie de meditação profunda, e da auto-análise, você chegará ao estado delta em totalidade; por isso, dizemos que o Rebirthing é trazer Deus para dentro de si mesmo.

Somos multipsíquicos, isto é, temos muitas mentes em união — uma mente com muitas mentes —, muitas mentes de uma só mente. Temos um só coração e muitas mentes — observe como elas mudam constantemente. Num momento, a mente está cheia de crenças, em outro, está cheia de dúvidas e em outro ainda está cheia de crenças de novo. Às vezes está cheia de amor, outras de raiva. Comece a observar quantas mentes operam em você: uma hora, você pensa que não vai mais fumar, em outro momento, está comprando um pacote de cigarros.

Unmani & Nishkam, 'Rebirthing "o novo yoga" ',pag 44 e 45.

20111006

Pratyahara e Dharana

Esta postagem é um capítulo da obra Raja Yoga - O Caminho Real.
Também pode ser encontrado aqui.

Negritos e caixas altas são minhas intromissões.

'A etapa seguinte é chamada pratyahara. Que é pratyahara? Sabemos como nascem as percepções. Em primeiro lugar há os instrumentos externos, depois os órgãos internos, funcionando no corpo através dos centros cerebrais, e por último, a mente. Quando todos se juntam e se ligam a algum objeto externo, então, percebemo-lo. Ao mesmo tempo, é bastante difícil concentrar a mente e ligá-la a apenas um órgão; a mente é a escrava de objetos físicos.

Costumamos ouvir: “Sede bons”, “Sede bons”, “Sede bons”, que todo o mundo ensina. Não há criança em qualquer pais que seja. que não tenha sido ensinada: “Não roubes”, “Não mintas”; mas ninguém ensina à criança como evitar o roubo ou a mentira. Falar-lhe apenas não basta. Por que não se torna ela um ladrão? Não lhe ensinamos como não roubar; simplesmente dizemos: “Não roubes”. Só quando lhe ensinarmos a controlar sua mente, realmente ajudamo-la.

Todas as ações, internas e externas, ocorrem quando a mente se liga a determinados centros, chamados órgãos. Querendo ou não, as pessoas juntam suas mentes aos centros. Essa, a razão por que cometem ações tolas e sentem-se infelizes. Porém, se tivessem a mente sob controle, não agiriam assim. Qual seria o resultado de controlar-se a mente? Seria o de evitar que ela ficasse ligada aos centros de percepção, e, naturalmente, o sentir e o querer estariam sob controle. E’ claro até aqui. Mas, isto é possível? Certamente que sim; vemo-lo praticado nos tempos atuais. Os curadores pela fé ensinam as pessoas a negarem a desgraça, a dor e o mal. Sua filosofia é um tanto vaga, porém, de uma ou outra forma, tropeçaram numa parte da yoga. Onde conseguem obter que uma pessoa se desembarace do sofrimento, negando-o, realmente utilizam uma parte de pratyahara, pois tornam a mente da pessoa, forte bastante para ignorar os sentidos. Os hipnotizadores, de maneira similar, por sua sugestão, provocam no paciente, por certo tempo uma espécie de pratyahara mórbido. A sugestão pseudo-hipnótica age somente sobre a mente fraca; e a menos que o operador, por meio de olhar fixo ou algo parecido, tenha conseguido colocar a mente do paciente numa espécie de condição mórbida, passiva, suas sugestões jamais conseguem qualquer resultado.

O controle temporário dos centros de um paciente, feito por um hipnotizador ou por um curador pela fé, é repreensível, porque conduz à ruína inevitável. Não se trata realmente de controlar os centros nervosos pelo poder do livre-arbítrio do paciente, mas sim, entorpecer-lhe a mente, por algum tempo, graças a golpes súbitos que a vontade de outrem lhe desfecha. É corno, para refrear a louca corrida de uma fogosa parelha, ao invés de utilizar as rédeas e a força muscular, pedir a outra pessoa que desfeche fortes golpes na cabeça dos animais, a fim de, tonteando-os, torná-los dóceis durante certo tempo. Em cada uma dessas atuações, a pessoa, sobre a qual se trabalha, perde parte de suas energias mentais, até que sua mente, ao invés de obter a faculdade de controle perfeito, torna- se em massa informe, impotente, e o paciente termina num asilo de loucos.

Toda tentativa de controle, não-voluntário, feita sem a vontade do indivíduo, não apenas é desastrosa mas também engana seu próprio objetivo. O fim de toda alma é a liberdade, o domínio – liberdade da escravidão da matéria e do pensamento, domínio da :natureza externa e interna. Em lugar de conduzir a esse resultado, toda corrente de vontade de outra pessoa, sob qualquer forma, controlando diretamente os órgãos ou forçando a que sejam controlados sob condições mórbidas, apenas forja mais um elo à pesada cadeia, já existente, da servidão das ações e superstições passadas. Portanto, cuidado, quando vos permitirdes a ação de outras pessoas sobre vós. Cuidado como, sem o saber, levais outras pessoas à ruína. Verdadeiramente alguns conseguem fazer o bem a muitos, por um certo tempo, dando novo caminho às suas propensões; mas levam, simultaneamente, a ruína a milhões, por sugestões inconscientes que semeiam a seu redor, despertando nos homens e mulheres aquela condição mórbida, passiva, hipnótica, que os torna, finalmente, quase despidos de alma.

Aquele que pede a outros que o creiam cegamente, ou que arrasta as pessoas atrás de si pelo poder controlador de sua vontade mais forte, ofende a Humanidade, ainda que o não pretenda. Usai, portanto, a mente, controlai corpo e mente, vós mesmos, e lembrai-vos que a menos de serdes enfermos, nenhuma vontade estranha poderá agir sobre vós. Evitai todos, grandes ou bons, que vos pedem crença cega.

Por todo mundo existiram seitas de danças, de pulos e uivos, cuja influência se espalha como infecção, conforme cantam, dançam e pregam; também elas são espécies de hipnotismo. Exercitam singular controle, durante certo tempo, sobre as pessoas sensitivas – mas por desgraça, acabam freqüentemente fazendo degenerar raças inteiras. Sim, é mais saudável para o indivíduo ou para a raça, permanecerem perversos, do que se tornarem aparentemente bons por um controle tão mórbido e esquisito. Dói-nos o coração pensar quanto mal é feito à Humanidade por tais fanáticos religiosos irresponsáveis, animados todavia de boas intenções. Não sabem que as mentes que sofrem brusca reviravolta espiritual sob suas sugestões, com música e rezas, vão simplesmente se tornando mórbidas, passivas, impotentes e vulneráveis a quaisquer outras sugestões, por piores que sejam. Mal sonham essas pessoas, ignorantes e enganadas, que enquanto se felicitam pelo poder miraculoso de transformar os corações humanos, cujo poder, pensam, foi-lhes outorgado por algum Ser acima das nuvens, estão semeando futura decadência, crime, loucura e morte. Portanto, acautelai-vos de tudo que vos despoja da liberdade. Sabei que é perigoso e evitai-o, por todos os meios possíveis.

Aquele que pôde, à vontade, ligar ou tirar sua mente dos diferentes centros, obteve êxito em pratyahara, palavra cujo significado é “acumular para o futuro”, refrear a capacidade dispersiva da mente, libertá-la do domínio dos sentidos. Quando o conseguirmos, teremos realmente formado nosso caráter, teremos feito um longo estirão na trilha da liberdade; enquanto isso, somos meras máquinas.

Quão árduo é controlar a mente! Bem foi ela comparada ao macaquinho maluco, da história. Havia um macaquinho, inquieto por sua própria natureza, como todos os macacos. Como se não bastasse isso, alguém o fez beber bastante vinho, de forma que se tornou ainda mais irrequieto. Então, um escorpião o ferrou. Quando uma pessoa é ferrada por um escorpião, salta de dor durante todo um dia, O pobre macaquinho sentiu-se absolutamente miserável. E para completar sua desgraça, um demônio o possuiu. Que palavras podem descrever a sua incontrolável inquietação? A mente humana assemelha-se ao macaquinho. Incessantemente ativa por sua própria natureza, embriaga-se com o vinho do desejo, que lhe aumenta a turbulência. Depois que o desejo apoderou-se dela, vem o ferrão do escorpião do ciúme pelo sucesso dos outros; e por fim o demônio do orgulho instala-se na mente, fazendo-a atribuir-se muita importância. Quão árduo o controle da mente!

Portanto, a primeira lição é sentar-se por um tempo e deixar vagar a mente. Ela está em efervescência durante a maior parte do tempo. Assemelha-se àquele saltitante macaquinho. Que o macaco salte quanto queira; simplesmente esperai e observai. Conhecimento é poder, diz o provérbio, e é verdadeiro. A menos que se saiba o que a mente está fazendo, não se a pode controlar. Entregai-lhe as rédeas, talvez surjam muitos terríveis pensamentos; ficareis admirados ao ver que é possível ter tais pensamentos; mas encontrareis que a cada dia que passa, as divagações da mente serão menos violentas, que gradualmente ela se vai tornando mais tranqüila. Nos primeiros meses notareis na mente uma infinidade de pensamentos; depois, que vão diminuindo e que em mais alguns meses serão bem poucos, até que, por fim, a mente estará sob perfeito controle. Mas deveis praticar pacientemente, dia a dia, Enquanto há vapor, a locomotiva corre; enquanto as coisas existem perante nós, percebemo-las. Da mesma forma uma pessoa, para provar que não é uma máquina, deve demonstrar que não está sub- missa a nenhum domínio. Controlar a mente e não permitir que ela se ligue aos centros, é pratyahara. Como consegui-lo? É um trabalho imenso; não pode ser feito num dia. Somente pelo esforço contínuo, paciente, durante anos, teremos êxito.

Depois de praticardes pratyahara por algum tempo, dai o passo seguinte, dharana, que consiste em fixar a mente em certos pontos. Que significa fixar a mente em certos pontos? Obrigá-la a sentir certas partes do corpo, com exclusão de outras. Tentai, por exemplo, sentir somente a mão. Quando chitta, ou estofo mental, está confinado e limitado a um certo local, temos dharana. Dharana é de várias espécies, e simultaneamente com sua prática, deve-se dar livre curso à imaginação. Por exemplo, levemos a mente a pensar sobre um ponto no coração, o que é muito difícil. É mais fácil imaginar que ali existe um lótus efulgente de luz. Fixai a mente sobre ele. Ou então, pensai em um lótus cheio de luz, no cérebro ou nos diferente centros, já mencionados, do Sushumna.

O yogui precisa praticar sempre. Deve tentar viver só; a companhia de diferentes espécies de pessoas distrai a mente. Não deve falar muito, porque a fala distrai a mente; não deve trabalhar muito, porque muito trabalho distrai a mente; a mente não pode ser controlada depois de um dia inteiro de trabalho árduo. Só observando essas regras podemos nos tornar yoguis.

Tão grande é o poder da yoga que mesmo uma prática muito pequena traz-nos imenso benefício. A ninguém prejudica, todos serão beneficiados. Em primeiro lugar fará diminuir o excitamento nervoso, trará paz, capacitando-nos a ver mais claramente as coisas. Temperamento e saúde se tornarão melhores. Ótima saúde será um dos primeiros sinais, assim como uma bela voz. Os defeitos da voz serão corrigidos. São estes alguns dos muitos efeitos que advirão. Os que praticarem bastante e intensamente conhecerão outros sinais. Haverá sons, como uma porção de sinos soando à distância, aproximando-se e se fazendo sentir de forma contínua ao ouvido. As vezes, ver-se-ão coisas – pequenas réstias de luz flutuando e aumentando; e quando tais coisas aparecerem, sabei que progredis, rapidamente. Aqueles que desejam ser yoguis e praticar muito, devem, no início, cuidar de sua dieta. Mas os que desejam apenas uma pequena prática para uma vida diária de negócios – que não comam muito; de outra forma, podem comer o que lhes agradar.

 Para os que desejam progredir rapidamente e praticar muito, é absolutamente indispensável uma estrita dieta. Encontrarão vantajoso viver apenas de leite e cereais, por alguns meses. À medida que a organização geral do corpo se torna mais fina, notar-se-á que a mínima irregularidade pode romper o equilíbrio. Um pedacinho de comida a mais, ou a menos, prejudicará todo o sistema, até que se obtenha perfeito controle e se possa comer o que se deseja. Quando uma pessoa começa a se concentrar, a queda de um simples alfinete soará, no cérebro, como um estrondo. Os órgãos vão se tornando mais finos e também as percepções. Estes, os estágios através dos quais temos de passar. Todos aqueles que perseveram, obtêm resultado. Abandonai toda discussão e outras distrações. O que pode haver em uma querela intelectual seca? Só tira a mente de seu equilíbrio e a prejudica. As coisas dos planos mais sutis devem ser realizadas. A mera conversa poderá consegui-lo? Abandonai toda conversa fútil. Lede somente livros escritos por pessoas que tiveram experiências espirituais.

Sede como a ostra que produz a pérola. Unia linda fábula hindu diz que, quando uma gota de chuva cai numa ostra, estando a estrela Swati no ascendente, aquela gota se torna em pérola. As ostras sabem disso; vêm então à superfície quando surge a estrela e aguardam as gotas preciosas. Quando uma gota cai dentro delas, fecham rapidamente as carapaças e mergulham, para o fundo do mar, onde pacientemente transformam a gota em pérola. Deveis ser assim. Primeiro ouvi, depois entendei, e deixando de lado toda distração, cerrai vossas mentes às influências externas e dedicai-vos a desenvolver a verdade dentro de vós. Há o perigo de desperdiçar as energias pelo fato de tomar uma idéia só pela sua novidade, abandonando-a por outra mais nova. Tomai uma coisa seriamente, segui-a, ide até o fim e enquanto não o fizerdes, não a abandoneis. Aquele que pode se tornar louco com uma idéia, verá a luz. Aqueles que apanham uma migalha aqui, outra ali, nunca chegarão a nada. Podem excitar seus nervos uni momento, mas param aí. Serão escravos nas mãos da natureza e nunca irão além dos sentidos.

Os que realmente desejam ser yoguis devem renunciar, urna vez por todas, esse mendigar de coisas. Apoderai-vos de uma idéia; fazei dela a vossa vida, pensai nela, sonhai com ela, vivei dela. Que cérebro, músculos, nervos, cada parte de vosso corpo se encha dessa idéia. Deixai de lado toda as outras. Eis o caminho do sucesso, o único que constrói gigantes espirituais. Outros são meros gramofones. Se realmente queremos ser abençoados e tornar os outros abençoados, devemos ir mais fundo.

O primeiro passo é não perturbar a mente, não nos ligarmos a pessoas cujas idéias possam nos inquietar. Todos sabeis que certas pessoas, certos lugares, certos alimentos, vos repugnam. Evitai-os; os que desejam realizar o mais elevado devem evitar companhia, boa ou má. Praticai firmes; se viveis ou morreis, tanto faz, Deveis mergulhar, e trabalhar sem almejar o resultado. Sede valentes e em seis meses vos tomareis perfeitos yoguis. Mas aqueles que tomam uni pouquinho disso e um tanto do restante, não progridem. De nada vale só o assistir a uma série de aulas. Aqueles que são cheios de tamas, ignorantes e inertes, cujas mentes jamais se fixam sobre qualquer idéia, que buscam sempre algo que os divirta, a religião e a filosofia são simples objetos de entretenimento.estes são os que não perseveram. Ouvem uma palestra, acham-na interessante, e depois vão para casa e se esquecem dela. Para obter sucesso é necessário tremenda perseverança, vontade extraordinária. “Beberei o oceano e à minha vontade as montanhas ruirão”, diz a alma perseverante. Enchei-vos dessa energia, dessa vontade. Trabalhai duro. E chegareis à meta.'

20110608

Afinal, que Yoga é essa? É Raja ou Hatha?


Raja Yoga é a pratica de Yoga que segue os 8 princípios do Yogas Sutras de Patañjali.

“Normalmente se acredita que o Rája Yoga e o Hatha Yoga são coisas inteiramente distintas, diferentes e opostas, que os Yoga Sútras de Pátañjali lidam com a disciplina espiritual e que o Hatha Yoga Prádipiká de Swátmáráma lida somente com a disciplina física. Não é assim, pois o Hatha Yoga e o Rája Yoga se complementam e formam uma única aproximação em direção a Libertação. Assim como um alpinista precisa de escada, corda, ganchos, preparo físico e disciplina para subir os picos gelados dos Hilamayas, o aspirante ao yoga precisa do conhecimento e disciplina do Hatha Yoga de Swátmáráma para alcançar as alturas do Rája Yoga considerados por Pátañjali.”( Iyengar, Light on Yoga).


O chamado Hatha Yoga usa como ferramenta principal para a conquista dos 8 passos do Raja Yoga proposto por Patañjali o corpo e suas funções (sentidos, mente) como meio ou o laboratório de práticas para vivenciar as experiência da coordenação dos sentidos e da mente, e através destas experiências, obter integralidade, autoconhecimento, consciência, tranquilidade. 

O corpo deixa de ser obstáculo, vilão para se tornar o precioso instrumento de  pesquisa e  de redenção.

A introdução aos 8 passos propostos no Yoga Sutras através da prática do Hatha Yoga é feita através dos aasanas, e as práticas prioritárias durante as aulas estão diretamente relacionadas com atividades corporais: aasanas , praanaayaamas e eventualmente, alguns kriyas.

Em algumas metodologias, como na aplicação do método Iyengar, execução do aasana é proposta como uma forma de meditação:
''... Normalmente a mente está mais perto do corpo e dos órgãos densos da ação e da percepção do que da alma. A medida que os asanas são refinados, automaticamente tornam-se meditativos, pois a inteligência é feita para penetrar em direção ao cerne do ser. Cada asana possui cinco funções para executar, que são: conativo (tendência consciente para atuar), cognitiva, mental, intelectual e espiritual.....''(Iyengar)


Apenas por isso é chamado de Hatha Yoga, para ficar explícito que o meio escolhido para obter os resultados tem foco no condicionamento do corpo e no descondicionamento da mente. Em absoluto significa que o único passo ensinado são as posturas, e que aprática se resume somente aos aasanas.

Por que a enfase no corpo?
Porque um corpo que dói por estar doente, ou por não ter a flexibilidade para ficar sentado ou o tônus para sustentar a coluna alinhada e alongada sem apertar ou puxar por um período de tempo costuma atrapalhar ou impedir o sucesso na hora de seguir em direção aos 4 passos 'íntimos ou internos', sugeridos por Patãnjali (Prathyahara, Dhaarana, Dhyana e Samadhi). Resumindo bem, a meditação vai para o beleléu.

Para ficar Raja seguindo o caminho proposto por Patañjali é preciso estar atento e forte (Hatha).

20110605

Profundidade

A prática de Hatha Yoga compreende a prática dos 8 'passos' do Yoga definidos nos Yoga Sutras.
É esta maneira de praticar que faz com que a prática de aasanas não seja um mero exercício físico ou se torne acrobacia.

O aasasa é feito em profundidade, tanto nas camadas do corpo palpável (pele, várias camadas de músculos, tendões e ossos: a diversidade dos aasanas e a variedade de possibilidade de fazer cada aasana permitem perceber a necessidade e a intensidade de cada estrutura do corpo participar da atuação na variação do aasana proposto) quanto nas camadas do corpo 'impalpável': na atividade da mente, na ordenação e na coordenação motora.

A ordenação motora busca a geometria do aasana e o sequenciamento das ações e do engajamento dos músculos essenciais com uso do tônus adequado.

A coordenação motora busca a harmonia e sinergia dos movimentos com as sensações e as percepções reais realcionadas com uso correto e alinhado do corpo. Propicia o aprimoramento das informações coordenadas pelo cerebelo, refina todos os gestos, afia a memória do bem.

A ordenação e a coordenação motora, o tônus e o engajamento muscular re-formam a imagem corporal que existe no cérebro, com impressões de capacitação, coragem, solidariedade, inteligência, beleza, saúde, jovialidade. A prática de aasanas, quando feita corretamente, reforma o corpo e a mente da pessoa.
A geometria do corpo, a harmonia do movimento produzem quietude mental (= fim dos pensamentos recorrentes, persecutórios, fim dos medos infudados ou originados em paradigmas), serenidade emocional. Resulta em menos estresse físico e mental, maior vigor e criatividade, em jovialidade e flexibilidade.

O aasana executado em sua completude provoca um estado de inteireza, é meditação em movimentos.

O fato do método Iyengar ser uma metodologia de prática de Hatha Yoga muito eficaz em fortalecer o corpo, em enfatizar a musculatura em nada compromete sua eficiência no cultivo e aprimoramento das habilidades impálpaveis.

20101110

Consciência Plena



+ Isaac

Quanto mais descolocamos o interesse, o desejo, a imposição da vontade, percebemos melhor e de forma mais ampla, mais profunda, mais intensa a realidade do mundo ao nosso redor.

Quanto mais colocamos nossa intenção, desejo, vontade, mais estreitamos, mais distorcemos, mais 'colorimos' nossa percepção do mundo, dos fatos, dos atos.

Por isso é importante ir para a aula experimental e para cada prática de Hatha Yoga sem intenção de provar nada, sem desejo, sem expectativas, sem querer provar, aprovar ou reprovar; ir apenas com o corpo com seus sentidos despertos e a mente aberta e algo vazia.

Se você não consegue desligar o botão do pré-juízo e do pré-conceito, melhor deixar sua aula experimental para outro dia, pois a única realidade que você vai evidenciar e vivenciar é a que já está restrita ao limites da expectativa da sua mente.

Como descolorir os pensamentos?
Seguindo a tradição da prática do Yoga, como sugere Patañjali, nos Yoga Sutras.

20101027

DYS 1.13 - Prática + Desapego: como faz?


1.13 tatra sthitau yatnah abhyasa

Prática é basicamente o esforço correto, tranquilo, constante e estável, necessário para avançar em direção ao estado de Yoga, para o alcance e a manutenção deste estado.
tatra = destes dois (abhyasa e vairagya)
sthitau = estabilidade, tranquilidade estável, calma imperturbável
yatnah = esforço, o esforço persistente, sustentada luta, esforço
abhyasa = por ou com a prática, prática repetida, constância em praticar

As práticas escolhidas devem ser aprendidas corretamente, com calma e perseverança, de preferência com auxílio e orientação de um professor+praticante, que compreenda o caráter pessoal ( postural e emocional) temporário e social do aluno. Se a prática apropriada para um determinado aluno e adequada ao seu estado de saúde (física, emocional e mental) não for obtida, ou não for seguida, há poucas chances de sucesso em alcançar o estado de Yoga.

A tranquilidade necessária vem da certeza de que os resultados benéficos da prática adequada são acessíveis à todos, vem da atitude de 'perder' paulatinamente a vontade de alimentar seu lado 'ruim'. É um estado de serenidade que permanece na pessoa que pratica, não é comparável ao alívio fugaz e ilusório que a maioria das pessoas sente quando abandona os problemas para passar um final de semana ou férias longe de sua vida prosaica e que acaba quando acaba o feriado ou o período de férias, junto com o retorno da pessoa para a sua rotina.

Por vezes, obter esta tranquilidade e estabilidade exige que a pessoa tome medidas, faça um planejamento adequado da sua  agenda ou maneira de viver para garantir o espaço necessário para estes atributos se estabelecerem.

No Yoga, também não dá para fazer omelete sem quebrar os ovos, nem para mudar a rotina ou o comportamento sem alguma negociação.

20101026

DSY 1.10 - Sono sem sonhos


1.10 Abhava pratyaya alambana vritti nidra

 O sono profundo ocorre quando a mente não está em menhuma outra atividade.

abhava = ausência, não-existência, a não-ocorrência, a negação, o vazio, o nada
pratyaya = a causa, o sentimento de causalidade, ou princípio cognitivo, noção, conteúdo da mente, apresentou idéia, a cognição
alambana = apoio alambana, substrato, apoiando-se, dependentes, tendo como base ou fundação
vritti =  operações, atividades, flutuações, modificações, alterações, ou várias formas de campo da mente
nidra = sono profundo

O sono profundo é uma atividade regular e habitual da mente e há um tempo adequado destinado à esta atividade, que é natural em todos os seres vivos.

Sono bom restaura e vitaliza. Sono mau gerado pelo torpor ou pela estagnação provoca desânimo e exaustão e torna a mente muudha.

DYS - 1.12 Como chegar ao estado de Yoga


1.12 abhyasa vairagyabhyam tat nirodhah

A mente pode atingir o estado de Yoga através da prática e do desapego.

abhyasa = por ou com a prática, prática repetida

vairagyabhyam= não-apego, por ausência de desejo ou desapego, a neutralidade ou a ausência de cor, sem atração ou aversão
tat =  daqueles, que através de
nirodhah = controle, regulação, canalização, domínio, integração, coordenação, compreensão, acalmando, acalmando, anulação das



Abhyasa e vairagya são as duas  práticas irmãs, e são os meios de coordenar (nirodhah, 1,2 ) os vários níveis da mente, de forma a experimentar o verdadeiro Eu ( 1,3 ). Todas as muitas outras práticas de Yoga repousam nestes princípios.

Duas direções: Existem duas direções que se pode ir na vida, bem como as ações individuais, fala ou pensamentos. Uma direção é para a verdade, realidade, auto, ou realização espiritual.  O outro sentido é inverso, e envolve os modos de vida, ações, palavras e pensamentos que levam afastam das experiências mais elevadas.

Abhyasa (estudo ou prática constante e determinado”, Iyengar, A Árvore da vida) pode ser comparado ao motor ou ao impulso que pode nos levar ao estado de Yoga. Significa cultivar o estilo de vida, ações, palavras e pensamentos, bem como as práticas espirituais que levam na direção positiva (em vez de ir na direção oposta, criando cada vez mais paradigmas e crenças não verdadeiras).

Vairagya é a prática de, gradualmente, deixar de ir a 'mentalidade colorida'( 1,5 , 2,3 ) que se desvia da Realidade Única (a mentalidade colorida nos encaminha para a direção oposta, dando-nos a apegos e aversões).

Para ser capaz de fazer as práticas e de cultivar o não-apego, é necessário se tornar  cada vez mais hábil, mais constante e melhor a capacidade de discriminar entre as ações, fala e pensamentos que podem levar na direção correta, e aqueles que são um desvio ( 2,26-2,29 , 3,4-3,6 ). Saber discriminar, distinguir é tanto a base prática e também a ferramenta mais sutil da viagem interior.

O Domínio dos sentidos

'Como consequência de um amor mal compreendido, os pais dão a seus filhos uma alimentação variada, estragando a saúde e criando neles gostos artificiais. Quandoas crianças se tornam adultas, seus corposjá estão doentes e o paladar pervertido. As consequências nefastas dasta fraqueza durante os primeiros anos nos atormentam a cada passo; gastamos muito dinheiro e somos presa fácil da medicina.
A maior parte de nós, ao invés de dominar os órgãos dos sentidos, torna-se seu escravo. Um médico de longa experiência dizia, um dia, que jamais vira um homem são. O corpo é prejudicado cada vez que se come muito, e tal prejuízo só pode ser reparado - em parte - pelo jovem.

Mohandas Karamchand Gandhi, em Cartas a Ashram, pag.38.
(tsc, Gandhi faleceu em 1948... )



Comento:

Concordo em parte.

A alimentação inadequada ( constituída essencialmente de produtos refinados, congelados, muito elaborados) deteriora toda a estrutura do ser humano. Quando teclo toda, é toda mesmo: degenera os tecidos e as funções do corpo, pervertendo o metabolismo, as emoções, os sentimentos, os pensamentos. O pior é que uma ação alimenta a outra, e sustenta uma espiral destrutiva.

A pessoa que se dispõe a praticar Hatha Yoga paulatinamente remove de si mesma os hábitos repetitivos, os pensamentos recorrentes, os pré-conceitos e pré-juízos e passa a se dar possibilidade de novas ou renovadas escolhas, mais próximas da vida plena, da saúde. Basta apenas se dar a oportunidade de começar a praticar, de vencer a inércia, a preguiça e deixar de lado o equívoco de julgar o que é desconhecido como se fosse algo já experimentado (viparyaya) e os condicionamentos (samskaras).

Praticar hatha Yoga é tonificar o corpo, reestruturar o metabolismo e descondicionar o comportamento, ventilar a mente.

Praticar Hatha Yoga é desafiar suas convicções e paradigmas, não se trata apenas de uma atividade biomecânica, e por isso, numa sala de aulas, percebemos tantas pessoas relutantes diante de si mesmas, elucubrando mentalmente e resistindo a enfrentar os desafios que os aasanas oferecem de uma forma natural e espontânea.

Além disso, a constãncia na prática de aasanas (posturas) vai limpando/purificando (Sauch )  o conteúdo celular, restaurando o metabolismo natural da célula e, a partir da recuperação da saúde da célula, re-estabelece a saúde física, emocional e mental da pessoa. Por isso, praticar regularmente Hatha Yoga traz contentamento (Santosha), e traz beleza (Kânti = beleza física, que é considerada um dos sinais da prática correta do Yoga, que ocorre como resultado da intensificação da atividade do prana no corpo).

Coma correto e mova-se com Consciência.

DSY 1.11 - Memória


1.11 anubhuta vishaya asampramoshah smritih

Memória é a retenção mental de uma experiência consciente.

anubhuta = experientes
vishaya =  objetos da experiência, as impressões
asampramoshah =  não ser roubado, não sendo perdido, além de não ter
smritih = memória, lembrando-se

Cada experiência consciente deixa uma impressão no indivíduo e são armazenadas como memória. Não é possível distinguir se uma memória é verdadeira, falsa, incompleta ou imaginária.

A memória pode ter sobre as associações: a memória é algo com o qual todos estamos familiarizados. Algumas impressões armazenadas anteriormente simplesmente são despertadas no inconsciente, e depois brota na consciência, de ter perfurado o véu entre o consciente e o inconsciente. No entanto, revisitar a  memória, muitas vezes traz consigo muitas outras memórias que, depois, ficam interligadas de tal forma que a memória original não é mais percebida em sua forma pura. Em outras palavras, a memória está sendo distorcida, pois nela estão misturados com outros tipos de padrões de pensamento.

A memória que está descrita aqui é a memória pura, sem ter aliciado ou sem acrescimos de outras memórias ou da criatividade, fantasia alucinante ou da imaginação, que é outro processo mental (vikalpa) . É bastante natural que essas impressões pensamento a subir no campo da mente. Ao discriminar entre os tipos de pensamentos, podemos ver quais são apenas memórias, e quais são as memórias que foram distorcidas e efetivamente se transformou em fantasias, que são vikalpa, descrita em 1,9 sutra. A memória sem gadgets, sem acréscimos não chega a ser preocupante para a nossa paz de espírito natural, ao passo que, quando associado com todos os outros processos , leva ao processo mental problemático que pode bloquear a meditação profunda.

20101012

DSY 1.9 - Imaginação


1.9 shabda jnana anupati vastu shunyah vikalpah

A fantasia ou a imaginação (vikalpa) é um padrão de pensamento que tem expressão verbal e conhecimento, mas que não possui respaldo num objeto ou na realidade existente.

shabda = palavra , verbal, expressão sonora
jnana = pelo conhecimento, sabendo
anupati = seguintes, em seqüência, dependendo
vastu = a realidade, objeto real, objeto existente
shunyah = sem, no vazio
vikalpah = imaginação, equívoco verbal ou ilusão, fantasia, alucinação

A faculdade mentalde imaginar ou fantasiar é uma das atividades mentais mais intensas e initerruptas: uma boa parte da energia (ATP) e do tempo que nosso cérebro dispende é gasta na atividade de criar e encadear palavras e imagens, recriando um passado ou devaneiando um futuro que nem sempre tem a ver com a realidade.

Podemos criar imagens de fatos, estabelecer avaliações sobre as pessoas a partir da ausencia total de observação direta e indireta, sem nenhuma referência confiável ou verdadeira: são os pré-juízos, pré-conceitos. E da mesma forma como a compreensão incorreta pode gerar enganos 'coloridos', e por consequencia, aos resultados equivalentes.

Como a compreensão, a imaginação pode ser orientada através da prática do Yoga no sentido do melhor aproveitamento de suas potencialidades. Isto pode acontecer durante a prática de aasanas, quando usamos a imaginação para potencializar inicialmente uma sensação que não percebemos;também podemos fazer uso acertado da imaginação durante a meditação, quando estabelecemos um propósito, uma meta.

20101011

DYS 1.8 - A Compreensão Equivocada


1.8 viparyayah mithya jnanam atad rupa pratistham

O conhecimento incorreto ou errôneo (viparyaya) é o conhecimento falso formado por perceber uma coisa como sendo diferente do que ela realmente é.

viparyayah = cognição irreal , indiscriminação, cognição pervertida, conhecimento errado, equívoco, saber incorreto, não ver com clareza
mithya = do irreal, falsas, errôneas, ilusória
jnanam = saber, conhecimento
atad = não a sua própria, não que
rupa  = forma , a natureza, a aparência
pratistham = com base em, possuindo, estabelecido, ocupando, firme

A compreensão equivocada é o entendimento obtido através da percepção falha do objeto ou experiência, ou por má interpretação daquilo que é visto, observado ou estudado ou quando a fonte de pesquisa utilizada está corrompida. A compreensão incorreta pode ser tomada como correta até que condições mais favoráveis revelem a verdadeira natureza do objeto.

A compreensão equivocada é considerada uma das atividades mentais mais frequente, junto com a imaginação (DYS 1.9): o que você vê na figura abaixo?


As ilusões de ótica, o sucesso do prestidigitador, ou a graça da brincadeira do telefone sem fio* são experiências sensoriais que mostram como facilmente nossa compreensão dos fatos pode ser equivocada. Os 'achismos', dogmas e paradigmas também podem ser inseridos neste tipo de faculdade mental, já que podem nos levar ao conhecimento equivocado.

Isso se deve à nossa falta de capacidade em compreender a experiência que estamos vivenciando em toda a profundidade e em toda a extensão, muitas vezes por causa das experiências passadas e condicionamentos ou das opiniões equivocadas ( os 'achismos', a fofoca, ... ) de outras pessoas.

Lembre-se de quantas vezes você avaliou uma situação ou julgou uma pessoa, e depois descobriu que havia alguma peça ou informação que faltava, e essa nova informação fez a sua percepção mudar completamente. Por exemplo, imagine que você vê um amigo ou colega de trabalho que aparenta estar aborrecido, e cuja atitude pode parecer indelicada (negativa) para com você. Essa pessoa pode realmente estar com raiva por ter tido uma discussão com alguém, e a reação (cara feia) não teve nada a ver com você. Ou pode estar sentindo dor ou fome, e você pode ter interpretado a cara de dor ou de fome de maneira equivocada.

Ideias erradas podem causar ações coloridas (klishta): O problema com esses equívocos é que eles podem levar aos enganos 'coloridos', os chamados kleshas. Se fossem simplesmente equívocos sem cor, não haveria problema. Mas imagine o potencial dos equívocos dos relacionamentos com as pessoas, como no exemplo acima. O resultado pode ser o aumento do egoísmo, da malidicência, das atrações, das aversões e dos medos. Assim, é interessante se esforçar para que os equívocos (viparyaya) se tornem a percepção correta (pramana).

A prática do Yoga liberta, pois ajuda a reconhecer e controlar as causas da compreensão errônea.

brincadeira do telefone sem fio*
Para essa brincadeira serão necessárias, pelo menos, cinco pessoas, porém, quanto mais pessoas mais engraçado a brincadeira fica.
Sentados em linha reta ou em círculo, a primeira pessoa inventa secretamente uma palavra e fala, sem que ninguém mais ouça o que ela está falando, nos ouvidos da próxima pessoa .
Assim, o próximo fala para o próximo e assim por diante até chegar ao último.
Quando a corrente chegar ao último esse deve falar o que ouviu em voz alta.
Geralmente o resultado é desastroso e engraçado, a palavra se deforma ao passar de pessoa para pessoa e geralmente chega totalmente diferente no destino.

20090515

Têmpera


Sem preguiça de clicar nos links hoje, pessoas!

Sweet Dreams - Eurythmics (é, vintage...)

Desejo.
O motor da mente agitada.
O desejo alimenta a, e se alimenta da expectativa, que pode ser fundamentada em parâmetros mais ou menos próximos da realidade.
Quanto mais distante da realidade (mais centrado no engano, no ego inflado ou sem educação), maior a frustração.
A vida fica duhkha.

Entenda como desarmar o (curto)circuito da frustração.

Para temperar a vida,
no sentido de manter o sabor, ser sal da terra
e também no sentido de se tornar firme e flexível como o aço da katana,
basta diminuir o volume de Citta.

20090221

Sutura


Yuj, é a raiz etimológica da palavra Yoga.
Yuj significa unir.

Joseph Campbell escreve no livro 'Mitos de Luz: Metáforas Orientais do eterno' que a palavra sutra [sânscrito] tem relação com a palavra sutura [português]: o fio que (re)une um tecido vivo que foi rompido.

Pode ser o fio, a fibra muscular nutrida, a fibra nervosa conectada feito fibra ótica que permite uma torrente de informações que amplia a consciência.

O fio pode ser entremeado, tecido, almalgamado: sensibilidade e consciência que nos levam a partir de nossos limites humanos e conhecidos em direção às leis da natureza, à Consciência Universal, ao que não tem nome e pode ser chamado de 'Desconhecido'.

20090216

Drops Yoga Sutra



Obs.: Clique na imagem para ver ampliada.

Os Yoga Sutras é um tratado dedicado exclusivamente ao Yoga, que surgiu por volta do século III a.C., atribuído à Patãnjali. É fonte de estudo e um manual de orientações valioso para quem pratica e investiga a tradição do Yoga de forma honesta e autêntica.

É composto por 195 versos ou sutras (sutra = fio, 'aforismo conciso que serve como artifício para memorizar os ensinementos sagrados'[1]) , distribuídos em 4 capítulos:

  • Samadhi Pada ou Capítulo sobre o Êxtase, com 51 aforismos;
  • Sadhana Pada ou Capítulo sobre o Caminho da Realização, com 55 aforismos;
  • Vibhuti Pada ou Capítulo sobre os Poderes, com 55 aforismos;
  • Kaivalya Pada ou Capítulo sobre a Libertação, com 34 aforismos.


  • Daqui em diante o título DropYS indica a postagem de um aforismo e o número que acompanha o título indica o sutra comentado.

    A tentativa é de que o comentário seja conciso e simples, acessível.


    [1] Feuerstein, Georg: Enciclopédia de Yoga da Pensamento

    20081127

    Dhyana

    O texto que segue é o seminário sobre Dhyana apresentado por Flávia, Luiz e Sabina, na disciplina de Filosofia em novembro de 2008 do Curso de Formação de Professores de Iyengar do Yoga Dham, que foi gentilmente cedido por eles.

    Dhyana

    Definições,cantos e sutras:

    Dhyana é contemplar, meditar.

    Para Patanjali, a meditação representa a continuidade de um estado de concentração unidirecionada e profunda da consciência; é a porta de acesso à experiência de integração

    Georg Feuerstein explica assim a meditação: “Todas as idéias que surgem giram em torno do objeto de concentração e são acompanhadas por uma disposição emocional calma e pacífica. Não se perde a lucidez; muito pelo contrário, a impressão que se tem é de estar-se ainda mais desperto, embora a consciência do ambiente externo seja pouca ou nenhuma”.

    Para o psicólogo britânico John H.Clark, a meditação é um método pelo qual a pessoa se concentra cada vez mais em cada vez menos coisas, com o objetivo de esvaziar a mente sem perder, paradoxalmente, o estado de alerta.

    Yoga sutras que dizem respeito à Dhyana:


    1.39 (yatha abhimata dhyanat va)

    Ou pela contemplação ou concentração em qualquer objeto ou atitude que se goste, ou em direção ao que se tem predileção, a mente se torna estável e tranquila.

    * yatha = de acordo com
    * abhimata = sua própria predisposição, escolha, desejo, vontade, gosto, familiaridade, preferência.
    * dhyanat = medite em
    * va = ou outras práticas dos sutras(1.34-1.39)

    Este sutra torna claro que a chave principal para a estabilização da mente e a remoção dos obstáculos é ter apenas um foco para a concentração. A escolha deste foco será dada pela própria percepção e inteligência da pessoa.

    Todos sabemos que o princípio de focar em algo agradável significa estabilizar a mente. Entretanto, a conveniência do objeto escolhido é outro assunto. Ver TV, jogar, ouvir música, conversar, etc., podem ser eficazes para sossegar parcialmente a agitação mental das atividades do dia. O foco está em cada uma dessas atividades e pode haver algum benefício, mas aquele que medita aprenderá a escolher objetos mais sofisticados para estabilizar a mente para a meditação.
    Este sutra fala apenas da estabilização e clareza da mente e não da meditação profunda. Nesse nível o foco fornece uma base sólida para a prática mais refinada, mais sutil de meditação.


    2.11 (dhyana heyah tat vrittayah)

    Quando as flutuações mentais ainda têm algum potencial de coloração, elas são trazidas para o estado de simples latência através da meditação.

    * dhyana = meditação
    * heyah = é reduzida, abandonada, destruída
    * tat = que
    * vrittayah = atividades, flutuações, modificações mentais

    Este sutra descreve o processo pelo qual algumas flutuações mentais reduzidas, são ainda mais enfraquecidas ou abandonadas pela meditação. Este processo funciona mais ou menos assim:

    1. Estabilização da mente;
    2. Redução da maior parte das flutuações mentais;
    3. Transformá-las numa semente ;
    4. Desintegrando-as de volta para o campo mental.

    É uma linha divisória entre o trabalho mental em níveis grosseiros e as explorações mais sutis da mente. Ele pode ajudar muito na compreensão geral dos yogasutras.

    3.2 (tatra pratyaya ekatanata dhyanam)

    A permanência ou ininterrupção do fluxo neste foco único é chamado de absorção na meditação. O objeto ou a área do corpo interiorizado preenche todo o espaço da consciência.

    * tatra = aí,neste lugar
    * pratyaya = a causa, a sensação, o princípio causal ou cognitivo, noção, idéia apresentada
    * ekatanata = eka = um; tanata = fluxo continuo de atenção ininterrupta
    * dhyanam = meditação

    Absorção no objeto - A concentração contínua em um foco é meditação. Normalmente, quando não há distração, há um momento de concentração. No momento seguinte vem a desatenção, e depois a atenção volta ao objeto da concentração. Quando a distração não mais ocorre, acontece a meditação.

    Outro jeito de descrever o processo de meditação é que há uma contínua série de concentrações individuais num mesmo objeto ao invés de uma concentração contínua.

    A meditação é decorrente de uma técnica que exige um longo e perseverante aprendizado. Neste estágio, a paciência e a determinação têm grande importância pois, no início, os exercícios de meditação parecem monótonos.

    Dhyana não pode ser praticada por quem está estressado, possui corpo frágil, tem a coluna envergada, a mente agitada ou timidez. Ela está relacionada com uma faculdade mental superior, que exige preparo. A meditação não remove o estresse, não fortalece o corpo nem endireita a coluna. É necessária uma preparação no sentido de remover as condições inadequadas do corpo e da mente antes de iniciar a meditação.

    Para Iyengar, é por meio do ássana que conseguimos relaxar o cérebro. Em geral, identificamos o cérebro com a cabeça. No ássana, a consciência se espalha pelo corpo e se irradia para cada célula deste corpo, criando uma percepção completa. Assim, o pensamento carregado de estresse é esvaziado e a mente focaliza o corpo, a inteligência e a percepção como um todo. O cérebro fica mais receptivo e a concentração se torna natural.

    Em “A Luz da Yoga” o mestre ensina: “o yogue conquista o corpo pela prática de ássanas, tornando-o um veículo adequado para o espírito” e, sabiamente conclui, “uma alma sem um corpo é como uma alma sem seu poder de voar”.

    Nós, praticantes de Iyengar yoga, sabemos por nossa própria experiência, que as condições inadequadas do corpo, como a fragilidade e a coluna envergada, são naturalmente dissipadas pela prática correta e constante dos ássanas.

    Dessa maneira, aprendemos que Dhyana está relacionada com uma faculdade mental superior que exige preparação. Se o professor diz ao aluno: “relaxe o cérebro!” obviamente não conseguirá seu intento, mas, se colocá-lo em uma posição de halássana, o cérebro naturalmente se aquietará. É deste modo que podemos utilizar o corpo para cultivar a mente.

    E, em seu visitadíssimo blog do yogue, o professor Sandro Bosco compartilha com os internautas seu vasto conhecimento: “A meditação na postura é fruto de uma atenção plena no corpo físico. É o caminho da percepção, segundo a segundo, da unidade de todas as partes do corpo que controem a postura. São lampejos de liberdade que se prolongam com a prática regular. Isto traz o yoga rasa, o néctar do yoga!”


    3.4 (trayam ekatra samyama)

    Os 3 processos de concentração, meditação e samadhi usados juntos num mesmo objeto, lugar ou ponto denominam-se samyama

    * trayam = os três
    * ekatra = junto, como um só
    * samyama = dharana concentração, dhyana–meditação e samadhi juntos

    Dharana, Dhyana e Samadhi são os 3 últimos degraus do yoga e juntos denominam-se samyama.

    A interiorização da atenção é feita através de 3 estágios:
    * A atenção perfeitamente centrada e dirigida leva à concentração
    * A concentração leva à meditação
    * A meditação leva ao samadhi

    No samyama, o objeto de dharana, dhyana e samadhi é um só. Através dele, a verdadeira natureza do objeto é vista e ele é afastado com desapego.


    3.11 (sarvarathata ekagrata ksaya udaya chittasya samadhi-parinamah)

    O domínio denominado Samadhi-parinamah é a transição por meio da qual a tendência da dispersão cede, enquanto que a tendência do foco em um só ponto aparece.

    * sarvarathata = vários focos, todos os pontos
    * ekagrata = um foco
    * ksaya = decrescer, destruir, decair
    * udaya = cresce, eleva
    * chittasya = da consciência do campo mental
    * samadhi-parinamah = transição para Samadhi, estado de perfeita concentração, nível mais elevado de meditação.

    O estado de vários focos de pensamento refere-se à tendência da mente ser puxada em diversas direções, em samadhi-parinamah essa tendência cede, diminui, quando a mente se concentra ou foca em um só ponto. Todos nós experienciamos estas duas tendências no dia-a-dia. Este sutra nos orienta sobre o surgimento deste foco em um único ponto. Neste samadhi-parinamah há o testemunho da transição para o samadhi.

    Ocorre a concentração extrema. Quando, em dharana, a atenção chega a seu ápice, nesse momento, o objeto de observação e o observador se fundem em pura consciência, tornando-se um só.


    3.12 (tatah punah shanta-uditau tulya-pratyayau chittasya ekagrata-parinimah)

    O controle denominado ekagrata-parinamah é a transição em que o mesmo foco se eleva e diminui sucessivamente.

    * tatah = então
    * punah = de novo, sucessivamente
    * shanta-uditau = diminuição e elevação, passado e presente
    * tulya-pratyayau = assemelhar-se
    * chittasya = da consciência da mente
    * ekagrata-parinimah = transição do foco único

    O sutra anterior descreve que os diversos focos diminuem e o foco único aflora. Agora, neste sutra, o foco único diminui apenas para crescer novamente. Não há diversos focos, apenas vários ciclos de um único ponto. É a transição sendo experienciada.

    A experiência e domínio sobre as próprias transições fornece o domínio sobre o processo do pensamento para ir além e vivenciar o centro da consciência.


    4.6 (tatra dhyana jam anasayam)

    No campo das consciências individuais da mente, a que surge da meditação é livre de impressões latentes que poderiam produzir karma. A consciência gerada pela meditação é livre de depósitos, portanto, de desejos e aflições.

    * tatra = destas
    * dhyana = meditação
    * jam = nasce
    * anasayam = livre de impressões depositadas ou de veículos kármicos, sem depósito de influências passadas.

    MEDITAÇÃO

    Dhyana



    É a condução da mente complexa a um estado de simplicidade e inocência sem ignorância.
    É a totalidade experimentada do centro para a periferia.
    É o caminho para eliminar o Klesas, que nada mais é que as 5 aflições naturais e inatas que afligem a todos nós.
    Klesas :
    1. Avidya => ignorância
    2. Asmita => orgulho
    3. Raga => apego/desejo
    4. Dvesa => aversão
    5. Abhinivesa=> medo da morte

    A maioria das pessoas começa a praticar as posturas da yoga por questões práticas, poucas procuram por meio da iluminação espiritual.

    Iyengar também não conhecia a glória do yoga, também estava atrás de benefícios físicos. E foi quando descobriu que a prática o levou da enfermidade para saúde, da fraqueza para a força.Seu corpo foi laboratório e testemunha das vantagens da yoga.

    Quando reconhecemos os benefícios sentimos que algo está começando a acontecer, como uma nova sensação de leveza, calma e alegria, trazendo conhecimento que eleva a sabedoria. Conhecer a si mesmo é conhecer seu corpo, sua mente, sua alma. Esta jornada interior permitirá uma integração dos aspectos da existência como:

    Estas camadas do nosso ser incorporam as oito pétalas da yoga que se revelam gradualmente.

    1) Yama = ética externas
    2) Niyama= observância, éticas internas
    3) Asana= posturas
    4) Pranayama= controle da respiração
    5) Pratyahara= controle e recolhimento dos sentimentos
    6) Dharana= concentração
    7) Dhyana= meditação
    8) Samadhi= absorção no êxtase

    CÓDIGO DE COMPORTAMENTO


    A medida que viajamos do exterior para o interior exploramos cada uma delas. Aprendemos a desenvolver controle sobre nossas ações no mundo externo e nos ajudam a desenvolver a autodisciplina. Todos sabemos que a mente afeta o corpo e quando os sentidos da percepção se voltam para dentro experimentamos o controle, o silêncio e a quietude da mente.

    As três últimas pétalas constituem a integração final da yoga, mas que só se entra em um estado meditativo quando se tem alicerce e para isto existem duas principais práticas importantes que favorecem esse estado (asana- trabalha a expansão e extensão dos nervos e músculos libertando das tensões do corpo por meio de movimento, pranaiama- irrigação de energia), tornando-se o caminho para a cura do estresse, tensão e a pressa. Essas duas práticas são o meio de nos encaminhar para a sabedoria, conhecimento de si e do mundo, bem como a devoção, relaxando e libertando-nos da ansiedade, embora a yoga inicie-se com “culto ao corpo”, mas só aprendendo a relaxar o cérebro é que se remove o estresse.

    Iyengar define ainda a meditação como contenção da consciência, da turbulência à calma absoluta. O indivíduo quer responder as questões, Quem sou eu? Qual é a origem de minha existência? Há um Deus que posso conhecer?

    A prática da meditação se estende em torno do samadhi absorção e imersão total da existência ou divindade universal.

    A Yoga é uma escada que subimos, estamos no sétimo degrau e todo nosso peso repousa sobre ele e igualmente nas pétalas anteriores, pois todos serviram para treinar e nos colocar na melhor forma.

    É necessário refinar o que já se realizou, por isto devemos continuar nos questionando, pois onde há orgulho a ignorância estará sempre presente.


    PRÁTICA DE MEDITAÇÃO (DHYANA)

    Muitas pessoas, erroneamente, acreditam que a meditação produz resultados instantâneos: pensam que basta se sentar e aguardar que o processo funcionará como um passe de mágica, encantando o meditador e levando-o a um mundo sem pensamentos, pleno de bem-aventurança, quietude e brilho. Quando essas experiências não acontecem nas primeiras semanas de meditação, os novos praticantes crêem que estão fazendo alguma coisa errada ou que a sua técnica é ineficaz. Consequentemente, devido a esse entendimento errôneo, eles interrompem a prática.

    O que se deve esperar das primeiras semanas de meditação? A mente é como um macaco enlouquecido por picadas de escorpiões, disse o grande iogue Ramakrishana, e as pessoas que começam a meditar e tentam concentrar-se sabem que isso é verdade. Principalmente no começo, a mente é insubordinada e incontrolável. Quando você se senta para meditar, muitos pensamentos surgem e sua mente vagueia, por vários motivos: sons e ruídos externos desviam sua concentração, seu corpo não fica quieto e você finalmente se levanta pensando que nada aconteceu.

    Mas algo mudou! Com a prática regular você desenvolve a capacidade de manter a mente firme. Assim como o corpo de um atleta adquire grande força física e vitalidade com o treinamento diário, a pessoa que medita com dedicação desenvolve força mental e capacidade para concentrar-se. Somente com o passar do tempo é que surge o estágio em que conseguimos verdadeiramente fixar nossa mente no objeto da meditação e permanecer nele – então a verdadeira meditação é realizada. A função da meditação é trabalhar o interior da mente e eliminar todas as reações de ações passadas, registradas em nosso subconsciente. É como limpar uma casa. No meio do processo, a casa pode parecer mais suja do que no inicio, mas perseverando e não desistindo no meio, conseguimos limpá-la. Da mesma forma, perseverando na meditação, a mente se purifica cada vez mais.

    Meditação é o esforço para controlar e desenvolver a mente, a fim de realizar a verdadeira natureza do ser humano. É o meio através do qual podemos desenvolver todo o nosso potencial em todos os níveis da existência: físico, mental e espiritual.

    Ioga é meditação e meditação é ioga
    O Presente é o estado de meditação
    Meditação pertence a todos está inerente em cada um de nós
    Tudo está dentro de você
    Testemunhar o Pensamento (Observar)
    Meditar sem expectativas
    Meditar é o silêncio interior

    Sugestões para a prática:

    * Manter o corpo confortável
    * Limpeza interna (observar suas negatividades)
    * Limpeza externa (higiene do corpo)
    * Alimentação (não comer demais, nem de menos)
    * Roupa confortável
    * Manta ou cobertor para se manter aquecido
    * Foco para a mente não julgar
    * Mantra (libera a mente) ou uma palavra com significado pessoal (amor, paz).

    Preparação do local:

    * Desligar tudo que leva sua atenção para fora
    * Local ventilado e inspirador
    * No inicio não ser rígido com tempo e horário
    * Manter o compromisso
    * Diário: depois de meditar, escrever o que você viu ou sentiu
    * Ásanas que preparam o corpo: Baddhakonasana (abertura do quadril), Uttanasana, Upavista konasana (afastamento das pernas)
    * Asanas de meditação: Padmásana (Lótus), Sukasana, Siddhásana
    * Apoio do quadril – os joelhos não podem ultrapassar a linha do quadril, ajustar a altura do apoio para não ficar com nenhuma tensão muscular.

    Aspectos fisiológicos:

    * Alteração do metabolismo
    * Redução da taxa metabólica
    * Redução do consumo de oxigênio
    * Redução do Lactato
    * Diminuição dos batimentos cardíacos
    * Baixa da pressão arterial em até 20%

    Técnicas que serão aplicadas na parte prática do seminário:

    1. Visualizar um campo e prestar atenção ao primeiro pensamento que vier
    2. Ontem e amanhã. Deixar os pensamentos virem e apenas “rotular” como passado ou futuro.
    3. Observar a respiração, na entrada e saída do ar.

    Fontes:
    B.K.S.Iyengar – A Luz da Yoga; Luz na Vida.
    Georg Feuerstein – A tradição do Yoga .
    John H.Clark - Um Mapa dos Estados Mentais.
    Swamij.com/yoga-sutras.htm
    http://blogdoyogue.blog.uol.com.br/
    Avadhútika Ánandamitra Ácarya - Yoga para a Saúde Integral
    Pedro Kupfer - Guia de Meditação
    Shrii Shrii Anandamurti (P.R.Sarkar) - A Liberação da Mente através do Tantra Yoga
    Cantos: por Mark Giubarelli no site www.patanjali.sutras.com

    Ássana

    O texto que segue é o seminário sobre Ássana apresentado por Maria Aparecida Fernandes e Tábita Pacheco Costa, na disciplina de Filosofia em setembro de 2008 do Curso de Formação de Professores de Iyengar do Yoga Dham, que foi gentilmente cedido por elas.

    ÁSSANA


    1. Definição de Ássana por B. K. S. Iyengar

    Ássana é o terceiro estágio dos oito passos de Patanjali. Iyengar o define como uma das mais significantes ferramentas que ajuda o aluno a se desenvolver fisicamente e espiritualmente. Enfatiza que é necessário colocar o coração na prática do ássana para se tornar mestre das circunstâncias, da vida e do tempo.

    A prática do ássana traz estabilidade, saúde e leveza ao corpo, não é um mero exercício físico, pois trabalha com cada músculo, nervo e glândula do corpo, garantindo um físico harmonioso, forte e elástico, mantendo-o livre de doenças. Treina, disciplina e esculpe a mente.

    Em o “Luz na Vida”, Iyengar conta como iniciou sua jornada na yoga, que como a maioria das pessoas, foi pela procura dos benefícios físicos. Foi uma pessoa que nasceu com muitas enfermidades e se fortaleceu com a prática do ássana, mas descobriu que a yoga traz a realização espiritual. Ele cita que a maioria das pessoas que procuram a yoga por benefícios físicos, são pessoas de vida prática, anseios práticos, logo a yoga faz uma espécie de jogo com o corpo e com o eu e é se jogando que se aprendem as regras. Como o corpo é o veículo da alma, é preciso um corpo saudável para alcançar a libertação.

    Não pode haver realização espiritual e existencial sem o suporte do veículo encarnado da Alma, o corpo de carne e osso, desde os ossos até o cérebro. Todos temos alguma percepção do que é o comportamento ético,mas, para chegar aos níveis mais profundos de yama e niyama, devemos cultivar a mente. Necessitamos de contentamento, tranqüilidade, serenidade, altruísmo, qualidades que precisam ser conquistadas. É o ássana que nos ensina a fisiologia dessas virtudes.

    Para a execução de um ássana é necessário estar absorvido, com devoção, dedicação, atenção, honestidade na abordagem e apresentação. Tem de ter , coragem, determinação e consciência. Para Iyengar o ássana é uma arte de posicionar o corpo todo com atitude física, mental e espiritual.

    A prática das posturas protege dos perigos e vicissitudes dos extremos. É preciso construir no corpo e na mente uma força moral que permita ter um controle sensato sobre si.
    O capítulo 2 trará a definição de ássana e os efeitos da prática pelos sutras de Patanjali.

    2. Sutras de Patanjali

    II.46 sthira sukham āsanam

    Tradução do Iyengar:
    sthira: firme, fixo, constante, estável
    sukham: felicidade, prazeroso
    āsanam: posturas

    Ássana é a perfeita firmeza do corpo, estabilidade da inteligência e benevolência do espírito.”

    Iyengar interpreta este sutra da forma como o ássana deve ser executado: sentimento de firmeza, estabilidade e permanência no corpo trazendo inteligência à mente e contentamento ao coração.

    Atenção e disciplina devem ser aplicados na prática de cada ássana para penetrar as camadas mais profundas do corpo. O ássana meditativo deve ser cultivado pelas fibras, células, juntas e músculos em cooperação com a mente.

    Na execução de qualquer ássana o corpo precisa estar firme para a mente se tornar serena e harmoniosa. Mas o ássana não deve ser executado com agressividade no alongamento dos músculos ou dos tecidos da pele. O espaço deve ser criado para que a pele receba as ações dos músculos, juntas e ligamentos. Com isso a pele envia mensagens para o cérebro, mente e inteligência com julgamento apropriado das ações. É quando a ação e a reação se harmonizam.

    A prática de ássanas dá clareza ao sistema nervoso, fazendo a energia fluir por todos os outros sistemas do corpo sem obstrução.

    Cada ássana tem cinco funções de execução: conativo, cognitivo, mental, intelectual e espiritual. No livro a Árvore do Ioga”, Iyengar explica as cinco funções da seguinte maneira:

    O termo conatus significa esforço, impulso, o aspecto ativo da mente, que inclui desejo e volição. Ação conativa é apenas a ação física no seu nível mais direto. A ação cognitiva é quando os órgãos de percepção – pele, olhos, ouvidos e nariz – sentem o que está acontecendo com a carne na postura fisicamente realizada. A ação de comunhão acontece quando a mente observa o contato entre a cognição da pele e a ação conativa da carne, chegando assim à ação mental do ássana. A mente age como ponte entre o movimento muscular e a ação dos órgãos de percepção, introduzindo o intelecto e ligando-o com todas as partes do corpo – fibras, tecidos, células – com isso surge uma nova percepção. Quando a mente analisa todas as partes do corpo vindas da ação, então se alcança o estágio de ação reflexiva. A prática espiritual da yoga é quando há a reunião total, sem flutuações da ação conativa, cognitiva, mental e reflexiva, compondo a conscientização plena.

    Ocorre integração quando existe unidade da célula ao eu, do corpo físico ao âmago, do ser, quando a postura se torna contemplativa no seu estado mais elevado.

    Tradução de Satchidananda:
    Asana é uma postura firme e confortável.
    - qualquer posição que traga conforto e estabilidade é um asana;
    - basta dominar com perfeição um asana;
    - para isso é preciso que o corpo esteja livre de toxinas físicas e mentais, pois estas criam enrijecimento e tensão;
    - para conseguirmos uma postura meditativa é que foi criado o Hatha Yoga;
    - através da prática dos asanas é possível livrar-se das toxinas;
    - as verdades do Hatha Yoga são como ouro, outras coisas perdem o valor, mas o ouro é sempre o mesmo.

    Tradução de Taimni:
    A postura (deve ser) estável e confortável.

    - os estudantes da filosofia do yoga devem compreender a diferença da prática de posturas no Hatha-Yoga e no Raja-Yoga;
    - o Hatha-Yoga é baseado no princípio de que é possível produzir mudanças na consciência colocando em movimento correntes de certos tipos de forças sutis (prana e kundalini) a partir do corpo físico;
    - para tal o corpo deve estar completamente saudável e pronto para o influxo e a manipulação dessas forças;
    - em Raja-Yoga o método adotado para operar mudanças na consciência é controlar a mente pela vontade, suprimindo as citta-vrttis;
    - o yogue deve eliminar completamente as perturbações provenientes do corpo físico;
    - o yogue deve escolher qualquer uma das posições conhecidas como adequadas à meditação (padmasana ou siddhasana) e permenecer nessa postura por longos períodos sem fazer o menor movimento;
    - com o tempo o yogue torna-se capaz de manter a postura indefinidamente a ponto de se esquecer completamente do corpo;
    - para Taimni estável significa imóvel no sentido de fixar o corpo em determinada postura e manté-lo completamente imobilizado com relaxamento;
    “Um determinado asana é considerado dominado quando o sadhaka pode mantê-lo estável (...) por quatro horas e vinte minutos”.


    II.47 prayatna śaithilya ananta samāpattibhyām

    prayatna: perseverança no esforço, aplicação contínua, empenho
    śaithilya: relaxamento
    ananta: infinito, ilimitado, eterno
    samāpattibhyām: assumindo forma original, conclusão

    Tradução do Iyengar:
    A perfeição em um ássana é alcançada somente quando o esforço para executá-lo se torna sem esforço e o estado de infinito íntimo é alcançado.”

    Perfeição no ássana é alcançada somente quando o esforço cessa, transborda a infinita estabilidade e permite que o veículo finito, o corpo, emerja ao observador.

    O sādhaka pode estar firme na sua postura sem que haja necessidade de grandes esforços. Com a estabilidade ele pode penetrar dentro da mais profunda camada do corpo. Ele alcança o relaxamento mantendo a firmeza e a extensão do corpo. Daí é capaz de ler, pensar, escutar e penetrar no infinito, pois está imerso e indivisível com o universo. Alguns acreditam que é possível se tornar mestre do ássana rendendo-se a Deus.

    Quando o sādhaka alcança o estado de equilíbrio, atenção, extensão, difusão e relaxamento, toma lugar simultaneamente no corpo a inteligência e eles emergem no assento da alma. Este é o sinal da libertação das dualidades entre o prazer e a dor, contração e extensão, calor e frio, honra e deshonra, etc.
    Perfeição no ássana traz felicidade e beatitude.

    O verdadeiro asana é aquele em que o pensamento de Brahman flui sem o menor esforço e incessantemente através da mente do sadhaka.” (Iyengar)

    Tradução de Satchidananda:
    Pela diminuição da tendência natural à intranqüilidade e pela meditação sobre o infinito, tem-se o domínio da postura.
    - os sentidos querem experimentar muitas coisas, assim sendo nosso organismo fica muito poluído com as toxinas que nele penetram;
    - para nos tranqüilizarmos devemos pensar em coisas estáveis;
    - na tradição hindu costuma-se pensar em Adisesha, a serpente de mil cabeças que sustenta o mundo;
    - essa imagem não deve ser entendida literalmente, mas devemos entender que a naja é uma imagem da força por conseguir manter a maior parte de seu corpo no ar;
    - é através da quietude do corpo que dominaremos a intranqüilidade da mente;
    - um dos mestres de Satchidananda costumava dizer: “Você não precisa repetir quaisquer orações ou mesmo praticar japa. Apenas sente-se tranqüilamente durante três horas a fio sem qualquer movimento que seja, sem nem mesmo piscar e tudo será então conseguido”;
    - a importância de se fazer um voto e se manter inabalável no cumprimento desse voto (exemplo p. 159) como forma de dominar a mente.

    Tradução de Taimni:
    Pelo relaxamento do esforço e da meditação no “Infinito” (a postura é dominada.
    - a manutenção de uma postura por longos períodos de tempo requer uma enorme força de vontade e para isso a mente deve ser dirigida constantemente para o corpo para impedir que este se movimente;
    - Patanjali oferece duas alternativas para libertar a mente do corpo
    - a primeira: para conseguir libertar a mente da consciência do corpo, o sadhaka deve aos poucos ir relaxando o esforço e transferindo o controle do corpo da mente consciente para a mente subconsciente;
    - a segunda: meditar sobre ananta, a grande serpente que sustenta a terra, o que significa compreender que ananta é uma metáfora da força que mantém o equilíbrio da Terra.


    II.48 tatah dvandvāh anabhighātah

    tatah: então
    dvandvāh: dualidades, oposições
    anabhighātah: retenção das perturbações

    Tradução do Iyengar:
    Então, o sādhaka não é perturbado pelas dualidades.”

    O propósito do ássana é pôr um fim às dualidades ou diferenciações entre corpo e mente, mente e alma. O sādhaka se torna único entre corpo, mente e alma.

    Quando corpo, mente e a alma se unem através da execução de uma postura com perfeição, o sādhaka se encontra em um estado de beatitude. Neste estado, a mente que, é a raiz da percepção dual, perde sua identidade e cessam as perturbações. Isso é a unidade entre corpo, mente e alma. Não há contentamento ou sofrimento, calor ou frio, honra ou desonra, dor ou prazer. Esta é a perfeição na ação e liberdade na consciência.
    Desaparecendo as dualidades através do domínio dos ássanas, o sādhaka está apto ao próximo passo, o pranaiama o quarto estágio da yoga.

    Tradução de Satchidananda:
    Conseqüentemente, alguém jamais é perturbado pelas dualidades.
    - em uma postura firme e confortável não somos afetados pelas dualidades porque a mente está sob controle;
    - mesmo, às vezes, ao nos irritarmos não perderemos o controle da situação.

    Tradução de Taimni:
    Então não há ataque dos pares de opostos.
    - aqui o sadhaka ganha resistência aos pares de opostos existentes tanto no ambiente externo como no ambiente interno do corpo, que fazem a nossa vida oscilar constantemente;
    - os pares de opostos, que produzem a distração (viksepa), podem ser, como por exemplo, o calor e frio, que afetam o nosso corpo físico ou como a alegria e a tristeza que afetam a nossa mente;
    - outros benefícios: um corpo saudável e resistente à fadiga e à tensão;
    - adquirir aptidão para a prática de pranayama e o desenvolvimento da força de vontade.


    III.45 sthūla svarūpa sūkşma avaya arthavatva samyamāt bhūtajayah

    sthūla: densidade
    svarūpa: forma, atributos
    sūkşma: sutil
    avaya: total penetração, comunhão
    arthavatva: propósito, totalidade
    samyamāt: por contenção, restrição
    bhūtajayah: maestria sobre os elementos

    Tradução do Iyengar:
    Pelo controle dos elementos da natureza – suas massas, formas, corpos sutis, comunhão e propósito, o yogue se torna Senhor sobre todos eles.”

    Por contenção, o yogue ganha controle sobre a densidade e os elementos sutis da natureza, suas formas e gunas, tanto como seu propósito.

    O Universo é constituído de elementos básicos da natureza (prakrti): terra, água, fogo, ar e éter. Cada elemento possui cinco atributos: massa, corpo sutil, forma, total penetração ou não, propósito.

    A característica da forma corpórea dos elementos é: sólida, fluídica, calor, mobilidade e volume. Destes corpos, formam-se olfato, paladar, visão, tato e audição. Destas inter relações estão os três gunas, cujo o propósito é a liberdade ou beatitude.

    O elemento terra tem cinco propriedades: som, tato, visão, paladar e cheiro. A água tem quatro: som tato, visão e sabor. O fogo três: som tato e visão. O ar tem som e tato e o éter tem uma única qualidade que é a do som.

    Tradução de Satchidananda:
    Por meio do samyama sobre os elementos grosseiros e sutis, e sobre a sua natureza essencial, correlações e objetivos, adquire-se o domínio sobre eles.

    Tradução de Taimni:
    Domínio dos panca-bhutas (é obtido) pela aplicação de samyama aos seus estados denso, constante, sutil, inter-penetrante e funcional.
    - panca-bhutas são as diferentes qualidades ou princípios corporificados, em diversos graus, em uma determinada coisa e que tornam essa coisa única, diferente de todo o resto;
    - o domínio dos panca-bhutas só é obtido através do conhecimento direto, ou seja, da unificação da consciência com a coisa em si, o que só ocorre em samadhi.


    III.46 tatah animādi prādurbhāvah kāyasampat taddharma anabhighātah ca

    tatah: daí
    animādi: poder de se tornar mínimo e tão forte
    prādurbhāvah: manifestação, aparência
    kāya: do corpo
    sampat: perfeição
    tad: deles
    dharma: atribuição, função
    anabhighātah: não resistência não obstrução, indestrutível
    ca: e

    Tradução do Iyengar:
    Da perfeição do corpo nasce (ou surge) a habilidade de resistir ao jogo dos elementos e (obter) poderes como anima (ou a capacidade de tornar-se bem pequeno)”.

    O yogue pode reduzir ou expandir sua forma conscientemente. Pode se tornar leve ou pesado, pode perfurar rochedos e ter maestria e acesso a tudo.

    Este sutra indica que pela conquista dos elementos, um yogue ganha maestria em três campos. O primeiro é a aquisição dos oito poderes supernaturais. O segundo é a perfeição do corpo no qual a terra não o suja, a água o umedeça e o fogo o queime. O vento não pode movê-lo e o espaço não pode ocultar seu corpo em qualquer lugar e em qualquer tempo.. O terceiro é a imunidade de lidar com os elementos e suas características e suas obstruções e distúrbios nos quais são criados.

    Tradução de Satchidananda:
    Daí vem a conquista de anima e outros siddhis, perfeição corporal e a não obstrução de funções corporais pela influência dos elementos.

    (NOTA: Os oito principais siddhis que aqui se alude são: anima (tornar-se muito pequeno); mahima ( tornar-se muito grande); laghima (muito leve); garima (pesado); prapti (chegar a qualquer lugar); prakamya (realizar todos os desejos de alguém); isatva (capacidade para criar qualquer coisa); vasitva (capacidade para comandar e controlar tudo).

    Tradução de Taimni:
    Daí a obtenção de animan etc., a perfeição do corpo e a não obstrução de suas funções pelo poderes (dos elementos).
    - como o primeiro resultado do domínio dos panca-bhutas advém os oito poderes ocultos ou maha-siddhis;
    - os maha-siddhis são: animan, laghiman, gariman, prapti, prakamya, isatva, vasitva;
    - o segundo resultado é a perfeição do corpo físico;
    - o terceiro resultado é a imunidade da ação natural dos panca-bhutas; assim o yogue pode, por exemplo, atravessar o fogo sem se queimar e ainda obter outros poderes extraordinários e inacreditáveis;
    - portanto, quem se torna senhor dos panca-bhutas também se torna senhor de todos os fenômenos naturais, ou seja, torna-se uno com a Consciência Divina.


    III.47 rūpa lāvaņya bala vajra samhananatvāni kāyasampat

    rūpa: forma graciosa, aparência
    lāvaņya: graça, beleza, charme
    bala: força
    vajra: um raio, adamantino, duro, diamante, impenetrável
    samhananatvāni: firmeza, compactação
    kāya: corpo
    sampat: perfeição, forma

    Tradução do Iyengar:
    Perfeição do corpo consiste em beleza na forma, graça, alongamento, compactação, dureza e brilho de um diamante.”

    Tradução de Satchidananda:
    Beleza, graça, força e dureza adamantina constituem a perfeição do corpo.

    Tradução de Taimni:
    Beleza, compleição excelente, força e solidez adamantina constituem a perfeição do corpo.
    - o domínio dos bhutas levará o sadhaka a dquirir todos as qualidades que dependem da ação dos bhutas;
    - a fealdade e as imperfeições no corpo físico advém das desarmonias, das obstruções e dos karmas;
    - portanto, o corpo físico, mesmo sendo o mais rude dos nossos instrumentos, quando libertado atingirá a perfeição.


    3 . Execução do Ássana por B. K. S Iyengar





    O objetivo da prática de ássanas é a execução com o máximo de inteligência e amor.
    A ioga visa à purificação do corpo e sua exploração, bem como o refinamento da mente. Isso requer força de vontade para suportar a dor física sem agravá-la. Sem uma certa dose de estresse, é impossível sentir o verdadeiro ássana, e a mente continuará com suas limitações e não avançará além das fronteiras existentes. Esse estado limitado da mente pode ser descrito como pequenez, mesquinhez.

    Trikonasana é uma postura que Iyengar usou como exemplo em o “Luz na Vida” para demonstrar algumas armadilhas que prejudicam a perfeita execução do ássana. Se não houver dedicação para aprender os ajustes que permitirão ao corpo se abrir, a mente e a inteligência não se abrirão. Quando se pratica o ássana corretamente, o Eu se abre sozinho. Nesse ponto é o Eu que está fazendo o ássana, não o corpo nem o cérebro.

    Iyengar faz uma analogia da execução do ássana com a arte de tiro ao alvo: “o corpo é o arco, o ássana é a flecha e a Alma o alvo.”

    A definição de Herrigel em A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, prática milenar, é bem parecida de como se deve praticar os ássana:

    O tiro com o arco não tem como objetivo nem resultados práticos, nem o aprimoramento do prazer estético, mas exercitar a consciência, com a finalidade de atingir a realidade última. É harmonizar o consciente com o inconsciente. O domínio técnico é insuficiente. É necessário transcendê-lo, de tal maneira que ele se converta numa arte sem arte, emanada do inconsciente. Arqueiro e alvo deixam de ser entidades opostas, mas uma única e mesma realidade. O arqueiro não está consciente do seu “eu”, como alguém que esteja empenhado unicamente em acertar o alvo. Mas esse estado de não consciência só é possível alcançar se o arqueiro estiver desprendido de si próprio sem contudo desprezar a habilidade e o preparo técnico.

    A busca espiritual exige que se desenvolva o corpo até que ele deixe de ser um obstáculo. As emoções e o intelecto devem ser desenvolvidos para propósitos divinos.

    O ássana revela como o pensamento involuntário rouba o equilíbrio. O exemplo usado por Iyengar no livro “Luz na Vida” é o ássana ardha chandrasana. Basta ter um pensamento de comemoração em que alcançou o equilíbrio no ássana para que haja a queda na postura. É preciso ter a mente quieta para se manter estável na postura.

    É preciso aprender reflexão e correção no equilíbrio, para descobrir a origem dos movimentos e suas alterações, com isso é possível adquirir sensibilidade que leva ao autoconhecimento – o limiar da sabedoria.

    A prática do ássana traz inteligência para a superfície do corpo celular por meio do alongamento. Ao manter a postura, ela atinge o corpo fisiológico. Uma vez desperto, o corpo pode revelar seu aspecto dinâmico, sua capacidade de discernir. Por meio de avaliação e de ajuste preciso e cuidadoso do ássana, se atinge o equilíbrio, estabilidade e a mesma extensão em todas as partes do corpo, com isso aflora a capacidade de discernimento. “O discernimento é um processo de ponderação, que pertence ao mundo da dualidade. Quando se descarta o que está errado, resta apenas o que está correto. À medida que a inteligência se expande em consciência, o ego e a mente se contraem, assumindo as proporções adequadas. Deixam de se impor e passam a servir a inteligência. A memória agora, alia-se à inteligência que busca a liberdade, não à mente, que busca a servidão.”

    A penetração é possível em qualquer ássana que se execute com razoável proficiência. Uns poucos ássanas bem feitos podem ser suficientes para levar o sādhaka mais para dentro.

    4 .Entrevista India Questions Yogacharya B.K.S. Iyengar



    ROY: Bem-vindos ao INDIA QUESTIONS. Há um homem que tornou o yoga conhecido no mundo todo... Quem é esse homem? B.K.S. Iyengar. A revista Time o colocou entre as cem pessoas mais influentes do mundo. Ele conta com milhares de escolas, penso que mais de duas mil escolas de yoga ao redor do globo, e milhares de pessoas praticam Iyengar Yoga, que ele não gosta que chamem de Iyengar Yoga e nós vamos descobrir porquê, embora esses praticantes continuem a chamá-lo assim mesmo. Mas ele não gosta de publicidade e penso que ele é menos conhecido do que deveria em seu próprio país. Por que o senhor não gosta de publicidade?

    IYENGAR: Naquela época, quando iniciei, publicidade era uma coisa muito difícil (...) Por exemplo, embora eu ensinasse yoga desde 1935, meu nome apareceu pela primeira vez em 1954 quando um armênio se beneficiou...

    ROY: Foi Iehudi Menuhim, o grande violinista...

    IYENGAR: Sim, o grande violinista. Foi quando ele disse: “Eu sofria há vinte anos e não podia tocar meu violino e este homem me ensinou durante três dias e meus concertos se tornaram um sucesso”.

    ROY: E Iehudi Menuhim ficou muito agradecido desde então...

    IYENGAR: Até o final de sua vida.
    ROY: Mas deixe-me dizer-lhe uma coisa, o senhor não precisa de nenhuma publicidade. Sabe por quê? O senhor tem noventa anos e está em ótima forma. Esta é a juventude da Índia e eu acho que o senhor está melhor que muitos deles. Certamente melhor do que eu...

    IYENGAR: Eu acho que a juventude precisa mais do que nunca porque a vida está muito rápida e vibrante. Os jovens naturalmente têm essa vibração, mas ela não dura muito. Eu quero que esta vibração esteja sempre presente, como um rio que flui com velocidade da montanha em direção ao mar. Eu quero que meus jovens tenham essa velocidade...

    ROY: Então o senhor não é contra essa velocidade, o senhor é favorável...

    IYENGAR: (...) Patanjali diz que devemos mostrar força para aquietar a mente.

    ROY: O que o senhor fez muitos anos atrás, cerca de 60 anos, foi reviver a tradição do yoga clássico.

    IYENGAR: Sim.

    ROY: O senhor documentou o yoga meticulosamente. Defina o seu yoga.

    IYENGAR: Eu não digo que é o meu yoga, mas o que fiz foi dar qualidade a esse yoga. Veja, quando comecei a praticar, naquela época... a primeira coisa que o senhor deve saber é que eu estava com tuberculose, em 1928 foi diagnosticado com TB. Os médicos acharam que eu viveria por mais quatro ou cinco anos, mas eu ainda estou sobrevivendo e isso eu atribuo ao yoga. O que aconteceu foi que...

    ROY: Malária também e tifo...

    IYENGAR: Sim, tifo e malária, gripe... Então eu pratiquei yoga para ganhar saúde e felizmente a células más foram destruídas e cada célula passou a tocar o sino do yoga. Eu cheguei a esse nível. Aí, em 1935, quando comecei a ensinar yoga li alguns livros (...) Havia cinco professores de yoga e o yoga não era reconhecido. Eu achava que não deveria se assim em meu próprio país, o yoga era para aqueles entusiastas que se despiam, abandonavam seus pais, deixavam suas casas. Era essa a idéia dos indianos em 1935. Poucos professores de yoga.

    ROY: Poucos professores!

    IYENGAR: Eu estava em Puna, havia também em Kaivaliadam e Santa Cruz, apenas três instituições em toda a Índia... (?)

    ROY: Mesmo!

    IYENGAR: Então pensei que deveria dar qualidade ao yoga (...)
    Havia muitos livros e nenhum deles mencionava que deveríamos alinhar a mente ao corpo e a cada músculo. Pensei que deveria alinhar a partir do corpo externo... a parte externa do corpo, como levar a mente a cada parte do corpo para que este fluísse como uma energia.

    ROY: Deixe-me entender. O senhor está dizendo que queria que sua consciência chegasse a cada parte de seu corpo...

    IYENGAR: Eu queria que a minha consciência chegasse a cada parte do corpo como o fluir da água. Pensei que em meu corpo a energia deveria fluir até a sola do pé, até o arco do dedão (...)
    Eu queria que a minha consciência estivesse igualmente presente até o arco do dedão...

    ROY: Até no arco do dedão o senhor queria sua consciências. Fascinante!

    IYENGAR: Talvez vocês não saibam que temos dois arcos nos pés.

    ROY: Não fazia idéia...

    IYENGAR: Disse então que tinha que conseguir esse alinhamento. Assim está no Gita, (citação em sânscrito). O Senhor Krishna disse samakaya*, o que significa que o lado direito do corpo e o lado esquerdo do corpo devem estar exatamente alinhados do topo da cabeça até o períneo, passando pelo centro da garganta. Isso me deu a idéia de que eu deveria alinhar todas as partes do corpo de forma a não ocorrer nenhum desvio, refração ou contração
    (...)... Dessa forma eu esculpi essa arte.

    ROY: Posso fazer uma pergunta? Hoje, depois de sessenta nos de yoga, o senhor está com noventa anos...

    IYENGAR: Estou ensinando há 75 anos...

    ROY: Ensinando há 75 anos... O senhor recentemente afirmou que algumas partes o senhor ainda não conseguiu atingir... E nós então?

    IYENGAR: O que é conhecido eu posso explicar. O que é desconhecido eu não posso explicar. Assim continuo explorando o corpo como o templo da alma e é assim que devemos explorá-lo para que esteja limpo, pois se não está limpo ninguém pode entrar.

    ROY: Certo!

    IYENGAR: Assim sendo, decidi que queria que a minha consciência estivesse em todas as partes (...). Usei minha inteligência dessa forma, vou fazer uma analogia: você tem a linha e você tem a agulha (...). A agulha é a consciência, o buraco da agulha é a inteligência e a ponta da linha é a mente. No momento em que a ponta da linha entra no buraco da agulha a mente desaparece, ela se dissolve. Não há mente.

    * Sama-kaya: (“corpo inalterável”) um dos resultados do yoga correto e um dos sinais (cihna) positivos.


    5 . Ksurika Upanishad – Upanishad que resume a essência de todas as formas da yoga

    1 . Eu vou expor sobre a Navalha
    que é, de fato, a concentração da mente
    para realizar o Yoga;
    o yogin que a pratica
    estará seguro que não mais renascerá:

    2 . está aí a razão de ser
    e o propósito das Escrituras Védicas
    como a disse o senhor Svayambu, Ele mesmo!
    Para ter êxito, o yogin
    deve escolher um lugar calmo
    fazendo lá a sua morada;
    fixando-se em uma postura
    ele retrai os sentidos em si mesmo

    3 . como uma tartaruga retrai seus membros,
    fechando o seu espírito em seu coração
    Graças ao Yoga de doze posturas
    e ao uso da sílaba Om
    ele enche de ar, progressivamente,
    seu ser todo inteiro.

    4 . Fechando as portas do seu corpo
    ele retém o ar inspirado
    depois expira pouco a pouco
    para o alto para as narinas.

    5 . Tendo assim dominado seus sentidos,
    tornando-se mestre de si mesmo,
    ele pratica o controle da respiração
    com o seu polegar e os outros dedos;

    6 . depois o ar ele inspira suave
    em direção à parte baixa do seu corpo,
    fazendo-o entrar dentro das cavidade
    e refluindo-o até as panturrilhas.

    (....)

    13. Praticando o Yoga com constância,
    o yogin concentra sua mente
    com delicadeza sobre o Ponto Vital
    até cortá-lo pouco a pouco,
    como Indra, na sua Ira
    decepou a cabeça de Vrta!

    (...)

    21. Tendo dominado seu espírito
    graças ao ardor do seu Yoga,
    tendo rejeitado todo apego,
    conhecendo a fundo o Yoga,
    o yogin consciente consegue, em sua solidão,
    ficar livre dos desejos.

    22. Como um pássaro
    preso numa rede,
    voaria para o céu
    após haver cortado os fios,
    o Atman do yogin,
    libertado das malhas do desejo
    pela navalha do Yoga,
    escapa para sempre
    da prisão do samsara!

    23. Como uma tocha
    na hora da sua extinção
    cessa de brilhar quando termina
    de queimar o óleo que continha,
    o yogin desaparece
    quando termina de queimar
    os resíduos das suas ações.

    24. Sim, quando a navalha
    da concentração da mente
    afiada pela retenção do alento
    amolada sobre a pedra da renúncia,
    cortou a trama da vida,
    o yogin fica para sempre
    liberto das suas amarras.

    25. Livre de todo desejo,
    ele se torna imortal
    liberto das tentações
    tendo cortado a trama
    da mundanidade,
    ele não está mais nas amarras
    da transmigração.

    Tal é a Upanishad.


    6 . Trechos do Bhagavad Gita

    “Para não caíres em confusão, discerne bem o uso destes termos. Só se abstém verdadeiramente, aquele que não odeia a ação, nem por ela se apaixona; assim é que ele pratica a renunciação, nada odiando e nada desejando. Quem está acima dos contrastes e conserva-se calmo e contente, sempre pronto a cumprir a sua tarefa e, contudo, sem apegar-se à obra, facilmente se liberta do vínculo da ilusão.”

    “Ambos estes caminhos conduzem ao mesmo fim, e os que seguem um deles chegam ao mesmo ponto que os que vão pelo outro. Quem tem a reta percepção vê que o conhecimento e a atividade, ou – por outras palavras – a renúncia e aprática são uma coisa só, em sua essência.”

    “O yogi, tendo-se libertado de todo o apego, executa as ações do corpo, da mente e do intelecto, e até dos sentidos, sempre com o fim de purificar a mente, e sem qualquer motivo egoísta.”

    “Vivendo em harmonia com a Natureza, tendo abandonado o desejo e a esperança de recompensa pelas ações, alcança a Paz. Ao contrário, o homem que não vive em tal harmonia e que nutre desejos de recompensa por suas ações, é turbado, inquieto e descontente.”

    “Aquilo que chamas corpo ou teu eu pessoal, ó Arjuna! Alguns filósofos denominam ‘o Campo’. A quem o conhecem os Sábios o chamam ‘Conhecedor do Campo’.”
    “Sabe que Eu sou o Conhecedor do Campo em todos os Campos. A mim o discernimento entre o Campo e o Conhecedor do Campo é a verdadeira Sabedoria.”

    “Com o nome de Natureza Material designam-se os elementos materiais, a consciência de personalidade, o intelecto, a força vital, os centros dos sentidos, a mente, os órgãos dos sentidos.”

    “O amor e o ódio, o prazer e a dor, a multipliciadade, sensibilidade e coesão.”

    “A Sabedoria Espiritual consiste em: modéstia, sinceridade, inocência, paciência, retidão, respeito para com os superiores, castidade, constância, domínio de si próprio.”

    “Ausência de sensualidade, ausência de orgulho e vaidade, conhecimentos dos males de nascimento e morte, velhice, doença e sofrimentos.”

    “Ela ensina a libertar-se dos vínculos pessoais entre o possuidor da sabedoria e sua mulher, seus filhos, sua casa. Dá constante equanimidade e tranqüilidade de espírito, tanto na ventura como na desventura.”
    Referências Bibliográficas

    FEUERSTEIN, Georg. Enciclopédia do yoga da Pensamento. São Paulo: Pensamento, 2005.

    HERRIGEL, Eugen. A arte cavalheiresca do arqueiro zen. São Paulo: Pensamento, 1975.

    IYENGAR, B. K. S. A árvore do ioga: a eterna sabedoria do ioga aplicada à vida diária. São Paulo: Globo, 2001.

    IYENGAR, B. K. S. Light on yoga sutras of Patanjali. Great Britain: Thorsons, 2002.

    IYENGAR, B. K. S. A luz da ioga: uma edição concisa do clássico de B. K. S. Iyengar Light on Yoga. São Paulo: Cultrix, 1980.

    IYENGAR, B. K. S. Luz na vida: a jornada da ioga para a totalidade, a paz superior e a liberdade suprema. São Paulo: Summus, 2007.

    IYENGAR, B. K. S. Yoga: the path to holistic health. 2. ed. Great Britain: DK UK, 2008.

    LORENZ, Francisco Valdomiro. Bhagavad gita: a mensagem do mestre. São Paulo: Pensamento, 2006.

    TAIMNI, I.K. A ciência do yoga: comentários sobre os yoga-sutras de Patanjali à luz do pensamento moderno. São Paulo: Teosófica , 2004.

    TINOCO, Carlos Alberto. As upanishads da yoga: textos sagrados da antiguidade. São Paulo: Madras, 2005.

    SATCHIDANANDA, Swami. Yoga Sutra de Patanjali: transcrito e comentado. Belo Horizonte: Gráfica e Editora Del Rey, 2000.
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