20111211
Como a Mente Funciona?
20111006
Pratyahara e Dharana
Também pode ser encontrado aqui.
Negritos e caixas altas são minhas intromissões.
20110608
Afinal, que Yoga é essa? É Raja ou Hatha?
Em algumas metodologias, como na aplicação do método Iyengar, execução do aasana é proposta como uma forma de meditação:
''... Normalmente a mente está mais perto do corpo e dos órgãos densos da ação e da percepção do que da alma. A medida que os asanas são refinados, automaticamente tornam-se meditativos, pois a inteligência é feita para penetrar em direção ao cerne do ser. Cada asana possui cinco funções para executar, que são: conativo (tendência consciente para atuar), cognitiva, mental, intelectual e espiritual.....''(Iyengar)
20110605
Profundidade
20101110
Consciência Plena
+ Isaac
Por isso é importante ir para a aula experimental e para cada prática de Hatha Yoga sem intenção de provar nada, sem desejo, sem expectativas, sem querer provar, aprovar ou reprovar; ir apenas com o corpo com seus sentidos despertos e a mente aberta e algo vazia.
Se você não consegue desligar o botão do pré-juízo e do pré-conceito, melhor deixar sua aula experimental para outro dia, pois a única realidade que você vai evidenciar e vivenciar é a que já está restrita ao limites da expectativa da sua mente.
Seguindo a tradição da prática do Yoga, como sugere Patañjali, nos Yoga Sutras.
20101027
DYS 1.13 - Prática + Desapego: como faz?
1.13 tatra sthitau yatnah abhyasa
A tranquilidade necessária vem da certeza de que os resultados benéficos da prática adequada são acessíveis à todos, vem da atitude de 'perder' paulatinamente a vontade de alimentar seu lado 'ruim'. É um estado de serenidade que permanece na pessoa que pratica, não é comparável ao alívio fugaz e ilusório que a maioria das pessoas sente quando abandona os problemas para passar um final de semana ou férias longe de sua vida prosaica e que acaba quando acaba o feriado ou o período de férias, junto com o retorno da pessoa para a sua rotina.
Por vezes, obter esta tranquilidade e estabilidade exige que a pessoa tome medidas, faça um planejamento adequado da sua agenda ou maneira de viver para garantir o espaço necessário para estes atributos se estabelecerem.
20101026
DSY 1.10 - Sono sem sonhos
1.10 Abhava pratyaya alambana vritti nidra
O sono profundo ocorre quando a mente não está em menhuma outra atividade.
abhava = ausência, não-existência, a não-ocorrência, a negação, o vazio, o nada
pratyaya = a causa, o sentimento de causalidade, ou princípio cognitivo, noção, conteúdo da mente, apresentou idéia, a cognição
alambana = apoio alambana, substrato, apoiando-se, dependentes, tendo como base ou fundação
vritti = operações, atividades, flutuações, modificações, alterações, ou várias formas de campo da mente
nidra = sono profundo
O sono profundo é uma atividade regular e habitual da mente e há um tempo adequado destinado à esta atividade, que é natural em todos os seres vivos.
Sono bom restaura e vitaliza. Sono mau gerado pelo torpor ou pela estagnação provoca desânimo e exaustão e torna a mente muudha.
DYS - 1.12 Como chegar ao estado de Yoga
O Domínio dos sentidos
DSY 1.11 - Memória
A memória pode ter sobre as associações: a memória é algo com o qual todos estamos familiarizados. Algumas impressões armazenadas anteriormente simplesmente são despertadas no inconsciente, e depois brota na consciência, de ter perfurado o véu entre o consciente e o inconsciente. No entanto, revisitar a memória, muitas vezes traz consigo muitas outras memórias que, depois, ficam interligadas de tal forma que a memória original não é mais percebida em sua forma pura. Em outras palavras, a memória está sendo distorcida, pois nela estão misturados com outros tipos de padrões de pensamento.
A memória que está descrita aqui é a memória pura, sem ter aliciado ou sem acrescimos de outras memórias ou da criatividade, fantasia alucinante ou da imaginação, que é outro processo mental (vikalpa) . É bastante natural que essas impressões pensamento a subir no campo da mente. Ao discriminar entre os tipos de pensamentos, podemos ver quais são apenas memórias, e quais são as memórias que foram distorcidas e efetivamente se transformou em fantasias, que são vikalpa, descrita em 1,9 sutra. A memória sem gadgets, sem acréscimos não chega a ser preocupante para a nossa paz de espírito natural, ao passo que, quando associado com todos os outros processos , leva ao processo mental problemático que pode bloquear a meditação profunda.
20101012
DSY 1.9 - Imaginação
20101011
DYS 1.8 - A Compreensão Equivocada
20090515
Têmpera
Sweet Dreams - Eurythmics (é, vintage...)
Desejo.
O motor da mente agitada.
O desejo alimenta a, e se alimenta da expectativa, que pode ser fundamentada em parâmetros mais ou menos próximos da realidade.
Quanto mais distante da realidade (mais centrado no engano, no ego inflado ou sem educação), maior a frustração.
A vida fica duhkha.
Entenda como desarmar o (curto)circuito da frustração.
Para temperar a vida,
no sentido de manter o sabor, ser sal da terra
e também no sentido de se tornar firme e flexível como o aço da katana,
basta diminuir o volume de Citta.
20090324
20090221
Sutura

Yuj, é a raiz etimológica da palavra Yoga.
Yuj significa unir.
Joseph Campbell escreve no livro 'Mitos de Luz: Metáforas Orientais do eterno' que a palavra sutra [sânscrito] tem relação com a palavra sutura [português]: o fio que (re)une um tecido vivo que foi rompido.
Pode ser o fio, a fibra muscular nutrida, a fibra nervosa conectada feito fibra ótica que permite uma torrente de informações que amplia a consciência.
O fio pode ser entremeado, tecido, almalgamado: sensibilidade e consciência que nos levam a partir de nossos limites humanos e conhecidos em direção às leis da natureza, à Consciência Universal, ao que não tem nome e pode ser chamado de 'Desconhecido'.
20090216
Drops Yoga Sutra
Obs.: Clique na imagem para ver ampliada.
Os Yoga Sutras é um tratado dedicado exclusivamente ao Yoga, que surgiu por volta do século III a.C., atribuído à Patãnjali. É fonte de estudo e um manual de orientações valioso para quem pratica e investiga a tradição do Yoga de forma honesta e autêntica.
É composto por 195 versos ou sutras (sutra = fio, 'aforismo conciso que serve como artifício para memorizar os ensinementos sagrados'[1]) , distribuídos em 4 capítulos:
Daqui em diante o título DropYS indica a postagem de um aforismo e o número que acompanha o título indica o sutra comentado.
A tentativa é de que o comentário seja conciso e simples, acessível.
[1] Feuerstein, Georg: Enciclopédia de Yoga da Pensamento
20081127
Dhyana
Dhyana é contemplar, meditar.
Para Patanjali, a meditação representa a continuidade de um estado de concentração unidirecionada e profunda da consciência; é a porta de acesso à experiência de integração
Georg Feuerstein explica assim a meditação: “Todas as idéias que surgem giram em torno do objeto de concentração e são acompanhadas por uma disposição emocional calma e pacífica. Não se perde a lucidez; muito pelo contrário, a impressão que se tem é de estar-se ainda mais desperto, embora a consciência do ambiente externo seja pouca ou nenhuma”.
Para o psicólogo britânico John H.Clark, a meditação é um método pelo qual a pessoa se concentra cada vez mais em cada vez menos coisas, com o objetivo de esvaziar a mente sem perder, paradoxalmente, o estado de alerta.
Yoga sutras que dizem respeito à Dhyana:
1.39 (yatha abhimata dhyanat va)
Ou pela contemplação ou concentração em qualquer objeto ou atitude que se goste, ou em direção ao que se tem predileção, a mente se torna estável e tranquila.
* yatha = de acordo com
* abhimata = sua própria predisposição, escolha, desejo, vontade, gosto, familiaridade, preferência.
* dhyanat = medite em
* va = ou outras práticas dos sutras(1.34-1.39)
Este sutra torna claro que a chave principal para a estabilização da mente e a remoção dos obstáculos é ter apenas um foco para a concentração. A escolha deste foco será dada pela própria percepção e inteligência da pessoa.
Todos sabemos que o princípio de focar em algo agradável significa estabilizar a mente. Entretanto, a conveniência do objeto escolhido é outro assunto. Ver TV, jogar, ouvir música, conversar, etc., podem ser eficazes para sossegar parcialmente a agitação mental das atividades do dia. O foco está em cada uma dessas atividades e pode haver algum benefício, mas aquele que medita aprenderá a escolher objetos mais sofisticados para estabilizar a mente para a meditação.
Este sutra fala apenas da estabilização e clareza da mente e não da meditação profunda. Nesse nível o foco fornece uma base sólida para a prática mais refinada, mais sutil de meditação.
2.11 (dhyana heyah tat vrittayah)
Quando as flutuações mentais ainda têm algum potencial de coloração, elas são trazidas para o estado de simples latência através da meditação.
* dhyana = meditação
* heyah = é reduzida, abandonada, destruída
* tat = que
* vrittayah = atividades, flutuações, modificações mentais
Este sutra descreve o processo pelo qual algumas flutuações mentais reduzidas, são ainda mais enfraquecidas ou abandonadas pela meditação. Este processo funciona mais ou menos assim:
1. Estabilização da mente;
2. Redução da maior parte das flutuações mentais;
3. Transformá-las numa semente ;
4. Desintegrando-as de volta para o campo mental.
É uma linha divisória entre o trabalho mental em níveis grosseiros e as explorações mais sutis da mente. Ele pode ajudar muito na compreensão geral dos yogasutras.
3.2 (tatra pratyaya ekatanata dhyanam)
A permanência ou ininterrupção do fluxo neste foco único é chamado de absorção na meditação. O objeto ou a área do corpo interiorizado preenche todo o espaço da consciência.
* tatra = aí,neste lugar
* pratyaya = a causa, a sensação, o princípio causal ou cognitivo, noção, idéia apresentada
* ekatanata = eka = um; tanata = fluxo continuo de atenção ininterrupta
* dhyanam = meditação
Absorção no objeto - A concentração contínua em um foco é meditação. Normalmente, quando não há distração, há um momento de concentração. No momento seguinte vem a desatenção, e depois a atenção volta ao objeto da concentração. Quando a distração não mais ocorre, acontece a meditação.
Outro jeito de descrever o processo de meditação é que há uma contínua série de concentrações individuais num mesmo objeto ao invés de uma concentração contínua.
A meditação é decorrente de uma técnica que exige um longo e perseverante aprendizado. Neste estágio, a paciência e a determinação têm grande importância pois, no início, os exercícios de meditação parecem monótonos.
Dhyana não pode ser praticada por quem está estressado, possui corpo frágil, tem a coluna envergada, a mente agitada ou timidez. Ela está relacionada com uma faculdade mental superior, que exige preparo. A meditação não remove o estresse, não fortalece o corpo nem endireita a coluna. É necessária uma preparação no sentido de remover as condições inadequadas do corpo e da mente antes de iniciar a meditação.
Para Iyengar, é por meio do ássana que conseguimos relaxar o cérebro. Em geral, identificamos o cérebro com a cabeça. No ássana, a consciência se espalha pelo corpo e se irradia para cada célula deste corpo, criando uma percepção completa. Assim, o pensamento carregado de estresse é esvaziado e a mente focaliza o corpo, a inteligência e a percepção como um todo. O cérebro fica mais receptivo e a concentração se torna natural.
Em “A Luz da Yoga” o mestre ensina: “o yogue conquista o corpo pela prática de ássanas, tornando-o um veículo adequado para o espírito” e, sabiamente conclui, “uma alma sem um corpo é como uma alma sem seu poder de voar”.
Nós, praticantes de Iyengar yoga, sabemos por nossa própria experiência, que as condições inadequadas do corpo, como a fragilidade e a coluna envergada, são naturalmente dissipadas pela prática correta e constante dos ássanas.
Dessa maneira, aprendemos que Dhyana está relacionada com uma faculdade mental superior que exige preparação. Se o professor diz ao aluno: “relaxe o cérebro!” obviamente não conseguirá seu intento, mas, se colocá-lo em uma posição de halássana, o cérebro naturalmente se aquietará. É deste modo que podemos utilizar o corpo para cultivar a mente.
E, em seu visitadíssimo blog do yogue, o professor Sandro Bosco compartilha com os internautas seu vasto conhecimento: “A meditação na postura é fruto de uma atenção plena no corpo físico. É o caminho da percepção, segundo a segundo, da unidade de todas as partes do corpo que controem a postura. São lampejos de liberdade que se prolongam com a prática regular. Isto traz o yoga rasa, o néctar do yoga!”
Os 3 processos de concentração, meditação e samadhi usados juntos num mesmo objeto, lugar ou ponto denominam-se samyama
* trayam = os três
* ekatra = junto, como um só
* samyama = dharana concentração, dhyana–meditação e samadhi juntos
Dharana, Dhyana e Samadhi são os 3 últimos degraus do yoga e juntos denominam-se samyama.
A interiorização da atenção é feita através de 3 estágios:
* A atenção perfeitamente centrada e dirigida leva à concentração
* A concentração leva à meditação
* A meditação leva ao samadhi
No samyama, o objeto de dharana, dhyana e samadhi é um só. Através dele, a verdadeira natureza do objeto é vista e ele é afastado com desapego.
3.11 (sarvarathata ekagrata ksaya udaya chittasya samadhi-parinamah)
O domínio denominado Samadhi-parinamah é a transição por meio da qual a tendência da dispersão cede, enquanto que a tendência do foco em um só ponto aparece.
* sarvarathata = vários focos, todos os pontos
* ekagrata = um foco
* ksaya = decrescer, destruir, decair
* udaya = cresce, eleva
* chittasya = da consciência do campo mental
* samadhi-parinamah = transição para Samadhi, estado de perfeita concentração, nível mais elevado de meditação.
O estado de vários focos de pensamento refere-se à tendência da mente ser puxada em diversas direções, em samadhi-parinamah essa tendência cede, diminui, quando a mente se concentra ou foca em um só ponto. Todos nós experienciamos estas duas tendências no dia-a-dia. Este sutra nos orienta sobre o surgimento deste foco em um único ponto. Neste samadhi-parinamah há o testemunho da transição para o samadhi.
Ocorre a concentração extrema. Quando, em dharana, a atenção chega a seu ápice, nesse momento, o objeto de observação e o observador se fundem em pura consciência, tornando-se um só.
3.12 (tatah punah shanta-uditau tulya-pratyayau chittasya ekagrata-parinimah)
O controle denominado ekagrata-parinamah é a transição em que o mesmo foco se eleva e diminui sucessivamente.
* tatah = então
* punah = de novo, sucessivamente
* shanta-uditau = diminuição e elevação, passado e presente
* tulya-pratyayau = assemelhar-se
* chittasya = da consciência da mente
* ekagrata-parinimah = transição do foco único
O sutra anterior descreve que os diversos focos diminuem e o foco único aflora. Agora, neste sutra, o foco único diminui apenas para crescer novamente. Não há diversos focos, apenas vários ciclos de um único ponto. É a transição sendo experienciada.
A experiência e domínio sobre as próprias transições fornece o domínio sobre o processo do pensamento para ir além e vivenciar o centro da consciência.
4.6 (tatra dhyana jam anasayam)
No campo das consciências individuais da mente, a que surge da meditação é livre de impressões latentes que poderiam produzir karma. A consciência gerada pela meditação é livre de depósitos, portanto, de desejos e aflições.
* tatra = destas
* dhyana = meditação
* jam = nasce
* anasayam = livre de impressões depositadas ou de veículos kármicos, sem depósito de influências passadas.
Dhyana

É a totalidade experimentada do centro para a periferia.
É o caminho para eliminar o Klesas, que nada mais é que as 5 aflições naturais e inatas que afligem a todos nós.
1. Avidya => ignorância
2. Asmita => orgulho
3. Raga => apego/desejo
4. Dvesa => aversão
5. Abhinivesa=> medo da morte
A maioria das pessoas começa a praticar as posturas da yoga por questões práticas, poucas procuram por meio da iluminação espiritual.
Iyengar também não conhecia a glória do yoga, também estava atrás de benefícios físicos. E foi quando descobriu que a prática o levou da enfermidade para saúde, da fraqueza para a força.Seu corpo foi laboratório e testemunha das vantagens da yoga.
Quando reconhecemos os benefícios sentimos que algo está começando a acontecer, como uma nova sensação de leveza, calma e alegria, trazendo conhecimento que eleva a sabedoria. Conhecer a si mesmo é conhecer seu corpo, sua mente, sua alma. Esta jornada interior permitirá uma integração dos aspectos da existência como:

Estas camadas do nosso ser incorporam as oito pétalas da yoga que se revelam gradualmente.
1) Yama = ética externas
2) Niyama= observância, éticas internas
3) Asana= posturas
4) Pranayama= controle da respiração
5) Pratyahara= controle e recolhimento dos sentimentos
6) Dharana= concentração
7) Dhyana= meditação
8) Samadhi= absorção no êxtase
CÓDIGO DE COMPORTAMENTO
A medida que viajamos do exterior para o interior exploramos cada uma delas. Aprendemos a desenvolver controle sobre nossas ações no mundo externo e nos ajudam a desenvolver a autodisciplina. Todos sabemos que a mente afeta o corpo e quando os sentidos da percepção se voltam para dentro experimentamos o controle, o silêncio e a quietude da mente.
As três últimas pétalas constituem a integração final da yoga, mas que só se entra em um estado meditativo quando se tem alicerce e para isto existem duas principais práticas importantes que favorecem esse estado (asana- trabalha a expansão e extensão dos nervos e músculos libertando das tensões do corpo por meio de movimento, pranaiama- irrigação de energia), tornando-se o caminho para a cura do estresse, tensão e a pressa. Essas duas práticas são o meio de nos encaminhar para a sabedoria, conhecimento de si e do mundo, bem como a devoção, relaxando e libertando-nos da ansiedade, embora a yoga inicie-se com “culto ao corpo”, mas só aprendendo a relaxar o cérebro é que se remove o estresse.
Iyengar define ainda a meditação como contenção da consciência, da turbulência à calma absoluta.
A prática da meditação se estende em torno do samadhi absorção e imersão total da existência ou divindade universal.
A Yoga é uma escada que subimos, estamos no sétimo degrau e todo nosso peso repousa sobre ele e igualmente nas pétalas anteriores, pois todos serviram para treinar e nos colocar na melhor forma.
É necessário refinar o que já se realizou, por isto devemos continuar nos questionando, pois onde há orgulho a ignorância estará sempre presente.
Muitas pessoas, erroneamente, acreditam que a meditação produz resultados instantâneos: pensam que basta se sentar e aguardar que o processo funcionará como um passe de mágica, encantando o meditador e levando-o a um mundo sem pensamentos, pleno de bem-aventurança, quietude e brilho. Quando essas experiências não acontecem nas primeiras semanas de meditação, os novos praticantes crêem que estão fazendo alguma coisa errada ou que a sua técnica é ineficaz. Consequentemente, devido a esse entendimento errôneo, eles interrompem a prática.
O que se deve esperar das primeiras semanas de meditação? A mente é como um macaco enlouquecido por picadas de escorpiões, disse o grande iogue Ramakrishana, e as pessoas que começam a meditar e tentam concentrar-se sabem que isso é verdade. Principalmente no começo, a mente é insubordinada e incontrolável. Quando você se senta para meditar, muitos pensamentos surgem e sua mente vagueia, por vários motivos: sons e ruídos externos desviam sua concentração, seu corpo não fica quieto e você finalmente se levanta pensando que nada aconteceu.
Mas algo mudou! Com a prática regular você desenvolve a capacidade de manter a mente firme. Assim como o corpo de um atleta adquire grande força física e vitalidade com o treinamento diário, a pessoa que medita com dedicação desenvolve força mental e capacidade para concentrar-se. Somente com o passar do tempo é que surge o estágio em que conseguimos verdadeiramente fixar nossa mente no objeto da meditação e permanecer nele – então a verdadeira meditação é realizada. A função da meditação é trabalhar o interior da mente e eliminar todas as reações de ações passadas, registradas em nosso subconsciente. É como limpar uma casa. No meio do processo, a casa pode parecer mais suja do que no inicio, mas perseverando e não desistindo no meio, conseguimos limpá-la. Da mesma forma, perseverando na meditação, a mente se purifica cada vez mais.
Meditação é o esforço para controlar e desenvolver a mente, a fim de realizar a verdadeira natureza do ser humano. É o meio através do qual podemos desenvolver todo o nosso potencial em todos os níveis da existência: físico, mental e espiritual.
Sugestões para a prática:
* Manter o corpo confortável
* Limpeza interna (observar suas negatividades)
* Limpeza externa (higiene do corpo)
* Alimentação (não comer demais, nem de menos)
* Roupa confortável
* Manta ou cobertor para se manter aquecido
* Foco para a mente não julgar
* Mantra (libera a mente) ou uma palavra com significado pessoal (amor, paz).
Preparação do local:
* Desligar tudo que leva sua atenção para fora
* Local ventilado e inspirador
* No inicio não ser rígido com tempo e horário
* Manter o compromisso
* Diário: depois de meditar, escrever o que você viu ou sentiu
* Ásanas que preparam o corpo: Baddhakonasana (abertura do quadril), Uttanasana, Upavista konasana (afastamento das pernas)
* Asanas de meditação: Padmásana (Lótus), Sukasana, Siddhásana
* Apoio do quadril – os joelhos não podem ultrapassar a linha do quadril, ajustar a altura do apoio para não ficar com nenhuma tensão muscular.
Aspectos fisiológicos:
* Alteração do metabolismo
* Redução da taxa metabólica
* Redução do consumo de oxigênio
* Redução do Lactato
* Diminuição dos batimentos cardíacos
* Baixa da pressão arterial em até 20%
Técnicas que serão aplicadas na parte prática do seminário:
1. Visualizar um campo e prestar atenção ao primeiro pensamento que vier
2. Ontem e amanhã. Deixar os pensamentos virem e apenas “rotular” como passado ou futuro.
3. Observar a respiração, na entrada e saída do ar.
Fontes:
B.K.S.Iyengar – A Luz da Yoga; Luz na Vida.
Georg Feuerstein – A tradição do Yoga .
John H.Clark - Um Mapa dos Estados Mentais.
Swamij.com/yoga-sutras.htm
http://blogdoyogue.blog.uol.com.br/
Avadhútika Ánandamitra Ácarya - Yoga para a Saúde Integral
Pedro Kupfer - Guia de Meditação
Shrii Shrii Anandamurti (P.R.Sarkar) - A Liberação da Mente através do Tantra Yoga
Cantos: por Mark Giubarelli no site www.patanjali.sutras.com
Ássana
ÁSSANA
Ássana é o terceiro estágio dos oito passos de Patanjali. Iyengar o define como uma das mais significantes ferramentas que ajuda o aluno a se desenvolver fisicamente e espiritualmente. Enfatiza que é necessário colocar o coração na prática do ássana para se tornar mestre das circunstâncias, da vida e do tempo.
Em o “Luz na Vida”, Iyengar conta como iniciou sua jornada na yoga, que como a maioria das pessoas, foi pela procura dos benefícios físicos. Foi uma pessoa que nasceu com muitas enfermidades e se fortaleceu com a prática do ássana, mas descobriu que a yoga traz a realização espiritual. Ele cita que a maioria das pessoas que procuram a yoga por benefícios físicos, são pessoas de vida prática, anseios práticos, logo a yoga faz uma espécie de jogo com o corpo e com o eu e é se jogando que se aprendem as regras. Como o corpo é o veículo da alma, é preciso um corpo saudável para alcançar a libertação.
A prática das posturas protege dos perigos e vicissitudes dos extremos. É preciso construir no corpo e na mente uma força moral que permita ter um controle sensato sobre si.
O capítulo 2 trará a definição de ássana e os efeitos da prática pelos sutras de Patanjali.
II.46 sthira sukham āsanam
Tradução do Iyengar:
sthira: firme, fixo, constante, estável
sukham: felicidade, prazeroso
āsanam: posturas
“Ássana é a perfeita firmeza do corpo, estabilidade da inteligência e benevolência do espírito.”
Iyengar interpreta este sutra da forma como o ássana deve ser executado: sentimento de firmeza, estabilidade e permanência no corpo trazendo inteligência à mente e contentamento ao coração.
Atenção e disciplina devem ser aplicados na prática de cada ássana para penetrar as camadas mais profundas do corpo. O ássana meditativo deve ser cultivado pelas fibras, células, juntas e músculos em cooperação com a mente.
Na execução de qualquer ássana o corpo precisa estar firme para a mente se tornar serena e harmoniosa. Mas o ássana não deve ser executado com agressividade no alongamento dos músculos ou dos tecidos da pele. O espaço deve ser criado para que a pele receba as ações dos músculos, juntas e ligamentos. Com isso a pele envia mensagens para o cérebro, mente e inteligência com julgamento apropriado das ações. É quando a ação e a reação se harmonizam.
A prática de ássanas dá clareza ao sistema nervoso, fazendo a energia fluir por todos os outros sistemas do corpo sem obstrução.
Cada ássana tem cinco funções de execução: conativo, cognitivo, mental, intelectual e espiritual. No livro a Árvore do Ioga”, Iyengar explica as cinco funções da seguinte maneira:
O termo conatus significa esforço, impulso, o aspecto ativo da mente, que inclui desejo e volição. Ação conativa é apenas a ação física no seu nível mais direto. A ação cognitiva é quando os órgãos de percepção – pele, olhos, ouvidos e nariz – sentem o que está acontecendo com a carne na postura fisicamente realizada. A ação de comunhão acontece quando a mente observa o contato entre a cognição da pele e a ação conativa da carne, chegando assim à ação mental do ássana. A mente age como ponte entre o movimento muscular e a ação dos órgãos de percepção, introduzindo o intelecto e ligando-o com todas as partes do corpo – fibras, tecidos, células – com isso surge uma nova percepção. Quando a mente analisa todas as partes do corpo vindas da ação, então se alcança o estágio de ação reflexiva. A prática espiritual da yoga é quando há a reunião total, sem flutuações da ação conativa, cognitiva, mental e reflexiva, compondo a conscientização plena.
Tradução de Satchidananda:
- qualquer posição que traga conforto e estabilidade é um asana;
- basta dominar com perfeição um asana;
- para isso é preciso que o corpo esteja livre de toxinas físicas e mentais, pois estas criam enrijecimento e tensão;
- para conseguirmos uma postura meditativa é que foi criado o Hatha Yoga;
- através da prática dos asanas é possível livrar-se das toxinas;
- as verdades do Hatha Yoga são como ouro, outras coisas perdem o valor, mas o ouro é sempre o mesmo.
Tradução de Taimni:
A postura (deve ser) estável e confortável.
- os estudantes da filosofia do yoga devem compreender a diferença da prática de posturas no Hatha-Yoga e no Raja-Yoga;
- o Hatha-Yoga é baseado no princípio de que é possível produzir mudanças na consciência colocando em movimento correntes de certos tipos de forças sutis (prana e kundalini) a partir do corpo físico;
- para tal o corpo deve estar completamente saudável e pronto para o influxo e a manipulação dessas forças;
- em Raja-Yoga o método adotado para operar mudanças na consciência é controlar a mente pela vontade, suprimindo as citta-vrttis;
- o yogue deve eliminar completamente as perturbações provenientes do corpo físico;
- o yogue deve escolher qualquer uma das posições conhecidas como adequadas à meditação (padmasana ou siddhasana) e permenecer nessa postura por longos períodos sem fazer o menor movimento;
- com o tempo o yogue torna-se capaz de manter a postura indefinidamente a ponto de se esquecer completamente do corpo;
- para Taimni estável significa imóvel no sentido de fixar o corpo em determinada postura e manté-lo completamente imobilizado com relaxamento;
“Um determinado asana é considerado dominado quando o sadhaka pode mantê-lo estável (...) por quatro horas e vinte minutos”.
II.47 prayatna śaithilya ananta samāpattibhyām
prayatna: perseverança no esforço, aplicação contínua, empenho
śaithilya: relaxamento
ananta: infinito, ilimitado, eterno
samāpattibhyām: assumindo forma original, conclusão
Tradução do Iyengar:
“A perfeição em um ássana é alcançada somente quando o esforço para executá-lo se torna sem esforço e o estado de infinito íntimo é alcançado.”
Perfeição no ássana é alcançada somente quando o esforço cessa, transborda a infinita estabilidade e permite que o veículo finito, o corpo, emerja ao observador.
Quando o sādhaka alcança o estado de equilíbrio, atenção, extensão, difusão e relaxamento, toma lugar simultaneamente no corpo a inteligência e eles emergem no assento da alma. Este é o sinal da libertação das dualidades entre o prazer e a dor, contração e extensão, calor e frio, honra e deshonra, etc.
Perfeição no ássana traz felicidade e beatitude.
“O verdadeiro asana é aquele em que o pensamento de Brahman flui sem o menor esforço e incessantemente através da mente do sadhaka.” (Iyengar)
Tradução de Satchidananda:
Pela diminuição da tendência natural à intranqüilidade e pela meditação sobre o infinito, tem-se o domínio da postura.
- os sentidos querem experimentar muitas coisas, assim sendo nosso organismo fica muito poluído com as toxinas que nele penetram;
- para nos tranqüilizarmos devemos pensar em coisas estáveis;
- na tradição hindu costuma-se pensar em Adisesha, a serpente de mil cabeças que sustenta o mundo;
- essa imagem não deve ser entendida literalmente, mas devemos entender que a naja é uma imagem da força por conseguir manter a maior parte de seu corpo no ar;
- é através da quietude do corpo que dominaremos a intranqüilidade da mente;
- um dos mestres de Satchidananda costumava dizer: “Você não precisa repetir quaisquer orações ou mesmo praticar japa. Apenas sente-se tranqüilamente durante três horas a fio sem qualquer movimento que seja, sem nem mesmo piscar e tudo será então conseguido”;
- a importância de se fazer um voto e se manter inabalável no cumprimento desse voto (exemplo p. 159) como forma de dominar a mente.
Tradução de Taimni:
Pelo relaxamento do esforço e da meditação no “Infinito” (a postura é dominada.
- a manutenção de uma postura por longos períodos de tempo requer uma enorme força de vontade e para isso a mente deve ser dirigida constantemente para o corpo para impedir que este se movimente;
- Patanjali oferece duas alternativas para libertar a mente do corpo
- a primeira: para conseguir libertar a mente da consciência do corpo, o sadhaka deve aos poucos ir relaxando o esforço e transferindo o controle do corpo da mente consciente para a mente subconsciente;
- a segunda: meditar sobre ananta, a grande serpente que sustenta a terra, o que significa compreender que ananta é uma metáfora da força que mantém o equilíbrio da Terra.
II.48 tatah dvandvāh anabhighātah
tatah: então
dvandvāh: dualidades, oposições
anabhighātah: retenção das perturbações
Tradução do Iyengar:
“Então, o sādhaka não é perturbado pelas dualidades.”
O propósito do ássana é pôr um fim às dualidades ou diferenciações entre corpo e mente, mente e alma. O sādhaka se torna único entre corpo, mente e alma.
Tradução de Satchidananda:
Conseqüentemente, alguém jamais é perturbado pelas dualidades.
- em uma postura firme e confortável não somos afetados pelas dualidades porque a mente está sob controle;
- mesmo, às vezes, ao nos irritarmos não perderemos o controle da situação.
Tradução de Taimni:
Então não há ataque dos pares de opostos.
- aqui o sadhaka ganha resistência aos pares de opostos existentes tanto no ambiente externo como no ambiente interno do corpo, que fazem a nossa vida oscilar constantemente;
- os pares de opostos, que produzem a distração (viksepa), podem ser, como por exemplo, o calor e frio, que afetam o nosso corpo físico ou como a alegria e a tristeza que afetam a nossa mente;
- outros benefícios: um corpo saudável e resistente à fadiga e à tensão;
- adquirir aptidão para a prática de pranayama e o desenvolvimento da força de vontade.
III.45 sthūla svarūpa sūkşma avaya arthavatva samyamāt bhūtajayah
sthūla: densidade
svarūpa: forma, atributos
sūkşma: sutil
avaya: total penetração, comunhão
arthavatva: propósito, totalidade
samyamāt: por contenção, restrição
bhūtajayah: maestria sobre os elementos
Tradução do Iyengar:
Por contenção, o yogue ganha controle sobre a densidade e os elementos sutis da natureza, suas formas e gunas, tanto como seu propósito.
O Universo é constituído de elementos básicos da natureza (prakrti): terra, água, fogo, ar e éter. Cada elemento possui cinco atributos: massa, corpo sutil, forma, total penetração ou não, propósito.
A característica da forma corpórea dos elementos é: sólida, fluídica, calor, mobilidade e volume. Destes corpos, formam-se olfato, paladar, visão, tato e audição. Destas inter relações estão os três gunas, cujo o propósito é a liberdade ou beatitude.
O elemento terra tem cinco propriedades: som, tato, visão, paladar e cheiro. A água tem quatro: som tato, visão e sabor. O fogo três: som tato e visão. O ar tem som e tato e o éter tem uma única qualidade que é a do som.
Tradução de Satchidananda:Por meio do samyama sobre os elementos grosseiros e sutis, e sobre a sua natureza essencial, correlações e objetivos, adquire-se o domínio sobre eles.
Tradução de Taimni:
Domínio dos panca-bhutas (é obtido) pela aplicação de samyama aos seus estados denso, constante, sutil, inter-penetrante e funcional.
- panca-bhutas são as diferentes qualidades ou princípios corporificados, em diversos graus, em uma determinada coisa e que tornam essa coisa única, diferente de todo o resto;
- o domínio dos panca-bhutas só é obtido através do conhecimento direto, ou seja, da unificação da consciência com a coisa em si, o que só ocorre em samadhi.
III.46 tatah animādi prādurbhāvah kāyasampat taddharma anabhighātah ca
tatah: daí
animādi: poder de se tornar mínimo e tão forte
prādurbhāvah: manifestação, aparência
kāya: do corpo
sampat: perfeição
tad: deles
dharma: atribuição, função
anabhighātah: não resistência não obstrução, indestrutível
ca: e
Tradução do Iyengar:
“Da perfeição do corpo nasce (ou surge) a habilidade de resistir ao jogo dos elementos e (obter) poderes como anima (ou a capacidade de tornar-se bem pequeno)”.
O yogue pode reduzir ou expandir sua forma conscientemente. Pode se tornar leve ou pesado, pode perfurar rochedos e ter maestria e acesso a tudo.
Este sutra indica que pela conquista dos elementos, um yogue ganha maestria em três campos. O primeiro é a aquisição dos oito poderes supernaturais. O segundo é a perfeição do corpo no qual a terra não o suja, a água o umedeça e o fogo o queime. O vento não pode movê-lo e o espaço não pode ocultar seu corpo em qualquer lugar e em qualquer tempo.. O terceiro é a imunidade de lidar com os elementos e suas características e suas obstruções e distúrbios nos quais são criados.
Tradução de Satchidananda:
Daí vem a conquista de anima e outros siddhis, perfeição corporal e a não obstrução de funções corporais pela influência dos elementos.
(NOTA: Os oito principais siddhis que aqui se alude são: anima (tornar-se muito pequeno); mahima ( tornar-se muito grande); laghima (muito leve); garima (pesado); prapti (chegar a qualquer lugar); prakamya (realizar todos os desejos de alguém); isatva (capacidade para criar qualquer coisa); vasitva (capacidade para comandar e controlar tudo).
Tradução de Taimni:
Daí a obtenção de animan etc., a perfeição do corpo e a não obstrução de suas funções pelo poderes (dos elementos).
- como o primeiro resultado do domínio dos panca-bhutas advém os oito poderes ocultos ou maha-siddhis;
- os maha-siddhis são: animan, laghiman, gariman, prapti, prakamya, isatva, vasitva;
- o segundo resultado é a perfeição do corpo físico;
- o terceiro resultado é a imunidade da ação natural dos panca-bhutas; assim o yogue pode, por exemplo, atravessar o fogo sem se queimar e ainda obter outros poderes extraordinários e inacreditáveis;
- portanto, quem se torna senhor dos panca-bhutas também se torna senhor de todos os fenômenos naturais, ou seja, torna-se uno com a Consciência Divina.
III.47 rūpa lāvaņya bala vajra samhananatvāni kāyasampat
rūpa: forma graciosa, aparência
lāvaņya: graça, beleza, charme
bala: força
vajra: um raio, adamantino, duro, diamante, impenetrável
samhananatvāni: firmeza, compactação
kāya: corpo
sampat: perfeição, forma
Tradução do Iyengar:
“Perfeição do corpo consiste em beleza na forma, graça, alongamento, compactação, dureza e brilho de um diamante.”
Tradução de Satchidananda:
Beleza, graça, força e dureza adamantina constituem a perfeição do corpo.
Tradução de Taimni:
Beleza, compleição excelente, força e solidez adamantina constituem a perfeição do corpo.
- o domínio dos bhutas levará o sadhaka a dquirir todos as qualidades que dependem da ação dos bhutas;
- a fealdade e as imperfeições no corpo físico advém das desarmonias, das obstruções e dos karmas;
- portanto, o corpo físico, mesmo sendo o mais rude dos nossos instrumentos, quando libertado atingirá a perfeição.
3 . Execução do Ássana por B. K. S Iyengar
O objetivo da prática de ássanas é a execução com o máximo de inteligência e amor.
Iyengar faz uma analogia da execução do ássana com a arte de tiro ao alvo: “o corpo é o arco, o ássana é a flecha e a Alma o alvo.”
A definição de Herrigel em A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, prática milenar, é bem parecida de como se deve praticar os ássana:
O tiro com o arco não tem como objetivo nem resultados práticos, nem o aprimoramento do prazer estético, mas exercitar a consciência, com a finalidade de atingir a realidade última. É harmonizar o consciente com o inconsciente. O domínio técnico é insuficiente. É necessário transcendê-lo, de tal maneira que ele se converta numa arte sem arte, emanada do inconsciente. Arqueiro e alvo deixam de ser entidades opostas, mas uma única e mesma realidade. O arqueiro não está consciente do seu “eu”, como alguém que esteja empenhado unicamente em acertar o alvo. Mas esse estado de não consciência só é possível alcançar se o arqueiro estiver desprendido de si próprio sem contudo desprezar a habilidade e o preparo técnico.
A busca espiritual exige que se desenvolva o corpo até que ele deixe de ser um obstáculo. As emoções e o intelecto devem ser desenvolvidos para propósitos divinos.
O ássana revela como o pensamento involuntário rouba o equilíbrio. O exemplo usado por Iyengar no livro “Luz na Vida” é o ássana ardha chandrasana. Basta ter um pensamento de comemoração em que alcançou o equilíbrio no ássana para que haja a queda na postura. É preciso ter a mente quieta para se manter estável na postura.
A prática do ássana traz inteligência para a superfície do corpo celular por meio do alongamento. Ao manter a postura, ela atinge o corpo fisiológico. Uma vez desperto, o corpo pode revelar seu aspecto dinâmico, sua capacidade de discernir. Por meio de avaliação e de ajuste preciso e cuidadoso do ássana, se atinge o equilíbrio, estabilidade e a mesma extensão em todas as partes do corpo, com isso aflora a capacidade de discernimento. “O discernimento é um processo de ponderação, que pertence ao mundo da dualidade. Quando se descarta o que está errado, resta apenas o que está correto. À medida que a inteligência se expande em consciência, o ego e a mente se contraem, assumindo as proporções adequadas. Deixam de se impor e passam a servir a inteligência. A memória agora, alia-se à inteligência que busca a liberdade, não à mente, que busca a servidão.”
A penetração é possível em qualquer ássana que se execute com razoável proficiência. Uns poucos ássanas bem feitos podem ser suficientes para levar o sādhaka mais para dentro.
4 .Entrevista India Questions Yogacharya B.K.S. Iyengar
ROY: Bem-vindos ao INDIA QUESTIONS. Há um homem que tornou o yoga conhecido no mundo todo... Quem é esse homem? B.K.S. Iyengar. A revista Time o colocou entre as cem pessoas mais influentes do mundo. Ele conta com milhares de escolas, penso que mais de duas mil escolas de yoga ao redor do globo, e milhares de pessoas praticam Iyengar Yoga, que ele não gosta que chamem de Iyengar Yoga e nós vamos descobrir porquê, embora esses praticantes continuem a chamá-lo assim mesmo. Mas ele não gosta de publicidade e penso que ele é menos conhecido do que deveria em seu próprio país. Por que o senhor não gosta de publicidade?
IYENGAR: Naquela época, quando iniciei, publicidade era uma coisa muito difícil (...) Por exemplo, embora eu ensinasse yoga desde 1935, meu nome apareceu pela primeira vez em 1954 quando um armênio se beneficiou...
ROY: Foi Iehudi Menuhim, o grande violinista...
IYENGAR: Sim, o grande violinista. Foi quando ele disse: “Eu sofria há vinte anos e não podia tocar meu violino e este homem me ensinou durante três dias e meus concertos se tornaram um sucesso”.
ROY: E Iehudi Menuhim ficou muito agradecido desde então...
IYENGAR: Até o final de sua vida.
ROY: Mas deixe-me dizer-lhe uma coisa, o senhor não precisa de nenhuma publicidade. Sabe por quê? O senhor tem noventa anos e está em ótima forma. Esta é a juventude da Índia e eu acho que o senhor está melhor que muitos deles. Certamente melhor do que eu...
IYENGAR: Eu acho que a juventude precisa mais do que nunca porque a vida está muito rápida e vibrante. Os jovens naturalmente têm essa vibração, mas ela não dura muito. Eu quero que esta vibração esteja sempre presente, como um rio que flui com velocidade da montanha em direção ao mar. Eu quero que meus jovens tenham essa velocidade...
ROY: Então o senhor não é contra essa velocidade, o senhor é favorável...
IYENGAR: (...) Patanjali diz que devemos mostrar força para aquietar a mente.
ROY: O que o senhor fez muitos anos atrás, cerca de 60 anos, foi reviver a tradição do yoga clássico.
IYENGAR: Sim.
ROY: O senhor documentou o yoga meticulosamente. Defina o seu yoga.
IYENGAR: Eu não digo que é o meu yoga, mas o que fiz foi dar qualidade a esse yoga. Veja, quando comecei a praticar, naquela época... a primeira coisa que o senhor deve saber é que eu estava com tuberculose, em 1928 foi diagnosticado com TB. Os médicos acharam que eu viveria por mais quatro ou cinco anos, mas eu ainda estou sobrevivendo e isso eu atribuo ao yoga. O que aconteceu foi que...
ROY: Malária também e tifo...
IYENGAR: Sim, tifo e malária, gripe... Então eu pratiquei yoga para ganhar saúde e felizmente a células más foram destruídas e cada célula passou a tocar o sino do yoga. Eu cheguei a esse nível. Aí, em 1935, quando comecei a ensinar yoga li alguns livros (...) Havia cinco professores de yoga e o yoga não era reconhecido. Eu achava que não deveria se assim em meu próprio país, o yoga era para aqueles entusiastas que se despiam, abandonavam seus pais, deixavam suas casas. Era essa a idéia dos indianos em 1935. Poucos professores de yoga.
ROY: Poucos professores!
IYENGAR: Eu estava em Puna, havia também em Kaivaliadam e Santa Cruz, apenas três instituições em toda a Índia... (?)
ROY: Mesmo!
IYENGAR: Então pensei que deveria dar qualidade ao yoga (...)
Havia muitos livros e nenhum deles mencionava que deveríamos alinhar a mente ao corpo e a cada músculo. Pensei que deveria alinhar a partir do corpo externo... a parte externa do corpo, como levar a mente a cada parte do corpo para que este fluísse como uma energia.
ROY: Deixe-me entender. O senhor está dizendo que queria que sua consciência chegasse a cada parte de seu corpo...
IYENGAR: Eu queria que a minha consciência chegasse a cada parte do corpo como o fluir da água. Pensei que em meu corpo a energia deveria fluir até a sola do pé, até o arco do dedão (...)
Eu queria que a minha consciência estivesse igualmente presente até o arco do dedão...
ROY: Até no arco do dedão o senhor queria sua consciências. Fascinante!
IYENGAR: Talvez vocês não saibam que temos dois arcos nos pés.
ROY: Não fazia idéia...
IYENGAR: Disse então que tinha que conseguir esse alinhamento. Assim está no Gita, (citação em sânscrito). O Senhor Krishna disse samakaya*, o que significa que o lado direito do corpo e o lado esquerdo do corpo devem estar exatamente alinhados do topo da cabeça até o períneo, passando pelo centro da garganta. Isso me deu a idéia de que eu deveria alinhar todas as partes do corpo de forma a não ocorrer nenhum desvio, refração ou contração
(...)... Dessa forma eu esculpi essa arte.
ROY: Posso fazer uma pergunta? Hoje, depois de sessenta nos de yoga, o senhor está com noventa anos...
IYENGAR: Estou ensinando há 75 anos...
ROY: Ensinando há 75 anos... O senhor recentemente afirmou que algumas partes o senhor ainda não conseguiu atingir... E nós então?
IYENGAR: O que é conhecido eu posso explicar. O que é desconhecido eu não posso explicar. Assim continuo explorando o corpo como o templo da alma e é assim que devemos explorá-lo para que esteja limpo, pois se não está limpo ninguém pode entrar.
ROY: Certo!
IYENGAR: Assim sendo, decidi que queria que a minha consciência estivesse em todas as partes (...). Usei minha inteligência dessa forma, vou fazer uma analogia: você tem a linha e você tem a agulha (...). A agulha é a consciência, o buraco da agulha é a inteligência e a ponta da linha é a mente. No momento em que a ponta da linha entra no buraco da agulha a mente desaparece, ela se dissolve. Não há mente.
* Sama-kaya: (“corpo inalterável”) um dos resultados do yoga correto e um dos sinais (cihna) positivos.
5 . Ksurika Upanishad – Upanishad que resume a essência de todas as formas da yoga
1 . Eu vou expor sobre a Navalha
que é, de fato, a concentração da mente
para realizar o Yoga;
o yogin que a pratica
estará seguro que não mais renascerá:
2 . está aí a razão de ser
e o propósito das Escrituras Védicas
como a disse o senhor Svayambu, Ele mesmo!
Para ter êxito, o yogin
deve escolher um lugar calmo
fazendo lá a sua morada;
fixando-se em uma postura
ele retrai os sentidos em si mesmo
3 . como uma tartaruga retrai seus membros,
fechando o seu espírito em seu coração
Graças ao Yoga de doze posturas
e ao uso da sílaba Om
ele enche de ar, progressivamente,
seu ser todo inteiro.
4 . Fechando as portas do seu corpo
ele retém o ar inspirado
depois expira pouco a pouco
para o alto para as narinas.
5 . Tendo assim dominado seus sentidos,
tornando-se mestre de si mesmo,
ele pratica o controle da respiração
com o seu polegar e os outros dedos;
6 . depois o ar ele inspira suave
em direção à parte baixa do seu corpo,
fazendo-o entrar dentro das cavidade
e refluindo-o até as panturrilhas.
(....)
13. Praticando o Yoga com constância,
o yogin concentra sua mente
com delicadeza sobre o Ponto Vital
até cortá-lo pouco a pouco,
como Indra, na sua Ira
decepou a cabeça de Vrta!
(...)
21. Tendo dominado seu espírito
graças ao ardor do seu Yoga,
tendo rejeitado todo apego,
conhecendo a fundo o Yoga,
o yogin consciente consegue, em sua solidão,
ficar livre dos desejos.
22. Como um pássaro
preso numa rede,
voaria para o céu
após haver cortado os fios,
o Atman do yogin,
libertado das malhas do desejo
pela navalha do Yoga,
escapa para sempre
da prisão do samsara!
23. Como uma tocha
na hora da sua extinção
cessa de brilhar quando termina
de queimar o óleo que continha,
o yogin desaparece
quando termina de queimar
os resíduos das suas ações.
24. Sim, quando a navalha
da concentração da mente
afiada pela retenção do alento
amolada sobre a pedra da renúncia,
cortou a trama da vida,
o yogin fica para sempre
liberto das suas amarras.
25. Livre de todo desejo,
ele se torna imortal
liberto das tentações
tendo cortado a trama
da mundanidade,
ele não está mais nas amarras
da transmigração.
Tal é a Upanishad.
6 . Trechos do Bhagavad Gita
“Para não caíres em confusão, discerne bem o uso destes termos. Só se abstém verdadeiramente, aquele que não odeia a ação, nem por ela se apaixona; assim é que ele pratica a renunciação, nada odiando e nada desejando. Quem está acima dos contrastes e conserva-se calmo e contente, sempre pronto a cumprir a sua tarefa e, contudo, sem apegar-se à obra, facilmente se liberta do vínculo da ilusão.”
“Ambos estes caminhos conduzem ao mesmo fim, e os que seguem um deles chegam ao mesmo ponto que os que vão pelo outro. Quem tem a reta percepção vê que o conhecimento e a atividade, ou – por outras palavras – a renúncia e aprática são uma coisa só, em sua essência.”
“O yogi, tendo-se libertado de todo o apego, executa as ações do corpo, da mente e do intelecto, e até dos sentidos, sempre com o fim de purificar a mente, e sem qualquer motivo egoísta.”
“Vivendo em harmonia com a Natureza, tendo abandonado o desejo e a esperança de recompensa pelas ações, alcança a Paz. Ao contrário, o homem que não vive em tal harmonia e que nutre desejos de recompensa por suas ações, é turbado, inquieto e descontente.”
“Aquilo que chamas corpo ou teu eu pessoal, ó Arjuna! Alguns filósofos denominam ‘o Campo’. A quem o conhecem os Sábios o chamam ‘Conhecedor do Campo’.”
“Sabe que Eu sou o Conhecedor do Campo em todos os Campos. A mim o discernimento entre o Campo e o Conhecedor do Campo é a verdadeira Sabedoria.”
“Com o nome de Natureza Material designam-se os elementos materiais, a consciência de personalidade, o intelecto, a força vital, os centros dos sentidos, a mente, os órgãos dos sentidos.”
“O amor e o ódio, o prazer e a dor, a multipliciadade, sensibilidade e coesão.”
“A Sabedoria Espiritual consiste em: modéstia, sinceridade, inocência, paciência, retidão, respeito para com os superiores, castidade, constância, domínio de si próprio.”
“Ausência de sensualidade, ausência de orgulho e vaidade, conhecimentos dos males de nascimento e morte, velhice, doença e sofrimentos.”
“Ela ensina a libertar-se dos vínculos pessoais entre o possuidor da sabedoria e sua mulher, seus filhos, sua casa. Dá constante equanimidade e tranqüilidade de espírito, tanto na ventura como na desventura.”
HERRIGEL, Eugen. A arte cavalheiresca do arqueiro zen. São Paulo: Pensamento, 1975.
IYENGAR, B. K. S. A árvore do ioga: a eterna sabedoria do ioga aplicada à vida diária. São Paulo: Globo, 2001.
IYENGAR, B. K. S. Light on yoga sutras of Patanjali. Great Britain: Thorsons, 2002.
IYENGAR, B. K. S. A luz da ioga: uma edição concisa do clássico de B. K. S. Iyengar Light on Yoga. São Paulo: Cultrix, 1980.
IYENGAR, B. K. S. Luz na vida: a jornada da ioga para a totalidade, a paz superior e a liberdade suprema. São Paulo: Summus, 2007.
IYENGAR, B. K. S. Yoga: the path to holistic health. 2. ed. Great Britain: DK UK, 2008.
LORENZ, Francisco Valdomiro. Bhagavad gita: a mensagem do mestre. São Paulo: Pensamento, 2006.
TAIMNI, I.K. A ciência do yoga: comentários sobre os yoga-sutras de Patanjali à luz do pensamento moderno. São Paulo: Teosófica , 2004.
TINOCO, Carlos Alberto. As upanishads da yoga: textos sagrados da antiguidade. São Paulo: Madras, 2005.
SATCHIDANANDA, Swami. Yoga Sutra de Patanjali: transcrito e comentado. Belo Horizonte: Gráfica e Editora Del Rey, 2000.
Prática 1991
Krischnamacharia
Links dos Vídeos
www.youtube.com/watch?v=_BADXKj-9eE - prática de 1938
www.youtube.com/watch?v=3-wKYe2zLwA - entrevista
www.youtube.com/watch?v=fcPjvp4La8A - pranayama
http://br.youtube.com/watch?v=_eEFlYVff4Q - 1991
http://br.youtube.com/watch?v=cd_eTupTCbI - Krischnamacharia











