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20110727

Hesitar, excitar, ter êxito

he.si.tar
(lat haesitare) vti e vint 1 Estar incerto ou em dúvida a respeito do que dizer ou fazer. vti e vint 2 Deter-se indeciso, não se decidir. vti 3 Duvidar, vacilar. vint 4 Não se definir ou pronunciar com clareza e precisão. vint 5 Gaguejar; titubear.
 
ex.ci.tar
(lat excitare) vtd 1 Ativar a ação de. vtd 2 Despertar, estimular. vtd, vint e vpr 3 Produzir erotismo em. vtd e vpr 4 Enfurecer(-se), encolerizar(-se), exaltar(-se). vtd e vpr 5 Animar(-se).

ê.xi.to
(z) (lat exitu) sm Resultado feliz, sucesso final.

Na prática,
ao hesitarmos diante de um assana, provocamos dúvida/divisão que gera excitação mental, que nos afasta mais e mais da percepção corporal e da coordenação motora, e da liberdade de fazer a postura (união) com êxito.
Para ter êxito no asana basta:
  • compreender e seguir com fidelidade as instruções;
  • perceber como estão nossas restrições com relação aos movimentos e atitudes propostas no momento e negociar internamente com nossas retrições;
  • observar os resultados.

E ter sempre em foco,em mente que o êxito está no caminho, na presença, na execução, durante a entrada, a permanência e a saída do assana e não na forma 'final' que nosso corpo assume.
O caminho para a conquista do asana pode passar por algum desconforto, por despertar musculaturas inativas e descansar musculaturas tenazes, passa por engajar alguns músculos para que trabalhem em conjunto, em cadeia, para minimizar a carga de outros (e assim permanecer no asana por mais tempo, com mais estabilidade).

20101128

Pescaria: Respiração e Expressividade


3. O yoga: influência

O yoga, já mencionado anteriormente, foi uma das maiores influências que Graham teve no processo formativo de sua técnica. É importante esclarecermos que a formação de uma técnica não foi o principal objetivo desta coreógrafa em sua carreira. Segundo CAVRELL (1998), a técnica surgiu das necessidades impostas pelas criações coreográficas de Graham, seu objetivo primeiro. A técnica veio como consequência, diferentemente do caminho de Doris Humphrey que já objetivava a sistematização de uma técnica, uma forma de se coreografar.

Observamos a influência do yoga em Graham não apenas através de citações bibliográficas. Pudemos reconhecer posturas do yoga ou essência destas posturas em vários exercícios técnicos e em suas coreografias. Além disso, a preocupação com a respiração e a coluna também são preocupações da filosofia yogue.

O yoga surgiu na índia em consequência a uma necessidade de explicação ao mistério da vida, às crenças... Os sábios procuravam, então, observar a movimentação de animais e plantas, "transferindo para os homens os seus movimentos e formas, a fim de obterem a flexibilidade dos corpos, a calma e o repouso mental" (FERNANDES,N.-YOGA Terapia: O Caminho da saúde física e Mental. São Paulo: Ground, 1994: pág.22). Num sentido mais profundo yoga é um estado de mente livre de tendências reativas, um estado de consciência pura. Segundo FEUERSTEIN (Uma Visão Profunda do Yoga: teoria e prática. São Paulo: Pensamento, 2005), "o objetivo tradicional do yoga sempre foi o de ocasionar uma profunda transformação no praticante por meio da transcendência do ego".

Yoga é um sistema filosófico, organizado por Patanjali em seus yoga-sutras e costuma ser denominado como ashtanga yoga ou yoga de 8 membros. O yoga é um dos seis darshanas (escolas filosóficas ou sistemas) indianos, cujo objetivo é a educação integral do ser, o perfeito desenvolvimento corpo-mente.

Patanjali compilou todo este sistema no século II a.c., sintetizando a essência da filosofia yogue. A partir destas observações originaram-se os principais caminhos do yoga: Hatha, Karma, Raja, Jnâna, Bhakti. Hoje existem outras denominações e linhas que foram sendo modificadas e criadas. Até mesmo no Brasil foram criadas novas linhas do yoga. Desta forma, fica difícil catalogar todos os tipos existentes. Porém, a origem é a mesma. Segundo MEHTA (1995), de acordo com a codificação de Patanjali, oito instrumentos juntos constituem a totalidade da disciplina do yoga: abstinências (Yama), observâncias (Niyama), posturas (Asanas), controle da respiração (Pranayama), abstração (Pratyahara), percebimento (Dharana), atenção (Dhyana) e comunhão ou absorção (Samadhi):

- Yama -as abstinências-são a não-violência, a não-falsidade, o não-roubar, a não-indulgência e a não-possessividade.

- Niyama - as observâncias - são pureza, contentamento, simplicidade, auto-estudo e aspiração.

- Asanas são posturas que devem ser praticadas de forma firme e relaxada. Firme, contudo, não tensa; relaxada, e ainda assim graciosa.

- Pranayama - controle da respiração - é a regularização do sopro, e tem o propósito de trazer clareza de percepção.

- Pratyahara é a abstração dos sentidos, é um estado de introspecção em que estamos prestes a entrar em profunda reflexão ou meditação.

- Dharana - percebimento - é a orientação da mente em uma só direção, sem qualquer tensão. Leva à atenção total, plena. Leva à meditação.

- Dhyana - atenção - é a meditação propriamente dita.

- Samadhi - comunhão ou absorção - é um processo de interiorização, em que o corpo e os sentidos repousam, enquanto a mente e a razão ficam conscientes e ativas. É uma experiência de silêncio, de descontinuidade. A vida experimentada de momento a momento. É a percepção pura. Samadhi é um "estado de independência de condicionamentos passados e de reconhecimento da interdependência existencial entre todas as coisas do universo" (DE NUCCIO, 2006).

Para a pesquisa nos interessaram o terceiro e quarto instrumentos do yoga, que se referem à prática das posturas e ao pranayama (controle sobre o prana e, portanto, sobre a respiração). Utilizamos as posturas, onde pudemos reconhecer a técnica de chão de Graham, e outras específicas para o relaxamento de tensões localizadas nas práticas em grupo desenvolvidas pela pesquisa.

"As práticas do yoga promovem a estabilidade do corpo, fazendo desaparecerem as dores e aumentando a liberdade de movimentos" (FERNANDES,N.-YOGA Terapia: O Caminho da saúde física e Mental. São Paulo: Ground, 1994: pág.34). Tendo em vista o objetivo das práticas desta pesquisa, que foi a utilização da respiração como auxiliar em busca da expressividade, tentamos promovera liberação da respiração, ampliando a conscientização e flexibilidade corporal, tornando o corpo mais apto a expressar-se.

Utilizamos, mais especificamente, as posturas do Hatha-yoga, que é o yoga do físico, e os exercícios respiratórios, encontrados em diversas correntes do yoga. O objetivo das posturas "é permanecer numa posição firme, mas sem tensões. Ao manter-se numa postura, confortavelmente, encontra-se o equilíbrio mental. /.../" Quando praticadas corretamente, as posturas "deixam os discípulos vigilantes, relaxados e sem dores" (FERNANDES,N.-YOGA Terapia: O Caminho da saúde física e Mental. São Paulo: Ground, 1994: pág.28). A execução das posturas do yoga está sempre aliada à respiração. E também existem exercícios respiratórios específicos no chamado pranayama. O objetivo da execução destes exercícios na parte prática da pesquisa foi liberar tensões musculares e aumentar a conscientização com relação à respiração e ao corpo.

As semelhanças, em termos de preocupação, do yoga com a técnica de Graham encontram-se, mais enfaticamente, em torno da respiração. Em primeiro lugar, ambas dão importância fundamental a este ato essencial à vida. Graham estruturou os princípios de sua técnica nos movimentos decorrentes do processo respiratório. Em segundo lugar, a coluna como uma preocupação constante, o extremo trabalho enfocando a coluna, suas torções, a sustentação do corpo através dela, que podemos verificar em Graham reflete a sua influência pela Kundalini yoga, levantada por MILLE (1991).

Segundo a Kundalini yoga, dentro do miolo da coluna encontra-se um conduto energético, cuja extensão vai da base da coluna até o alto da cabeça. Nesta região flui uma poderosa energia, denominada energia kundalini. Nas laterais esquerda e direita deste centro energético, dois canais acessórios correspondentes ao feminino e ao masculino, se enrolam em torno da coluna como cobras, em sentido ascendente. Este enrolamento destas últimas duas energias forma cruzamentos, denominados 'chakras' ou círculos de energia, centros de consciência.

O grande desafio da Kundalini yoga é "despertara energia em estado potencial na base da coluna e fazê-la subir, através do canal interno, passando por todos os cakras, até atingir o topo do conduto; momento em que o estado de consciência atigiria sua maior expansão" (DE NUCCIO, 2006).

Correlaciona-se a cada cakra um ponto específico da coluna, além de determinados aspectos do comportamento, do desenvolvimento humano, determinados sistemas físicos e seus respectivos órgãos:

- Chakra da raiz (Muladhara): Localiza-se na base da coluna, no períneo, entre o ânus e os genitais. Relaciona-se com as necessidades básicas de sobrevivência e à estabilidade. Está associados aos pés, pernas, ossos, intestino grosso e às glândulas supra-renais. Sua cor é vermelha.

- Chakra do sacro (Svadisthana): Localiza-se na região dos genitais, no plexo do sacro. Relaciona-se à sexualidade, ao prazer, à criatividade, à auto-confiança e ao bem estar. Está associado ao sistema reprodutor, ovários, testículos, bexiga, rins, sistema circulatório. Sua cor é laranja.

- Chakra do plexo solar (Manipura): Localiza-se na região do umbigo, entre a décima segunda vértebra torácica e a primeira vértebra lombar. Relaciona-se à vontade, ao poder, às emoções intensas: riso, alegria, raiva. Está associado ao sistema digestivo, fígado, baço, estômago, intestino delgado e ao pâncreas. Sua cor é amarela.

- Chakra cardíaco (Anahata): Localiza-se próximo ao coração, entre a quarta e a quinta vértebra torácica. Relaciona-se com sentimentos de afeição, compaixão, amor. Está associado ao pulmão, ao timo, coração, braços e mãos. Sua cor é verde.

- Chakra laríngeo (Vishuddi): Localiza-se na região da garganta. Relaciona-se com a comunicação, expressão, criatividade, intuição. Está associado ao pescoço, ombros, garganta, tireóide e paratireóide. Sua cor é azul.

- Chakra frontal (Ajna): Localiza-se na testa, entre as sobrancelhas. Relaciona-se aos poderes da mente, auto percepção e auto controle. Está associado aos olhos, hemisférios cerebrais, à hipófise ou glândula pituitária. Sua cor é anil.

- Chakra coronário (Sahasrara): Localiza-se no alto da cabeça. Relaciona-se ao esclarecimento, à bem-aventurança, à compreensão da realidade transpessoal. Está associado ao córtex cerebral, à glândula pineal, a todo o corpo. Sua cor é violeta (OZANIEC, 1990).

6. Os conceitos do yoga são amplos, profundos. As informações aqui descritas visam apenas dar um breve contexto desta influência para uma melhor compreensão da técnica de Craham. Maiores informações podem ser consultadas na bibliografia de referência.
7. Existem variações nas obras de referência, a data provável oscila entre os séculos II a.C. e II d.C.
8 e 9. Professor Andês De Nuccio do Instuituto de yoga Isvara de Campinas em entrevista concedida.


Pescado do livro Respiração e expressividade: práticas corporais fundamentadas em Graham e Laban, de Patrícia Leal, São Paulo: AnnaBlume, 2006: páginas 24 a28.

20101027

Presente de aniversário



O baixo é a cara do meu, porém o meu tem 'só' 4 cordas.
Imperdíveis: deliruimzim do baixista aos 1:42 e 'Yabadabadoo' do Arnaldo aos 1:50.
(E tem a limpadinha da boca do Sérgio na manga do casaco bem no início...rs)
:-)

...
se eles rezam muito
estou nirodha...

20100713

Blá, Blá, blá

Tem coisa mais gostosa do que, em estado de relaxamento alerta, não distinguir nenhuma palavra dita durante a condução do relaxamento do final da aula? Uma 'coisa' meio assim, gato da propaganda do Wiskas sachê...;-)



Ao contrário da concentração do início da aula, que deve ter toda a a nossa atenção objetiva e toda a nossa participação em despertar e refinar o caminho das sensações das partes do corpo em direção ao cérebro e do cérebro em direção às partes do corpo, a não identificação das palavras do roteiro de relaxamento no final da aula indica uma ótima prática, uma prática que atingiu seu objetivo e que estamos em Pratyahara (o desapego da mente em relação aos sentidos, que então fica livre dos estímulos que os sentidos provocam e pode se voltar para dentro, se olhar no espelho límpido do auto-conhecimento).

Obs: A Wiskas ainda não patrocina este Blog.

20100606

As Cidades Invisíveis


Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.
― Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? ― pergunta Kublai Khan.
― A ponte não é sustentada por essa ou aquela pedra ― responde Marco ―, mas pela curva do arco que estas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:
― Por que falar de predras? Só o arco me interessa.
Polo responde:
― Sem pedras o arco não existe.

Ítalo Calvino, em 'As Cidades Invisíveis', pag.79.

20090522

Onde vive o mestre?



Dentro da baleia a vida é tão mais fácil, nada incomoda o silêncio e a paz do mestre...

Zé Rodrix subiu pro céu.
Dele também é a frase:
'Quando o discípulo está pronto, o mestre DESaparece.'

20090203

Lado B: qual é a sua, de verdade?


'Há uma história que ilustra a relação entre ego e dharma. É uma história que diz respeito a um membro dessa digna profissão: de professor. Na índia, "professor" traduz-se por guru; contudo, esta palavra define algo bem diferente daquilo que nós ocidentais entendemos por professor. "Professor", ou "mestre" para nós - pelo menos hoje - quer dizer alguém que transmite informação e alguém que o guia na sua vida, ajudando-o a superar crises que possam eventualmente surgir em seu caminho. Por sua vez, guru, significa alguém que é o seu modelo; cabe ao aluno identificar-se com o mestre, tornar-se como o mestre; o mestre tornou-se seu mestre e, assim, não há ninguém ali. O mestre simplesmente transmite o ideal, o dharma, adiante.

Essa é a história de um aluno que um dia chegou atrasado à aula. O mestre lhe diz: "Você está atrasado. Aconteceu alguma coisa?"

"Bem", diz o aluno, "Eu não conseguia chegar até aqui. Moro no outro lado do rio e ele inundou. Não havia nenhuma balsa e o ponto onde normalmente eu cruzo o rio estava muito fundo e, por isso, não pude vir até aqui".

"Bem", diz o mestre, "Você finalmente conseguiu chegar. A balsa o trouxe? As águas do rio baixaram?"

O aluno meneou a cabeça negativamente: "Não, o rio está do jeito que estava".

E o mestre: "Então, como conseguiu vir até aqui?"

Ele responde: "Pensei no meu mestre. Pensei: meu mestre é o veículo da verdade para mim, ele é meu deus, meu oráculo. Vou concentrar eu pensamento nele e caminharei sobre as águas, para cruzar o rio, e assim eu fiz. Pensei: Guru, guru, guru! e atravessei caminhando a inundação. Eis-me aqui".

"Uau!", exclamou o mestre, "Eu não sabia que eu era capaz de fazer isso". É claro que o mestre não havia feito isso.

Depois que o aluno vai embora, o mestre pensa que isso estava nele. Pensa consigo mesmo: "Vou tentar. Preciso ver como é que isso funciona". Então, olha em volta, para ver se não há ninguém observando. Ao ter a certeza de estar sozinho, aproxima-se das águas do rio, olha aquela forte correnteza e decide: "Vou fazer isso". E pensa: "Eu, eu, eu". Aproxima-se, entra no rio... e afunda feito uma pedra.

O único motivo que leva alguém a caminhar sobre as águas é o fato de que lá não há ninguém; a pessoa é puro espírito, spiritus, vento. Em sânscrito, chama-se a isso prana. Na mente do aluno, esse mestre era um comunicador da verdade. Na mente do mestre, ele era um "Eu", e o eu pesa e afunda. '

Joseph Campbell, em ‘Mitos de Luz – Metáforas Orientais do Eterno’, pás 131 e 132.

Lado B:
'Quando o discípulo está pronto, o mestre desaparece.'
Zé Rodrix

Comentário póstumo:
desaparece, mas não necessariamente afunda. ;-)

20081210

Lado B


"Tudo o que vocês vivem interiormente têm graves conseqüências. Por quê? Porque cada pensamento, cada sentimento e cada desejo tem a propriedade de atrair do espaço uma matéria que lhe corresponde.

Assim, bons pensamentos, bons sentimentos e bons desejos, sustentados por uma vontade firme, atraem partículas de uma matéria pura, eterna, incorruptível. Se vocês trabalharem todos os dias para atrair essa matéria, ela entra em vocês, e encontra aí o seu lugar, ao mesmo tempo, ela tira todas as partículas velhas, obscuras, doentias, até renovar completamente os seus corpos físico, etérico, astral e mental.

E sendo cada partícula de matéria ligada a uma força que lhe corresponde, quanto mais uma matéria é pura, mais ela vibra e atrai as forças correspondentes à sua natureza. Por isso, quando substituírem no seu organismo as partículas já velhas pelas novas partículas mais puras, vocês atrairão as correntes e as forças das regiões celestes."

Omraam Mikhaël Aïvanhov

Todo mundo tem seu lado B:

O lado Brilhante, Belo, Bom, do Bem.

Me pego tecendo neurônio: vamos nutrir essa Belezura toda, vamos escolher o que realmente nos nutre:

  • a comida honesta;

  • o ar solar ou lavado de chuva, limpo;

  • as relações harmoniosas, onde o requisito de desempenhar papéis é apenas social, não há intenção de jogos de poder;

  • o espaço entre pensamentos e o calmo pensar, que flui em sentimentos elevados e emoções que curam.

  • Há condição de construir apartir de agora um novo corpo , em todos os seus níveis de existir, que permita a expressão íntegra do lado B de cada um. Um corpo que pode ser volitivamente aperfeiçoado, segundo a evolução da Consciência.